{"id":12364,"date":"2017-07-16T22:47:56","date_gmt":"2017-07-17T02:47:56","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=12364"},"modified":"2017-07-16T22:47:56","modified_gmt":"2017-07-17T02:47:56","slug":"a-lua-gatikat","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/07\/16\/a-lua-gatikat\/","title":{"rendered":"A lua, Gatikat"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"12365\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/07\/16\/a-lua-gatikat\/lu-8\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/lu.jpg?fit=860%2C570\" data-orig-size=\"860,570\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"lu\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/lu.jpg?fit=300%2C199\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/lu.jpg?fit=600%2C398\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/lu.jpg?resize=600%2C398\" alt=\"lu\" width=\"600\" height=\"398\" class=\"alignnone size-full wp-image-12365\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/lu.jpg?w=860 860w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/lu.jpg?resize=300%2C199 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/lu.jpg?resize=768%2C509 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/lu.jpg?resize=453%2C300 453w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Foi assim como vai ser contado, que a lua surgiu.<!--more--><\/p>\n<p>Havia uma fam\u00edlia, da metade ritual dos \u00edwai, os da comida, que se ocupava em preparar a bebida para a festa, indo colher car\u00e1 na ro\u00e7a para cozinhar. Nessa fam\u00edlia havia dois irm\u00e3os e duas irm\u00e3s. Uma das meninas, muito bonita, estava akapeab, em reclus\u00e3o por estar na primeira menstrua\u00e7\u00e3o. Devia se casar, como deve ser, com seu tio materno, quando acabasse o per\u00edodo de resguardo.<\/p>\n<p>O tio materno, sendo da outra metade da aldeia, a do metareda, ou do mato &#8211; pois por ser da outra metade \u00e9 que podia casar com ela &#8211; estava longe, na clareira no mato, preparando flechas e outros presentes que essa metade tinha que dar para a da comida, na festa.<\/p>\n<p>Uma noite, um homem veio \u00e0 maloquinha da menina, deitou-se na sua rede e namoraram. Bem baixinho, para ningu\u00e9m ouvir, ela perguntou:<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 voc\u00ea, meu tio, que est\u00e1 fazendo isso comigo?<\/p>\n<p>&#8211; Sou eu, sim, seu tio materno&#8230;<\/p>\n<p>Muitas e muitas noites ele voltou. Quando escurecia, ele vinha sempre, e costumava deitar-se com ela. A menina perguntava:<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 voc\u00ea tio?<\/p>\n<p>&#8211; Sou, sim&#8230;mas n\u00e3o conte para ningu\u00e9m, s\u00f3 quando voc\u00ea puder sair da maloquinha para casar.<\/p>\n<p>A menina ficou desconfiada, depois de um tempo &#8211; seria mesmo o seu tio, o visitante noturno? Resolveu que ia passar jenipapo no rosto dele.<\/p>\n<p>\u00c0 noite, como de costume, deixou encostada a portinhola de palha, o labedog, na parte de tr\u00e1s da maloca, para ele entrar com facilidade. J\u00e1 tarde, ele veio, e se deitou com ela na rede.<\/p>\n<p>&#8211; Oi, tio, \u00e9 voc\u00ea?<\/p>\n<p>&#8211; Sou eu, sim!<\/p>\n<p>Ela pegou o jenipapo, e passou-lhe no rosto. Ele estranhou, mas ela disse que era \u00e1gua, para diminuir o calor.<\/p>\n<p>No dia seguinte, ela contou para a m\u00e3e o que vinha acontecendo.<\/p>\n<p>&#8211; M\u00e3e, ser\u00e1 meu tio, mesmo, que me namora toda noite? N\u00e3o pode ser, n\u00e3o, minha filha, tio n\u00e3o faz isso com a sobrinha, s\u00f3 quando acaba a reclus\u00e3o. Se fosse outro, a\u00ed poderia ser&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea j\u00e1 perguntou mesmo se ele \u00e9 seu tio?<\/p>\n<p>&#8211; Perguntei! E ele disse para eu n\u00e3o contar a ningu\u00e9m!<\/p>\n<p>&#8211; Por que h\u00e1 de querer segredo? Se ele \u00e9 seu tio, voc\u00ea \u00e9 mulher dele, n\u00e3o dos outros, pode esperar voc\u00ea sair do resguardo!<\/p>\n<p>&#8211; Hoje eu passei jenipapo no rosto dele, mam\u00e3e! Voc\u00ea pode ir ver, l\u00e1 no metareda, no mato, se \u00e9 ele mesmo! A m\u00e3e achava que n\u00e3o era o tio pois este n\u00e3o entraria \u00e0s escondidas na maloquinha. Se fosse outro pretendente, por exemplo um primo, ent\u00e3o sim, tentaria namorar a mocinha \u00e0 revelia do marido mais leg\u00edtimo, o tio. Foi \u00e0 clareira onde ficava a metade do mato, durante a seca, e voltou assustad\u00edssima:<\/p>\n<p>&#8211; Minha filha, o rosto do seu tio n\u00e3o tem nenhum jenipapo, nenhuma pintura. \u00c9 o rosto do seu irm\u00e3o, aqui na nossa metade, que est\u00e1 pintado! A menina p\u00f4s-se a chorar, no maior desespero: -Ent\u00e3o \u00e9 meu pr\u00f3prio irm\u00e3o que vem me namorar, todas as noites! A m\u00e3e tamb\u00e9m chorava, e disse que eles tinham que ir embora para o c\u00e9u. O irm\u00e3o, advinhando ter sido descoberto, veio chegando, j\u00e1 com todas as suas coisas, seus cestos, seus pertences. A irm\u00e3 saiu da maloquinha, pondo fim \u00e0 reclus\u00e3o, mas sem se pintar de jenipapo, nem se enfeitar como uma noiva, como seria se fosse casar com o tio. -M\u00e3e! Enfie a ponta da flecha no meu corpo para eu morrer! -Pedia para a m\u00e3e. Queria morrer mesmo. -N\u00e3o, voc\u00eas n\u00e3o v\u00e3o morrer, n\u00e3o! &#8211; respondeu a m\u00e3e. -Voc\u00eas v\u00e3o para o c\u00e9u. E os dois irm\u00e3os subiram para o c\u00e9u por um cip\u00f3. Desde ent\u00e3o apareceu a lua, que antes n\u00e3o existia. O lado escuro da lua \u00e9 o rosto do irm\u00e3o, pintado de jenipapo.<\/p>\n<p>Fonte: socioambiental.org.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi assim como vai ser contado, que a lua surgiu.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-12364","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-3dq","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12364","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12364"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12364\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12366,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12364\/revisions\/12366"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12364"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12364"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12364"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}