{"id":14784,"date":"2017-11-04T18:50:13","date_gmt":"2017-11-04T22:50:13","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=14784"},"modified":"2017-11-04T18:50:13","modified_gmt":"2017-11-04T22:50:13","slug":"o-operario-da-revolucao-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/11\/04\/o-operario-da-revolucao-brasileira\/","title":{"rendered":"O oper\u00e1rio da revolu\u00e7\u00e3o brasileira"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"description\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"14785\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/11\/04\/o-operario-da-revolucao-brasileira\/maria\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/maria.jpg?fit=640%2C381\" data-orig-size=\"640,381\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"maria\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/maria.jpg?fit=300%2C179\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/maria.jpg?fit=600%2C357\" class=\"alignnone size-full wp-image-14785\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/maria.jpg?resize=600%2C357\" alt=\"maria\" width=\"600\" height=\"357\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/maria.jpg?w=640 640w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/maria.jpg?resize=300%2C179 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/maria.jpg?resize=504%2C300 504w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/h2>\n<h2 class=\"description\">H\u00e1 48 anos, for\u00e7as do regime militar fuzilavam o principal dirigente da Alian\u00e7a Libertadora Nacional<\/h2>\n<p><!--more--><\/p>\n<div class=\"details-bar\">\n<div class=\"author-time\">\n<address class=\"author\">Igor Felipe<\/address>\n<div class=\"place-and-time\">\n<div class=\"place\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.grabois.com.br\/cdm\/artigos\/140469\/2012-05-21\/o-operario-da-revolucao-brasileira\">Funda\u00e7\u00e3o Maur\u00edcio Grabois<\/a><\/p>\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o de personagens hist\u00f3ricos em mitos costuma simplificar figuras complexas e superestimar a import\u00e2ncia de momentos particulares, deixando em segundo plano as realiza\u00e7\u00f5es de longo prazo. Foi o que aconteceu com Carlos Marighella.<\/p>\n<p>O per\u00edodo da luta armada contra a ditadura militar, que construiu no imagin\u00e1rio popular a figura de um homem com um fuzil na m\u00e3o participando de atos violentos, n\u00e3o passou de tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>Marighella, que faria 100 anos em 5 de dezembro de 2011, teve uma milit\u00e2ncia pol\u00edtica de mais de 30 anos nas fileiras do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e s\u00f3 atuou na clandestinidade em per\u00edodos de intensifica\u00e7\u00e3o da repress\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o aos comunistas, tanto sob ditaduras como durante regimes mais democr\u00e1ticos.<\/p>\n<p>A imagem que caracteriza melhor a trajet\u00f3ria de Marighella \u00e9 a de um disciplinado oper\u00e1rio do partido, apaixonado por samba, poesia e futebol, que participou de todas as etapas da linha de montagem da luta pol\u00edtica, desempenhando diversas fun\u00e7\u00f5es espec\u00edficas e repetitivas para a implementa\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p>O mulato baiano, como era chamado por amigos fora do estado de origem, nasceu em Salvador. Os ideais socialistas e a vontade de transformar a sociedade herdou do pai, Augusto, um mec\u00e2nico italiano, e da m\u00e3e, Maria Rita, uma negra filha de uma africana que chegou ao pa\u00eds em um navio negreiro. Precoce, aprendeu a ler com 4 anos e tomou gosto pelos livros j\u00e1 na adolesc\u00eancia.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o ficava preso em casa. Gostava de jogar bola e sonhava em ter uma chuteira. Tamb\u00e9m participava de serenatas em Itapu\u00e3 com os amigos. No carnaval, sa\u00eda fantasiado de mulher e cigana na Baixa dos Sapateiros. Escrevia poemas e fazia provas em versos no gin\u00e1sio.<\/p>\n<p>A milit\u00e2ncia come\u00e7ou cedo, com pouco mais de 20 anos. Marighella entrou no PCB no come\u00e7o da d\u00e9cada de 1930, depois de ingressar no curso de engenharia civil da Escola Polit\u00e9cnica da Bahia, onde se envolveu com as agita\u00e7\u00f5es estudantis.<\/p>\n<p>Foi preso pela primeira vez em 1932 por participar de um protesto em Salvador contra o presidente Get\u00falio Vargas. O ato terminou com a pris\u00e3o de mais de 500 estudantes por ordem do governador Juracy Magalh\u00e3es, interventor de Vargas no estado.<\/p>\n<p>Solto alguns meses depois, ele ganhou prest\u00edgio no partido e recebeu a tarefa de organizar o PCB na Bahia. No come\u00e7o de 1936, tr\u00eas dirigentes da secretaria nacional do PCB visitaram Salvador para conhecer as atividades do partido no estado. Meses depois, Marighella tinha um novo desafio: contribuir para a organiza\u00e7\u00e3o dos comunistas no Rio de Janeiro, ent\u00e3o capital do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Pris\u00e3o e torturas<\/strong><\/p>\n<p>Com 25 anos, Marighella foi para o Rio de Janeiro ajudar na rearticula\u00e7\u00e3o do PCB depois do fracasso da chamada Intentona Comunista, levante militar organizado em 1935 pela Alian\u00e7a Nacional Libertadora (ANL) de Lu\u00eds Carlos Prestes para tomar o poder de Get\u00falio Vargas.<\/p>\n<p>O movimento foi derrotado, e v\u00e1rios dirigentes comunistas foram presos, entre eles o pr\u00f3prio Prestes, o grande l\u00edder do partido, e o secret\u00e1rio-geral, Ant\u00f4nio Maciel Bonfim, conhecido como Miranda. Foi em meio a esse clima adverso que Marighella chegou ao Rio de Janeiro e logo foi preso pela segunda vez, no dia 1o de maio de 1936. Ele ficou encarcerado por um ano e dois meses e foi submetido a 23 dias de tortura.<\/p>\n<p>Os supl\u00edcios come\u00e7avam com murros e chutes. Depois vinham as surras de cassetete e chicote da cabe\u00e7a \u00e0 sola dos p\u00e9s. Em seguida, seus algozes queimavam v\u00e1rias partes de seu corpo com brasa de cigarro. Sob as unhas das m\u00e3os, enfiavam alfinetes.<\/p>\n<p>Chegaram at\u00e9 a amarrar os test\u00edculos com uma corda e puxar. Marighella saiu da pris\u00e3o em 1937 e retomou as atividades no PCB, que foi posto na clandestinidade por Get\u00falio Vargas ap\u00f3s a proclama\u00e7\u00e3o do Estado Novo, em novembro daquele ano. Sob a ditadura de Vargas, Marighella recebeu a tarefa de se mudar para S\u00e3o Paulo e aparar as arestas dos dirigentes do estado com o Comit\u00ea Central do partido.<\/p>\n<p>Em pouco tempo ele se tornou a principal refer\u00eancia entre os comunistas paulistas, mas sua milit\u00e2ncia pol\u00edtica foi novamente interrompida por uma pris\u00e3o \u2013 a terceira \u2013, em 1939. Durante os seis anos seguintes Marighella passou pelos pres\u00eddios de Fernando de Noronha (PE) e da Ilha Grande (RJ), que durante o Estado Novo se transformaram em \u201cdep\u00f3sitos\u201d de presos pol\u00edticos. Ao ser libertado escreveu um dos seus poemas que ficaram mais famosos, um soneto chamado \u201cLiberdade\u201d.<\/p>\n<p><strong>Parlamentar<\/strong><\/p>\n<p>Marighella saiu da pris\u00e3o em abril de 1945 e voltou para a Bahia. Com o fim do Estado Novo, em outubro, foram convocadas elei\u00e7\u00f5es gerais e os presos pol\u00edticos, anistiados. Novamente legalizado, o PCB lan\u00e7ou candidatos por todo o pa\u00eds, e Marighella se elegeu deputado federal pela Bahia com uma grande vota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Aos 34 anos, ele voltou para o Rio de Janeiro para assumir sua cadeira no Parlamento ao lado de outros 14 deputados comunistas.<\/p>\n<p>No plen\u00e1rio da Constituinte, defendeu as lutas dos trabalhadores, o direito de greve, o direito do div\u00f3rcio, a liberdade de express\u00e3o, a imprensa popular, a separa\u00e7\u00e3o entre Estado e Igreja e a reforma agr\u00e1ria. S\u00f3 ficava com 20% dos vencimentos de parlamentar, o que considerava o necess\u00e1rio para a sobreviv\u00eancia. O resto passava para o partido.<\/p>\n<p>Depois de anos preso, teve um romance com Elza Sento S\u00e9, uma baiana que mudara para o Rio de Janeiro e trabalhava na empresa de energia Light. Desse namoro, nasceu Carlos Augusto Marighella, em 1948. Mas a paix\u00e3o da vida inteira dele foi Clara Charf, com quem dividiu at\u00e9 a morte as alegrias e agonias da constru\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia e da instabilidade da atividade pol\u00edtica comunista.<\/p>\n<p>Apesar da legaliza\u00e7\u00e3o formal do PCB, a repress\u00e3o aos comunistas continuou sob o governo do presidente Eurico Gaspar Dutra (1946-1951), e o registro do partido foi novamente cassado em 1947. Em seguida foram anulados os mandatos dos parlamentares eleitos pela legenda.<\/p>\n<p>Mais uma vez na ilegalidade, o mulato baiano teria de atuar com discri\u00e7\u00e3o para dirigir o partido em S\u00e3o Paulo, a nova tarefa que recebeu da organiza\u00e7\u00e3o. Desde 1943, quando ainda estava preso, passara a fazer parte do Comit\u00ea Central do PCB. Para formar novos militantes, estimular greves e fazer lutas, ele passou a investir no movimento sindical paulista.<\/p>\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o parece ter dado resultados, pois em 1953 eclodiu em S\u00e3o Paulo uma s\u00e9rie de greves, como a dos oper\u00e1rios da ind\u00fastria t\u00eaxtil, dos gr\u00e1ficos, dos marceneiros e dos metal\u00fargicos, todas vitoriosas.<\/p>\n<p>Pouco tempo depois, no entanto, o PCB entraria em uma nova crise. Em 1956, comunistas de todo o mundo se chocaram com a divulga\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio em que o novo dirigente da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, Nikita Kruschev, denunciou os crimes de Josef Stalin.<\/p>\n<p>A primeira reuni\u00e3o do Comit\u00ea Central do PCB ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o do documento foi marcada por duros ataques entre os dirigentes do partido. Abalado com as revela\u00e7\u00f5es, Marighella foi \u00e0 tribuna e chorou. Por dias e dias, as l\u00e1grimas correram.<\/p>\n<p>Apesar da decep\u00e7\u00e3o, ele continuou com suas atividades no partido e passou a fazer parte da principal inst\u00e2ncia de decis\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o, o Secretariado do Comit\u00ea Central. Embora n\u00e3o tenham conquistado a legaliza\u00e7\u00e3o do partido, sob o governo Juscelino Kubitschek (1956-1961) os comunistas viveram um momento de maior tranquilidade, porque n\u00e3o eram reprimidos. Nesse per\u00edodo, Marighella p\u00f4de ficar mais tempo com a fam\u00edlia.<\/p>\n<p><strong>A virada<\/strong><\/p>\n<p>O per\u00edodo de maior estabilidade terminou com a ren\u00fancia do presidente J\u00e2nio Quadros em 1961, sete meses depois de assumir o poder. Diante do impasse, os militares come\u00e7aram a agir para impedir a posse do vice, o trabalhista Jo\u00e3o Goulart, e a perseguir os comunistas. A pol\u00edcia foi at\u00e9 o apartamento de Marighella no Rio, mas ele e a mulher conseguiram escapar.<\/p>\n<p>Foram anos de intensa agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica at\u00e9 1964.<\/p>\n<p>O governo progressista de Jo\u00e3o Goulart ensaiou reformas estruturais no pa\u00eds. Ao mesmo tempo, o PCB crescia com a organiza\u00e7\u00e3o dos sindicatos e a realiza\u00e7\u00e3o de greves. O partido caminhava no fio da navalha, dividido entre apoiar o governo, sobre o qual exercia influ\u00eancia, ou intensificar a press\u00e3o para cobrar mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>Marighella defendia a segunda op\u00e7\u00e3o. Essa intensa luta pol\u00edtica, no entanto, terminou com o golpe militar de 1964. Mais uma vez os comunistas foram para a clandestinidade. No pr\u00f3prio dia em que o golpe foi consumado, 1\u00ba de abril de 1964, Marighella e a mulher escaparam por pouco da pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Em maio, o mulato baiano foi preso, mas resistiu o quanto p\u00f4de, baleado no peito, e enfrentou os policiais armados dentro de um cinema. Conseguiu um habeas corpus, mas logo depois foi decretado um novo pedido de pris\u00e3o. Na clandestinidade, escreveu o texto \u201cPor que resisti \u00e0 pris\u00e3o\u201d, que analisa a conjuntura pol\u00edtica e a realidade brasileira e prop\u00f5e a luta armada como t\u00e1tica para o PCB.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, come\u00e7ou a fazer a luta pol\u00edtica dentro do partido para convencer dirigentes e militantes a optar pelas armas como uma forma de despertar a insurrei\u00e7\u00e3o popular, enquanto a linha de Prestes era de resist\u00eancia pac\u00edfica.<\/p>\n<p>Com o tempo, as tens\u00f5es foram aumentando dentro da organiza\u00e7\u00e3o. Marighella pediu desligamento da Comiss\u00e3o Executiva, mas continuou como secret\u00e1rio-geral em S\u00e3o Paulo, esfor\u00e7ando-se para levar o partido para a luta armada. Em S\u00e3o Paulo, por exemplo, 90% dos militantes do partido ficaram com Marighella na confer\u00eancia estadual de abril de 1967, mesmo com a presen\u00e7a de uma delega\u00e7\u00e3o liderada por Prestes.<\/p>\n<p><strong>Em Armas<\/strong><\/p>\n<p>O Comit\u00ea Central reagiu e passou a intervir nos estados n\u00e3o alinhados \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o. Depois de participar de uma confer\u00eancia em Cuba sem consentimento do comando do partido, em setembro de 1966 o mulato baiano foi expulso da organiza\u00e7\u00e3o na qual militou por mais de 30 anos.<\/p>\n<p>N\u00e3o havia mais amarras para p\u00f4r em pr\u00e1tica a linha pol\u00edtica que defendera para o partido, e ele ent\u00e3o fundou a A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN).<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica tinha um bra\u00e7o armado formado por c\u00e9lulas de militantes que fizeram assaltos a bancos, carros-fortes e at\u00e9 a um trem-pagador, para levantar recursos para a luta, al\u00e9m de sequestros de autoridades diplom\u00e1ticas para troc\u00e1-las por presos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>As primeiras a\u00e7\u00f5es foram lideradas por Marighella, que em dezembro de 1968 escreveu e divulgou o manifesto \u201cChamamento ao povo brasileiro\u201d, documento no qual apresentava as propostas dos guerrilheiros para o Brasil.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a repress\u00e3o aumentava. O primeiro sinal da intensifica\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia dos militares foi o Ato Institucional n\u00ba 5, que fechou o Congresso Nacional em dezembro de 1968.<\/p>\n<p>Depois, houve um recrudescimento ainda maior, quando o embaixador dos Estados Unidos, Charles Elbrick, foi sequestrado no Rio de Janeiro e trocado por presos pol\u00edticos em setembro de 1969.<\/p>\n<p>A ditadura j\u00e1 tinha identificado as \u201cdigitais\u201d de Marighella nas a\u00e7\u00f5es da luta armada, e os militares lan\u00e7aram uma ca\u00e7ada obsessiva \u00e0quele que consideravam o inimigo no 1 do regime.<\/p>\n<p>A persegui\u00e7\u00e3o acabou em 4 de novembro de 1969, quando o guerrilheiro marcou encontro com dois frades dominicanos que colaboravam com a ALN. Ele n\u00e3o sabia, por\u00e9m, que ambos haviam sido presos e torturados e agiam sob as ordens da pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Ao chegar ao local marcado, na Alameda Casa Branca, em S\u00e3o Paulo, o militante comunista foi assassinado com quatro tiros, em uma opera\u00e7\u00e3o que envolveu 29 policiais em seis carros.<\/p>\n<p>Marighella deixou \u00f3rf\u00e3os uma mulher, um filho e uma s\u00e9rie de herdeiros na luta contra a ditadura, com seu exemplo de convic\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, persist\u00eancia na luta e coragem para agir.<\/p>\n<p>Foi militante de base, dirigente partid\u00e1rio, preso pol\u00edtico, deputado federal, agitador das massas, guerrilheiro, assaltante de bancos\u2026 Em mais de 30 anos de luta pol\u00edtica, o l\u00edder que encarnava as aspira\u00e7\u00f5es de liberdade e justi\u00e7a, de acordo com as palavras do cr\u00edtico liter\u00e1rio Antonio Candido, passou por todas essas fun\u00e7\u00f5es e cumpriu todo tipo de tarefa, o que fez dele um verdadeiro oper\u00e1rio da luta pelo socialismo que deu a vida pelo povo brasileiro.<\/p>\n<p><strong>O que Marighella queria com a luta armada<\/strong><\/p>\n<p>Em dezembro de 1968 o guerrilheiro divulgou o manifesto \u201cChamamento ao povo brasileiro\u201d, no qual expunha as principais bandeiras defendidas por sua organiza\u00e7\u00e3o, a A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional:<\/p>\n<p>\u25cf Fim dos privil\u00e9gios e da censura<\/p>\n<p>\u25cf Elimina\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>\u25cf Liberdade de cria\u00e7\u00e3o e liberdade religiosa<\/p>\n<p>\u25cf Liberta\u00e7\u00e3o dos presos pol\u00edticos da ditadura<\/p>\n<p>\u25cf Elimina\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os da repress\u00e3o policial<\/p>\n<p>\u25cf Expuls\u00e3o dos americanos do pa\u00eds e confisco de suas propriedades<\/p>\n<p>\u25cf Monop\u00f3lio estatal das finan\u00e7as, com\u00e9rcio exterior, riquezas minerais, comunica\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os fundamentais<\/p>\n<p>\u25cf Fim do latif\u00fandio e garantia de t\u00edtulos de propriedade aos agricultores<\/p>\n<p>\u25cf Confisco das fortunas il\u00edcitas dos grandes capitalistas<\/p>\n<p>\u25cf Garantia de emprego a todos os trabalhadores e \u00e0s mulheres<\/p>\n<p>\u25cf Redu\u00e7\u00e3o dos alugu\u00e9is, prote\u00e7\u00e3o aos inquilinos e garantia da casa pr\u00f3pria<\/p>\n<p>\u25cf Reforma do sistema de educa\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o da pesquisa cient\u00edfica<\/p>\n<p>\u25cf Tirar o Brasil da condi\u00e7\u00e3o de sat\u00e9lite da pol\u00edtica externa americana<\/p>\n<p><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n<p>* Carlos, a face oculta de Marighella. Edson Teixeira da Silva Junior. Express\u00e3o Popular, 2009.<\/p>\n<p>Marighella \u2013 Retrato falado do guerrilheiro. Document\u00e1rio dirigido por Silvio Tendler. Caliban, 2001.<\/p>\n<p>* Carlos Marighella \u2013 O homem por tr\u00e1s do mito. Cristiane Nova e Jorge N\u00f3voa (Orgs.). Editora da Unesp, 1999.<\/p>\n<p>* Carlos Marighella, o inimigo n\u00famero um da ditadura militar. Emiliano Jos\u00e9. Casa Amarela, 1997.<\/p>\n<p><em>Porque resisti \u00e0 pris\u00e3o. Carlos Marighella. Editora Brasileira, 1994.<\/p>\n<p><\/em>\u00a0Poemas. Carlos Marighella. Brasiliense, 1994.<\/p>\n<p><em>\u00a0Combate nas trevas. Jacob Gorender. \u00c1tica, 1987.<\/p>\n<p><\/em>Escritos de Carlos Marighella. Editorial Livramento, 1979.<\/p>\n<p><strong>Cronologia<\/strong><\/p>\n<p>1911<\/p>\n<p>Nasce em Salvador, no dia 5 de dezembro.<\/p>\n<p>1930<\/p>\n<p>Entra no curso de engenharia e torna-se militante do Partido Comunista.<\/p>\n<p>1932<\/p>\n<p>\u00c9 preso pela primeira vez.<\/p>\n<p>1936<\/p>\n<p>Muda-se para o Rio de Janeiro para reorganizar o PCB. \u00c9 preso novamente.<\/p>\n<p>1939<\/p>\n<p>\u00c9 preso em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>1945<\/p>\n<p>Eleito deputado federal pelo PCB da Bahia.<\/p>\n<p>1964<\/p>\n<p>Resiste aos agentes da ditadura que tentam prend\u00ea-lo.<\/p>\n<p>1966<\/p>\n<p>\u00c9 expulso do PCB e entra para a luta armada. Funda a A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN).<\/p>\n<p>1969<\/p>\n<p>\u00c9 assassinado por policiais em S\u00e3o Paulo, no dia 4 de novembro.<\/p>\n<p><em>Fonte: Revista Hist\u00f3ria Viva, n\u00ba 102, abril de 2012\u00a0<\/em><\/p>\n<p class=\"editor\">Edi\u00e7\u00e3o: Funda\u00e7\u00e3o Maur\u00edcio Grabois<\/p>\n<div class=\"content-footer\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 48 anos, for\u00e7as do regime militar fuzilavam o principal dirigente da Alian\u00e7a Libertadora Nacional<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-14784","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-3Qs","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14784","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14784"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14784\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14786,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14784\/revisions\/14786"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14784"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14784"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14784"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}