{"id":11708,"date":"2017-06-23T16:19:51","date_gmt":"2017-06-23T20:19:51","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=11708"},"modified":"2017-06-23T16:19:51","modified_gmt":"2017-06-23T20:19:51","slug":"para-seu-proprio-bem","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/06\/23\/para-seu-proprio-bem\/","title":{"rendered":"Para seu pr\u00f3prio bem"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"11709\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/06\/23\/para-seu-proprio-bem\/tu\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/tu.jpg?fit=640%2C427\" data-orig-size=\"640,427\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"tu\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/tu.jpg?fit=300%2C200\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/tu.jpg?fit=600%2C400\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/tu.jpg?resize=600%2C400\" alt=\"tu\" width=\"600\" height=\"400\" class=\"alignnone size-full wp-image-11709\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/tu.jpg?w=640 640w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/tu.jpg?resize=300%2C200 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/tu.jpg?resize=450%2C300 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>No Brasil de Fato, por Jo\u00e3o Paulo Cunha<\/p>\n<p>N\u00e3o existe argumento mais mentiroso do que aquele que diz que tudo que \u00e9 feito contra n\u00f3s, no fundo, \u00e9 para nosso bem. Ou, no m\u00ednimo, para o bem de nossos netos. A base das reformas trabalhista e da previd\u00eancia se escora nessa fal\u00e1cia: retirar direitos \u00e9 um ato retificador, que atualiza as possibilidades econ\u00f4micas com as necessidades humanas. A modernidade dos fins \u00e9 apenas uma deriva\u00e7\u00e3o da crueldade dos meios. No terreno da economia, a moral \u00e9 um princ\u00edpio descart\u00e1vel, como os bons modos e o bom gosto.<!--more--><\/p>\n<p>O mais curioso nessa forma de reescrever a hist\u00f3ria \u2013 uma vez que a cria\u00e7\u00e3o de direitos foi vista durante os \u00faltimos s\u00e9culos como a mais importante contribui\u00e7\u00e3o para a humanidade \u2013 \u00e9 a forma como at\u00e9 mesmo os valores liberais se tornaram conden\u00e1veis. No campo das rela\u00e7\u00f5es de trabalho e de defesa da seguridade, o liberalismo sempre esteve do lado do trabalhador. Pelo menos entre os liberais mais inteligentes, entre eles John Stuart Mill, contempor\u00e2neo de Karl Marx.<\/p>\n<p>Como lembra o fil\u00f3sofo americano Marshall Bermann, autor do j\u00e1 cl\u00e1ssico Tudo que \u00e9 s\u00f3lido desmancha no ar, Mill era um defensor da moderniza\u00e7\u00e3o, s\u00f3 que para ele a palavra tinha outro sentido. Modernizar n\u00e3o era subtrair direitos, atuar de forma cruel contra o trabalho e impedir as possibilidades humanas do indiv\u00edduo. Para o mais liberal dos liberais, a moderniza\u00e7\u00e3o \u00e9 exatamente tudo aquilo que permite o desenvolvimento humano pleno.<\/p>\n<p>Desencantado, no fim da vida, Stuart Mill conviveu com o avan\u00e7o da moderniza\u00e7\u00e3o capitalista, traduzida como concorr\u00eancia brutal, domina\u00e7\u00e3o de classe e est\u00edmulo ao conformismo social. Havia uma cren\u00e7a dupla na roda da hist\u00f3ria: de um lado, o avan\u00e7o da t\u00e9cnica permitiria uma distribui\u00e7\u00e3o de seus ganhos; de outro, amparado na amplia\u00e7\u00e3o de direitos, a sociedade seria mais justa e os homens mais realizados.  Na velhice, Mill se tornou socialista exatamente porque n\u00e3o queria deixar de ser liberal.<\/p>\n<p>Essa f\u00e1bula pode ser reescrita hoje de v\u00e1rias maneiras. Uma delas \u00e9 a perda de consist\u00eancia dos partidos que se dizem herdeiros do liberalismo. O caso mais vis\u00edvel \u00e9 o do PSDB. Os tucanos j\u00e1 abandonaram h\u00e1 muito o ninho da social democracia, deixando de ter vis\u00e3o social e jogando contra a democracia no patroc\u00ednio do golpe. Hoje, quando barganham sua perman\u00eancia no condom\u00ednio do poder, jogam no lixo o que um dia emitiu tra\u00e7os de coer\u00eancia ideol\u00f3gica, independentemente de julgamentos. O que um dia foram princ\u00edpios, hoje s\u00e3o conveni\u00eancias.<\/p>\n<p>Mas os bicudos voaram ainda mais longe de suas origens. Perderam a concep\u00e7\u00e3o de moderniza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais, sustentando um papel de biombo para interesses de classe, que passam longe dos trabalhadores. Corromperam sua heran\u00e7a pol\u00edtica, se tornando o mais expl\u00edcito caso de desfa\u00e7atez da atual crise brasileira. \u00c9 s\u00f3 mirar o mesmo sorriso de A\u00e9cio Neves, em dois tempos, separados por poucas semanas: no primeiro, a ironia e o sarcasmo; no segundo, o esc\u00e1rnio e a hipocrisia. Desagrad\u00e1vel, sempre. Hoje todos sabem onde estava a verdade.<\/p>\n<p>Outra maneira de entender a transforma\u00e7\u00e3o do liberalismo emancipat\u00f3rio de ontem no conservadorismo tacanho de hoje se d\u00e1 no dia a dia das rela\u00e7\u00f5es humanas. H\u00e1, no mundo atual, uma desvaloriza\u00e7\u00e3o do trabalho pessoal como fonte criativa em nome do poder de determinar a a\u00e7\u00e3o do outro. Trabalhador \u00e9 hoje um substantivo sem nobreza, submetido ao voraz apetite do empreendedor. Empreender n\u00e3o \u00e9 apenas uma forma de exercer a criatividade e autonomia, mas um suced\u00e2neo da explora\u00e7\u00e3o capitalista levada para o campo mais vol\u00e1til das pequenas atividades.<\/p>\n<p>O empreendedor \u00e9 um capitalista mirim, com senso moral mirim, que torce para o fracasso do outro como forma de alavancar seu neg\u00f3cio. Sua vis\u00e3o de para\u00edso \u00e9 o desemprego estrutural. A uberiza\u00e7\u00e3o do mundo \u00e9 um retrato do nosso tempo. N\u00e3o se vende mais a for\u00e7a de trabalho, aluga-se a pre\u00e7o ainda mais baixo e com menos garantias. O orgulhoso empreendedor, sem a sintonia de classe dos verdadeiros capitalistas, nem sua distin\u00e7\u00e3o social, ficou apenas com seus defeitos de alma.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 ainda uma terceira leitura de nossa hist\u00f3ria. Aquela que obriga a esquerda a retomar suas origens. Partidos e sindicatos est\u00e3o cada vez mais convocados a assumirem seu papel. T\u00eam tarefas importantes pela frente, a come\u00e7ar pelo combate \u00e0s reformas, \u00e0 refunda\u00e7\u00e3o de suas identidades, aprofundamento de seus projetos e constru\u00e7\u00e3o de sua comunica\u00e7\u00e3o independente e popular. Sem falar na cada vez mais urgente tarefa de preparar as greves, ocupa\u00e7\u00f5es e atos de desobedi\u00eancia civil, quando necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>No entanto, \u00e9 na liga\u00e7\u00e3o popular que os verdadeiros sentimentos de transforma\u00e7\u00e3o podem novamente ganhar a proa das discuss\u00f5es pol\u00edticas. Os militantes, lideran\u00e7as e intelectuais j\u00e1 perceberam que as teses de outrora precisam ser aquecidas com a energia das ruas. Assim como a direita se endireitou, a esquerda precisa se esquerdizar. Para seu pr\u00f3prio bem. Para o bem dos trabalhadores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil de Fato, por Jo\u00e3o Paulo Cunha N\u00e3o existe argumento mais mentiroso do que aquele que diz que tudo que \u00e9 feito contra n\u00f3s, no fundo, \u00e9 para nosso bem. Ou, no m\u00ednimo, para o bem de nossos netos. 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