{"id":14776,"date":"2017-11-04T07:50:17","date_gmt":"2017-11-04T11:50:17","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=14776"},"modified":"2017-11-04T07:51:10","modified_gmt":"2017-11-04T11:51:10","slug":"o-obscuro-uso-do-facebook-e-do-twitter-como-armas-de-manipulacao-politica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/11\/04\/o-obscuro-uso-do-facebook-e-do-twitter-como-armas-de-manipulacao-politica\/","title":{"rendered":"O obscuro uso do Facebook e do Twitter como armas de manipula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"14777\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/11\/04\/o-obscuro-uso-do-facebook-e-do-twitter-como-armas-de-manipulacao-politica\/5116c39e-b130-4cdf-bec9-55481e00eeeb\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/5116C39E-B130-4CDF-BEC9-55481E00EEEB.jpeg?fit=980%2C679\" data-orig-size=\"980,679\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"5116C39E-B130-4CDF-BEC9-55481E00EEEB\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/5116C39E-B130-4CDF-BEC9-55481E00EEEB.jpeg?fit=300%2C208\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/5116C39E-B130-4CDF-BEC9-55481E00EEEB.jpeg?fit=600%2C416\" class=\"alignnone size-full wp-image-14777\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/5116C39E-B130-4CDF-BEC9-55481E00EEEB.jpeg?resize=600%2C416\" alt=\"5116C39E-B130-4CDF-BEC9-55481E00EEEB\" width=\"600\" height=\"416\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/5116C39E-B130-4CDF-BEC9-55481E00EEEB.jpeg?w=980 980w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/5116C39E-B130-4CDF-BEC9-55481E00EEEB.jpeg?resize=300%2C208 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/5116C39E-B130-4CDF-BEC9-55481E00EEEB.jpeg?resize=768%2C532 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/5116C39E-B130-4CDF-BEC9-55481E00EEEB.jpeg?resize=433%2C300 433w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>As manobras nas redes se tornam uma amea\u00e7a que os governos querem controlar<\/p>\n<p>No El Pa\u00eds, por Javier Salas &#8211; Tudo mudou para sempre em 2 de novembro de 2010, sem que ningu\u00e9m percebesse. O Facebook introduziu uma simples mensagem que surgia no feed de not\u00edcias de seus usu\u00e1rios.<!--more--><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma janelinha que anunciava que seus amigos j\u00e1 tinham ido votar. Estavam em curso as elei\u00e7\u00f5es legislativas dos Estados Unidos e 60 milh\u00f5es de eleitores vieram aquele teaser\u00a0do Facebook. Cruzando dados de seus usu\u00e1rios com o registro eleitoral, a rede social calculou que acabaram indo votar 340.000 pessoas que teriam ficado em casa se n\u00e3o tivessem visto em suas p\u00e1ginas que seus amigos tinham passado pelas urnas.<\/p>\n<p>Dois anos depois, quando Barack Obama tentava a reelei\u00e7\u00e3o, os cientistas do Facebook publicaram os resultados desse experimento pol\u00edtico na revista Nature. Era a maneira de exibir os m\u00fasculos diante dos potenciais anunciantes, o \u00fanico modelo de neg\u00f3cio da empresa de Mark Zuckerberg, e que lhe rende mais de 9 bilh\u00f5es de d\u00f3lares por trimestre. \u00c9 f\u00e1cil imaginar o quanto devem ter crescido os b\u00edceps do Facebook desde que mandou para as ruas centenas de milhares de eleitores h\u00e1 sete anos, quando nem sequer havia hist\u00f3rias patrocinadas.<\/p>\n<p>H\u00e1 algumas semanas, o co-fundador do Twitter, Ev Williams, se desculpou pelo papel determinante que essa plataforma desempenhou na elei\u00e7\u00e3o de Donald Trump, ao ajudar a criar um \u201cecossistema de ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o que se sustenta e prospera com base na aten\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cIsso \u00e9 o que nos torna mais burros e Donald Trump \u00e9 um sintoma disso\u201d, afirmou. \u201cCitar os tu\u00edtes de Trump ou a \u00faltima e mais est\u00fapida coisa dita por qualquer candidato pol\u00edtico ou por qualquer pessoa \u00e9 uma maneira eficiente de explorar os instintos mais baixos das pessoas. E isso est\u00e1 contaminando o mundo inteiro\u201d, declarou Williams.<\/p>\n<p>\u201cCitar a coisa mais est\u00fapida que qualquer pol\u00edtico diga \u00e9 uma maneira de explorar os instintos mais baixos das pessoas. Isso est\u00e1 contaminando o mundo inteiro\u201d, declarou o fundador do Twitter<\/p>\n<p>Quando perguntaram a Zuckerberg se o Facebook tinha sido determinante na elei\u00e7\u00e3o de Trump, ele recusou a ideia dizendo ser uma \u201cloucura\u201d e algo \u201cextremamente improv\u00e1vel\u201d. No entanto, a pr\u00f3pria rede social que ele dirige se vangloria de ser uma ferramenta pol\u00edtica decisiva em seus \u201ccasos de sucesso\u201d publicit\u00e1rios, atribuindo a si mesma um papel essencial nas vit\u00f3rias de deputados norte-americanas ou na maioria absoluta dos conservadores brit\u00e2nicos em 2015.<\/p>\n<p>O certo \u00e9 que \u00e9 a pr\u00f3pria equipe de Trump quem reconhece que cavalgou para a Casa Branca nas costas das redes sociais, aproveitando sua enorme capacidade de alcan\u00e7ar usu\u00e1rios tremendamente espec\u00edficos com mensagens quase personalizadas. Como revelou uma representante da equipe digital de Trump \u00e0 BBC, o Facebook, o Twitter, o YouTube e o Google tinham funcion\u00e1rios com escrit\u00f3rios pr\u00f3prios no quartel-general do republicano. \u201cEles nos ajudaram a utilizar essas plataformas da maneira mais eficaz poss\u00edvel. Quando voc\u00ea est\u00e1 injetando milh\u00f5es e milh\u00f5es de d\u00f3lares nessas plataformas sociais [entre 70 e 85 milh\u00f5es de d\u00f3lares no caso do Facebook], recebe tratamento preferencial, com representantes que se certificam em satisfazer todas as nossas necessidades\u201d.<\/p>\n<p>E nisso apareceram os russos<br \/>\nA revela\u00e7\u00e3o de que o Facebook permitiu que, a partir de contas falsas ligadas a Moscou, fossem comprados an\u00fancios pr\u00f3-Trump no valor de 100.000 d\u00f3lares colocou sobre a mesa o lado obscuro da plataforma de Zuckerberg. Encurralado pela opini\u00e3o p\u00fablica e pelo Congresso dos Estados Unidos, a empresa reconheceu que esses an\u00fancios tinham alcan\u00e7ado 10 milh\u00f5es de usu\u00e1rios. No entanto, um especialista da Universidade de Columbia, Jonathan Albright, calculou que o n\u00famero real deve ser pelo menos o dobro, fora que grande parte de sua divulga\u00e7\u00e3o teria sido org\u00e2nica, ou seja, viralizando de maneira natural e n\u00e3o s\u00f3 por patroc\u00ednio. A resposta do Facebook? Apagar todo o rastro. E cortar o fluxo de informa\u00e7\u00f5es para futuras investiga\u00e7\u00f5es. \u201cNunca mais ele ou qualquer outro pesquisador poder\u00e1 realizar o tipo de an\u00e1lise que fez dias antes\u201d, publicou o The Washington Post h\u00e1 uma semana. \u201cS\u00e3o dados de interesse p\u00fablico\u201d, queixou-se Albright ao descobrir que o Facebook tinha fechado a \u00faltima fresta pela qual os pesquisadores podiam espiar a realidade do que ocorre dentro da poderosa empresa.<\/p>\n<p>Esteban Moro, que tamb\u00e9m se dedica a buscar frestas entre as opacas paredes da rede social, critica a decis\u00e3o da companhia de se fechar em vez de apostar na transpar\u00eancia para demonstrar vontade de mudar. \u201cPor isso tentamos for\u00e7ar que o Facebook nos permita ver que parte do sistema influi nos resultados problem\u00e1ticos\u201d, afirma esse pesquisador, que atualmente trabalha no Media Lab do MIT. \u201cN\u00e3o sabemos at\u00e9 que ponto a plataforma est\u00e1 projetada para refor\u00e7ar esse tipo de comportamento\u201d, afirma, em refer\u00eancia \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o de falsas informa\u00e7\u00f5es politicamente interessadas.<\/p>\n<p>\u201cSeus algoritmos s\u00e3o otimizados para favorecer a difus\u00e3o da publicidade. Corrigir isso para evitar a propaga\u00e7\u00e3o de desinforma\u00e7\u00e3o vai contra o neg\u00f3cio\u201d, explica Moro<\/p>\n<p>O Facebook anunciou que contar\u00e1 com quase 9.000 funcion\u00e1rios para editar conte\u00fados, o que muitos consideram um remendo em um problema que \u00e9 estrutural. \u201cSeus algoritmos est\u00e3o otimizados para favorecer a difus\u00e3o de publicidade. Corrigir isso para evitar a propaga\u00e7\u00e3o de desinforma\u00e7\u00e3o vai contra o neg\u00f3cio\u201d, explica Moro. A publicidade, principal fonte de rendas do Facebook e do Google, demanda que passemos mais tempos conectados, interagindo e clicando. E para obter isso, essas plataformas desenvolvem algoritmos muito potentes que criaram um campo de batalha perfeito para as mentiras pol\u00edcias, no qual proliferaram ve\u00edculos que faturam alto viralizando falsidades e meia-verdades polarizadas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 imprescind\u00edvel haver um processo de supervis\u00e3o desses algoritmos para mitigar seu impacto. E necessitamos de mais pesquisa para conhecer sua influ\u00eancia\u201d, reivindica Gemma Galdon, especialista no impacto social da tecnologia e diretora da consultoria Eticas. Galdon destaca a coincid\u00eancia temporal de muitos fen\u00f4menos, como o efeito bolha das redes (ao fazer um usu\u00e1rio se isolar de opini\u00f5es diferentes da sua), o mal-estar social generalizado, a escala brutal na qual atuam essas plataformas, a opacidade dos algoritmos e o desaparecimento da confian\u00e7a na imprensa. Juntos, esses fatos geraram \u201cum desastre significativo\u201d. Moro concorda que \u201cmuitas das coisas que est\u00e3o ocorrendo na sociedade t\u00eam a ver com o que ocorre nas redes\u201d. E aponta um dado: \u201cS\u00e3o o \u00fanico lugar em que se informam 40% dos norte-americanos, que passam nelas tr\u00eas horas por dia\u201d.<\/p>\n<p>A propaganda inform\u00e1tica \u00e9 \u201cuma das ferramentas mais poderosas contra a democracia\u201d, segundo especialistas de Oxford, e por isso as redes \u201cprecisam se redesenhar para que a democracia sobreviva\u201d<\/p>\n<p>A diretora de opera\u00e7\u00f5es do Facebook, Sheryl Sandberg, bra\u00e7o direito de Zuckerberg, defendeu a venda de an\u00fancios como os russos, argumentando que se trata de uma quest\u00e3o de &#8220;liberdade de express\u00e3o&#8221;. Segundo a ag\u00eancia de not\u00edcias Bloomberg, o Facebook e o Google colaboraram ativamente em uma campanha xen\u00f3foba contra refugiados para que fosse vista por eleitores-chave nos estados em disputa. O Google tamb\u00e9m aceitou dinheiro russo para an\u00fancios no YouTube e no Gmail. N\u00e3o em v\u00e3o, o Facebook tem pressionado h\u00e1 anos para que n\u00e3o seja afetado pela legisla\u00e7\u00e3o que exige que a m\u00eddia tradicional seja transparente na contrata\u00e7\u00e3o de propaganda eleitoral. Agora, o Senado pretende legislar sobre a propaganda digital contra a press\u00e3o dessas grandes plataformas tecnol\u00f3gicas, que defendem a autorregula\u00e7\u00e3o. Tanto o Twitter quanto o Facebook expressaram recentemente a inten\u00e7\u00e3o de serem mais transparentes nesta quest\u00e3o.<\/p>\n<p>A responsabilidade do Twitter<br \/>\nEm meados deste ano, o Instituto de Internet da Universidade de Oxford publicou um relat\u00f3rio devastador, analisando a influ\u00eancia que as plataformas digitais estavam tendo sobre os processos democr\u00e1ticos em todo o mundo. A equipe de pesquisadores estudou o que aconteceu com milh\u00f5es de publica\u00e7\u00f5es nos \u00faltimos dois anos em nove pa\u00edses (Brasil, Canad\u00e1, China, Alemanha, Pol\u00f4nia, Taiwan, R\u00fassia, Ucr\u00e2nia e Estados Unidos) e concluiu, entre outras coisas, que \u201cos bots [contas automatizadas] podem influenciar processos pol\u00edticos de import\u00e2ncia mundial\u201d.<\/p>\n<p>Facebook, Twitter, YouTube e Google tinham funcion\u00e1rios com escrit\u00f3rio pr\u00f3prio no quartel-general de Trump: \u201cQuando voc\u00ea injeta tantos milh\u00f5es, tem tratamento preferencial\u201d<\/p>\n<p>Nos EUA, os republicanos e a direita supremacista usaram ex\u00e9rcitos de bots para \u201cmanipular consensos, dando a ilus\u00e3o de uma popularidade on-line significativa para construir um verdadeiro apoio pol\u00edtico\u201d e para ampliar o alcance de sua propaganda. E concentraram seus esfor\u00e7os nos principais estados em disputa, que foram inundados com not\u00edcias de fontes n\u00e3o confi\u00e1veis. Em pa\u00edses como a Pol\u00f4nia e a R\u00fassia, grande parte das conversas no Twitter \u00e9 monopolizada por contas automatizadas. Em estados mais autorit\u00e1rios, as redes s\u00e3o usadas para controlar o debate pol\u00edtico, silenciando a oposi\u00e7\u00e3o e, nos mais democr\u00e1ticos, aparecem as cibertropas para intencionalmente contaminar as discuss\u00f5es. As plataformas n\u00e3o informam nem interferem porque colocariam \u201csua conta em risco\u201d.<\/p>\n<p>\u201cOs bots utilizados para a manipula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica tamb\u00e9m s\u00e3o ferramentas eficazes para fortalecer a propaganda on-line e as campanhas de \u00f3dio. Uma pessoa, ou um pequeno grupo de pessoas, pode usar um ex\u00e9rcito de rob\u00f4s pol\u00edticos no Twitter para dar a ilus\u00e3o de um consenso de grande escala\u201d, afirma a equipe da Oxford. E concluem: \u201cA propaganda inform\u00e1tica \u00e9 agora uma das ferramentas mais poderosas contra a democracia\u201d e \u00e9 por isso que as plataformas digitais \u201cprecisam ser significativamente redesenhadas para que a democracia sobreviva \u00e0s redes sociais\u201d.<\/p>\n<p>Zuckerberg diz que \u00e9 \u201cloucura\u201d pensar que o Facebook pode definir elei\u00e7\u00f5es, mas se gaba de fazer isso em seu pr\u00f3prio site<\/p>\n<p>O Twitter tamb\u00e9m deletou conte\u00fado de valor potencialmente insubstitu\u00edvel que ajudaria a identificar a influ\u00eancia russa na elei\u00e7\u00e3o de Trump. Mais recentemente, pesquisadores da Universidade do Sul da Calif\u00f3rnia alertaram sobre o desenvolvimento de um mercado paralelo de bots pol\u00edticos: as mesmas contas que antes apoiaram Trump, tentaram mais tarde envenenar a campanha na Fran\u00e7a a favor de Le Pen e, depois, produziram material em alem\u00e3o colaborando com o partido neonazista Afd. Zuckerberg prometeu fazer o poss\u00edvel para \u201cgarantir a integridade\u201d das elei\u00e7\u00f5es alem\u00e3s. Durante a campanha, sete das 10 not\u00edcias mais virais sobre a primeira-ministra alem\u00e3 Angela Merkel no Facebook eram falsas. O portal ProPublica acaba de revelar que a rede social tolerou an\u00fancios ilegais que espalhavam informa\u00e7\u00f5es t\u00f3xicas contra o Partido Verde alem\u00e3o.<\/p>\n<p>Galdon trabalha com a Comiss\u00e3o Europeia, a qual considera \u201cmuito preocupada\u201d nos \u00faltimos meses em dar uma resposta a esses fen\u00f4menos, pensando em um marco europeu de controle que, atualmente, est\u00e1 muito longe de ser concretizado. \u201cH\u00e1 quem aposte pela autorregula\u00e7\u00e3o, quem acredite que deve haver um \u00f3rg\u00e3o de supervis\u00e3o de algoritmos como o dos medicamentos e at\u00e9 mesmo quem pe\u00e7a que os conte\u00fados sejam diretamente censurados\u201d, diz a pesquisadora. Mas Galdon destaca um problema maior: \u201cDizemos \u00e0s plataformas que precisam atuar melhor, mas n\u00e3o sabemos o que significa melhor. As autoridades europeias est\u00e3o preocupadas, mas n\u00e3o sabem bem o que est\u00e1 acontecendo, o que mudar ou o que pedir exatamente\u201d.<\/p>\n<p>SAIR DA BOLHA<\/p>\n<p>Tem sido muito discutido o verdadeiro impacto do risco das bolhas de opini\u00e3o geradas pelas redes, depois do alerta do ativista Eli Pariser. \u201cEsse filtro, que acaba refor\u00e7ando nossos pr\u00f3prios argumentos, est\u00e1 sendo decisivo\u201d, alerta Galdon. Recentemente, Sheryl Sandberg, do Facebook, disse que a bolha era menor em sua plataforma do que na m\u00eddia tradicional (embora tenha negado categoricamente que sua empresa possa ser considerada um meio de comunica\u00e7\u00e3o). Cerca de 23% dos amigos de um usu\u00e1rio do Facebook t\u00eam opini\u00f5es pol\u00edticas diferentes desse amigo, de acordo com Sandberg.<\/p>\n<p>\u201cSabemos que as din\u00e2micas do Facebook favorecem o refor\u00e7o de opini\u00f5es, que tudo \u00e9 exacerbado porque buscamos a aprova\u00e7\u00e3o do grupo, porque podemos silenciar pessoas das quais n\u00e3o gostamos, porque a ferramenta nos d\u00e1 mais do que n\u00f3s gostamos. E isso gera maior polaridade\u201d, diz Esteban Moro. Um exemplo: um estudo recente do Pew Research Center mostrou que os pol\u00edticos mais extremistas t\u00eam muito mais seguidores no Facebook do que os moderados. \u201cVivemos em regi\u00f5es de redes sociais completamente fechadas, das quais \u00e9 muito dif\u00edcil sair\u201d, afirma. E prop\u00f5e testar o experimento de seus colegas do Media Lab, do MIT, que desenvolveram a ferramenta FlipFeed, que permite entrar na bolha de outro usu\u00e1rio do Twitter, vendo sua timeline: \u201c\u00c9 como se voc\u00ea fosse levado de helic\u00f3ptero e lan\u00e7ado no Texas sendo eleitor de Trump. Assim voc\u00ea percebe o quanto vivemos em um ecossistema de pessoas que pensam exatamente como n\u00f3s\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As manobras nas redes se tornam uma amea\u00e7a que os governos querem controlar No El Pa\u00eds, por Javier Salas &#8211; Tudo mudou para sempre em 2 de novembro de 2010, sem que ningu\u00e9m percebesse. 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