{"id":10617,"date":"2017-05-14T21:27:01","date_gmt":"2017-05-15T01:27:01","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=10617"},"modified":"2017-05-14T21:27:01","modified_gmt":"2017-05-15T01:27:01","slug":"nietzsche-o-estado-mente-e-tudo-que-tem-foi-roubado","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/05\/14\/nietzsche-o-estado-mente-e-tudo-que-tem-foi-roubado\/","title":{"rendered":"Nietzsche: o Estado mente e tudo que tem foi roubado"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"10618\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/05\/14\/nietzsche-o-estado-mente-e-tudo-que-tem-foi-roubado\/img_7464\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_7464.jpg?fit=720%2C700\" data-orig-size=\"720,700\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"IMG_7464\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_7464.jpg?fit=300%2C292\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_7464.jpg?fit=600%2C583\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_7464.jpg?resize=600%2C583\" alt=\"IMG_7464\" width=\"600\" height=\"583\" class=\"alignnone size-full wp-image-10618\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_7464.jpg?w=720 720w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_7464.jpg?resize=300%2C292 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_7464.jpg?resize=309%2C300 309w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Do Novo \u00cddolo<\/p>\n<p>Nalguns lugares ainda h\u00e1 povos e rebanhos, mas n\u00e3o entre n\u00f3s, meus irm\u00e3os: entre n\u00f3s h\u00e1 Estados.<\/p>\n<p>Estados? O que \u00e9 isso? Vamos! Apurai os ouvidos, porque agora vou falar-vos da morte dos povos.<!--more--><\/p>\n<p>Estado \u00e9 o nome do mais frio de todos os monstros gelados. Ali\u00e1s, ele mente de uma maneira fria e a mentira que sai da sua boca \u00e9 esta: \u201cEu o Estado sou o Povo.\u201d<\/p>\n<p>Mentira! Eram criadores aqueles que criaram os povos e por cima deles suspenderam uma f\u00e9 e um amor: deste modo serviam a vida.<\/p>\n<p>S\u00e3o destruidores aqueles que armam ciladas \u00e0 multid\u00e3o e chamam a isso Estado: suspenderam por cima deles uma espada e cem cobi\u00e7as.<\/p>\n<p>No lugar onde ainda existe um povo, este n\u00e3o tolera o Estado e odeia-o como um mau-olhado, como um pecado contra os costumes e o direito.<\/p>\n<p>Dou-vos este sinal: cada povo fala a sua l\u00edngua acerca do bem e do mal: o vizinho n\u00e3o a compreende. Inventou a sua linguagem nos costumes e no direito.<\/p>\n<p>Mas o Estado mente em todas as l\u00ednguas acerca do bem e do mal; tudo o que ele diga \u00e9 mentira- tudo o que ele tenha \u00e9 roubo.<\/p>\n<p>Nele tudo \u00e9 falso: morde com dentes roubados, o c\u00e3o malvado. At\u00e9 as suas entranhas s\u00e3o falsas.<\/p>\n<p>Confus\u00e3o das l\u00ednguas do bem e do mal: dou-vos este sinal como sinal do estado. Na verdade, este sinal quer dizer vontade de morte! Na verdade, ele chama os pregadores da morte!<\/p>\n<p>Demasiados homens v\u00eam ao mundo: o Estado foi inventado para os sup\u00e9rfluos!<\/p>\n<p>Vede, pois, como os atrai, \u00e0queles que est\u00e3o a mais! Como ele os engole, os mastiga e os rumina!<\/p>\n<p>Nada h\u00e1 maior do que eu sobre a terra: sou o dedo soberano de Deus- assim ruge o monstro. E n\u00e3o s\u00e3o unicamente os de grandes orelhas e de vista curta que se p\u00f5em de joelhos!<\/p>\n<p>Oh! Tamb\u00e9m a v\u00f3s, almas grandes, ele murmura sombrias mentiras! Oh! Como ele adivinha os cora\u00e7\u00f5es ricos que gostam de fazer prodigalidades!<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo a v\u00f3s vos adivinha vencedores do velho deus! O combate fatigou-vos e agora essa fadiga serve para o novo \u00eddolo!<\/p>\n<p>Esse novo \u00eddolo desejaria rodear-se de her\u00f3is e de homens honrados! Gostava de se aquecer ao sol da boa consci\u00eancia- o frio monstro!<\/p>\n<p>O novo \u00eddolo dar-vos-\u00e1 tudo se v\u00f3s o adorais: \u00e9 desse modo que compra o brilho da vossa virtude e o vosso olhar altivo.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s de v\u00f3s quer atrair aqueles que est\u00e3o a mais! Trata-se da inven\u00e7\u00e3o duma marcha infernal, dum cavalo de batalha da morte tilintando sob os arreios das honras divinas!<\/p>\n<p>De facto, \u00e9 a inven\u00e7\u00e3o duma morte para a maioria, duma morte que se vangloria a si pr\u00f3pria de ser a vida: na realidade, um servi\u00e7o prestado a todos os pregadores da morte!<\/p>\n<p>Dou o nome de Estado ao lugar em que todos, bons e maus, gostam de veneno: Estado, o lugar em que todos, bons e maus, se perdem a si mesmos; Estado, o lugar em que o lento suic\u00eddio de todos se chama \u201ca vida\u201d.<\/p>\n<p>Vede, pois, esses que est\u00e3o a mais! Apropriam-se das obras dos inventores e dos tesouros dos s\u00e1bios. Chamam ao seu roubo cultura e tudo para eles se torna em doen\u00e7a e males.<\/p>\n<p>Vede, pois, esses que est\u00e3o a mais! Est\u00e3o sempre doentes, vomitam a sua b\u00edlis, e a isso chamam jornal. Devoram-se uns aos outros e nem sequer se podem digerir.<\/p>\n<p>Vede, pois, esses que est\u00e3o a mais! Adquirem riquezas e s\u00f3 conseguem tornar-se mais pobres. Esses impotentes querem o poder e, antes de tudo o resto, a alavanca do poder, ou seja, muito dinheiro!<\/p>\n<p>Vede-os trepar \u00e1geis macacos! Sobem uns por cima dos outros e empurram-se para a lama e para o abismo.<\/p>\n<p>Querem aproximar-se todos do trono: \u00e9 essa a sua loucura- como se a felicidade estivesse no trono! Muitas vezes \u00e9 a lama que est\u00e1 no trono ou ent\u00e3o \u00e9 o trono que assenta na lama. Aos meus olhos, s\u00e3o todos loucos, macacos trepadores e pessoas febris. O monstro frio, o seu \u00eddolo, cheira mal: todos esses id\u00f3latras cheiram mal.<\/p>\n<p>Quereis sufocar no meio das exala\u00e7\u00f5es das suas gargantas e dos seus apetites, meus irm\u00e3os? Mais vale quebrardes as janelas e saltardes para fora.<\/p>\n<p>Evitai o mau cheiro! Afastai-vos da idolatria dos sup\u00e9rfluos!<\/p>\n<p>Evitai o mau cheiro! Afastai-vos do fumo desses sacrif\u00edcios humanos!<\/p>\n<p>Apesar de tudo, a terra agora ainda est\u00e1 livre para as grandes almas. H\u00e1 ainda muitos lugares vazios para aqueles que est\u00e3o sozinhos ou que t\u00eam a sua solid\u00e3o a dois, lugares onde sopra o odor dos mares silenciosos.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda uma vida livre para as grandes almas. Na verdade, quem pouco possui tamb\u00e9m \u00e9 pouco possu\u00eddo: aben\u00e7oada seja a pequena pobreza!<\/p>\n<p>Precisamente onde termina o Estado come\u00e7a o homem que n\u00e3o \u00e9 sup\u00e9rfluo: a\u00ed come\u00e7a o c\u00e2ntico dos que s\u00e3o necess\u00e1rios, a melodia \u00fanica e incompar\u00e1vel.<\/p>\n<p>Olhai bem, portanto, meus irm\u00e3os, para onde termina o Estado! N\u00e3o vedes o arco-\u00edris e a ponte do Super-Homem?<\/p>\n<p>Assim falava Zaratustra.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o do livro: \u201cAssim Falou Zaratustra\u201d Cap. \u201cDo Novo \u00cddolo\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do Novo \u00cddolo Nalguns lugares ainda h\u00e1 povos e rebanhos, mas n\u00e3o entre n\u00f3s, meus irm\u00e3os: entre n\u00f3s h\u00e1 Estados. Estados? O que \u00e9 isso? Vamos! 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