{"id":15086,"date":"2017-11-19T09:54:16","date_gmt":"2017-11-19T13:54:16","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=15086"},"modified":"2017-11-19T09:54:16","modified_gmt":"2017-11-19T13:54:16","slug":"america-latina-mais-pobre","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/11\/19\/america-latina-mais-pobre\/","title":{"rendered":"Am\u00e9rica Latina, mais pobre"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"15087\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/11\/19\/america-latina-mais-pobre\/fav\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/fav.jpg?fit=920%2C613\" data-orig-size=\"920,613\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"fav\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/fav.jpg?fit=300%2C200\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/fav.jpg?fit=600%2C400\" class=\"alignnone size-full wp-image-15087\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/fav.jpg?resize=600%2C400\" alt=\"fav\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/fav.jpg?w=920 920w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/fav.jpg?resize=300%2C200 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/fav.jpg?resize=768%2C512 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/fav.jpg?resize=450%2C300 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Do Unisinos &#8211; \u201cNa \u00e9poca da bonan\u00e7a h\u00e1 op\u00e7\u00f5es, como vimos, sempre que exista pol\u00edticas intencionais de emprego e prote\u00e7\u00e3o social. Nos tempos de estagna\u00e7\u00e3o, n\u00e3o resta d\u00favida: o grosso das\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/564418-o-cenario-politico-e-economico-e-os-rumos-da-america-latina-entrevista-especial-com-decio-machado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">elites econ\u00f4micas<\/a>\u00a0preserva, quando menos, sua por\u00e7\u00e3o do bolo. Aos demais, cabe menos. Denomina-se captura pol\u00edtica e de rendas pelo poder econ\u00f4mico.&#8221;, escreve\u00a0<strong>Jos\u00e9 Mar\u00eda Vera<\/strong>, diretor geral da\u00a0<strong>Oxfam Interm\u00f3n Espanha<\/strong>, em artigo publicado por\u00a0<strong>Rebeli\u00f3n<\/strong>, 16-11-2017. A tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/sobre-o-ihu\/rede-sjcias\/cepat\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Cepat<\/strong><\/a>.<!--more--><\/p>\n<h3>Eis o artigo.<\/h3>\n<p>Custa escrever um t\u00edtulo como este, a verdade. N\u00e3o pretendo com ele voltar ao \u201clatino-pessimismo\u201d dos anos 1980 e in\u00edcios dos anos 1990. No entanto, o fato \u00e9 que a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/571155-a-chaga-da-miseria-volta-a-rondar-o-brasil-entrevista-especial-com-nathalie-beghin\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pobreza volta a crescer<\/a>\u00a0no continente ancorada em um crescimento reduzido e mal distribu\u00eddo, assim como no freio a programas sociais e \u00e0 formaliza\u00e7\u00e3o do emprego na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A avalanche de dados neste sentido \u00e9 incontest\u00e1vel. Em 2015, 7 milh\u00f5es de latino-americanos a mais se tornaram pobres, alcan\u00e7ando o dur\u00edssimo n\u00famero de 175 milh\u00f5es de pessoas. Delas, 75 milh\u00f5es vivem na indig\u00eancia, 5 milh\u00f5es a mais em 2015 que no ano precedente. Em 2016, segundo a\u00a0<strong>FAO<\/strong>, chegou-se ao terr\u00edvel n\u00famero de 42,5 milh\u00f5es de meninos e meninas menores de 5 anos com desnutri\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica, 8% a mais que em 2013. Poder\u00edamos seguir apontando dados recentes que v\u00e3o na mesma dire\u00e7\u00e3o, ainda que antes tenhamos presentes os rostos, as hist\u00f3rias de vida, uma a uma, as oportunidades mutiladas e os direitos fragilizados que h\u00e1 por tr\u00e1s destes n\u00fameros.<\/p>\n<p>No momento de apontar as raz\u00f5es, cabe iniciar pela situa\u00e7\u00e3o estrutural da regi\u00e3o. Apesar dos avan\u00e7os econ\u00f4micos dos \u00faltimos 15 anos, com not\u00e1veis diferen\u00e7as entre pa\u00edses, na Am\u00e9rica Latina e o Caribe sobrevive um substrato de desigualdade e vulnerabilidade. O crescimento da classe m\u00e9dia, at\u00e9 35% da popula\u00e7\u00e3o com uma renda entre 10 e 50 d\u00f3lares di\u00e1rios, n\u00e3o pode ocultar uma maioria na precariedade \u2013 39% sobrevivem com um valor de 4 a 10 d\u00f3lares por dia \u2013 e na pobreza, porque 23% da popula\u00e7\u00e3o precisam se virar com um valor de menos de 4 d\u00f3lares por dia. \u00c9 a vida imposs\u00edvel. O freio \u00e0 sa\u00edda da pobreza desta parte da popula\u00e7\u00e3o e o risco extremo de um grupo imenso e vulner\u00e1vel cair nela mant\u00eam a regi\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o limite. De fato, segundo o\u00a0<strong>PNUD<\/strong>, outros 30 milh\u00f5es de pessoas poder\u00e3o cair na pobreza.<\/p>\n<p>A desigualdade contraiu levemente durante os \u00faltimos anos, fruto n\u00e3o tanto da conten\u00e7\u00e3o por cima, mas pela sa\u00edda da pobreza de milh\u00f5es de pessoas. Mesmo assim, a regi\u00e3o continua sendo a mais desigual do mundo, acima da \u00c1frica Subsaariana e do restante do mundo. \u00c9 muito dif\u00edcil &#8211; corrijo, \u00e9 imposs\u00edvel &#8211; combater a pobreza de forma efetiva, com uma desigualdade t\u00e3o brutal como a que existe nos pa\u00edses latino-americanos.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca da bonan\u00e7a h\u00e1 op\u00e7\u00f5es, como vimos, sempre que exista pol\u00edticas intencionais de emprego e prote\u00e7\u00e3o social. Nos tempos de estagna\u00e7\u00e3o, n\u00e3o resta d\u00favida: o grosso das elites econ\u00f4micas preserva, quando menos, sua por\u00e7\u00e3o do bolo. Aos demais, cabe menos. Denomina-se captura pol\u00edtica e de rendas pelo poder econ\u00f4mico. Assim, chamam os 70% da popula\u00e7\u00e3o segundo o\u00a0<strong>Latinobar\u00f3metro<\/strong>.<\/p>\n<p>N\u00e3o entro no debate sobre como recuperar a trilha de um crescimento econ\u00f4mico diversificado e sustent\u00e1vel em um tempo disruptivo e inst\u00e1vel como o atual. Sim, cabe, no entanto, reafirmar alguns princ\u00edpios de pol\u00edtica b\u00e1sica no momento de buscar uma sociedade mais equitativa e reverter o temido avan\u00e7o da pobreza.<\/p>\n<p>Pelo lado do emprego \u00e9 crucial refor\u00e7ar a trilha da formaliza\u00e7\u00e3o, bem como afian\u00e7ar a dura\u00e7\u00e3o e qualidade educacional dos mais pobres. Um quinto dos jovens da regi\u00e3o, os de sempre, n\u00e3o tem emprego, nem forma\u00e7\u00e3o para o mesmo.<\/p>\n<p>Do lado da prote\u00e7\u00e3o social, \u00e9 preciso fazer justamente o contr\u00e1rio do que alguns governos, como o do Brasil, est\u00e3o fazendo. Fragilizar os programas sociais que, n\u00e3o sem desafios, contribu\u00edram muito para lutar contra a pobreza, \u00e9 diretamente proporcional ao aumento desta. Esquecer-se dos princ\u00edpios de universaliza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de pol\u00edticas p\u00fablicas em setores sociais essenciais \u00e9 um reflexo de esquecimentos maiores.<\/p>\n<p>Como sempre, ir\u00e3o afirmar que n\u00e3o h\u00e1 recursos, m\u00e1xima em um momento de perda do espa\u00e7o fiscal, em raz\u00e3o da queda das exporta\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios pa\u00edses da regi\u00e3o. Argumento aceit\u00e1vel se n\u00e3o fosse porque nunca, exceto contadas exce\u00e7\u00f5es, houve uma tributa\u00e7\u00e3o justa o suficiente na regi\u00e3o. Mais de 61% desta prov\u00eam de impostos indiretos, uma taxa imbat\u00edvel para assegurar a m\u00ednima contribui\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria para reduzir desigualdades. Tampouco \u00e9 enfrentada do lado do gasto. Em parte, pelas prioridades or\u00e7ament\u00e1rias, ainda que aqui seja por bairros e h\u00e1 diferen\u00e7as not\u00e1veis entre pa\u00edses. E em parte pela insufici\u00eancia da arrecada\u00e7\u00e3o. Ainda h\u00e1 pa\u00edses que n\u00e3o atingem 15% do\u00a0<strong>PIB<\/strong>\u00a0em ingresso fiscal, o que equivale a dizer que n\u00e3o h\u00e1 Estado ou que este se limita \u00e0 seguran\u00e7a, defesa e algo de parafern\u00e1lia pol\u00edtica e social com as moedas restantes.<\/p>\n<p>Finalmente, temos os preciosos recursos naturais, terra e \u00e1gua, em fase aguda de concentra\u00e7\u00e3o em lugares onde a extra\u00e7\u00e3o depredadora segue em auge. H\u00e1 um ano, visitei comunidades ind\u00edgenas na Guatemala, cujas escassas terras estavam sendo cercadas por vastos campos de palma, abacaxi e banana que s\u00e3o cultivados para outros. O problema n\u00e3o era a terra neste caso, mas, sim, a \u00e1gua, roubada literalmente de mulheres e homens camponeses para ser vendida no altar da exporta\u00e7\u00e3o. Essa que gera pouco emprego e muita renda para alguns. Aqueles que enfrentam esta invas\u00e3o, como fez\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/553560-berta-caceres-martir-da-ecologia-integral\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Berta C\u00e1ceres<\/strong><\/a>, s\u00e3o assassinados. Em dezenas. Em maior n\u00famero a cada ano.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de estranhar que com este panorama a pobreza na<strong>\u00a0Am\u00e9rica Latina e o Caribe\u00a0<\/strong>cres\u00e7a, ao passo que o ritmo de crescimento fique pequeno. N\u00e3o h\u00e1 tanto para t\u00e3o poucos. Como disse recentemente o\u00a0<strong>FMI<\/strong>, \u00e9 necess\u00e1rio redistribuir!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do Unisinos &#8211; \u201cNa \u00e9poca da bonan\u00e7a h\u00e1 op\u00e7\u00f5es, como vimos, sempre que exista pol\u00edticas intencionais de emprego e prote\u00e7\u00e3o social. Nos tempos de estagna\u00e7\u00e3o, n\u00e3o resta d\u00favida: o grosso das\u00a0elites econ\u00f4micas\u00a0preserva, quando menos, sua por\u00e7\u00e3o do bolo. Aos demais, cabe menos. Denomina-se captura pol\u00edtica e de rendas pelo poder econ\u00f4mico.&#8221;, escreve\u00a0Jos\u00e9 Mar\u00eda Vera, diretor&#8230;<a class=\"more-link\" href=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/11\/19\/america-latina-mais-pobre\/\">Continue a leitura <span class=\"meta-nav\">&raquo;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-15086","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-3Vk","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15086","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15086"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15086\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15088,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15086\/revisions\/15088"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15086"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15086"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15086"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}