{"id":13771,"date":"2017-09-19T16:14:36","date_gmt":"2017-09-19T20:14:36","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=13771"},"modified":"2017-09-19T16:14:36","modified_gmt":"2017-09-19T20:14:36","slug":"estamos-vendo-o-fim-da-classe-media-assalariada-brasileira-diz-o-economista-marcio-pochmann","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/09\/19\/estamos-vendo-o-fim-da-classe-media-assalariada-brasileira-diz-o-economista-marcio-pochmann\/","title":{"rendered":"\u201cEstamos vendo o fim da classe m\u00e9dia assalariada brasileira\u201d, diz o economista Marcio Pochmann"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"13772\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/09\/19\/estamos-vendo-o-fim-da-classe-media-assalariada-brasileira-diz-o-economista-marcio-pochmann\/poc\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/poc.jpg?fit=600%2C400\" data-orig-size=\"600,400\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"poc\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/poc.jpg?fit=300%2C200\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/poc.jpg?fit=600%2C400\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/poc.jpg?resize=600%2C400\" alt=\"poc\" width=\"600\" height=\"400\" class=\"alignnone size-full wp-image-13772\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/poc.jpg?w=600 600w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/poc.jpg?resize=300%2C200 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/poc.jpg?resize=450%2C300 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Texto originalmente publicado no Sul 21 &#8211; O Brasil que est\u00e1 saindo do atual per\u00edodo de recess\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds praticamente sem uma burguesia industrial, limitado a uma burguesia comercial que compra e vende produtos, papeis ou ativos p\u00fablicos e privados, com uma classe trabalhadora em situa\u00e7\u00e3o muito prec\u00e1ria, buscando sobreviver e uma classe m\u00e9dia assalariada que est\u00e1 desaparecendo. <!--more--><\/p>\n<p>A reforma trabalhista e a terceiriza\u00e7\u00e3o v\u00e3o corroer os empregos assalariados intermedi\u00e1rios nas grandes empresas privadas e no setor p\u00fablico. O que est\u00e1 emergindo \u00e9 uma sociedade cada vez mais polarizada entre os muito ricos e a maior parte da popula\u00e7\u00e3o empobrecida. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 do economista Marcio Pochmann, professor da Universidade de Campinas (Unicamp), ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) e presidente da Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, que esteve em Porto Alegre nesta segunda-feira (18), participando de uma homenagem a Marco Aur\u00e9lio Garcia e de um debate sobre \u201cO Capital\u201d, organizado pela Funda\u00e7\u00e3o Maur\u00edcio Grabois.<\/p>\n<p>Em entrevista ao Sul21, Pochmann analisou a atual situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds, reconhecendo que h\u00e1 alguns indicadores apontando para uma interrup\u00e7\u00e3o da queda da atividade econ\u00f4mica, mas ainda insuficientes para sustentar uma retomada consistente da economia. \u201cO governo Temer est\u00e1 aproveitando essa situa\u00e7\u00e3o para passar a imagem de que estamos saindo da recess\u00e3o, embora as informa\u00e7\u00f5es sejam muito fr\u00e1geis e n\u00e3o nos permitam muito otimismo acerca de uma retomada da economia, podendo indicar, ao inv\u00e9s disso, uma trajet\u00f3ria de estagna\u00e7\u00e3o da economia brasileira\u201d, diz o economista que identifica algumas mudan\u00e7as profundas em curso no tecido social brasileiro.<\/p>\n<p>Sul21: Nas \u00faltimas semanas, integrantes do governo Temer v\u00ea citando indicadores econ\u00f4micos que apontariam para o in\u00edcio de uma retomada da economia brasileira. Essa retomada \u00e9 real, na sua opini\u00e3o?<\/p>\n<p>Marcio Pochmann: A recess\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno anormal na trajet\u00f3ria de uma economia capitalista e no Brasil n\u00e3o seria diferente. A recess\u00e3o iniciada no final de 2014 \u00e9 a terceira desde 1980 quando o Brasil constituiu-se como uma economia industrializada, ou a quarta, se considerarmos a recess\u00e3o de 1929, quando o pa\u00eds tinha uma economia de base agr\u00e1ria-exportadora. A trajet\u00f3ria comum das recess\u00f5es \u00e9 que elas t\u00eam um prazo reduzido de manifesta\u00e7\u00e3o. As recess\u00f5es de 1981-1983 e de 1990-1992 registraram uma forte queda da economia no primeiro ano, que foi suavizada no segundo ano e depois voltou se aprofundar no ano seguinte.<\/p>\n<p>A recess\u00e3o iniciada em 2014 avan\u00e7ou por uma trajet\u00f3ria diferente. Tivemos dois de queda e agora, no terceiro ano, em 2017, a economia de certa forma parou de cair. Do ponto de vista estat\u00edstico, h\u00e1 sinais de sa\u00edda dessa situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o baixa. Mas n\u00e3o h\u00e1 indicadores que sinalizem sustenta\u00e7\u00e3o de um processo de recupera\u00e7\u00e3o, de tal forma que pode ser algo parecido com o que vivemos em momentos anteriores nas d\u00e9cadas de 80 e 90. O governo tomou algumas medidas que viabilizaram algumas melhoras do ponto de vista do consumo, como a libera\u00e7\u00e3o do Fundo de Garantia por Tempo de Servi\u00e7o, a queda da taxa de juros, a melhora do com\u00e9rcio externo e a excelente safra agr\u00edcola. Ent\u00e3o, de fato, h\u00e1 elementos que ajudam a entender por que a economia n\u00e3o seguiu na recess\u00e3o. Ela estancou em um patamar relativamente baixo.<\/p>\n<p>O governo Temer est\u00e1 aproveitando essa situa\u00e7\u00e3o para passar a imagem de que estamos saindo da recess\u00e3o, embora as informa\u00e7\u00f5es sejam muito fr\u00e1geis e n\u00e3o nos permitam muito otimismo acerca de uma retomada da economia, podendo indicar, ao inv\u00e9s disso, uma trajet\u00f3ria de estagna\u00e7\u00e3o da economia brasileira. N\u00e3o h\u00e1 motores que possam indicar uma retomada do crescimento da economia a n\u00e3o ser a ocupa\u00e7\u00e3o de capacidade ociosa que temos, provocada por uma queda muito significativa. Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 sinais de retomada do investimento.<\/p>\n<p>Sul21: Do ponto de vista do desemprego, que cresceu nos \u00faltimos meses, houve alguma melhora?<\/p>\n<p>Marcio Pochmann: Se compararmos com as recess\u00f5es anteriores, desta vez os sinais sociais foram muito mais agudos. Tivemos um crescimento do desemprego muito mais r\u00e1pido e explosivo, comparando com o que ocorreu em 1990 e 1981. O aumento da pobreza tamb\u00e9m foi muito acelerado, o que \u00e9 vis\u00edvel nas regi\u00f5es centrais das grandes cidades brasileiras, com a presen\u00e7a de moradores de rua e desempregados. A pobreza voltou a crescer rapidamente, mas a taxa de pobreza que t\u00ednhamos era muito baixa em 2014. Neste ano, est\u00e1vamos com menos de 10% da popula\u00e7\u00e3o em condi\u00e7\u00e3o de pobreza. J\u00e1 em 1980, t\u00ednhamos 44% da popula\u00e7\u00e3o vivendo em situa\u00e7\u00e3o de pobreza.<\/p>\n<p>N\u00f3s temos um fen\u00f4meno hoje no Brasil que impede as pessoas de permanecerem desempregadas, conforme o conceito utilizado pelo IBGE. Segundo esse conceito, a pessoa, para ser considerada desempregada, n\u00e3o pode ter trabalhado mais do que duas horas na semana, tem que estar dispon\u00edvel para o trabalho e ocupar imediatamente o trabalho existente. Se a pessoa est\u00e1 lavando autom\u00f3veis ou elaborou alguma estrat\u00e9gia de sobreviv\u00eancia, isso passa a ser considerado pelo IBGE como ocupa\u00e7\u00e3o. E as ocupa\u00e7\u00f5es que cresceram possuem essas caracter\u00edsticas. S\u00e3o pessoas com jornada de trabalho muito pequena, sal\u00e1rios ruins. H\u00e1 um precariado que se expande nestas condi\u00e7\u00f5es, substituindo o antigo trabalhador com carteira assinada.<\/p>\n<p>Sul21: Do ponto de vista pol\u00edtico, a interrup\u00e7\u00e3o da queda da atividade econ\u00f4mica pode dar uma estabilidade maior ao governo Temer que vem acumulando recordes de impopularidade?<\/p>\n<p>Marcio Pochmann: \u00c9 ineg\u00e1vel que isso tem impacto pol\u00edtico. Cabe lembrar que, na recess\u00e3o de 1981-1982, tivemos elei\u00e7\u00f5es para governadores. Foi importante criar, naquele per\u00edodo, a ideia de que est\u00e1vamos saindo da recess\u00e3o. Embora o resultado eleitoral tenha sido uma derrota para o regime militar, eles conseguiram vit\u00f3rias em alguns estados, inclusive no Rio Grande do Sul. Agora, de modo similar, \u00e9 necess\u00e1rio gerar n\u00fameros positivos para dizer que estamos saindo desta grave circunst\u00e2ncia para gerar um 2018 mais favor\u00e1vel para as for\u00e7as que ap\u00f3iam o atual governo. A quest\u00e3o \u00e9 saber se isso tem condi\u00e7\u00f5es de se sustentar.<\/p>\n<p>Em 2018, poderemos ter inclusive sinais negativos na economia. Sa\u00edmos da recess\u00e3o de 1981-1982 pelo com\u00e9rcio externo. Naquele per\u00edodo, t\u00ednhamos um pa\u00eds muito mais industrial do que temos hoje. Em 1991-1992, sa\u00edmos da recess\u00e3o pela mudan\u00e7a de governo, com a posse de Itamar Franco, pelo com\u00e9rcio externo e tamb\u00e9m por um aumento do consumo no mercado interno. Esses mecanismos n\u00e3o est\u00e3o claros hoje. O governo liberou recursos do FGTS, muita gente usou esse dinheiro para pagar contas e para algum consumo, mas isso \u00e9 uma vez s\u00f3. N\u00e3o h\u00e1 continuidade nesta libera\u00e7\u00e3o de recursos. \u00c9 verdade que a taxa de juros caiu, mas ela caiu muito mais do ponto de vista nominal do que real. Estamos trabalhando com uma infla\u00e7\u00e3o este ano abaixo de dois pontos percentuais, enquanto a taxa de juros est\u00e1 num patamar de 8%. Ent\u00e3o, em termos reais, ainda n\u00e3o h\u00e1 um ambiente favor\u00e1vel para os empres\u00e1rios tomarem iniciativas para ampliar sua capacidade produtiva.<\/p>\n<p>Por outro lado, o Brasil segue recebendo recursos externos, mas cerca de 80% desses recursos est\u00e3o sendo utilizados para a compra de ativos, de empresas brasileiras. Isso n\u00e3o significa, necessariamente, amplia\u00e7\u00e3o da capacidade produtiva. Sem negar que a situa\u00e7\u00e3o de 2017 \u00e9 melhor que a de 2016, do ponto de vista econ\u00f4mico, com uma infla\u00e7\u00e3o mais baixa e um melhor quadro externo, n\u00e3o h\u00e1 ainda, ao meu ver, base para sustentar uma retomada consistente da economia.<\/p>\n<p>Sul21: Muito se falou nos \u00faltimos anos do surgimento de uma nova classe media, resultado dos avan\u00e7os econ\u00f4micos e sociais que o Brasil teve na \u00faltima d\u00e9cada. Ap\u00f3s pouco mais de um ano do afastamento da presidenta Dilma Rousseff, parece existir uma certa acomoda\u00e7\u00e3o junto a esses setores m\u00e9dios, mesmo com um governo atravessado por den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o, com uma legitimidade extremamente baixa e uma crescente viola\u00e7\u00e3o de direitos. Como voc\u00ea v\u00ea essa postura geral da sociedade diante do quadro que estamos vivendo?<\/p>\n<p>Marcio Pochmann: As pesquisas que temos feito, na Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, e outros levantamentos apontam que h\u00e1 um descontentamento generalizado e um descr\u00e9dito na sociedade em rela\u00e7\u00e3o ao atual governo, mas que ela n\u00e3o consegue identificar nenhuma alternativa. N\u00e3o creio que esse ambiente revele uma acomoda\u00e7\u00e3o, pois 2017 vem sendo marcado por grandes mobiliza\u00e7\u00f5es e acirramentos de classes. Tivemos greves sem paralelo na hist\u00f3ria do Brasil, do ponto de vista da mobiliza\u00e7\u00e3o da sociedade. Por outro lado, os movimentos sociais n\u00e3o se caracterizam por paralisa\u00e7\u00f5es e mobiliza\u00e7\u00f5es permanentes. Elas ocorrem de tempos em tempos. Ent\u00e3o, o que temos hoje n\u00e3o \u00e9 uma acomoda\u00e7\u00e3o, mas sim uma esp\u00e9cie de perplexidade. A sociedade est\u00e1 descontente com o atual governo e com a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, n\u00e3o vendo perspectiva de retomar ao patamar em que se encontrava. Mas n\u00e3o h\u00e1 ainda um p\u00f3lo que seja capaz de agregar esse descontentamento que acaba caindo em uma certa desesperan\u00e7a. Isso n\u00e3o significa, por\u00e9m, satisfa\u00e7\u00e3o ou acomoda\u00e7\u00e3o com a situa\u00e7\u00e3o atual.<\/p>\n<p>Sul21: Do ponto de vista pol\u00edtico, a interrup\u00e7\u00e3o da queda da atividade econ\u00f4mica pode dar uma estabilidade maior ao governo Temer que vem acumulando recordes de impopularidade?<\/p>\n<p>Marcio Pochmann: \u00c9 ineg\u00e1vel que isso tem impacto pol\u00edtico. Cabe lembrar que, na recess\u00e3o de 1981-1982, tivemos elei\u00e7\u00f5es para governadores. Foi importante criar, naquele per\u00edodo, a ideia de que est\u00e1vamos saindo da recess\u00e3o. Embora o resultado eleitoral tenha sido uma derrota para o regime militar, eles conseguiram vit\u00f3rias em alguns estados, inclusive no Rio Grande do Sul. Agora, de modo similar, \u00e9 necess\u00e1rio gerar n\u00fameros positivos para dizer que estamos saindo desta grave circunst\u00e2ncia para gerar um 2018 mais favor\u00e1vel para as for\u00e7as que ap\u00f3iam o atual governo. A quest\u00e3o \u00e9 saber se isso tem condi\u00e7\u00f5es de se sustentar.<\/p>\n<p>Em 2018, poderemos ter inclusive sinais negativos na economia. Sa\u00edmos da recess\u00e3o de 1981-1982 pelo com\u00e9rcio externo. Naquele per\u00edodo, t\u00ednhamos um pa\u00eds muito mais industrial do que temos hoje. Em 1991-1992, sa\u00edmos da recess\u00e3o pela mudan\u00e7a de governo, com a posse de Itamar Franco, pelo com\u00e9rcio externo e tamb\u00e9m por um aumento do consumo no mercado interno. Esses mecanismos n\u00e3o est\u00e3o claros hoje. O governo liberou recursos do FGTS, muita gente usou esse dinheiro para pagar contas e para algum consumo, mas isso \u00e9 uma vez s\u00f3. N\u00e3o h\u00e1 continuidade nesta libera\u00e7\u00e3o de recursos. \u00c9 verdade que a taxa de juros caiu, mas ela caiu muito mais do ponto de vista nominal do que real. Estamos trabalhando com uma infla\u00e7\u00e3o este ano abaixo de dois pontos percentuais, enquanto a taxa de juros est\u00e1 num patamar de 8%. Ent\u00e3o, em termos reais, ainda n\u00e3o h\u00e1 um ambiente favor\u00e1vel para os empres\u00e1rios tomarem iniciativas para ampliar sua capacidade produtiva.<\/p>\n<p>Por outro lado, o Brasil segue recebendo recursos externos, mas cerca de 80% desses recursos est\u00e3o sendo utilizados para a compra de ativos, de empresas brasileiras. Isso n\u00e3o significa, necessariamente, amplia\u00e7\u00e3o da capacidade produtiva. Sem negar que a situa\u00e7\u00e3o de 2017 \u00e9 melhor que a de 2016, do ponto de vista econ\u00f4mico, com uma infla\u00e7\u00e3o mais baixa e um melhor quadro externo, n\u00e3o h\u00e1 ainda, ao meu ver, base para sustentar uma retomada consistente da economia.<\/p>\n<p>Sul21: Muito se falou nos \u00faltimos anos do surgimento de uma nova classe media, resultado dos avan\u00e7os econ\u00f4micos e sociais que o Brasil teve na \u00faltima d\u00e9cada. Ap\u00f3s pouco mais de um ano do afastamento da presidenta Dilma Rousseff, parece existir uma certa acomoda\u00e7\u00e3o junto a esses setores m\u00e9dios, mesmo com um governo atravessado por den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o, com uma legitimidade extremamente baixa e uma crescente viola\u00e7\u00e3o de direitos. Como voc\u00ea v\u00ea essa postura geral da sociedade diante do quadro que estamos vivendo?<\/p>\n<p>Marcio Pochmann: As pesquisas que temos feito, na Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, e outros levantamentos apontam que h\u00e1 um descontentamento generalizado e um descr\u00e9dito na sociedade em rela\u00e7\u00e3o ao atual governo, mas que ela n\u00e3o consegue identificar nenhuma alternativa. N\u00e3o creio que esse ambiente revele uma acomoda\u00e7\u00e3o, pois 2017 vem sendo marcado por grandes mobiliza\u00e7\u00f5es e acirramentos de classes. Tivemos greves sem paralelo na hist\u00f3ria do Brasil, do ponto de vista da mobiliza\u00e7\u00e3o da sociedade. Por outro lado, os movimentos sociais n\u00e3o se caracterizam por paralisa\u00e7\u00f5es e mobiliza\u00e7\u00f5es permanentes. Elas ocorrem de tempos em tempos. Ent\u00e3o, o que temos hoje n\u00e3o \u00e9 uma acomoda\u00e7\u00e3o, mas sim uma esp\u00e9cie de perplexidade. A sociedade est\u00e1 descontente com o atual governo e com a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, n\u00e3o vendo perspectiva de retomar ao patamar em que se encontrava. Mas n\u00e3o h\u00e1 ainda um p\u00f3lo que seja capaz de agregar esse descontentamento que acaba caindo em uma certa desesperan\u00e7a. Isso n\u00e3o significa, por\u00e9m, satisfa\u00e7\u00e3o ou acomoda\u00e7\u00e3o com a situa\u00e7\u00e3o atual.<\/p>\n<p>Marco Weissheimer<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto originalmente publicado no Sul 21 &#8211; O Brasil que est\u00e1 saindo do atual per\u00edodo de recess\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds praticamente sem uma burguesia industrial, limitado a uma burguesia comercial que compra e vende produtos, papeis ou ativos p\u00fablicos e privados, com uma classe trabalhadora em situa\u00e7\u00e3o muito prec\u00e1ria, buscando sobreviver e uma classe m\u00e9dia&#8230;<a class=\"more-link\" href=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/09\/19\/estamos-vendo-o-fim-da-classe-media-assalariada-brasileira-diz-o-economista-marcio-pochmann\/\">Continue a leitura <span class=\"meta-nav\">&raquo;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-13771","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-3A7","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13771","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13771"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13771\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13773,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13771\/revisions\/13773"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13771"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13771"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13771"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}