{"id":10300,"date":"2017-05-01T12:06:12","date_gmt":"2017-05-01T16:06:12","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=10300"},"modified":"2017-05-01T12:06:12","modified_gmt":"2017-05-01T16:06:12","slug":"sobre-o-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/05\/01\/sobre-o-trabalho\/","title":{"rendered":"SOBRE O TRABALHO"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"10301\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/05\/01\/sobre-o-trabalho\/tra\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/tra.jpg?fit=500%2C327\" data-orig-size=\"500,327\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"tra\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/tra.jpg?fit=300%2C196\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/tra.jpg?fit=500%2C327\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/tra.jpg?resize=500%2C327\" alt=\"tra\" width=\"500\" height=\"327\" class=\"alignnone size-full wp-image-10301\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/tra.jpg?w=500 500w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/tra.jpg?resize=300%2C196 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/tra.jpg?resize=459%2C300 459w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p>Lel\u00ea Teles<\/p>\n<p>no Brasil, por s\u00e9culos, trabalho era coisa para pretos.<br \/>\ne os pretos o faziam por obriga\u00e7\u00e3o, por ordem expressa e debaixo de vara.<br \/>\nali\u00e1s, a tortura est\u00e1 na origem da palavra trabalho, tripalium.<!--more--><\/p>\n<p>na entrada do campo de concentra\u00e7\u00e3o e exterm\u00ednio de Auschwitz, lia-se: a liberta\u00e7\u00e3o pelo trabalho.<br \/>\no trabalho ali, ao contr\u00e1rio do que possa parecer, era uma puni\u00e7\u00e3o; a \u00fanica liberta\u00e7\u00e3o era a morte.<br \/>\ntodos os povos do mundo que foram escravizados: eslavos (origem da palavra slave), hebreus, africanos, ucranianos, poloneses, russos, finlandeses&#8230; o foram como m\u00e3o de obra a ser explorada.<br \/>\no trabalhador \u00e9 aquele que, com o suor do seu trabalho, lubrifica a m\u00e1quina que o estrangula.<br \/>\no trabalho danifica o homem.<br \/>\nem 1957, camponeses arruinados pela seca deixaram o semi\u00e1rido nordestino e foram para o planalto central, com a promessa feita por aliciadores de que na proto-Bras\u00edlia eles encontrariam trabalho remunerado.<br \/>\npromessa de uma vida melhor com a qual eles sonhavam, enquanto sacolejavam nos paus-de-arara que os transportavam.<br \/>\ntrabalharam, esses infelizes, de dez a doze horas por dia, debaixo de um sol inclemente e sob um clima mais seco que o do deserto do Saara.<br \/>\nmuitos se lembram do cafezinho batizado que vinha, sempre, no final da tarde quando todos j\u00e1 estavam exaustos.<br \/>\ntomavam drogas no caf\u00e9 e despertavam como um H\u00e9rcules.<br \/>\nesses pobres trabalhadores rurais que nunca haviam visto m\u00e1quinas, erigiram em tempo recorde a cidade mais moderna do Brasil.<br \/>\ne, veja que curioso, eles n\u00e3o tiveram nenhum treinamento, aprenderam a fazer fazendo.<br \/>\npor conta da pressa e das p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho e seguran\u00e7a &#8211; veja as fotos da \u00e9poca e ver\u00e1s oper\u00e1rios sem luvas, de chinelo de dedo e chap\u00e9u de palha &#8211; muitos morreram e tantos outros ficaram mutilados.<br \/>\nmoravam, em barracos min\u00fasculos, dentro de uma cratera onde mais tarde se inundaria um lago.<br \/>\nestavam ali a construir pal\u00e1cios e resid\u00eancias e seriam jogados fora, expelidos como restos de constru\u00e7\u00e3o.<br \/>\ndurante o \u00faltimo carnaval, antes da inaugura\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia, os trabalhadores explorados por empreiteiras reclamaram mais uma vez da comida ruim e pouca.<br \/>\npor essa insubordina\u00e7\u00e3o, centenas deles foram metralhados pelo ex\u00e9rcito dentro do refeit\u00f3rio da construtora.<br \/>\nesses construtores aprenderam com a cidade que fizeram nascer que o nome do trabalho \u00e9 explora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nat\u00e9 hoje se diz que foram JK, Niemeyer e L\u00facio Costa que constru\u00edram Bras\u00edlia, embora nenhum destes sujeitos tenham dado uma \u00fanica martelada em um prego.<br \/>\nn\u00e3o h\u00e1 registros na hist\u00f3ria das pessoas que constru\u00edram as pir\u00e2mides eg\u00edpcias, as cidades astecas e incas ou a capital do Brasil.<br \/>\nporque o trabalhador \u00e9 apenas uma ferramenta.<br \/>\ne toda vez que ele luta por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, descanso remunerado e paz no final da vida, sempre vir\u00e3o os exploradores privilegiados a gritar que eles j\u00e1 t\u00eam direitos demais.<br \/>\nquerem lhe tirar at\u00e9 a aposentadoria e escrever em sua carteira de trabalho a frase da fachada de Auschwitz, o trabalho liberta.<br \/>\ndesde que o sujeito trabalhe at\u00e9 a morte.<br \/>\npalavra da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lel\u00ea Teles no Brasil, por s\u00e9culos, trabalho era coisa para pretos. e os pretos o faziam por obriga\u00e7\u00e3o, por ordem expressa e debaixo de vara. ali\u00e1s, a tortura est\u00e1 na origem da palavra trabalho, tripalium.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-10300","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-2G8","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10300","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10300"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10300\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10302,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10300\/revisions\/10302"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10300"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10300"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10300"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}