{"id":1074,"date":"2016-05-19T17:05:52","date_gmt":"2016-05-19T21:05:52","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=1074"},"modified":"2016-05-19T17:05:52","modified_gmt":"2016-05-19T21:05:52","slug":"nao-troco-meu-cuscuz-pelo-hamburguer-de-ninguem-e-caruaru-tera-o-maior-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2016\/05\/19\/nao-troco-meu-cuscuz-pelo-hamburguer-de-ninguem-e-caruaru-tera-o-maior-do-mundo\/","title":{"rendered":"N\u00e3o troco meu cuscuz pelo hamb\u00farguer de ningu\u00e9m! E Caruaru ter\u00e1 o maior do mundo"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"1075\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2016\/05\/19\/nao-troco-meu-cuscuz-pelo-hamburguer-de-ninguem-e-caruaru-tera-o-maior-do-mundo\/image-244\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/image-210.jpeg?fit=290%2C217\" data-orig-size=\"290,217\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/image-210.jpeg?fit=290%2C217\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/image-210.jpeg?fit=290%2C217\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/image-210.jpeg?resize=290%2C217\" alt=\"image\" width=\"290\" height=\"217\" class=\"alignnone size-full wp-image-1075\" \/><\/p>\n<p>\u201cCuscuz \u00e9 a massa de milho, pilada, temperada com sal, cozida ao vapor d\u2019\u00e1gua e depois umedecida com leite de coco. Com ou sem a\u00e7\u00facar. <!--more--><\/p>\n<p>Era, outrora, de feitura caseira e presentemente industrializada, vendido pelo Brasil inteiro, pela manh\u00e3 e a tarde. Com manteiga, figura no caf\u00e9 matinal ou na ceia frugal ao anoitecer. Dissolvem-no no leite de vaca, cuscuz com leite, sopinha gostosa e f\u00e1cil.<\/p>\n<p>No sul h\u00e1 o cuscuz paulista e tamb\u00e9m o mineiro, com recheio de peixe esfiado, crust\u00e1ceos, molho espesso de tomates, constituindo refei\u00e7\u00e3o substancial. Sempre de milho.<\/p>\n<p>O cuscuz, kuz-kuz, alcuzcuz, \u00e9 prato nacional dos mouros na \u00c1frica Setentrional, do Egito a Marrocos. Inicialmente feito com arroz, farinha de trigo, milheto, sorgo, passou a ser de milho americano quando o Zea mayz irradiou-se pelo mundo ao correr do s\u00e9culo XVI. Servem-no de milho e mel, mas possui muitas formas: com caldo de carne e legumes, molhado na manteiga, com leite e a\u00e7\u00facar, com passas de uvas, t\u00e2maras, acompanhando carne ou pescado, ou valendo, sozinho, o almo\u00e7o \u00e1rabe. <\/p>\n<p>Parece certo que os berberes foram os criadores do cuscuz, como cr\u00ea Karl Lokotsch, e o trouxeram para \u00c1frica, Ocidental, Central, Atl\u00e2ntica, quando desceram nas campanhas invasoras pelo N\u00edger e Congo, h\u00e1 quase doze s\u00e9culos.<br \/>\nEspalhou-se o uso nas popula\u00e7\u00f5es do Golfo da Guin\u00e9. Na regi\u00e3o do \u00cdndico teria descido da \u00c1frica do Norte.<\/p>\n<p>O cuscuz de milho foi solu\u00e7\u00e3o brasileira, americana, onde o Zea mayz dominava. E tamb\u00e9m a adi\u00e7\u00e3o do leite de coco que n\u00e3o ocorre em nenhuma regi\u00e3o africana. Na \u00c1frica continuam os tipos cl\u00e1ssicos de trigo, sorgo, s\u00eamola de arroz, milheto, ao lado do milho aventureiro, comumente mesclado com carnes, crust\u00e1ceos, legumes, o que, no Brasil, n\u00e3o \u00e9 o habitual, exceto no cuscuz paulista.<br \/>\n\u00c9 mais encontrado na \u00c1frica branca que negra.<\/p>\n<p>O portugu\u00eas conheceu o uso do cuscuz tendo-o dos berberes, de t\u00e3o velho e largo contato hist\u00f3rico. Era prato popular em Portugal quando o Brasil apareceu na rota da \u00cdndia. No Brasil houve imediato emprego verbal e \u00e9 l\u00f3gico de uso banal entre portugueses. <\/p>\n<p>O padre Jos\u00e9 de Anchieta, \u201cda Bahia de Todos os Santos, \u00faltimo de dezembro de 1585\u201d, informava: \u201cfazem farinha que fica como cuscuz de farinha de trigo\u201d.<br \/>\nNo Brasil, pela humildade do fabrico, era manuten\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias pobres e circulando entre consumidores modestos. <\/p>\n<p>Julgava-se comida de negros, trazida pelos escravos porque provinha do trabalho obscuro da gente negra, distribu\u00eddo \u00e0 venda nos tabuleiros, apregoado pelos mesti\u00e7os, filhos e netas das cuscuzeiras an\u00f4nimas. <\/p>\n<p>Algumas passaram \u00e0 notoriedade, como a pernambucana de Palmares que o poeta Ascenso Ferreira evocou:<\/p>\n<p>Bab\u00e1-do-arroz-doce, S\u00e1-Biu-dos cuzcuz<br \/>\nCerto \u00e9 que portugueses e africanos vieram para o Brasil conhecendo o cuscuz.<br \/>\nAqui \u00e9 que ele se fez de milho e molhou-se no leite de coco.\u201d<\/p>\n<p>FONTE BIBLIOGR\u00c1FICA: \u201cHist\u00f3ria da Alimenta\u00e7\u00e3o no Brasil\u201d, Lu\u00eds da C\u00e2mara Cascudo, 3\u00aa. edi\u00e7\u00e3o, S\u00e3o Paulo: Global, 2004.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cCuscuz \u00e9 a massa de milho, pilada, temperada com sal, cozida ao vapor d\u2019\u00e1gua e depois umedecida com leite de coco. Com ou sem a\u00e7\u00facar.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1074","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-hk","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1074","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1074"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1074\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1076,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1074\/revisions\/1076"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1074"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1074"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1074"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}