{"id":12866,"date":"2017-08-10T08:55:07","date_gmt":"2017-08-10T12:55:07","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=12866"},"modified":"2017-08-10T08:57:10","modified_gmt":"2017-08-10T12:57:10","slug":"como-bolsonaro-virou-ponta-de-lanca-da-nova-mania-da-direita-brasileira-a-islamofobia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/08\/10\/como-bolsonaro-virou-ponta-de-lanca-da-nova-mania-da-direita-brasileira-a-islamofobia\/","title":{"rendered":"Como Bolsonaro virou ponta de lan\u00e7a da nova mania da direita brasileira: a islamofobia"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"12869\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/08\/10\/como-bolsonaro-virou-ponta-de-lanca-da-nova-mania-da-direita-brasileira-a-islamofobia\/fobia\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/fobia.jpg?fit=900%2C572\" data-orig-size=\"900,572\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"fobia\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/fobia.jpg?fit=300%2C191\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/fobia.jpg?fit=600%2C381\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/fobia.jpg?resize=600%2C381\" alt=\"fobia\" width=\"600\" height=\"381\" class=\"alignnone size-full wp-image-12869\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/fobia.jpg?w=900 900w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/fobia.jpg?resize=300%2C191 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/fobia.jpg?resize=768%2C488 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/fobia.jpg?resize=472%2C300 472w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>\u201cEu sou brasileiro e estou vendo meu pa\u00eds ser invadido por esses homens-bomba miser\u00e1veis, esquartejados, que mataram crian\u00e7as, adolescentes. Justi\u00e7a! Vamos expulsar ele! Cad\u00ea o prefeito? O governo do estado?\u201d<!--more--><\/p>\n<p>No DCM, por Willy Delvalle<\/p>\n<div class=\"jetpack-video-wrapper\"><span class=\"embed-youtube\" style=\"text-align:center; display: block;\"><iframe loading=\"lazy\" class=\"youtube-player\" width=\"600\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jePGg6X_sIo?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent\" allowfullscreen=\"true\" style=\"border:0;\" sandbox=\"allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox\"><\/iframe><\/span><\/div>\n<p>As palavras foram um ataque recente a um refugiado s\u00edrio que vendia salgados em sua barraca no Rio de Janeiro. Seu nome \u00e9 Mohamed Ali. E essa parece ser a sua sina.<\/p>\n<p>Afinal, tamb\u00e9m foi um Muhammad Ali que fez hist\u00f3ria no s\u00e9culo XX n\u00e3o s\u00f3 pelo seu trabalho \u2013 o de um dos mais talentosos pugilistas da Terra, mas por enfrentar o racismo em um pa\u00eds segregado entre brancos e negros.<\/p>\n<p>Mohamed Ali precisa enfrentar a resist\u00eancia de uma parcela da sociedade. Resist\u00eancia que tem nome, islamofobia.<\/p>\n<p>Quem acha que a agress\u00e3o a Mohamed foi um caso isolado se engana. Ap\u00f3s o atentado \u00e0 revista francesa Charlie Hebdo, em 2015, mulheres e homens mu\u00e7ulmanos v\u00eam sendo xingados, apedrejados e tendo pertences danificados em diferentes lugares do Brasil.<\/p>\n<p>Mesquitas foram vandalizadas. Em cidades do Paran\u00e1, estado com forte presen\u00e7a mu\u00e7ulmana, relata-se a pixa\u00e7\u00e3o de uma estrela de Davi, s\u00edmbolo do Estado de Israel, o arremesso de um balde de fezes humanas contra o p\u00e1tio de uma mesquita e o c\u00e2ntico de hinos israelenses em frente a templos sagrados mu\u00e7ulmanos. Ataques e provoca\u00e7\u00f5es que n\u00e3o aconteceram apenas do lado de fora. <\/p>\n<p>Refugiado s\u00edrio de Alepo, um dos focos mais violentos da Guerra na S\u00edria, Abdulbaset Jarour, 27, conta que foi agredido dentro de casa por vizinhos, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Ele conseguiu chamar a pol\u00edcia. \u201cAqueles que me bateram falaram que eu sou um terrorista, um homem-bomba, que iria explodir o condom\u00ednio. Eu n\u00e3o sa\u00ed do meu pa\u00eds para passar por isso aqui. \u00c9 muito triste\u201d, relata.<\/p>\n<p>Sua apar\u00eancia se transformou num de seus maiores obst\u00e1culos. Sem conseguir emprego fixo por muito tempo desde que veio para c\u00e1, conta que alugou um carro para trabalhar como motorista do Uber. N\u00e3o contava com a rea\u00e7\u00e3o dos passageiros.<\/p>\n<p>\u201cMuitas pessoas cancelam a viagem quando veem o meu nome, quando veem a minha foto. Alguns que entram no carro come\u00e7am a me olhar estranho. E perguntam: \u2018por que seu nome \u00e9 estranho?\u2019 Respondo que sou \u00e1rabe. Come\u00e7am a ficar nervosos\u201d.<\/p>\n<p>Ele lembra de uma passageira que sugeriu que tirasse a barba. \u201cEu respondi: essa \u00e9 a minha vida, tem brasileiros que t\u00eam o dobro da minha barba. Ela disse: \u2018mas voc\u00ea \u00e9 \u00e1rabe, \u00e9 diferente, n\u00e3o pode\u2019\u201d.<\/p>\n<p>Certa vez, recorda, duas passageiras se beijavam em seu carro. \u201cN\u00e3o estavam nem a\u00ed. Perguntaram sobre meu nome. Falei que sou \u00e1rabe. Me desvalorizaram e me avaliaram com 1 estrela. Antes de descerem, foram muito grossas comigo e bateram forte a porta do carro, s\u00f3 de saber que sou \u00e1rabe\u201d.<\/p>\n<p>Abdulbaset tamb\u00e9m n\u00e3o esquece do que era para ser um almo\u00e7o na casa de uma amiga. \u201cA gente se sentou. A minha amiga me apresentou para a amiga dela, que olhou pra mim com uma cara estranha e me falou: \u2018por favor, n\u00e3o mata a minha amiga!\u2019 Eu deixei o almo\u00e7o e fui embora. Fiquei muito triste\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 diferente na internet. \u201cUma pessoa me mandou no Facebook: \u2018Oi, tudo bem? Posso te conhecer?\u2019 Eu falei: sim! Ela disse: \u2018Voc\u00ea \u00e9 da onde?\u2019 Eu falei: Sou \u00e1rabe, da S\u00edria. Ela falou: \u2018seu mentiroso! Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 \u00e1rabe, voc\u00ea \u00e9 s\u00edrio. Sai do nosso pa\u00eds, voc\u00eas o estragam!\u2019\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 diferente nem nas palestras que d\u00e1. \u201cEu falo: o que eu sou pra voc\u00eas, como \u00e1rabe, mu\u00e7ulmano? A maioria fala: terrorista. Pergunto: o que \u00e9 terrorista pra voc\u00eas? Ningu\u00e9m responde\u201d.<\/p>\n<p>Mito<\/p>\n<p>O que Mohamed Ali e Abdulbaset Jarour viveram no Brasil n\u00e3o \u00e9 uma novidade na hist\u00f3ria do Brasil. E p\u00f5e em xeque a fama do brasileiro de ser um povo acolhedor e pac\u00edfico.<\/p>\n<p>Fama que, na vis\u00e3o de Anaxsuell Fernando, n\u00e3o passa de um mito, que surge com intelectuais como Gilberto Freyre e S\u00e9rgio Buarque de Holanda e se consolida no imagin\u00e1rio social por meio do cinema. \u201cEssa compreens\u00e3o da realidade ajudou a dissimular o racismo, o sexismo e as mais distintas formas de viol\u00eancia cotidianas\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Diferentemente da \u00c1frica do Sul e dos Estados Unidos, onde at\u00e9 algumas d\u00e9cadas atr\u00e1s a hostilidade era institucional e expl\u00edcita, o antrop\u00f3logo explica que a viol\u00eancia brasileira se consolidou \u201cde um modo mais c\u00ednico\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEla existe no cotidiano e no narcisismo das pequenas diferen\u00e7as. De maneira que grupos minorizados socialmente vivenciam todos os dias experi\u00eancias de viol\u00eancia, inclusive por parte do pr\u00f3prio Estado\u201d, analisa.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o existe uma demarca\u00e7\u00e3o vis\u00edvel da xenofobia, como um muro f\u00edsico, mas existem muros simb\u00f3licos que separam pessoas por causa do seu g\u00eanero, ra\u00e7a, origem ou orienta\u00e7\u00e3o sexual. E este discurso pode, eventualmente, ganhar contornos religiosos e morais\u201d, explica.<\/p>\n<p>Segundo Fernando, tamb\u00e9m \u00e9 falsa a ideia de que o Brasil \u00e9 um pa\u00eds muito diverso religiosamente. \u201cO Brasil \u00e9 profundamente religioso mas sem perder de vista que somos majoritariamente crist\u00e3os\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Segundo o censo do IBGE, enquanto os cat\u00f3licos eram em 2010 mais de 120 milh\u00f5es no Brasil e os evang\u00e9licos, mais de 42 milh\u00f5es, os mu\u00e7ulmanos beiravam os 35 mil. \u201cOs crist\u00e3os somam cerca de 86% da popula\u00e7\u00e3o (64% cat\u00f3licos e 22% evang\u00e9licos). Podemos falar em diversidade crist\u00e3, mas n\u00e3o em diversidade religiosa\u201d, observa Anaxsuell Fernando.<\/p>\n<p>E nesse grupo, segundo o professor, a intoler\u00e2ncia religiosa \u00e9 uma marca desde a chegada dos colonizadores. \u201cJ\u00e1 nos primeiros anos de coloniza\u00e7\u00e3o, a incapacidade de conv\u00edvio teve como alvo as diferentes culturas ind\u00edgenas. As chamadas redu\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas foram uma maneira encontrada para circunscrever as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas na cren\u00e7a correta, neste caso, a f\u00e9 crist\u00e3\u201d.<\/p>\n<p>Depois, com a escravid\u00e3o de povos africanos, veio a intoler\u00e2ncia contra suas religi\u00f5es, \u201cque ser\u00e3o associadas a pr\u00e1ticas demon\u00edacas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cCom o fluxo migrat\u00f3rio de pessoas de tradi\u00e7\u00e3o protestantes, a incapacidade de conv\u00edvio com a diferen\u00e7a se faz novamente presente. S\u00e3o fartos os relatos de grupos crist\u00e3os minorit\u00e1rios discriminados e marginalizados em raz\u00e3o das suas cren\u00e7as\u201d.<\/p>\n<p>As comunidades isl\u00e2micas no Brasil, afirma, \u201cvivenciam aquilo que v\u00e1rios outros grupos religiosos experienciaram noutros momentos. Obviamente, em intensidade e natureza distintas\u201d.<\/p>\n<p>Pol\u00edtica<\/p>\n<p>Se depender de setores da pol\u00edtica brasileira, ataques como os sofridos por Mohamed e  Abdulbaset poder\u00e3o ganhar propor\u00e7\u00f5es ainda maiores.<\/p>\n<p>Em fevereiro deste ano, o deputado Jair Bolsonaro (PSC), segundo colocado em diversas pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de voto para presidente no ano que vem, fez um discurso no m\u00ednimo \u201ccontundente\u201d contra minorias.<\/p>\n<p>Contrariando a Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira de 1988, ele disse:<\/p>\n<p>\u201cEssa historinha de Estado laico n\u00e3o. \u00c9 Estado crist\u00e3o. Vamos fazer um Brasil para as maiorias. As minorias t\u00eam que se curvar. A lei deve existir para defender as maiorias. As minorias se adequam ou simplesmente desapare\u00e7am!\u201d<\/p>\n<p>Ovacionado a cada frase por uma plateia majoritariamente masculina, seu nome era erguido em bandeiras do Brasil.<\/p>\n<p>O canal Religi\u00e3o e Pol\u00edtica, que publicou o discurso no YouTube, foi mais espec\u00edfico dois meses depois. Em abril, postou \u201cTreinamento da S\u00edria para invadir Israel\u201d, v\u00eddeo em que homens armados aparecem fazendo supostos disparos numa regi\u00e3o remota, onde derrubam uma pequena bandeira de Israel. No momento em que os supostos s\u00edrios falam, suas vozes s\u00e3o sobrepostas por uma m\u00fasica que impede a compreens\u00e3o do que dizem.<\/p>\n<p>Para Anaxsuell Fernando, professor e pesquisador de Antropologia da Religi\u00e3o na Unila (Universidade Federal da Integra\u00e7\u00e3o Latino-Americana), a emerg\u00eancia de figuras como Bolsonaro reflete o avan\u00e7o do neoliberalismo sobre a democracia, \u201cdissolvendo a estrutura estatal e instituindo o discurso do medo, principal ve\u00edculo do conservadorismo\u201d.<\/p>\n<p>Ele recorre ao intelectual portugu\u00eas Boaventura de Sousa Santos para dizer que em nome da liberdade de express\u00e3o, permite-se a ascens\u00e3o de comportamentos e atitudes que cerceiam a democracia. \u201cEstamos vivendo em um contexto social politicamente democr\u00e1tico e socialmente fascista\u201d.<\/p>\n<p>Xenofobia<\/p>\n<p>No \u00faltimo dia 29 de julho, Bolsonaro compartilhou um v\u00eddeo da Hebraica, sobre o qual escreveu: \u201cMinha contin\u00eancia ao Estado de Israel\u201d.<\/p>\n<p>No v\u00eddeo, diz-se que, apesar dos mu\u00e7ulmanos defenderem a sacralidade de Jerusal\u00e9m, ela n\u00e3o \u00e9 citada nenhuma vez no Alcor\u00e3o, livro sagrado para o Isl\u00e3. Tamb\u00e9m defende que os judeus chegaram primeiro. Que, sob o dom\u00ednio mu\u00e7ulmano, as outras religi\u00f5es eram consideradas infi\u00e9is. Que se a cidade fosse realmente sagrada, por que os isl\u00e2micos rezariam voltados para Meca, e n\u00e3o para Jerusal\u00e9m, como fazem os judeus?<\/p>\n<p>O v\u00eddeo foi compartilhado por mais de 8.400 pessoas e visualizado quase 390 mil vezes. O deputado Fl\u00e1vio Bolsonaro (PSC) foi uma das 19 mil pessoas que reagiram, entre aqueles que curtiram, amaram ou se surpreenderam.<\/p>\n<p>Ibrahim Alzeben, embaixador da Palestina no Brasil, condena a postura do deputado por compartilhar esse tipo de conte\u00fado. \u201cComo ser humano, ele est\u00e1 incentivado a xenofobia e o fanatismo. Palestina \u00e9 a Terra de Cana\u00e3. Se ele acredita na B\u00edblia e volta ao cap\u00edtulo \u00caxodo, vai perceber que n\u00f3s est\u00e1vamos ali, os palestinos\u201d, diz.<\/p>\n<p>\u201cPara n\u00f3s \u00e9 uma grande honra, ao contr\u00e1rio do que foi dito, Jerusal\u00e9m ser o ber\u00e7o de tr\u00eas religi\u00f5es\u201d, afirma. Ele esclarece que a \u00fanica religi\u00e3o que, de fato, nasceu na Palestina foi o cristianismo e que juda\u00edsmo e islamismo se desenvolveram no local, mas n\u00e3o nasceram nele.<\/p>\n<p>\u201cSe vamos falar de direitos hist\u00f3ricos e religiosos, eu acho que a esta altura do campeonato, se o Brasil pertence aos portugueses ou aos guaranis, eu acho que o ser humano tem que crescer um pouco e pensar alto\u201d, ironiza. \u201cMais quando um deputado representa o povo\u201d, critica. Para Ibrahim Alzeben, o papel das lideran\u00e7as pol\u00edticas \u00e9 fomentar a paz, n\u00e3o o conflito.<\/p>\n<p>O embaixador ressalta que a Palestina \u00e9 importante para todos, sejam crist\u00e3os,  mu\u00e7ulmanos e judeus. \u201cN\u00e3o podemos negar nunca o direito religioso a ningu\u00e9m. Quanto a direitos racionais, temos que separar pol\u00edtica de religi\u00e3o. A Palestina \u00e9 territ\u00f3rio dos palestinos\u201d.<\/p>\n<p>Ualid Rabah, diretor de rela\u00e7\u00f5es institucionais da Federa\u00e7\u00e3o \u00c1rabe-Palestina do Brasil (FEPAL), tamb\u00e9m rebate as informa\u00e7\u00f5es apresentadas na p\u00e1gina de Bolsonaro. Explica que Jerusal\u00e9m \u00e9 citada no Alcor\u00e3o e que estudos apontam que a origem dos palestinos est\u00e1 relacionada aos cananeus, povo que foi morar na regi\u00e3o h\u00e1 mais de dez mil anos.<\/p>\n<div class=\"jetpack-video-wrapper\"><span class=\"embed-youtube\" style=\"text-align:center; display: block;\"><iframe loading=\"lazy\" class=\"youtube-player\" width=\"600\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zXlNddKNbzU?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent\" allowfullscreen=\"true\" style=\"border:0;\" sandbox=\"allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox\"><\/iframe><\/span><\/div>\n<p>\u201cA Palestina \u00e9 um caso \u00fanico de limpeza \u00e9tnica na hist\u00f3ria da humanidade, n\u00e3o que n\u00e3o tenha havido outras, mas elas foram em territ\u00f3rio cont\u00edguo, entre povos que disputavam terras h\u00e1 s\u00e9culos ou mil\u00eanios\u201d, observa.<\/p>\n<p>No caso palestino, afirma, a limpeza \u00e9tnica \u00e9 executada previamente \u201ccontra uma popula\u00e7\u00e3o aut\u00f3ctone em que sua metade \u00e9 expulsa para no seu lugar ser colocada uma popula\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias partes do mundo\u201d.<\/p>\n<p>Para Rabah, que tamb\u00e9m integra coletivos de combate \u00e0 islamofobia, quem adesiva-se de Bolsonaro ou vota nele n\u00e3o \u00e9 s\u00e9rio ou adere a um genoc\u00eddio programado. \u201cN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ser levado a s\u00e9rio um sujeito que defende, inclusive publicamente, exterm\u00ednios, submiss\u00e3o de minorias, subtra\u00e7\u00e3o de direitos dessas minorias\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Segundo o ativista, trata-se do discurso de um \u201cbandido, que reproduz o que h\u00e1 de pior no fascismo europeu, que levou \u00e0s limpezas \u00e9tnicas e \u00e0s distor\u00e7\u00f5es fora da Europa na forma colonial e dentro da Europa na I e na II Guerra, sem contar as guerras dentro da Europa s\u00e9culos anteriores com europeus matando europeus\u201d.<\/p>\n<p>Rabah acredita que o discurso do deputado \u00e9 compar\u00e1vel ao de grandes tiranias na hist\u00f3ria da humanidade, como no caso de Adolf Hitler, que liderou o nazismo na Alemanha durante a II Guerra Mundial; Benito Mussolini, l\u00edder do fascismo na It\u00e1lia antes e durante o mesmo per\u00edodo; o apartheid na \u00c1frica do Sul e a escravid\u00e3o de negros daquele continente para outras partes do mundo.<\/p>\n<p>\u201cO que o Bolsonaro n\u00e3o entende e nunca vai entender \u00e9 que Mussolini era t\u00e3o crist\u00e3o quanto ele. Que Hitler era t\u00e3o crist\u00e3o quanto ele. O que esse louco nunca vai entender \u00e9 que o regime do apartheid na \u00c1frica do Sul e todos os crimes cometidos a pretexto de que os negros eram inferiores, inclusive a escraviza\u00e7\u00e3o de 150 milh\u00f5es de pessoas no curso de dois, tr\u00eas s\u00e9culos, foi feita por crist\u00e3os brancos, europeus e ocidentais iguais a ele. Gente que se diz crist\u00e3 e n\u00e3o \u00e9. S\u00e3o bandidos\u201d, acusa.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um sujeito que deveria estar preso, n\u00e3o falando para uma plateia e ser ovacionado, menos ainda ser recebido na Hebraica. Pra voc\u00ea ver a que grau de degenera\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica e humana parcela da lideran\u00e7a judaica sionista chegou\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Hebraica<\/p>\n<p>Rabah se refere a uma palestra do deputado, convidado pela Hebraica do Rio de Janeiro em abril deste ano. O pr\u00f3prio convite foi condenado por lideran\u00e7as judaicas e alvo de protestos.<\/p>\n<p>No v\u00eddeo, Bolsonaro defendeu que n\u00e3o se pode \u201cabrir as portas para todo mundo\u201d, em refer\u00eancia aos refugiados.<\/p>\n<p>Ualid Rabah acredita que Bolsonaro \u00e9 s\u00f3 a ponta de um iceberg. No caso da islamofobia, o diretor de rela\u00e7\u00f5es institucionais da FEPAL afirma que a origem do preconceito est\u00e1 em \u201csetores pentecostais e neopentecostais que se apresentam como crist\u00e3os e evang\u00e9licos\u201d<\/p>\n<p>Segundo ele, esses grupos religiosos vinham disseminando o horror ao catolicismo, espiritismo e matrizes de origem africana, e h\u00e1 cerca de vinte anos o fazem em rela\u00e7\u00e3o ao isl\u00e3. Esse discurso estaria sendo utilizado, por exemplo, aponta Rabah, na Igreja Universal do Reino de Deus.<\/p>\n<p>De acordo com o ativista, essa pr\u00e1tica teria come\u00e7ado h\u00e1 cerca de vinte anos, \u201cquando come\u00e7am associar a leitura do Velho Testamento \u00e0 defesa de Israel. Em tempos mais recentes, eles come\u00e7am a ter v\u00ednculos diretos com todas as organiza\u00e7\u00f5es representativas da comunidade judaica no Brasil, como a CONIB (Confedera\u00e7\u00e3o Israelita do Brasil)\u201d.<\/p>\n<p>Ele defende que essa articula\u00e7\u00e3o se junta \u00e0 extrema direita da pol\u00edtica brasileira, mas chega at\u00e9 a esquerda, no caso do deputado Jean Wyllys (PSOL).  \u201cEle diz defender os direitos do palestinos, mas \u00e9 incr\u00edvel como acentua a criminaliza\u00e7\u00e3o dos mesmos, e de todos os mu\u00e7ulmanos, por meio do que alega ser a criminaliza\u00e7\u00e3o, por estes todos, dos LGBT. E faz isso se associando a Israel\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Rabah fala das cr\u00edticas que o congressista teria feito a um evento mu\u00e7ulmano h\u00e1 pouco mais de uma semana. \u201cFica evidente sua islamofobia quando se associa, acriticamente, na criminaliza\u00e7\u00e3o do evento mu\u00e7ulmano promovido em S\u00e3o Paulo. \u00c9 como se tivesse cumprido uma pauta previamente determinada\u201d, diz.<\/p>\n<p>M\u00eddia<\/p>\n<p>A comunidade mu\u00e7ulmana vem sendo submetida a uma intensa exposi\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica, especialmente a partir de 11\/09, observa Anaxsuell Fernando. \u201cTem forjado uma imagem p\u00fablica repleta de estere\u00f3tipos n\u00e3o correspondentes \u00e0s cren\u00e7as isl\u00e2micas abra\u00e7adas pela maioria de sua popula\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<div class=\"jetpack-video-wrapper\"><span class=\"embed-youtube\" style=\"text-align:center; display: block;\"><iframe loading=\"lazy\" class=\"youtube-player\" width=\"600\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hsnXc0fv3iM?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent\" allowfullscreen=\"true\" style=\"border:0;\" sandbox=\"allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox\"><\/iframe><\/span><\/div>\n<p>Exemplo de preconceito seria a vis\u00e3o constru\u00edda em torno do hijab (v\u00e9u). \u201cNo Brasil, tais a\u00e7\u00f5es sustentam-se em generaliza\u00e7\u00f5es enganosas ou percep\u00e7\u00f5es religiosas equivocadas dos s\u00edmbolos religiosos. O hijab tem sido superficialmente associado a opress\u00e3o das mulheres\u201d.<\/p>\n<p>Para Ualid Rabah, nenhum setor \u00e9 t\u00e3o eficaz na dissemina\u00e7\u00e3o do preconceito quanto a grande m\u00eddia brasileira. \u201cOs ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o de massa s\u00e3o os primeiros respons\u00e1veis pela islamofobia e toda a intoler\u00e2ncia reinante no Brasil\u201d.<\/p>\n<p>Desde que chegou ao pa\u00eds, Abdulbaset observa que a m\u00eddia brasileira mexe muito com a mente do povo. \u201cO que os EUA querem fazer, os brasileiros gostam. O que a m\u00eddia mostrar, o brasileiro vai guardar\u201d, aponta. Diz que no Brasil o que se fala do mundo \u00e1rabe \u00e9 por meio de document\u00e1rios sobre terrorismo e algumas novelas. \u201cMas se voc\u00ea perguntar para os brasileiros que sabem sobre os \u00e1rabes, n\u00e3o conhecem nada, n\u00e3o sabem onde fica a S\u00edria\u201d.<\/p>\n<p>\u201cQuando Israel ataca a Palestina e destr\u00f3i os palestinos, por que n\u00e3o se diz \u2018o aviador judeu conduzindo\u2026\u2019? Por que n\u00e3o se associa o credo judaico aos crimes de Israel? Primeiro, eles disseram que o islamismo \u00e9 uma coisa ruim. Para isso, est\u00e3o utilizando as correntes pr\u00f3-Israel\u201d.<\/p>\n<p>Para Ibrahim Alzeben, embaixador da Palestina no Brasil, a vis\u00e3o israelense sobre os fatos prevalece por uma quest\u00e3o econ\u00f4mica. \u201cEu n\u00e3o tenho recursos para publicar\u201d, afirma. Os ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, aponta ele, n\u00e3o querem contrariar os interesses das empresas que os patrocinam. \u201cEles t\u00eam medo de publicar, de que as grandes empresas deixem de fazer an\u00fancios\u201d.<\/p>\n<p>Recentemente, o blog de Rodrigo Constantino, da Gazeta do Povo, publicou um artigo com o t\u00edtulo: \u201cFam\u00edlia do homem acusado de matar judeus vai receber $3 mil por m\u00eas de autoridade palestina\u201d. A abordagem foi interpretada como islamof\u00f3bica.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 uma recompensa\u201d, esclarece o embaixador Ibrahim Alzeben. Ele afirma que, como em qualquer lugar do mundo, \u00e9 dever do Estado amparar seus cidad\u00e3os. \u201cO Estado Palestino n\u00e3o incentiva atos violentos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA not\u00edcia da forma como \u00e9 apresentada, a promo\u00e7\u00e3o da islamofobia, da Palestinofobia, da mu\u00e7ulmanofobia, a Gazeta do Povo est\u00e1 participando dessa orquestra\u201d, critica Ualid Rabah.<\/p>\n<p>Sonhos e frustra\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas anos no Brasil, Abdulbaset n\u00e3o veio exatamente por uma escolha. Ele conta que foi aqui que conseguiu ref\u00fagio depois de passar por tr\u00eas consulados no L\u00edbano, seu destino ap\u00f3s servir o ex\u00e9rcito em Damasco e ter sua base bombardeada por Israel.<\/p>\n<p>Com v\u00e1rias fraturas pelo corpo, foi tratado. Em fevereiro deste ano, sofreu uma cirurgia. Mas com dificuldades para agendar um tratamento no joelho via SUS e sem recursos financeiros, sua sa\u00fade est\u00e1 debilitada. Longe dos familiares, sente saudades e sonha em se juntar a eles.<\/p>\n<p>Sonha tamb\u00e9m em ter o pr\u00f3prio neg\u00f3cio, como tinha na S\u00edria, levar uma vida confort\u00e1vel, aprender portugu\u00eas, fazer uma faculdade de artes c\u00eanicas, jornalismo ou rela\u00e7\u00f5es internacionais, casar e criar uma fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Sem perspectivas aqui, no entanto, cogita ir embora, talvez para o Canad\u00e1 ou a Austr\u00e1lia. \u201cMas eu amo o Brasil.  Tenho amigos maravilhosos. Uma parte de mim quer ficar para sempre.\u201d<\/p>\n<p>Respostas<\/p>\n<p>A nossa reportagem questionou a CONIB (Confedera\u00e7\u00e3o Israelita do Brasil) sobre as acusa\u00e7\u00f5es de fomento \u00e0 islamofobia no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em nota, a institui\u00e7\u00e3o afirma que sempre defendeu o di\u00e1logo inter-religioso e o combate a toda forma de discrimina\u00e7\u00e3o, inclusive a islamofobia.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso tomar cuidado para que o necess\u00e1rio e imprescind\u00edvel combate \u00e0 islamofobia n\u00e3o se transforme em pretexto para propagar acusa\u00e7\u00f5es mentirosas contra minorias e cometer crimes semelhantes, como o antissemitismo\u201d.<\/p>\n<p>Sobre a cr\u00edtica de Ualid Rabah a parte da lideran\u00e7a judaica, a CONIB aponta o uso da palavra \u201cdegenerada\u201d para acusar a comunidade judaica brasileira como sendo o mesmo termo usado pelos nazistas para atacar a arte moderna e muitos dos artistas judeus da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Em nota, a Igreja Universal do Reino de Deus declara que repudia com veem\u00eancia \u201ctodo ataque \u00e0 f\u00e9 ou \u00e0s cren\u00e7as dos adeptos de qualquer religi\u00e3o, at\u00e9 porque s\u00e3o nossos fi\u00e9is as maiores v\u00edtimas do preconceito religioso no Brasil\u201d. <\/p>\n<p>Menciona estar presente em mais de 110 pa\u00edses, muitos dos quais de maioria isl\u00e2mica: \u201cEm todos eles, cumprimos nossa miss\u00e3o evangelizadora e social com total respeito \u00e0s leis, \u00e0s normas e costumes locais\u201d.<\/p>\n<p>Diz que, \u201cal\u00e9m absurda, a acusa\u00e7\u00e3o de \u2018islamofobia\u2019 \u00e9 criminosa. Espera-se que o entrevistado citado pelo jornalista explique como elaborou uma conclus\u00e3o t\u00e3o monstruosa, pois nunca uma s\u00f3 palavra neste sentido foi defendida em qualquer templo ou ve\u00edculo oficial da Universal na TV, no r\u00e1dio, jornal, livro ou Internet\u201d.<\/p>\n<p>A Hebraica do Rio de Janeiro foi questionada sobre o convite a Jair Bolsonaro para palestrar a sua comunidade, mas n\u00e3o respondeu.<\/p>\n<p>Jair Bolsonaro, Marco Feliciano e Jean Wyllys n\u00e3o se manifestaram sobre as cr\u00edticas que lhes foram feitas.<\/p>\n<p>Abdulbaset afirma que uma investiga\u00e7\u00e3o foi aberta contra seus agressores, que est\u00e3o livres.<\/p>\n<div class=\"jetpack-video-wrapper\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"O Fascismo de Bolsonaro no Hebraica - Piores momentos.\" width=\"600\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uF2EzmYSYz0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEu sou brasileiro e estou vendo meu pa\u00eds ser invadido por esses homens-bomba miser\u00e1veis, esquartejados, que mataram crian\u00e7as, adolescentes. 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O governo do estado?\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12869,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[53,245],"class_list":["post-12866","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-notas","tag-bolsonaro","tag-islamofobia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/fobia.jpg?fit=900%2C572","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-3lw","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12866","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12866"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12866\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12870,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12866\/revisions\/12870"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12869"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12866"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12866"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12866"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}