{"id":11419,"date":"2017-06-09T13:30:09","date_gmt":"2017-06-09T17:30:09","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=11419"},"modified":"2017-06-09T13:30:09","modified_gmt":"2017-06-09T17:30:09","slug":"negro-de-primeira-linha","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/06\/09\/negro-de-primeira-linha\/","title":{"rendered":"NEGRO DE PRIMEIRA LINHA"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"11420\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/06\/09\/negro-de-primeira-linha\/img_8613\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/IMG_8613.jpg?fit=1600%2C1424\" data-orig-size=\"1600,1424\" data-comments-opened=\"0\" 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m\u00e3ozinha sempre amiga da academia e de cientistas sociais inescrupulosos, desapare\u00e7a de uma vez por todas.<\/p>\n<p>o racismo \u00e9 uma ideologia!<\/p>\n<p>Barroso, ele mesmo um macho branco acad\u00eamico, evidenciou que os v\u00edcios apreendidos nos bancos das universidades &#8211; e na sala de casa &#8211; continuam ali, latentes, latejando, pedindo pra sair.<\/p>\n<p>por isso foi t\u00e3o dif\u00edcil para ele elogiar um sujeito negro &#8211; um igual na ordem hier\u00e1rquica em que se encontram &#8211; sem antes fazer uma ressalva:<\/p>\n<p>este n\u00e3o \u00e9 igual a mim, mas por se aproximar tanto, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 igual aos outros, seus &#8220;irm\u00e3os de cor&#8221;, este \u00e9 um &#8220;negro de primeira linha&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;(&#8230;) vindo de um doutorado em Paris&#8221;.<\/p>\n<p>a refer\u00eancia \u00e0 Paris n\u00e3o poderia faltar.<\/p>\n<p>\u00e9 como se aquele quase homem tivesse se humanizado ao voltar da Europa.<\/p>\n<p>ou seja, se Barbosa tivesse doutorado na Universit\u00e9 Cheich Anta Diop, no Senegal, talvez continuasse um negro de segunda linha.<\/p>\n<p>doutor, mas de segunda linha.<\/p>\n<p>mas Barbosa morou na Escandin\u00e1via, fala alem\u00e3o e estudou na Fran\u00e7a. <\/p>\n<p>civilizou-se.<\/p>\n<p>\u00e9 o que se depreende do discurso &#8220;elogioso&#8221; de Barroso.<\/p>\n<p>para ele, Barbosa rompeu o &#8220;cerco da subalternidade&#8221;, mas os seus irm\u00e3os de cor seguir\u00e3o reificados, incivilizados e inciviliz\u00e1veis.<\/p>\n<p>submetido a outros climas e outras paisagens, talvez o nosso Joaquim, depois de treinar o c\u00e9rebro para pensar em outra l\u00edngua, tenha assimilado a cultura do colonizador.<\/p>\n<p>depreende-se essa, tamb\u00e9m, da frase infeliz de Barroso.<\/p>\n<p>\u00e9 que o ministro sabe que, na academia francesa, Barbosa teve que usar muitas aspas em suas produ\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas para legitimar o que pensava.<\/p>\n<p>e estes intertextos estavam repletos de refer\u00eancias a intelectuais europeus: nome do autor, nome da obra, n\u00famero da p\u00e1gina, refer\u00eancia \u00e0 editora. <\/p>\n<p>\u00e9  assim que a academia dissemina o eurocentrismo e adestra o intelectual das estranjas para adequar o seu pensamento \u00e0 constru\u00e7\u00e3o mental dos autores europeus.<\/p>\n<p>o intelectual n\u00e3o europeu \u00e9 como um pastor, ou um padre no p\u00falpito, tudo o que ele diz tem que ser legitimado pelo que est\u00e1 escrito no Canon, na B\u00edblia, nos cl\u00e1ssicos.<\/p>\n<p>na prega\u00e7\u00e3o exeg\u00e9tica, a refer\u00eancia a Jeremias, Mateus, Lucas, sempre seguida do n\u00famero do cap\u00edtulo e do vers\u00edculo b\u00edblico, \u00e9 a f\u00f3rmula que a academia mimetizou.<\/p>\n<p>tem uma constru\u00e7\u00e3o mental a\u00ed que precisa ser desconstru\u00edda, porque ela representa uma fuleiragem.<\/p>\n<p>como naqueles filmes do cinema novo onde os autores brancos falavam dos quilombos como um lugar de fuga.<\/p>\n<p>s\u00f3 um branco pensaria assim, \u00e9 o lugar de fala dele falando.<\/p>\n<p>o quilombo, at\u00e9 etimologicamente, \u00e9 uma ambiente de liberdade e vida comunit\u00e1ria, e n\u00e3o um maloca de quem foge do trabalho. <\/p>\n<p>ora essa.<\/p>\n<p>negro de primeira linha, um ponto fora da curva, para voltar a uma express\u00e3o de Barroso, que \u00e9 metido a frasista.<\/p>\n<p>Bolsonaro quis pesar os negros quilombolas na balan\u00e7a de pesar gados, em arrobas.<\/p>\n<p>Barroso n\u00e3o foi muito distante.<\/p>\n<p>e o seu pedido de desculpas foi um tanto covarde.<\/p>\n<p>ele tentou se justificar, alegando que faltou uma palavra no in\u00edcio da frase, tentando fazer com que o seu racismo fosse visto apenas como um gafe.<\/p>\n<p>seria mais corajoso se ele nem tivesse chorado, mas dito com hombridade: fui racista, sim, fui tra\u00eddo pelo meu inconsciente, policio-me sempre, mas a cultura sempre fala mais alto.<\/p>\n<p>sou filho do patriarcado, um privilegiado sem m\u00e1culas em um pa\u00eds que nomeia sem pudor quem s\u00e3o os descendentes dos que foram escravizados, mas nunca que s\u00e3o os descendentes dos escravizadores.<\/p>\n<p>sou fruto de uma aberra\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica abomin\u00e1vel.<\/p>\n<p>era isso o que eu esperava dele.<\/p>\n<p>e isso ele n\u00e3o disse. <\/p>\n<p>portanto, n\u00e3o est\u00e1 perdoado.<\/p>\n<p>palavra da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No 247, por Lel\u00ea Teles o racismo, consciente ou inconsciente, deve se 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