{"id":12662,"date":"2017-08-02T09:51:52","date_gmt":"2017-08-02T13:51:52","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=12662"},"modified":"2017-08-02T09:51:52","modified_gmt":"2017-08-02T13:51:52","slug":"a-vergonha-anunciada","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/08\/02\/a-vergonha-anunciada\/","title":{"rendered":"A vergonha anunciada"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"12663\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/08\/02\/a-vergonha-anunciada\/vergo\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/vergo.jpg?fit=490%2C280\" data-orig-size=\"490,280\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"vergo\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/vergo.jpg?fit=300%2C171\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/vergo.jpg?fit=490%2C280\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/vergo.jpg?resize=490%2C280\" alt=\"vergo\" width=\"490\" height=\"280\" class=\"alignnone size-full wp-image-12663\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/vergo.jpg?w=490 490w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/vergo.jpg?resize=300%2C171 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 490px) 100vw, 490px\" \/><\/p>\n<p>No 247, Tereza Cruvinel<\/p>\n<p>Em mais de 30 anos de jornalismo pol\u00edtico, registrei dias de gl\u00f3ria democr\u00e1tica e dias de vergonha pol\u00edtica na cobertura do Congresso. O 5 de outubro de 1988, em que a Constitui\u00e7\u00e3o (hoje desfigurada) foi promulgada e o 25 de abril de 1984, em que a emenda das diretas foi rejeitada, por exemplo. Este 2 de agosto parece destinado a ser um dia da vergonha. <!--more--><\/p>\n<p>Ser\u00e1 vergonhoso para o Brasil se deputados cevados por favores e prendas de Temer conseguirem impedir que ele seja investigado por corrup\u00e7\u00e3o passiva, pois eles sabem muito bem o que fazem. Sabem de tudo o que aconteceu: do que Temer combinou com Joesley Batista, do contrato benevolente assinado entre uma subsidi\u00e1ria energ\u00e9tica da JBS e a Petrobr\u00e1s dias depois, da mala de dinheiro entregue ao preposto Rocha Loures horas depois.  Os que est\u00e3o dispostos a honrar seus mandatos votando a favor da abertura das investiga\u00e7\u00f5es, em sintonia com 93% da popula\u00e7\u00e3o (pesquisa Vox Populi) s\u00e3o minoria e podem, no m\u00e1ximo, impedir que a vota\u00e7\u00e3o ocorra hoje, negando presen\u00e7a no plen\u00e1rio para a forma\u00e7\u00e3o do qu\u00f3rum de 342 deputados.<\/p>\n<p>Para n\u00e3o ficar na Hist\u00f3ria coberto de vergonha, qualquer presidente honesto acusado de corrup\u00e7\u00e3o faria quest\u00e3o de ser investigado. Mas Temer, o primeiro na hist\u00f3ria do presidencialismo brasileiro a sofrer tal acusa\u00e7\u00e3o no cargo, preferiu comprar votos descaradamente para n\u00e3o ser investigado.  Seguro de sua inoc\u00eancia, devia preferir o processo conduzido pelo STF, ao final do qual seria inocentado e retornaria glorioso ao cargo do qual foi afastado.<\/p>\n<p>O rito da vota\u00e7\u00e3o estabelecido pelo presidente da C\u00e2mara, Rodrigo Maia, tamb\u00e9m \u00e9 vergonhoso. Falar\u00e3o por 25 minutos o autor do parecer vitorioso na Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a, favor\u00e1vel ao arquivamento da den\u00fancia,  Paulo Abi-Ackel, e o advogado de Temer. Depois falar\u00e3o, por 3 minutos cada, dois governistas e dois defensores da concess\u00e3o da licen\u00e7a para o processo. Ou seja, 56 minutos para os defensores de Temer e seis minutos para os advers\u00e1rios.  \u00c9 isso que os parlamentares costumam chamar de rolo compressor, um eufemismo para ditadura da maioria.<\/p>\n<p>A noite deve ter sido de transa\u00e7\u00f5es tenebrosas, com o governo dobrando as ofertas para convencer deputados \u201cindecisos\u201d a estarem presentes na hora da vota\u00e7\u00e3o, ainda que n\u00e3o votem, ou ainda que votem com a oposi\u00e7\u00e3o. J\u00e1 n\u00e3o importava ontem dar uma demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a, com a rejei\u00e7\u00e3o da den\u00fancia por cerca de 300 votos, num sinal para o mercado de que  Temer ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de seguir em frente, reaprumando seu combalido governo e retomando as contrarreformas.  Precisando de apenas 172 votos, para evitar que os defensores da investiga\u00e7\u00e3o consigam os 342 necess\u00e1rios, o governo j\u00e1 se contentava ontem apenas com a barragem da den\u00fancia por um n\u00famero minguado de votos.<\/p>\n<p>Temer, que finge viver no mundo da lua, ontem falou que o desafio do qu\u00f3rum \u00e9 da oposi\u00e7\u00e3o e projetou uma \u201csegunda fase\u201d de seu mandato depois que for vergonhosamente vitorioso hoje. Mas ele e seu entorno sabem que vem por a\u00ed \u00e9 uma segunda den\u00fancia, que ter\u00e3o de enfrentar com a muni\u00e7\u00e3o esgotada. Os compromissos foram firmados apenas em rela\u00e7\u00e3o a esta primeira acusa\u00e7\u00e3o, de corrup\u00e7\u00e3o passiva.  Nem todos estar\u00e3o dispostos a um segundo desgaste, tendo pouco ou nada mais a ganhar. <\/p>\n<p>E h\u00e1 tamb\u00e9m outra raz\u00e3o para o desespero.  Neste primeiro round, Rodrigo Maia (DEM) optou pelo papel de aliado leal,  fixando o rito favor\u00e1vel ao governo e conduzindo a sess\u00e3o com empenho expl\u00edcito. Mas sobrevindo uma segunda den\u00fancia, o cavalo estar\u00e1 passando outra vez selado em sua frente, e ele poder\u00e1 decidir-se a mont\u00e1-lo. E a\u00ed poder\u00e1 oferecer aos deputados a preserva\u00e7\u00e3o dos cargos que j\u00e1 t\u00eam no governo, mais aqueles que ser\u00e3o desocupados com a sa\u00edda da turma de Temer (PMDB) do governo.  Foi assim que Cunha e Temer conseguiram desmontar a maioria de Dilma e aprovar o impeachment na C\u00e2mara, oferecendo-lhes o que j\u00e1 tinham ganhado dela e mais o que ganhariam com o enxotamento dos petistas do governo.<\/p>\n<p>Mas para isso, \u00e9 claro, o procurador-geral Rodrigo Janot precisa desmentir os boatos espalhados por governistas, de que ele tem raz\u00f5es para n\u00e3o apresentar a segunda den\u00fancia contra Temer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No 247, Tereza Cruvinel Em mais de 30 anos de jornalismo pol\u00edtico, registrei dias de gl\u00f3ria democr\u00e1tica e dias de vergonha pol\u00edtica na cobertura do Congresso. 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