{"id":11212,"date":"2017-06-02T17:15:23","date_gmt":"2017-06-02T21:15:23","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=11212"},"modified":"2017-06-02T17:15:23","modified_gmt":"2017-06-02T21:15:23","slug":"cronicascomicas-do-tata","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/06\/02\/cronicascomicas-do-tata\/","title":{"rendered":"Cr\u00f4nicas&#038;C\u00f4micas do Tat\u00e1"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"11213\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/06\/02\/cronicascomicas-do-tata\/img_8424\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_8424.jpg?fit=1184%2C1184\" data-orig-size=\"1184,1184\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"IMG_8424\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_8424.jpg?fit=300%2C300\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_8424.jpg?fit=600%2C600\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_8424.jpg?resize=600%2C600\" alt=\"IMG_8424\" width=\"600\" height=\"600\" class=\"alignnone size-full wp-image-11213\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_8424.jpg?w=1184 1184w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_8424.jpg?resize=150%2C150 150w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_8424.jpg?resize=300%2C300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_8424.jpg?resize=768%2C768 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_8424.jpg?resize=1024%2C1024 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>O BAR DO RAIMUND\u00c3O<\/p>\n<p>(Av 7 de setembro \u2013 defronte ao Mercado do Km 1, Porto Velho\/RO)<br \/>\n\u201cO Bar pode at\u00e9 ser o mesmo, mas o dia a dia por l\u00e1 \u00e9 sempre temperadamente inovador. \u00c9 chegar, pedir uma e esperar pra ver e viver!\u201d  <!--more--><\/p>\n<p>Por: Altair Santos (Tat\u00e1)<\/p>\n<p>No m\u00eas retrasado (abril) resolvemos ir ao bar o que, a nosso respeito, n\u00e3o chega a causar espanto ou configurar novidade afinal, por l\u00e1, transitamos algumas vezes nessa nossa jovem exist\u00eancia. Disso imbu\u00eddos, nos ocorreu i\u00e7ar velas e empreender aventura singrando mares j\u00e1 dantes navegados para dar de proa com o vento e, porque n\u00e3o, ao ensejo da viagem, exercitar os costumeiros goles e tragos, nem sempre nos padr\u00f5es sociais e moderados como a maioria esmagadora diz de si quando a pergunta \u00e9: voc\u00ea bebe?<\/p>\n<p>Movidos pelo \u00e1libi de ver e saber como est\u00e3o as coisas nessas casas de apoio rumamos orientados pela b\u00fassola da curiosidade andando caminhos que, sem esfor\u00e7o, far\u00edamos at\u00e9 de olhos fechados. Era 22 de abril e iniciamos o tour que aqui breve e fielmente transcrevemos, sem afear e, tampouco aformosear, do modo mesmo como fizera Pero Vaz de Caminha, em 1500, na sua carta \u00e0 coroa portuguesa dando conta do descobrimento.<\/p>\n<p>O sol ainda brando beijava os tetos da cidade enquanto sub\u00edamos a 7 de setembro sentido bairro. Na cal\u00e7ada do Col\u00e9gio Murilo Braga, fizemos breve pausa, lan\u00e7amos um olhar comprido e, l\u00e1 adiante, a uns 60 ou 70 metros, nossos olhos com o zoom caprichado alcan\u00e7aram um movimento com tez de muvuca, um entra e sai desordenado. A luz vermelha do sem\u00e1foro na esquina com a Rua Bras\u00edlia, nos fez esperar at\u00e9 que, um pouco mais perto, em cores vivas, algo interessante se nos foi revelado e nos fez soltar o grito interior: Bar a vistaaaa! Uma descoberta? Claro que n\u00e3o, apenas o j\u00e1 conhecido e tradicional Bar do Raimund\u00e3o, o\u00e1sis para os corajosos e sedentos matinais que ali aportam. <\/p>\n<p>Da cal\u00e7ada da Feira do Km1, olhamos com min\u00facia para ver quem, quantos eram e o que faziam, al\u00e9m de beber, os que l\u00e1 estavam e folgavam. Antes mesmo de serpentear por entre os carros na movimentada via e aportar ilesos na cal\u00e7ada do boteco, nossos t\u00edmpanos tremularam fr\u00e1geis, invadidos por um grito potente em decib\u00e9is acima do permitido que veio l\u00e1 da parte sombria, no fundo do bar. Ei Tat\u00e1\u00e1\u00e1\u00e1\u00e1\u00e1\u00e1 vem c\u00e1 meu amiiiigo! Era um conhecido das antigas que nos recepcionou com aquela intencional honra e cerim\u00f4nia, com paramentos de cortesia e \u201cmiguelagem.\u201d <\/p>\n<p>O sujeito experimentado e aprofundado com doutorado e tudo na teoria e pr\u00e1tica do \u201ccerca lourencismo alugandis\u201d nos disse: \u201cmerm\u00e3o\u201d faz tempo que n\u00e3o te vejo, \u201cqual\u00e9\u201d cara, tu anda por onde hein, \u201ceraste\u201d tu sumiu n\u00e9, me d\u00ea um abra\u00e7o! Escuta s\u00f3, eu sei que tu n\u00e3o vai desafinar o canto agora, entendeu? Aqui o papo \u00e9 reto, paga logo uma para o seu amigo velho e deixe um trocado pra tomar outras duas depois mais, poder ser? Claro que pode n\u00e9? Perguntou e respondeu sem nos dar a chance m\u00ednima de respirar, refletir e declinar da doa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sorte lan\u00e7ada e o \u201cpl\u00e1\u201d 100% convincente mesmo sendo um canto de sereia com bafo de cacha\u00e7a, l\u00e1 se foram 10 reais que lhe fizeram brilhar os \u201czolhos.\u201d Verba assegurada e agora, senhor de si, falando de igual pra igual com os demais presentes ele, em pose de maioral, se acotovelou e deu um soco no balc\u00e3o exibindo os dez mangos e pediu: desce uma a\u00ed Raimund\u00e3o, pago \u00e0 vista!<\/p>\n<p>Um outro, tamb\u00e9m diplomado na FMCL \u2013 Faculdade de Malandragem Cerca Louren\u00e7o e que testemunhou a exitosa investida do comparsa, resolveu se achegar e aplicar o seu \u201cvai que cola\u201d usando o mesmo \u201cargummentus bebum\u201d que no latim botequista quer dizer papo de b\u00eabado, impondo o seu manjado trolol\u00f3 para, ao menos, obter igual quantia. E l\u00e1 se foram mais dez pratas fazendo estremecer em avaria o nosso pu\u00eddo bolso como a dizer estourar a cota de benevol\u00eancia monet\u00e1ria do dia e acender o alerta, ou seja, est\u00e1vamos quase lisos.<\/p>\n<p>Em meio aos cumprimentos chegamos ao guich\u00ea onde o Raimund\u00e3o, propriet\u00e1rio do com\u00e9rcio, contava o parcial apurado daquela manh\u00e3 revezando olhares entre os caramingu\u00e1s e o movimento no sal\u00e3o pois, l\u00e1, um b\u00eabado chato, enfiava fichas de m\u00fasica de corno numa m\u00e1quina e, de copo na m\u00e3o, chorava ao ouvi-las, maldizendo vida entre \u201cbafos e desabafos\u201d gritando assim: De Lourdes sua bandida duma figa, vai embora peste desalmada e n\u00e3o volte nunca mais&#8230; Ante o escancarado infort\u00fanio sentimental do mo\u00e7o, uns at\u00e9 tentaram mas ningu\u00e9m soube quem era a De Lourdes e se era mesmo a bandida exortada e causadora daquela bagaceira humana diagnosticada com \u201ccachiblema,\u201d a traduzir-se: cacha\u00e7a, chifre e problema, uma arrasadora tr\u00edade ultra perigosa e quase irrevers\u00edvel, de categoria infecto-periclitante, a conhecida cornagem.<\/p>\n<p>Raimund\u00e3o gentil e diligente nos ofereceu um tamborete mas quase n\u00e3o nos deu aten\u00e7\u00e3o pois tinha uma parte da clientela que estava muito alvoro\u00e7ada e inquieta, talvez pelo redemoinho et\u00edlico que lhes bagun\u00e7ava os arquivos de lucidez dentro da cachola. Pelo visto, ainda no come\u00e7o, o dia prometia e muito.<\/p>\n<p>E n\u00e3o deu outra. O furdun\u00e7o continuou quando apareceu um baixinho falante vendendo rel\u00f3gio, chip pra celular e o tal \u201cgel dot\u00f4zinho\u201d que, segundo ele, cura de reumatismo a turbina de avi\u00e3o. Mas o carro chefe daquele marreteiro era o jogo do bicho para o qual usava a manjada cantada de perguntar a data do anivers\u00e1rio de um, o n\u00famero do sapato de outro e, em cima disso, fazer equa\u00e7\u00f5es e combina\u00e7\u00f5es mirabolantes de palpites pra vender as pules. Com o movimento fraco ele puxou logo uma discuss\u00e3o com uma mulher que vendia umas cartelas que nas domingueiras sorteiam motos, carros e quantias em dinheiro. Na contenda ele tentou desqualificar o produto da concorrente dizendo tratar-se de trambicagem e quase apanha da corretora n\u00e3o fosse, logo cedo, o Raimund\u00e3o intervir en\u00e9rgico e aos brados, pela ordem e respeito no lugar. O homem botou moral na coisa, que dizer, no bar.<\/p>\n<p>Mas a sina do dia era mesmo a balb\u00fardia que aumentou quando um cidad\u00e3o, aos gritos, se dizendo da igreja, e falando alto em nome do senhor entrou no bar jogando b\u00ean\u00e7\u00e3os e bem-aventuran\u00e7as pelo ar, oferecendo balas e dizendo vend\u00ea-las para ajudar no trabalho social da irmandade. Ningu\u00e9m comprou os doces mas todos ficaram pasmados quando o religioso jogou no balc\u00e3o uma nota de 5 reais e disse: j\u00e1 que eu estou aqui serve a\u00ed uma lapada de juc\u00e1 s\u00f3 pra esquentar o couro e espalhar o sangue. Nem bem Raimund\u00e3o meou o copo, num s\u00f3 gole ele foi esvaziado pelo irm\u00e3o vendedor de bombons sagrados.<\/p>\n<p>Um pouco al\u00e9m da metade daquela movimentada manh\u00e3 o Raimund\u00e3o Drinks parecia entrar em calmaria quando, do nada, apareceu uma mulher descabelada e esbaforida se dizendo cigana e sabedora das linhas das m\u00e3os a querer prestar seus servi\u00e7os tecendo sobre o passado e a sorte futura de uns e outros, desde que pagassem algum \u201cquantum\u201d pela consultoria esot\u00e9rica.<\/p>\n<p>A insist\u00eancia da mo\u00e7a adivinhona incomodou um gorducho zangado que a retrucou dizendo: se eu fosse a senhora ia era estudar e aprender a ler a m\u00e3o de forma mais moderna, olhe minha senhora j\u00e1 tem gente por a\u00ed lendo a m\u00e3o com tablete e leitor de c\u00f3digo de barras, ali\u00e1s, j\u00e1 existe at\u00e9 aplicativo pra isso viu, v\u00e1 se atualizar! E mais, se voc\u00ea \u00e9 mesmo boa no que faz, eu lhe dou 50 reais se conseguir ler a m\u00e3o direita do Chiquinho, aquele \u201camarel\u00e3o empombado\u201d que t\u00e1 triste ali no canto do balc\u00e3o, disse apontando. <\/p>\n<p>Desafio aceito a cigana investiu pedindo a m\u00e3o do an\u00eamico rapaz e, pra sua surpresa, constatou que Chiquinho era um maneta, perdera a m\u00e3o num acidente de trabalho. Ela voltou de imediato e devolveu: como queres que eu leia a m\u00e3o direita dele se ele n\u00e3o tem m\u00e3o? E o gorducho: n\u00e3o tem mais j\u00e1 teve, ent\u00e3o d\u00ea seu jeito, se vire, leia assim mesmo. <\/p>\n<p>\u00c0quela altura com sol rachando meia tampa resolvemos desertar e deixar o Bar do Raimund\u00e3o, o para\u00edso do \u201cca\u00f4 operandi,\u201d que fervilhava com o vai e vem dos que ali comp\u00f5em uma das mais fren\u00e9ticas cenas do roteiro botequista da cidade.<\/p>\n<p>tatadeportovelho@gmail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O BAR DO RAIMUND\u00c3O (Av 7 de setembro \u2013 defronte ao Mercado do Km 1, Porto Velho\/RO) \u201cO Bar pode at\u00e9 ser o mesmo, mas o dia a dia por l\u00e1 \u00e9 sempre temperadamente inovador. \u00c9 chegar, pedir uma e esperar pra ver e viver!\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-11212","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-2UQ","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11212","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11212"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11212\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11214,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11212\/revisions\/11214"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11212"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11212"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11212"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}