{"id":15356,"date":"2017-12-04T10:39:28","date_gmt":"2017-12-04T14:39:28","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=15356"},"modified":"2017-12-04T10:39:55","modified_gmt":"2017-12-04T14:39:55","slug":"por-que-sao-paulo-ainda-nao-conseguiu-despoluir-o-rio-tiete","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/12\/04\/por-que-sao-paulo-ainda-nao-conseguiu-despoluir-o-rio-tiete\/","title":{"rendered":"Por que S\u00e3o Paulo ainda n\u00e3o conseguiu despoluir o rio Tiet\u00ea?"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"15357\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/12\/04\/por-que-sao-paulo-ainda-nao-conseguiu-despoluir-o-rio-tiete\/tie\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/tie.jpg?fit=660%2C371\" data-orig-size=\"660,371\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"tie\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/tie.jpg?fit=300%2C169\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/tie.jpg?fit=600%2C337\" class=\"alignnone size-full wp-image-15357\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/tie.jpg?resize=600%2C337\" alt=\"tie\" width=\"600\" height=\"337\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/tie.jpg?w=660 660w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/tie.jpg?resize=300%2C169 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/tie.jpg?resize=534%2C300 534w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Da BBC Brasil em S\u00e3o Paulo, por\u00a0Leticia Mori &#8211;\u00a0Com 56 metros de largura e 26 km de leito canalizado dentro de S\u00e3o Paulo, o rio Tiet\u00ea \u00e9 uma das primeiras paisagens a cumprimentar quem chega \u00e0 cidade pelo aeroporto de Guarulhos ou pelas rodovias Anhanguera e Bandeirantes.<\/p>\n<div class=\"story-body\">\n<div class=\"story-body__inner\">\n<p>E n\u00e3o \u00e9 uma paisagem agrad\u00e1vel: o cheiro de esgoto, o aspecto sujo e a falta de vida aqu\u00e1tica tornam evidente que o maior rio do Estado est\u00e1 morto no trecho em que passa pela regi\u00e3o metropolitana.<!--more--><\/p>\n<p>A mancha de polui\u00e7\u00e3o &#8211; onde a oxigena\u00e7\u00e3o \u00e9 praticamente 0% &#8211; ocupa hoje 130 km, entre as cidades de Itaquaquecetuba, \u00e0 leste da capital, e Cabre\u00fava, \u00e0 noroeste. Os dados s\u00e3o do monitoramento da ONG SOS Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso ter no m\u00ednimo 5% de oxigena\u00e7\u00e3o para que haja peixes em um rio. O ideal \u00e9 em torno de 7%.<\/p>\n<p>A tentativa do governo do Estado de limpar o curso d&#8217;\u00e1gua come\u00e7ou h\u00e1 25 anos, em 1992, ap\u00f3s uma ampla campanha popular feita pela SOS Mata Atl\u00e2ntica e pela R\u00e1dio Eldorado, em que foram colhidas 1,2 milh\u00e3o de assinaturas.<\/p>\n<p>O Projeto Tiet\u00ea foi ent\u00e3o lan\u00e7ado com financiamento do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social). O governador \u00e0 \u00e9poca, Ant\u00f4nio Fleury Filho, chegou a dizer que beberia \u00e1gua do rio ao fim da iniciativa. Em 1993, a gest\u00e3o prometeu publicamente limpar o rio at\u00e9 2005.<\/p>\n<p>Mas 25 anos e US$ 2,7 bilh\u00f5es (R$ 8,8 bilh\u00f5es) depois, ele est\u00e1 longe de ser despolu\u00eddo. Afinal, o que deu errado?<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/5306\/production\/_99045212_qwrweerwwer.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"Rio Tiet\u00ea\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Rio Tiet\u00ea visto da Ponte das Bandeiras | Foto: William Lucas\/SOS Mata Atl\u00e2ntica<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Por que o Estado ainda n\u00e3o conseguiu recuperar o rio?<\/h2>\n<p>&#8220;Muitas pessoas t\u00eam uma ideia equivocada de que limpar o rio \u00e9 pegar a \u00e1gua ali que est\u00e1 suja e trat\u00e1-la. Recentemente teve um projeto de flota\u00e7\u00e3o para tirar a sujeira que j\u00e1 estava na \u00e1gua. Isso n\u00e3o funciona&#8221;, diz Jos\u00e9 Carlos Mierzwa, professor do Departamento de Engenharia Hidr\u00e1ulica e Ambiental da Escola Polit\u00e9cnica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p>Ele explica que limpar um rio \u00e9 basicamente parar de despejar poluentes nele. &#8220;Se voc\u00ea manejar corretamente o esgoto, o que est\u00e1 ali vai embora e o rio se &#8216;limpa sozinho'&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>A maior parte dos detritos que v\u00e3o hoje para o Tiet\u00ea \u00e9 de origem dom\u00e9stica. Quando a despolui\u00e7\u00e3o come\u00e7ou, em 1992, 70% do esgoto residencial da regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo era coletado e apenas 24% disso &#8211; 17% do total &#8211; passava por tratamento.<\/p>\n<p>As duas primeiras fases do projeto foram focadas em criar esta\u00e7\u00f5es de tratamento e rede de coleta. Na Grande S\u00e3o Paulo, hoje 87% \u00e9 coletado e 59% do total \u00e9 tratado, segundo a Sabesp (a companhia de saneamento). Na capital, 88% do esgoto \u00e9 coletado e 66% do total \u00e9 tratado.<\/p>\n<p>\u00c9 uma taxa de saneamento bem maior do que a m\u00e9dia do Brasil, onde 61% do esgoto nas \u00e1reas urbanas \u00e9 coletado e 43% \u00e9 tratado, segundo dados de setembro da Ag\u00eancia Nacional das \u00c1guas (ANA). Mas ainda \u00e9 insuficiente para evitar a contamina\u00e7\u00e3o do Tiet\u00ea: 41% do esgoto dom\u00e9stico da Grande S\u00e3o Paulo vai parar in natura no rio e em seus afluentes.<\/p>\n<p>&#8220;Em uma regi\u00e3o metropolitana como S\u00e3o Paulo, com 22 milh\u00f5es de habitantes, 41% do esgoto n\u00e3o receber tratamento \u00e9 um volume muito grande&#8221;, afirma Mierzwa.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/16032\/production\/_99026109_964650-dsc02975.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"Rio Tiet\u00ea\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">A cidade de Pirapora do Bom Jesus, no interior de SP, sofre com a espuma produzida pelos poluentes que se acumulam no rio | Foto: Rafael Pacheco\/Prefeitura de Pirapora do Bom Jesus<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Ele explica que a maior dificuldade &#8211; a parte mais cara e dif\u00edcil &#8211; \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o da rede de coleta de esgoto.<\/p>\n<p>Nos bairros que j\u00e1 s\u00e3o consolidados, \u00e9 preciso passar a tubula\u00e7\u00e3o por debaixo de ruas e pr\u00e9dios. Nos outros, a ocupa\u00e7\u00e3o irregular impede que a concession\u00e1ria do servi\u00e7o passe a tubula\u00e7\u00e3o que levaria os detritos j\u00e1 coletados \u00e0s esta\u00e7\u00f5es de tratamento. Nesses locais o esgoto produzido cai direto nos c\u00f3rregos, que depois desembocam no Tiet\u00ea.<\/p>\n<p>&#8220;A principal dificuldade da despolui\u00e7\u00e3o \u00e9 que s\u00e3o 39 munic\u00edpios envolvidos e h\u00e1 uma falta de comprometimento dos prefeitos com o plano de uso e ocupa\u00e7\u00e3o do solo&#8221;, afirma o professor.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Uma quest\u00e3o urbana<\/h2>\n<p>O problema da polui\u00e7\u00e3o do rio est\u00e1 intimamente ligado ao problema da habita\u00e7\u00e3o. Segundo os especialistas, eles precisam ser resolvidos em paralelo. N\u00e3o adianta apenas remover fam\u00edlias de \u00e1reas de v\u00e1rzea de rio e deix\u00e1-las em situa\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias &#8211; isso s\u00f3 empurra as ocupa\u00e7\u00f5es e posterga o problema.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o Paulo empurrou e continua empurrando as pessoas de baixa renda para as \u00e1reas de manancial, que tem baixo valor econ\u00f4mico&#8221;, afirma Malu Ribeiro, da Rede de \u00c1guas da SOS Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Conforme a cidade foi se desenvolvendo e expandindo, as pessoas mais pobres foram expulsas de regi\u00f5es centrais, com infraestrutura, para a periferia, onde acabaram ocupando \u00e1reas de v\u00e1rzea e mananciais.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um problema de gest\u00e3o. Equivocadamente as pessoas pensam s\u00f3 em tratamento de esgoto, n\u00e3o t\u00eam o entendimento de que est\u00e1 tudo interligado&#8221;, explica Ribeiro.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape no-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/8130\/production\/_99027033_leticia.jpg?resize=600%2C399&#038;ssl=1\" alt=\"Gr\u00e1fico sobre coleta e tratamento de esgoto\" width=\"600\" height=\"399\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<p>A compet\u00eancia em lidar com os problemas \u00e9 dividida entre diferentes inst\u00e2ncias. A do saneamento \u00e9 majoritariamente dos munic\u00edpios, e o uso do solo tamb\u00e9m. Mas o governo federal tamb\u00e9m lida com a quest\u00e3o da habita\u00e7\u00e3o e fornece financiamento para obras de infraestrutura; e a responsabilidade pela bacia hidrogr\u00e1fica \u00e9 do Estado.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 integra\u00e7\u00e3o. Um exemplo: o Estado de S\u00e3o Paulo, que contrata a Sabesp, est\u00e1 h\u00e1 mais de 20 anos sob a gest\u00e3o pol\u00edtica do PSDB. E a cidade de Guarulhos ficou 13 anos sob governo do PT. Nesse meio tempo, n\u00e3o houve entendimento para tratar o esgoto de Guarulhos na esta\u00e7\u00e3o do Parque Novo Mundo, que \u00e9 a mais pr\u00f3xima&#8221;, diz Malu Ribeiro.<\/p>\n<p>Segundo dados da pr\u00f3pria Sabesp, o Sistema Parque Novo Mundo foi projetado para atender parte de Guarulhos, mas atende apenas trechos das zonas leste e norte de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Na Coreia do Sul, que conseguiu limpar os quatro rios que cortam a capital, Seul, a despolui\u00e7\u00e3o foi uma a\u00e7\u00e3o integrada entre diversos \u00f3rg\u00e3os. O setor do governo respons\u00e1vel pelo projeto assumiu a compet\u00eancia de lidar com todas as quest\u00f5es envolvidas e organizar os outros agentes. Al\u00e9m da parte t\u00e9cnica, houve quest\u00f5es culturais, ambientais e sociais &#8211; como habita\u00e7\u00e3o e transporte.<\/p>\n<p>J\u00e1 o T\u00e2misa, em Londres, foi despolu\u00eddo ao longo de 50 anos com o estabelecimento da coleta de esgoto a partir dos anos 1960, endurecimento da regula\u00e7\u00e3o do uso de pesticidas e fertilizantes nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980 e maior controle sobre metais pesados no tratamento dos dejetos industriais a partir dos anos 2000.<\/p>\n<p>Em 1957, o Museu de Hist\u00f3ria Natural local declarou que o rio estava morto. Hoje existem 125 esp\u00e9cies de peixes ali, segundo a autoridade portu\u00e1ria da cidade. Tamb\u00e9m podem ser vistas focas e golfinhos. Mas o crescente ac\u00famulo de pl\u00e1stico nos \u00faltimos anos pode ser uma amea\u00e7a aos avan\u00e7os.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption body-narrow-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/304\/cpsprodpb\/D650\/production\/_99046845_hi000121448.jpg?resize=412%2C549&#038;ssl=1\" alt=\"Vista do rio T\u00e2misa\" width=\"412\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"304\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">O rio T\u00e2misa, que corta a cidade de Londres<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Uso do solo<\/h2>\n<p>Assentamento irregular \u00e9 um fator crucial quando se fala sobre como a ocupa\u00e7\u00e3o do solo prejudica o curso d&#8217;\u00e1gua, mas n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico.<\/p>\n<p>A ocupa\u00e7\u00e3o de beira de rios e c\u00f3rregos em S\u00e3o Paulo \u00e9 comum na metr\u00f3pole toda &#8211; as pr\u00f3prias marginais Pinheiros e Tiet\u00ea impermeabilizaram uma \u00e1rea de v\u00e1rzea que deveria ser reservada para o transbordamento natural do rio.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitos bairros regulares &#8211; alguns at\u00e9 de alto padr\u00e3o &#8211; onde existe a capta\u00e7\u00e3o do esgoto, mas ele nunca chega \u00e0s esta\u00e7\u00f5es de tratamento. Cerca de 32% do que \u00e9 coletado n\u00e3o \u00e9 tratado.<\/p>\n<p>&#8220;A pessoa liga a casa \u00e0 rede p\u00fablica de coleta e v\u00ea que o esgoto est\u00e1 sendo retirado. Ningu\u00e9m v\u00ea o que acontece depois, se existem interceptores (tubula\u00e7\u00f5es maiores que recebem o esgoto de v\u00e1rios bairros e levam \u00e0s esta\u00e7\u00f5es de tratamento)&#8221;, diz o engenheiro Francisco Toledo Piza, professor de saneamento da Universidade Mackenzie e ex-funcion\u00e1rio da Sabesp.<\/p>\n<p>O despejo de esgoto in natura direto no rio pela pr\u00f3pria Sabesp levou o Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo a entrar com uma a\u00e7\u00e3o contra a empresa, citando a contamina\u00e7\u00e3o da bacia do Tiet\u00ea e das represas Billings e Guarapiranga.<\/p>\n<p>A Justi\u00e7a considerou que havia provas robustas de pr\u00e1tica il\u00edcita por Sabesp, Estado e munic\u00edpio, mas a a\u00e7\u00e3o foi indeferida. Entre outros pontos, a ju\u00edza considerou que a companhia estava cumprindo sua obriga\u00e7\u00e3o, inclusive com a apresenta\u00e7\u00e3o de um cronograma de metas razo\u00e1vel quando se analisa a magnitude da empreitada. A Promotoria recorreu, afirmando que a empresa n\u00e3o vinha cumprindo as etapas do cronograma.<\/p>\n<p>Na apela\u00e7\u00e3o, o Minist\u00e9rio P\u00fablico afirma que a empresa pratica em sua estrat\u00e9gia de gest\u00e3o negocial &#8220;forte marketing enganoso quanto \u00e0s metas atingidas e sua responsabilidade ambiental&#8221;. A a\u00e7\u00e3o est\u00e1 em an\u00e1lise em segunda inst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Mudan\u00e7as no zoneamento sem preocupa\u00e7\u00e3o com o refor\u00e7o da infraestrutura tamb\u00e9m s\u00e3o um problema, segundo Mierzwa.<\/p>\n<p>&#8220;As companhias de saneamento criam uma rede de coleta para uma regi\u00e3o de casas. Depois a prefeitura decide mudar o zoneamento, empreiteiras compram os terrenos e constroem pr\u00e9dios, mas a rede de coleta n\u00e3o tem capacidade de lidar com o novo fluxo&#8221;, afirma.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/3310\/production\/_99027031_piraporapoluicao003.jpgmarcossantosuspimagens.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"Rio Tiet\u00ea\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">A mancha de polui\u00e7\u00e3o ocupa um trecho de 130 km do rio | Foto: Marco Santos\/USP Imagens<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>O que a rede de esgoto n\u00e3o consegue absorver extravasa para as galerias pluviais &#8211; que recebem a \u00e1gua da chuva &#8211; e desemboca diretamente nos rios.<\/p>\n<p>Sobrecarregadas, as tubula\u00e7\u00f5es que recebem esgoto tamb\u00e9m acabam tendo uma s\u00e9rie de rupturas. &#8220;Quando isso acontece, muitas vezes as concession\u00e1rias v\u00e3o fazer o conserto dos canos rompidos e liga na rede pluvial em car\u00e1ter emergencial, o que piora a situa\u00e7\u00e3o&#8221;, explica Toledo Piza.<\/p>\n<p>As galerias pluviais tamb\u00e9m acabam recebendo liga\u00e7\u00f5es irregulares de casas que ligam o encanamento na rede errada por diversos motivos &#8211; por n\u00e3o existir rede de esgoto ou pelo fato de as pessoas n\u00e3o quererem pagar a taxa de saneamento.<\/p>\n<p>Na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo h\u00e1 mais de 134 mil im\u00f3veis com rede de coleta passando na porta, mas que n\u00e3o fizeram a liga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00e3o 67 mil s\u00f3 na regi\u00e3o oeste, que inclui bairros como Butant\u00e3 e Rio Pequeno e cidades como Carapicu\u00edba, Cotia e Barueri. O dejeto de todos esses im\u00f3veis poderia estar sendo tratado na esta\u00e7\u00e3o de Barueri, que foi recentemente ampliada.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">O que tem no rio Tiet\u00ea?<\/h2>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas principais contaminantes no rio hoje.<\/p>\n<p>O esgoto dom\u00e9stico \u00e9 a maior parte, j\u00e1 que as regula\u00e7\u00f5es sobre dejetos industriais obrigaram as ind\u00fastrias a passar a entregar a \u00e1gua tratada.<\/p>\n<p>Mas, segundo Toledo Piza, existe ainda um residual industrial. Ele vem de produ\u00e7\u00f5es que burlam o regulamento ou de pequenas manufaturas, como f\u00e1brica de bijuterias de fundo de quintal. A quantidade \u00e9 pequena, o problema \u00e9 o tipo de material que esse esgoto pode conter.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda a chamada &#8220;carga difusa&#8221; &#8211; sujeira que est\u00e1 nas ruas e \u00e9 levada pela chuva para os c\u00f3rregos ou para a rede pluvial, que desemboca no rio. Isso inclui fuligem de carros, bitucas de cigarro, lixo que as pessoas jogam nas ruas, coc\u00f4 de animais e \u00e1gua com detergente da lavagem de quintais que vai para a rua, e n\u00e3o para o ralo, entre outros.<\/p>\n<p>Esse lixo todo gera o assoreamento: o ac\u00famulo de lixo, entulho e outros detritos no leito do rio, diminuindo a capacidade de vaz\u00e3o da \u00e1gua e gerando enchentes. A isso se soma o desmatamento da mata ciliar ao longo dos c\u00f3rregos da bacia, que causa eros\u00e3o do solo e ida de ainda mais detritos para o curso d&#8217;\u00e1gua.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/A126\/production\/_99045214_gettyimages-587193752.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"\u00c1gua suja\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"media-caption__text\">Segundo especialistas, solu\u00e7\u00e3o demanda esfor\u00e7o conjunto entre esferas de governo<\/span><\/span><\/figure>\n<p>Outros projetos contemplam o desassoreamento, mas de nada adiantam se os detritos continuarem a chegar ao rio.<\/p>\n<p>&#8220;A cada d\u00e9cada \u00e9 um novo vil\u00e3o. Nos anos 1990 havia muito despejo industrial. Agora \u00e9 esgoto dom\u00e9stico, responsabilidade do poder p\u00fablico. Quando isso for resolvido, teremos que lutar para limpar os t\u00f3xicos farmacol\u00f3gicos&#8221;, explica Malu Ribeiro.<\/p>\n<p>Boa parte dos rem\u00e9dios que s\u00e3o consumidos pelas pessoas n\u00e3o \u00e9 assimilada pelo organismo e vai tamb\u00e9m para o esgoto.<\/p>\n<p>&#8220;A quantidade desses contaminantes \u00e9 pequena em termos de massa, mas pode ser grande em termos de efeito&#8221;, explica Mierzwa. &#8220;Nos EUA, uma pesquisa da ag\u00eancia ambiental viu que h\u00e1 presen\u00e7a desse tipo de contaminante na \u00e1gua de abastecimento. Os efeitos poss\u00edveis nas pessoas est\u00e3o sendo estudados agora.&#8221;<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que o tratamento n\u00e3o retira esse tipo de poluente da \u00e1gua. Hoje, ele \u00e9 feito com lodos ativados. Res\u00edduos s\u00f3lidos s\u00e3o retirados por um processo de sedimenta\u00e7\u00e3o e a decomposi\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica ocorre com o uso de bact\u00e9rias.<\/p>\n<p>&#8220;O projeto feito nos anos 1990 e a tecnologia selecionada na \u00e9poca n\u00e3o asseguram que o despejo do esgoto j\u00e1 tratado n\u00e3o impacte o rio&#8221;, explica Mierzwa.<\/p>\n<p>&#8220;Ela tem uma efici\u00eancia limitada de remo\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica &#8211; em condi\u00e7\u00f5es \u00f3timas remove 80% a 90% da carga org\u00e2nica. Mas n\u00e3o remove certos contaminantes, como f\u00f3sforo e nitrog\u00eanio&#8221;, afirma. E tamb\u00e9m n\u00e3o remove rem\u00e9dios e horm\u00f4nios.<\/p>\n<p>Hoje j\u00e1 existem tecnologias mais avan\u00e7adas. Os sistemas de filtragem com uso de membranas, por exemplo, retira esse tipo de poluente, f\u00f3sforo, nitrog\u00eanio e 99% da mat\u00e9ria org\u00e2nica.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma tecnologia que hoje \u00e9 um pouco mais cara, mas conforme o pa\u00eds se apropria e vai desenvolvendo, vai ficando mais barata. Caro \u00e9 n\u00e3o ter \u00e1gua para abastecimento porque os rios s\u00e3o polu\u00eddos, caro \u00e9 o sistema de sa\u00fade atender um monte de gente com doen\u00e7a resultante de contato com a \u00e1gua mal tratada&#8221;, afirma Mierzwa.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Quanto dinheiro?<\/h2>\n<p>Para Malu Ribeiro, da SOS Mata Atl\u00e2ntica, os R$ 8,8 bilh\u00f5es j\u00e1 investidos na despolui\u00e7\u00e3o do rio n\u00e3o foram desperdi\u00e7ados &#8211; mesmo que os avan\u00e7os tenham sido em um ritmo muito mais lento do que o prometido.<\/p>\n<p>&#8220;Na verdade \u00e9 um valor pequeno para o tamanho do problema. E n\u00e3o chega nem pertos dos n\u00fameros da Lava Jato ou do investimento do pa\u00eds na Copa, por exemplo&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>O Brasil investiu cerca de R$ 28 bilh\u00f5es com a Copa do Mundo. Disso, R$ 8,3 bilh\u00f5es foram gastos s\u00f3 com est\u00e1dios. O banco Morlan Stanley estimou que o total desviado com propina na Petrobras tenha sido de R$ 21 bilh\u00f5es &#8211; oficialmente, o rombo causado por corrup\u00e7\u00e3o nas contas da estatal \u00e9 de mais de R$ 6 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Para Ribeiro, o investimento em saneamento precisa ser alto e constante. &#8220;Sen\u00e3o corremos o risco de perder os avan\u00e7os que j\u00e1 foram feitos. A\u00ed sim o dinheiro gasto ter\u00e1 sido por nada.&#8221;<\/p>\n<p>A mancha de polui\u00e7\u00e3o, por exemplo, j\u00e1 foi menor: em 2014 estava contida em 71 km. No ano seguinte, a Sabesp diminuiu o investimento na despolui\u00e7\u00e3o do rio de R$ 516 milh\u00f5es para 378 milh\u00f5es, e a mancha mais do que dobrou. No ano passado o investimento caiu de novo, para R$ 342. Isso em um ano em que o lucro da empresa foi de R$ 2,9 bilh\u00f5es, muito acima dos anos anteriores.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/EF46\/production\/_99045216_gettyimages-881347750.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"Contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/>Sabesp diz que projeto de saneamento tem &#8216;resultados claros&#8217;<\/span><\/figure>\n<p>A companhia afirma que seu investimento total em \u00e1gua e esgoto na verdade aumentou, e que o investimento em abastecimento de \u00e1gua foi priorizado em rela\u00e7\u00e3o ao esgoto por causa da crise h\u00eddrica.<\/p>\n<p>A Sabesp diz que investiu em \u00e1gua e esgoto, com ajuda de financiamentos, cerca de R$ 3,8 bilh\u00f5es no ano passado &#8211; mas n\u00e3o detalha que tipo de gasto foi considerado nessa conta.<\/p>\n<p>A empresa afirma tamb\u00e9m que o Projeto Tiet\u00ea &#8220;\u00e9 o maior programa de saneamento do Brasil&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O projeto tem resultados claros, como a redu\u00e7\u00e3o de 400 quil\u00f4metros da mancha de polui\u00e7\u00e3o do rio e a despolui\u00e7\u00e3o de 151 c\u00f3rregos na capital&#8221;, diz em nota.<\/p>\n<p>O projeto est\u00e1 hoje em sua terceira fase, que deve terminar at\u00e9 o ano que vem. A quarta etapa, segundo a Sabesp, est\u00e1 em fase de planejamento e capta\u00e7\u00e3o &#8211; mas n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o de quantidade de recursos investidos ou quais ser\u00e3o as fontes de financiamento.<\/p>\n<p>Segundo a companhia, algumas obras da quarta fase foram antecipadas, como a constru\u00e7\u00e3o de um interceptor de 7,5 km embaixo da marginal Tiet\u00ea.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Obra enterrada<\/h2>\n<p>Para Malu Ribeiro, outra dificuldade \u00e9 que saneamento n\u00e3o \u00e9 prioridade eleitoral no Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;Nunca foi. Nem saneamento nem \u00e1gua. \u00c9 s\u00f3 ver como a crise h\u00eddrica n\u00e3o colou no (governador Geraldo) Alckmin&#8221;, afirma. &#8220;Temos a cultura de uma falsa ideia de abund\u00e2ncia.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;E a quest\u00e3o que sempre se fala de ser uma obra enterrada, que ningu\u00e9m est\u00e1 vendo.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Existem solu\u00e7\u00f5es para essa falta de interesse. Uma delas \u00e9 monetizar o processo: incluir o saneamento no ciclo econ\u00f4mico. \u00c9 preciso responsabilizar. Voc\u00ea gerou, voc\u00ea paga.&#8221;<\/p>\n<p>O dinheiro poderia ser usado inclusive para compensar quem \u00e9 prejudicado.<\/p>\n<p>&#8220;A cidade de Pirapora do Bom Jesus, por exemplo, recebe todos os poluentes da regi\u00e3o metropolitana. H\u00e1 est\u00e2ncias naturais que n\u00e3o poluem e tamb\u00e9m deveriam ter incentivos&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Para Ribeiro, as falsas promessas feitas por pol\u00edticos fazem com que as pessoas desacreditem que \u00e9 poss\u00edvel uma solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 1993, o governo de Ant\u00f4nio Fleury Filho prometeu a limpeza para 2005. Em 2004, o ent\u00e3o secret\u00e1rio de recursos h\u00eddricos afirmou que o rio teria peixes at\u00e9 2010. Em 2012, o governador Geraldo Alckmin disse que a cidade poderia ter 94% do esgoto coletado at\u00e9 2015. Em 2014, ele prometeu a despolui\u00e7\u00e3o do rio at\u00e9 2019.<\/p>\n<p>Segundo Ribeiro, a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, mas s\u00f3 vir\u00e1 quando houver mudan\u00e7as culturais em rela\u00e7\u00e3o aos recursos naturais, maior integra\u00e7\u00e3o entre as inst\u00e2ncias competentes e a recupera\u00e7\u00e3o das \u00e1guas for um projeto de Estado.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da BBC Brasil em S\u00e3o Paulo, por\u00a0Leticia Mori &#8211;\u00a0Com 56 metros de largura e 26 km de leito canalizado dentro de S\u00e3o Paulo, o rio Tiet\u00ea \u00e9 uma das primeiras paisagens a cumprimentar quem chega \u00e0 cidade pelo aeroporto de Guarulhos ou pelas rodovias Anhanguera e Bandeirantes. E n\u00e3o \u00e9 uma paisagem agrad\u00e1vel: o cheiro&#8230;<a class=\"more-link\" href=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/12\/04\/por-que-sao-paulo-ainda-nao-conseguiu-despoluir-o-rio-tiete\/\">Continue a leitura <span class=\"meta-nav\">&raquo;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-15356","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-3ZG","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15356","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15356"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15356\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15359,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15356\/revisions\/15359"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15356"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15356"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15356"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}