{"id":15203,"date":"2017-11-26T21:31:43","date_gmt":"2017-11-27T01:31:43","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=15203"},"modified":"2017-11-26T21:31:43","modified_gmt":"2017-11-27T01:31:43","slug":"morre-frei-henri-um-las-casas-de-nossos-dias","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/11\/26\/morre-frei-henri-um-las-casas-de-nossos-dias\/","title":{"rendered":"MORRE FREI HENRI, UM LAS CASAS DE NOSSOS DIAS"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"15204\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/11\/26\/morre-frei-henri-um-las-casas-de-nossos-dias\/henri1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/henri1.jpg?fit=448%2C303\" data-orig-size=\"448,303\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"henri1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/henri1.jpg?fit=300%2C203\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/henri1.jpg?fit=448%2C303\" class=\"alignnone size-full wp-image-15204\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/henri1.jpg?resize=448%2C303\" alt=\"henri1\" width=\"448\" height=\"303\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/henri1.jpg?w=448 448w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/henri1.jpg?resize=300%2C203 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/henri1.jpg?resize=444%2C300 444w\" sizes=\"auto, (max-width: 448px) 100vw, 448px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"yui_3_16_0_ym19_1_1511745976152_11126\" dir=\"ltr\"><\/div>\n<div id=\"yui_3_16_0_ym19_1_1511745976152_9370\" dir=\"ltr\">Recebemos hoje, com pesar, a not\u00edcia da morte de Frei Henri des Roziers, frade dominicano que trabalhou quase 40 anos no combate ao trabalho escravo, na luta pela reforma agr\u00e1ria e pelos direitos humanos no Brasil. Henri morreu em Paris, no Convento onde passou os \u00faltimos 4 anos de sua vida, com sa\u00fade fr\u00e1gil, uma aten\u00e7\u00e3o plena e uma alegria invej\u00e1vel. Fonte de inspira\u00e7\u00e3o de uma grande quantidade de pessoas, Henri reuniu ao seu lado uma centena de gente que conspira e se inspira conjuntamente, que se encontra em torno da vida desse homem que fez dos seus atos individuais, os gestos coletivos de luta e de resist\u00eancia.<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<div dir=\"ltr\"><\/div>\n<div dir=\"ltr\">Sua vida foi, sempre, uma vida pol\u00edtica. E esse foi o convite que ele dirigiu a todos e todas. E para isso, mostrava o caminho que ele mesmo seguira: as grandes utopias da liberdade, a radical experi\u00eancia da f\u00e9 encarnada vivida por pessoas como Antonio Montesino e, principalmente, Bartolomeu de Las Casas, cuja inspira\u00e7\u00e3o Henri encarnou vivamente ao longo da vida: \u201ceu tentei viver como ele\u201d, confessara nas p\u00e1ginas finais do livro biogr\u00e1fico Comme une rage de Justice, publicado na Fran\u00e7a, em 2016, pela Editora Le Cerf (previsto para ser lan\u00e7ado, em breve, no Brasil).<\/div>\n<div dir=\"ltr\"><\/div>\n<div dir=\"ltr\">Henri \u00e9 membro da COMISS\u00c3O DOMINICANA DE JUSTI\u00c7A E PAZ DO BRASIL. Mais do que isso: foi um dos seus idealizadores. Entre n\u00f3s, ele insistia na import\u00e2ncia da estrat\u00e9gia e da articula\u00e7\u00e3o. Foi, por isso, um construtor de pontes, cujo cimento era a esperan\u00e7a na luta pela Justi\u00e7a. Nessa tarefa, uniu mundos aparentemente incomunic\u00e1veis. Ele fez o estudante franc\u00eas da Sorbonne de maio de 68 se encontrar com o sem-terra do sul do Par\u00e1; ele fez com que os jovens Katangais compartilhassem seus destinos com os jovens v\u00edtimas do trabalho escravo da Amaz\u00f4nia; que advogados do Haute-Savoie servissem de exemplo para os advogados do norte do Brasil; que os frades franceses se vissem em Tito de Alencar e nos jovens frades brasileiros que lutavam contra a ditadura; que o humanismo crist\u00e3o se encontrasse com a teologia da liberta\u00e7\u00e3o; que Congar, Chenu e o Cardeal Arns sentassem \u00e0 mesma mesa; que o Centro Saint-Yves e a CPT se reconhecessem reciprocamente; que a autoridade jur\u00eddica do advogado se unisse, afinal, \u00e0 autoridade moral do religioso; que o direito se encontrasse, afinal, com os pobres. Assim, Henri viveu sua voca\u00e7\u00e3o ao extremo e deu sentido \u00e0 sua vida como poucos conseguiram. \u00c0 sua cepa pertence gente como Tito de Alencar, Tom\u00e1s Baldu\u00edno, L\u00edlia Azevedo e Irm\u00e3 Revy, entre outros irm\u00e3os e irm\u00e3s que se inspiraram mutuamente.<\/div>\n<div id=\"yui_3_16_0_ym19_1_1511745976152_11128\" dir=\"ltr\">Foi com palavras embrulhadas por um sotaque franc\u00eas e com roupas rotas, que ele frequentou tribunais para defender as gentes sem defesa contra a impunidade. Advogado das causas da terra, ele conhecia de perto as v\u00edtimas e suas dores. Fez disso a sua estrat\u00e9gia de luta e nunca esmoreceu diante das muitas amea\u00e7as que sofrera. Ao contr\u00e1rio, toda vez que seu nome aparecia nas listas dos marcados para morrer, a luz dos seus olhos pequenos brilhavam com mais for\u00e7a. E era essa fonte de luz que animava quem estava ao seu lado.<\/div>\n<div dir=\"ltr\"><\/div>\n<div dir=\"ltr\">Henri morreu no quarto do Convento Saint Jacques, onde est\u00e1 a famosa biblioteca dos Chor\u00f5es (visitada por Foucault e tantos outros) em Paris, diante da janela, por onde se esparramava uma \u00e1rvore frondosa, cujas folhas douradas ele n\u00e3o cansava de contemplar e que vinham suavemente morrer contra a vidra\u00e7a do quarto. Aquela \u00e1rvore outonal prenunciara o destino do homem que, no outono da vida, murchava como as folhas. Mas como elas, tamb\u00e9m declinava com beleza, tornando-se fertilizante de outras vidas. Como aquela \u00e1rvore, a vida de Henri se prolongou nos seus adubos. A quem fica, restam outras esta\u00e7\u00f5es, vitalidades e decl\u00ednios. Para homenage\u00e1-lo, continuaremos contemplando as \u00e1rvores, atentos \u00e0s esta\u00e7\u00f5es, cuidando do tempo que \u00e9 nosso. Embora uma parte de n\u00f3s morreu com Henri hoje, uma outra com ele se rejuvenesce. Em sil\u00eancio, olhos marejados, colheremos os frutos e as boas sementes do mundo que h\u00e1 de vir. Henri estar\u00e1 conosco. Aquela \u00e1rvore foi sua \u00faltima li\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div dir=\"ltr\"><\/div>\n<div dir=\"ltr\">Goi\u00e2nia, 26 de novembro de 2017<\/div>\n<div dir=\"ltr\">Coordena\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Dominicana de Justi\u00e7a e Paz do Brasil<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Recebemos hoje, com pesar, a not\u00edcia da morte de Frei Henri des Roziers, frade dominicano que trabalhou quase 40 anos no combate ao trabalho escravo, na luta pela reforma agr\u00e1ria e pelos direitos humanos no Brasil. 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