{"id":14923,"date":"2017-11-10T19:19:25","date_gmt":"2017-11-10T23:19:25","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=14923"},"modified":"2017-11-10T19:20:02","modified_gmt":"2017-11-10T23:20:02","slug":"evangelicos-nao-sao-todos-iguais","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/11\/10\/evangelicos-nao-sao-todos-iguais\/","title":{"rendered":"EVANG\u00c9LICOS N\u00c3O S\u00c3O TODOS IGUAIS"},"content":{"rendered":"<div class=\"PostContent\" data-reactid=\".ti.1.0.1.2.0.0.1.0.4\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"14924\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/11\/10\/evangelicos-nao-sao-todos-iguais\/mao-3\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/mao.jpg?fit=1440%2C720\" data-orig-size=\"1440,720\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"mao\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/mao.jpg?fit=300%2C150\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/mao.jpg?fit=600%2C300\" class=\"alignnone size-full wp-image-14924\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/mao.jpg?resize=600%2C300\" alt=\"mao\" width=\"600\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/mao.jpg?w=1440 1440w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/mao.jpg?resize=300%2C150 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/mao.jpg?resize=768%2C384 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/mao.jpg?resize=1024%2C512 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/mao.jpg?resize=600%2C300 600w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/mao.jpg?w=1200 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>No The Intercept, por Ronilso Pacheco &#8211;<u>QUINHENTOS ANOS<\/u>\u00a0se passaram desde que a Reforma marcou a Idade Moderna. E, dos muitos sentidos que lhe d\u00e3o, talvez a sua grande contribui\u00e7\u00e3o tenha sido a capacidade de quebrar a hegemonia. Foi no enfrentamento do poder totalit\u00e1rio da Igreja Cat\u00f3lica, que se posicionava como \u201cpropriet\u00e1ria\u201d da salva\u00e7\u00e3o, que o movimento liderado por Lutero abriu caminho para uma esp\u00e9cie de reinven\u00e7\u00e3o da f\u00e9 crist\u00e3, para outras possibilidades de se acessar e seguir Deus e Jesus Cristo.<!--more--><\/p>\n<div data-reactid=\".ti.1.0.1.2.0.0.1.0.4.$p-0\">\n<p>Talvez, como bem disse Hannah Arendt em \u201cA Promessa da Pol\u00edtica\u201d, n\u00e3o fosse nem o que Lutero esperava, porque sua ruptura com o poder papal \u201cn\u00e3o foi um t\u00e9rmino, uma vez que contestou somente a autoridade da Igreja Cat\u00f3lica, mas n\u00e3o a pr\u00f3pria trindade religi\u00e3o, autoridade e tradi\u00e7\u00e3o\u201d. Desde seus primeiros anos de vida, a Reforma proposta por Lutero teve de enfrentar, contra si mesma, a cr\u00edtica ao risco de reproduzir o apego ao poder inquestion\u00e1vel, traindo o que o pr\u00f3prio monge criticava na Igreja Cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>Esse esp\u00edrito fundador da Reforma, de desafiar hegemonias, n\u00e3o se extinguiu. Ao abrir espa\u00e7o para que diversas igrejas escrevam o seu pr\u00f3prio caminho, desenhem sua pr\u00f3pria trajet\u00f3ria e estabele\u00e7am outras formas de vivenciar Deus e o Evangelho no mundo, a Reforma contribuiu decisivamente para a pluralidade religiosa. For\u00e7ou a conviv\u00eancia com a diversidade, rejeitando de uma vez por todas a homogeneiza\u00e7\u00e3o da compreens\u00e3o e da \u201caplica\u00e7\u00e3o\u201d dos textos b\u00edblicos.<\/p>\n<p>Essa diversidade marca a hist\u00f3ria das igrejas protestantes no Brasil. Ao mesmo tempo em que tivemos mission\u00e1rios batistas e presbiterianos que vieram dos Estados Unidos, a partir do s\u00e9culo XIX, para poder continuar a ter escravos, temos tamb\u00e9m o exemplo do pastor Robert Kalley, que, em 1865, fez uma exorta\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u00e0 sua igreja, no Rio de Janeiro, condenando os que ainda possu\u00edam escravos.<\/p>\n<p>N\u00e3o somos iguais, o direito \u00e0 diversidade e \u00e0 exist\u00eancia da pluralidade deve ser nosso maior horizonte. Qualquer um que se aproxima do universo evang\u00e9lico partindo de um olhar homogeneizador tende a fracassar na sua percep\u00e7\u00e3o. E uma das raz\u00f5es para isso \u00e9 que o olhar generalista costuma se ater ao campo hegem\u00f4nico, que, por defini\u00e7\u00e3o, tem maior visibilidade, seja pela m\u00eddia que possuem, pelo esc\u00e2ndalo que fazem ou simplesmente pelo medo e a intimida\u00e7\u00e3o causados pelo eco dos gritos que vociferam em seu nome.<\/p>\n<p>Olhar o universo evang\u00e9lico como um universo \u00fanico, fechado e com as mesmas caracter\u00edsticas e posicionamentos em todas as dire\u00e7\u00f5es j\u00e1 deixou de ser um equ\u00edvoco, tornou-se pregui\u00e7a. Porque as vozes dissonantes, apesar de silenciadas ou invisibilizadas por motivos diversos, continuam a\u00ed para quebrar o peso e a for\u00e7a da hegemonia. Ver os evang\u00e9licos todos do mesmo jeito, portanto, \u00e9 subscrever ao projeto moralista-fascista-conservador-hegem\u00f4nico (inclusive crist\u00e3o, obviamente).<\/p>\n<div class=\"img-wrap align-center width-fixed\">\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/theintercept.imgix.net\/wp-uploads\/sites\/1\/2017\/11\/evangelicos-culto-reforma-862375-high-1509535801.jpeg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-155459 size-large\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/theintercept.imgix.net\/wp-uploads\/sites\/1\/2017\/11\/evangelicos-culto-reforma-862375-high-1509535801.jpeg?resize=600%2C450&#038;ssl=1\" alt=\"Fi\u00e9is evang\u00e9licos durante culto em igreja pentecostal, em S\u00e3o Paulo, SP. (S\u00e3o Paulo, SP. 23.02.2009. Foto de Christian Tragni\/Folhapress)\" width=\"600\" height=\"450\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"caption\">Fi\u00e9s durante culto em igreja evang\u00e9lica pentecostal em S\u00e3o Paulo (23\/02\/209).<\/p>\n<p class=\"caption source\">Foto: Christian Tragni\/Folhapress<\/p>\n<\/div>\n<p><u>A ESTIGMATIZA\u00c7\u00c3O<\/u>\u00a0do universo pentecostal e, em especial, do neopentecostal \u2014 que tem, em sua base, membros pertencentes \u00e0 camada mais pobre e perif\u00e9rica da popula\u00e7\u00e3o \u2014 acaba por mascarar inclusive o racismo e a desigualdade de classes como elementos fundamentais, frutos da nossa hist\u00f3ria colonial e escravocrata.<\/p>\n<p>Nossas igrejas hist\u00f3ricas (como a presbiteriana, a anglicana e a luterana), filhas \u201cleg\u00edtimas\u201d da Reforma, foram, em geral, mais racistas, seguindo o fluxo de nossa sociedade colonial\/imperial, embora mais atuantes socialmente e com uma contribui\u00e7\u00e3o inquestion\u00e1vel para a educa\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Igrejas pentecostais e neopentecostais reconheceram mais negros e negras como pessoas, dignas do pastorado, da lideran\u00e7a eclesial. Mulher preta e pobre, semianalfabeta, como pastora e profetisa, tendo voz? A igreja pentecostal que surgiu a partir dos anos 1910 e 1920 nem fazia ideia do que era empoderamento. No entanto, nas d\u00e9cadas seguintes, as pentecostais foram crescendo com \u00edmpeto mais individualista, moralista, sem muito interesse pelo contexto social e pol\u00edtico que segregava pobres e negros. Assim, n\u00e3o conseguiram escapar da heran\u00e7a racista que demonizava incisivamente a cultura e, evidentemente, as religi\u00f5es africanas.<\/p>\n<p>Hoje a bancada evang\u00e9lica no Congresso Nacional sequestra o sentido do \u201cser evang\u00e9lico\u201d. Cada fala\/projeto\/proposta\/a\u00e7\u00e3o\/rea\u00e7\u00e3o desse grupo monopoliza os holofotes, e a\u00ed n\u00e3o resta muita luz para iluminar qualquer movimento contr\u00e1rio. Assim, a bancada acaba se apropriando ilegitimamente do posto de representante \u201cleg\u00edtima\u201d da narrativa evang\u00e9lica.<\/p>\n<p>Para celebrar esses 500 anos de Reforma, \u00e9 crucial resgatar o legado da diversidade, da pluralidade e da quebra da hegemonia para levantar outras discuss\u00f5es e ouvir outras vozes, que n\u00e3o sejam nem sequestradas pela direita conservadora, nem hostilizadas ou estigmatizadas pela esquerda progressista\/libert\u00e1ria.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<div class=\"RelatedPosts\" data-reactid=\".ti.1.0.1.2.0.0.1.0.6\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No The Intercept, por Ronilso Pacheco &#8211;QUINHENTOS ANOS\u00a0se passaram desde que a Reforma marcou a Idade Moderna. E, dos muitos sentidos que lhe d\u00e3o, talvez a sua grande contribui\u00e7\u00e3o tenha sido a capacidade de quebrar a hegemonia. 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