{"id":15247,"date":"2017-11-28T07:34:20","date_gmt":"2017-11-28T11:34:20","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=15247"},"modified":"2017-11-28T08:53:13","modified_gmt":"2017-11-28T12:53:13","slug":"genero-nao-e-ideologia-explicando-os-estudos-de-genero","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/11\/28\/genero-nao-e-ideologia-explicando-os-estudos-de-genero\/","title":{"rendered":"G\u00eanero n\u00e3o \u00e9 ideologia: explicando os Estudos de G\u00eanero"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"15248\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/11\/28\/genero-nao-e-ideologia-explicando-os-estudos-de-genero\/0bb2b31d-faa0-427a-a083-97b8449c3981\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/0BB2B31D-FAA0-427A-A083-97B8449C3981.jpeg?fit=700%2C367\" data-orig-size=\"700,367\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"0BB2B31D-FAA0-427A-A083-97B8449C3981\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/0BB2B31D-FAA0-427A-A083-97B8449C3981.jpeg?fit=300%2C157\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/0BB2B31D-FAA0-427A-A083-97B8449C3981.jpeg?fit=600%2C315\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/0BB2B31D-FAA0-427A-A083-97B8449C3981.jpeg?resize=600%2C315\" alt=\"0BB2B31D-FAA0-427A-A083-97B8449C3981\" width=\"600\" height=\"315\" class=\"alignnone size-full wp-image-15248\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/0BB2B31D-FAA0-427A-A083-97B8449C3981.jpeg?w=700 700w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/0BB2B31D-FAA0-427A-A083-97B8449C3981.jpeg?resize=300%2C157 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/0BB2B31D-FAA0-427A-A083-97B8449C3981.jpeg?resize=572%2C300 572w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, este campo de estudos acad\u00eamicos tem sofrido com a difus\u00e3o de termos estranhos a ele, como o de \u201cideologia de g\u00eanero\u201d, e com a propaga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es falsas ou quest\u00f5es h\u00e1 tempos superadas.<!--more--><\/p>\n<p>Por Georgiane Garabely Heil V\u00e1zquez<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, pesquisadores e pesquisadoras dos Estudos de G\u00eanero v\u00eam sofrendo uma s\u00e9rie de ataques (alguns, violentos) contra as tem\u00e1ticas que estudam e problematizam. A princ\u00edpio, nada de novo, uma vez que os Estudos de G\u00eanero foram durante muito tempo marginalizados por setores dentro das pr\u00f3prias universidades. No entanto, o aumento da propaga\u00e7\u00e3o de discursos equivocados sobre o campo nos \u00faltimos anos, especialmente no Brasil, chama a aten\u00e7\u00e3o para um de seus principais combust\u00edveis: a desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A fim de desfazer certas confus\u00f5es \u2013 algumas mal-intencionadas \u2013 proponho discutir o que \u00e9, afinal de contas, o conceito de g\u00eanero. De uma forma simples, direta e acad\u00eamica, pretendo contribuir para um debate bastante pertinente tanto no campo das pesquisas como nos debates p\u00fablicos que ocorrem pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p>G\u00eanero e Feminismos<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel entender o que s\u00e3o Estudos de G\u00eanero sem compreender o movimento feminista, que come\u00e7a no cen\u00e1rio internacional no s\u00e9culo XIX e reivindica direitos civis para as mulheres. \u00c9 muito reconhecida a luta pelo direito ao voto, mas \u00e9 importante lembrar que essa n\u00e3o era a \u00fanica reivindica\u00e7\u00e3o \u2013 as mulheres tinham pouco direitos e muito pelo que lutar. A mulher casada, por exemplo, era considerada pela lei brasileira \u201cincapaz\u201d e sob tutela do marido \u2013 o que somente foi alterado na legisla\u00e7\u00e3o em 1962, com a Lei 4.121.<\/p>\n<p>Estudos de G\u00eanero<br \/>\nDiversidade e respeito s\u00e3o quest\u00f5es importantes na perspectiva social dos Estudos de G\u00eanero.<br \/>\nNo espa\u00e7o universit\u00e1rio, os feminismos \u2013 no plural devido \u00e0 heterogeneidade do movimento \u2013 iniciaram uma trajet\u00f3ria em meados do s\u00e9culo XX. Na Hist\u00f3ria, por exemplo, a incorpora\u00e7\u00e3o da categoria mulher est\u00e1 relacionada a todo um movimento historiogr\u00e1fico de renova\u00e7\u00e3o no campo de conhecimento. A hist\u00f3ria demogr\u00e1fica, a hist\u00f3ria da fam\u00edlia e a ideia de uma hist\u00f3ria \u201cvista de baixo\u201d, na qual tamb\u00e9m deveriam ser contadas as vidas de pessoas comuns, de oper\u00e1rios e oper\u00e1rias, de camponeses e camponesas, entre outros, contribu\u00edram significativamente para a compreens\u00e3o de que era necess\u00e1rio se escrever sobre Mulher \u2013 nesse primeiro momento ainda no singular, ou seja, ainda pensada como uma categoria homog\u00eanea.<\/p>\n<p>Entre o fim dos anos de 1970 e o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980 as historiadoras feministas \u2013 principalmente ligadas ao feminismo norte-americano \u2013 come\u00e7aram a problematizar as particularidades que existiam entre elas pr\u00f3prias. A categoria Mulher j\u00e1 n\u00e3o dava conta de explicar a multiplicidade de experi\u00eancias e subjetividades. Joana Maria Pedro argumenta que as mulheres negras, particularmente, questionaram o gesto excludente da escrita da Hist\u00f3ria das Mulheres, revelando as fraturas internas n\u00e3o s\u00f3 da Hist\u00f3ria, mas do pr\u00f3prio feminismo acad\u00eamico ao mostrar as armadilhas e ilus\u00f5es da categoria Mulher. Desde ent\u00e3o, feministas como Angela Davis e Bell Hooks, colocaram o dedo na ferida ao dizer que as mulheres n\u00e3o viviam da mesma forma a experi\u00eancia de ser mulher. Outras vari\u00e1veis precisavam ser levadas em considera\u00e7\u00e3o, como classe, cor, escolaridade, dentre outros aspectos que precisavam ser compreendidos.<\/p>\n<p>G\u00eanero: que neg\u00f3cio \u00e9 esse?<\/p>\n<p>\u00c9 neste contexto que chegamos \u00e0 quest\u00e3o do uso da palavra G\u00eanero no final da d\u00e9cada de 1980. Quando Joan Scott publicou seu famoso artigo \u201cG\u00eanero: uma categoria \u00fatil de an\u00e1lise\u201d, na American Historical Review, em 1986 (clique para ver o original em ingl\u00eas e traduzido para o portugu\u00eas em 1990), ela visava demonstrar que a imensa produ\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ria das Mulheres havia chegado a um impasse: ou ficava numa categoria suplementar ao mainstream historiogr\u00e1fico, ou for\u00e7ava uma transforma\u00e7\u00e3o no interior da disciplina e do conhecimento hist\u00f3rico. Defendendo a segunda posi\u00e7\u00e3o, Scott ent\u00e3o prop\u00f5e o g\u00eanero como categoria de an\u00e1lise e n\u00e3o como um tema ou um objeto. E como categoria, ela prop\u00f5e a perspectiva de g\u00eanero para an\u00e1lise, inclusive, das estruturas e dos discursos pol\u00edticos:<\/p>\n<p>O g\u00eanero \u00e9 uma das refer\u00eancias recorrentes pelas quais o poder pol\u00edtico tem sido concebido, legitimado e criticado. Ele n\u00e3o apenas faz refer\u00eancia ao significado da oposi\u00e7\u00e3o homem\/mulher; ele tamb\u00e9m o estabelece. Para proteger o poder pol\u00edtico, a refer\u00eancia deve parecer certa e fixa, fora de toda constru\u00e7\u00e3o humana, parte da ordem natural ou divina. Desta maneira, a oposi\u00e7\u00e3o bin\u00e1ria e o processo social das rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero tornam-se parte do pr\u00f3prio significado de poder; p\u00f4r em quest\u00e3o ou alterar qualquer de seus aspectos amea\u00e7a o sistema inteiro (SCOTT, 1990, p.92).<\/p>\n<p>Scott aponta, de maneira muito interessante, para um dos eixos mais pol\u00eamicos que os Estudos de G\u00eanero enfrentam hoje no Brasil. N\u00e3o se trata de negar as diferen\u00e7as sexuais e corporais entre homens e mulheres, mas de compreend\u00ea-las n\u00e3o como naturais e determinadas, mas como rela\u00e7\u00f5es sociais e de poder, que produziram hierarquias e domina\u00e7\u00e3o. Para Scott, g\u00eanero \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o social das diferen\u00e7as sexuais. \u00c9 um saber que estabelece significados para as diferen\u00e7as corporais.<\/p>\n<p>J\u00e1 em 1989, Judith Butler publica \u201cGender Trouble\u201c, que no Brasil foi lan\u00e7ado em 2003 com o t\u00edtulo \u201cProblemas de G\u00eanero: Feminismo e Subvers\u00e3o da Identidade\u201c, mostrando o car\u00e1ter performativo do g\u00eanero. Nele, Butler questionou a ideia de que sexo est\u00e1 exclusivamente ligado \u00e0 biologia e de que g\u00eanero relacionado \u00e0 cultura, como o debate era apresentado at\u00e9 aquele momento por boa parte das pesquisadoras e pesquisadores da \u00e1rea. Ela questionou a ideia de que o g\u00eanero fosse uma esp\u00e9cie de \u201cinterpreta\u00e7\u00e3o cultural do sexo\u201d.<\/p>\n<p>Para Judith Butler, a ideia de performatividade de g\u00eanero compreende a no\u00e7\u00e3o de que sexo e g\u00eanero s\u00e3o discursivamente criados e que, ao se desnaturalizar o sexo, deve-se tamb\u00e9m desnaturalizar o g\u00eanero. Portanto, n\u00e3o se trata de negar a exist\u00eancia de sexo ou de g\u00eanero, mas de historicizar tais diferen\u00e7as, procurando analisar as estrat\u00e9gias discursivas que as consolidaram. Nesse ponto, a meu ver, encontra-se uma das contribui\u00e7\u00f5es mais significativas da obra de Judith Butler: dar visibilidade ao fato de que existem corpos que \u201cimportam\u201d \u2013 corpos enquadrados no sistema heteronormativo \u2013 e corpos que \u201cn\u00e3o importam\u201d \u2013 o que a autora chama de corpos abjetos. Esses, dentro da l\u00f3gica bin\u00e1ria, podem ser vistos como \u201ccorpos desviantes\u201d, culturalmente ininteleg\u00edveis e que amea\u00e7am as estruturas de poder. Pessoas gays, l\u00e9sbicas, transexuais e intersexuais acabam por demarcar fronteiras que n\u00e3o deveriam ser cruzadas dentro do sistema heteronormativo e, dentro desse sistema excludente, seus corpos n\u00e3o s\u00e3o aceitos, ou melhor, a exist\u00eancia dessas pessoas n\u00e3o \u00e9 aceita. Tal exclus\u00e3o acabou por colocar em risco a vida dessas pessoas, gerando intoler\u00e2ncia, mortes e in\u00fameras outras viol\u00eancias.<\/p>\n<p>Assim, Butler prop\u00f4s a reflex\u00e3o sobre as armadilhas na naturaliza\u00e7\u00e3o do g\u00eanero.  De l\u00e1 para c\u00e1, se passaram 30 anos. E todo esse per\u00edodo foi de muita luta para a consolida\u00e7\u00e3o de um campo de investiga\u00e7\u00e3o acad\u00eamica.<\/p>\n<p>A express\u00e3o \u201cideologia de g\u00eanero\u201d, que tanto tem sido empregada nos dias de hoje para criticar os Estudos de G\u00eanero, n\u00e3o \u00e9 uma categoria acad\u00eamica ou um objeto de pesquisa. Como vimos, os pesquisadores e pesquisadoras que se dedicam o entendem justamente no contr\u00e1rio: que g\u00eanero n\u00e3o \u00e9 uma ideologia. Para eles, a express\u00e3o \u201cideologia de g\u00eanero\u201d \u00e9 estranha, uma anomalia. Quem fala (e muito) em \u201cideologia de g\u00eanero\u201d s\u00e3o os movimentos conservadores \u2013 muitas vezes com explica\u00e7\u00f5es falsas e sem fundamento.<\/p>\n<p>Estudos de g\u00eanero hoje<\/p>\n<p>Os Estudos de G\u00eanero nunca tiveram como objetivo modificar a sexualidade de ningu\u00e9m \u2013 at\u00e9 porque os pesquisadores e pesquisadoras da \u00e1rea n\u00e3o acreditam que a orienta\u00e7\u00e3o sexual ou a identidade de g\u00eanero das pessoas sejam modific\u00e1veis como querem fazer crer seus detratores. Nunca defenderam pedofilia ou incentivaram a erotiza\u00e7\u00e3o infantil. Nunca foram \u201cideologia\u201d.<\/p>\n<p>Os Estudos de G\u00eanero nunca tiveram como objetivo modificar a sexualidade de ningu\u00e9m.<br \/>\nEstudar G\u00eanero significa estabelecer um recorte sobre aspectos da realidade social existente \u2013 no presente e\/ou no passado \u2013 que t\u00eam como pe\u00e7a fundamental a organiza\u00e7\u00e3o de papeis sociais baseada numa imagem socialmente constru\u00edda acerca do que foi consolidado como sendo masculino ou feminino por exemplo. Portanto, procura compreender como a ideia de uma masculinidade hegem\u00f4nica influencia nas rela\u00e7\u00f5es e restringe as op\u00e7\u00f5es sociais de mulheres, de crian\u00e7as e dos pr\u00f3prios homens, e propor estrat\u00e9gias de liberta\u00e7\u00e3o. Aqui, nos Estudos de G\u00eanero,  est\u00e3o as pesquisas sobre viol\u00eancia dom\u00e9stica, viol\u00eancia sexual, feminic\u00eddio, desigualdade econ\u00f4mica e outras assimetrias relacionadas \u00e0s desigualdades de  g\u00eanero.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, os Estudos de G\u00eanero possuem como uma de suas principais caracter\u00edsticas a interdisciplinaridade, o que amplia seus temas de pesquisa. Diferentes \u00e1reas, n\u00e3o s\u00f3 das Ci\u00eancias Humanas, mas tamb\u00e9m as Ci\u00eancias Sociais Aplicadas, as Ci\u00eancias da Sa\u00fade e as Ci\u00eancias Exatas v\u00eam se dedicando \u00e0s pesquisas em G\u00eanero.<\/p>\n<p>Trata-se, ainda, de respeitar as diferen\u00e7as sexuais e enxergar sujeitos hist\u00f3ricos que t\u00eam sido apagados das narrativas hist\u00f3ricas: gays, l\u00e9sbicas, trans, intersexuais e bissexuais. Significa compreender que o \u201cmundo privado\u201d tamb\u00e9m \u00e9 pol\u00edtico e que, portanto, o direito \u00e0 cidadania deve efetivamente ser de todas, todos e todes.<\/p>\n<p>Pesquisas sobre sexualidades existem dentro dos Estudos de G\u00eanero, por\u00e9m \u2013 e parece ser necess\u00e1rio repetir \u2013 n\u00e3o se trata de conspirar para mudar a orienta\u00e7\u00e3o sexual de ningu\u00e9m. As pesquisas sobre sexualidade variam em quantidade proporcional e, na maioria das vezes, procuram analisar trajet\u00f3rias, sociabilidades ou mesmo subjetividades dos indiv\u00edduos relacionando tais conceitos \u00e0 sexualidade \u2013 sejam os indiv\u00edduos heterossexuais ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m s\u00e3o temas dentro dos Estudos de G\u00eanero: a maternidade, os sentimentos, a religiosidade, a assist\u00eancia, a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, os racismos, as interseccionalidades e o pr\u00f3prio movimento feminista, isso s\u00f3 para citar algumas poucas \u00e1reas.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe ideologia de g\u00eanero! E se os Estudos de G\u00eanero puderem impactar de forma transformadora em nossa sociedade, ser\u00e1 na constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais justo e igualit\u00e1rio. Um mundo em que meninas n\u00e3o sejam mortas por namorados. Um mundo sem viol\u00eancia dom\u00e9stica, sem explora\u00e7\u00e3o sexual. Um mundo em que ningu\u00e9m tenha medo da igualdade de direitos e deveres.<\/p>\n<p>Notas<\/p>\n<p>1 \u00c9 importante destacar, assim como fez Joana Maria Pedro (2011), que n\u00e3o existe, pelo menos no Brasil uma total linearidade entre as categorias mulher, mulheres, g\u00eanero. Tais palavras\/conceitos\/categorias, transitam em t\u00edtulos de artigos e projetos variados, sem um rigor cronol\u00f3gico.<\/p>\n<p>2 Os Estudos de G\u00eanero hoje figuram como uma das \u00e1reas mais consolidadas nas universidades internacionais e brasileiras. No Brasil contam com revistas especializadas de alto impacto como a REF (Revista de Estudos Feministas) vinculada \u00e0 UFSC e os Cadernos Pagu, da UNICAMP, dentre in\u00fameras outras especializadas no tema. Al\u00e9m disso, a \u00e1rea j\u00e1 possui um curso de bacharelado espec\u00edfico (Bacharelado em G\u00eanero e Diversidade, na UFBA), disciplinas de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em v\u00e1rias \u00e1reas, al\u00e9m de in\u00fameros projetos de pesquisa e extens\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos anos, este campo de estudos acad\u00eamicos tem sofrido com a difus\u00e3o de termos estranhos a ele, como o de \u201cideologia de g\u00eanero\u201d, e com a propaga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es falsas ou quest\u00f5es h\u00e1 tempos superadas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-15247","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-3XV","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15247","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15247"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15247\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15250,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15247\/revisions\/15250"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15247"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15247"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15247"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}