{"id":15505,"date":"2017-12-11T13:32:04","date_gmt":"2017-12-11T17:32:04","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=15505"},"modified":"2017-12-11T13:32:04","modified_gmt":"2017-12-11T17:32:04","slug":"por-quem-os-sinos-dobram","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/12\/11\/por-quem-os-sinos-dobram\/","title":{"rendered":"POR QUEM OS SINOS DOBRAM"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"15506\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/12\/11\/por-quem-os-sinos-dobram\/6a7c4459-085e-4d5e-8b1a-a1185a63b8de\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/6A7C4459-085E-4D5E-8B1A-A1185A63B8DE.jpeg?fit=880%2C587\" data-orig-size=\"880,587\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"6A7C4459-085E-4D5E-8B1A-A1185A63B8DE\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/6A7C4459-085E-4D5E-8B1A-A1185A63B8DE.jpeg?fit=300%2C200\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/6A7C4459-085E-4D5E-8B1A-A1185A63B8DE.jpeg?fit=600%2C400\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/6A7C4459-085E-4D5E-8B1A-A1185A63B8DE.jpeg?resize=600%2C400\" alt=\"6A7C4459-085E-4D5E-8B1A-A1185A63B8DE\" width=\"600\" height=\"400\" class=\"alignnone size-full wp-image-15506\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/6A7C4459-085E-4D5E-8B1A-A1185A63B8DE.jpeg?w=880 880w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/6A7C4459-085E-4D5E-8B1A-A1185A63B8DE.jpeg?resize=300%2C200 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/6A7C4459-085E-4D5E-8B1A-A1185A63B8DE.jpeg?resize=768%2C512 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/6A7C4459-085E-4D5E-8B1A-A1185A63B8DE.jpeg?resize=450%2C300 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>         Quantos somos? N\u00e3o sei.<br \/>\n S\u00f3 sei que somos muitos. Talvez cem&#8230;, mil&#8230;, milhares&#8230;.<br \/>\n         Em hordas palmilhamos sorrateiramente os vastos quadrantes do planeta.<!--more--><\/p>\n<p>         Err\u00e1ticos, somos de uma tribo parida na tela on\u00edrica da divindade, cujas silhuetas foram projetadas e rascunhadas no sonho do Senhor das Esferas. Foi ele quem, inconscientemente, nos deu o sopro da vida para vagarmos, ciganos, mundo afora como arautos da ilus\u00e3o perene, companheira insepar\u00e1vel do homo sapiens na jornada da exist\u00eancia.<\/p>\n<p>         Descendemos de uma seita m\u00edstica que teve por ber\u00e7o o monte Olimpo, \u00e0 \u00e9poca em que Prometeu ofereceu aos homens a pira flamejante dos deuses. Ou quem sabe tenhamos vindo mesmo da sarjeta da vida, perambulando por entre a margin\u00e1lia loba insana, alimentadora do pulsar locomotivo que nos impele \u00e0 arte da paix\u00e3o e do tes\u00e3o pela vida.<\/p>\n<p>         Temos por ber\u00e7o, talvez, o v\u00e1cuo, onde, paridos em meio a placentas m\u00f3rbidas, fomos expelidos de uma terra de ningu\u00e9m para as plagas circenses do impoluto homem s\u00e9rio, do cidad\u00e3o de boa vontade que, tr\u00eas vezes por semana, funciona regularmente. P\u00e1tria n\u00e3o temos. D\u00e9spotas somos. S\u00e1trapas seremos sempre. C\u00ednicos, rimos, cremos, vivemos e apostamos: quanto pior, melhor. Quanto mais tr\u00e1gico, mais m\u00e1gico; o que alucina, goza; o que pira, tamb\u00e9m pode; o que poderia \u00e9 tese, e n\u00e3o tes\u00e3o, e n\u00e3o paix\u00e3o, e n\u00e3o arte, que \u00e9 falsa, escorregadia, imoral, irrespons\u00e1vel, desnudante e subversiva. Qualquer semelhan\u00e7a \u00e9 mera cumplicidade n\u00e3o assumida. Se Deus est\u00e1 morto, salve a Bahia de todos os Santos, e tudo \u00e9 permitido a um galanteador!<\/p>\n<p>         N\u00f3s, os galanteadores, somos o avesso do avesso da l\u00f3gica, somos anjos moleques, somos porta-bandeiras do lirismo que n\u00e3o se permite ser piegas no tempero do contato gestaltiano, somos os \u00faltimos moicanos de uma na\u00e7\u00e3o dispersa, somos um cl\u00e3 aben\u00e7oado pela Rosa dos Ventos, nossa madrinha e b\u00fassola existencial; somos os iniciados na doutrina da faculdade que nos habilitou a cultivar sentimentos de humanidade, ternura, simpatia e compaix\u00e3o. Somos artes\u00e3os do cortejo, eternos aprendizes do of\u00edcio de cultuar a sensibilidade perdida no tempo, obreiros da corte do bem-estar, filhos da po\u00e9tica; e nossa sina, diz a lenda, \u00e9 padecer em luta aguerrida no combate com a indiferen\u00e7a rob\u00f3tica da gente que olha mas n\u00e3o v\u00ea, com a insensibilidade dos que falam mas n\u00e3o dizem, o desencanto daqueles que v\u00eaem o mundo apenas em preto e branco, a apatia da gente que j\u00e1 n\u00e3o mais se encanta com o sorriso da crian\u00e7a, a farsa mecanicista do machismo tacanho que trata a mulher como objeto de cama &#038; mesa ao molho catupiry. Garimpamos as pedras angulares do pensar, do sentir e do agir, na tentativa de, as encontrando, devolv\u00ea-las ao seu verdadeiro dono: o cora\u00e7\u00e3o da humanidade.<\/p>\n<p>         Quando parecemos encenar, estamos apenas querendo sensibilizar; quando insinuamos iludir, estamos apenas tentando encantar; quando parecemos f\u00fateis, na verdade queremos mostrar in\u00e9ditas janelas e horizontes ao esp\u00edrito condicionado ao mesmismo. Por isso somos vistos andando por a\u00ed tentando espalhar nos olhos das pessoas todas as cores do arco-\u00edris, celebrando o mist\u00e9rio da vida, cativando cora\u00e7\u00f5es, colorindo o esp\u00edrito humano, como uma praga de Deus vagando a esmo sem fim nem come\u00e7o.<\/p>\n<p>         Um galanteador \u00e9 um lobo da estepe que anda \u00e0s cegas sem eira nem beira, tateando cego por entre o labirinto ca\u00f3tico da sociedade dos homens.<\/p>\n<p>         N\u00e3o \u00e9 um ser confi\u00e1vel o galanteador. Mas que isso, \u00e9 uma desprez\u00edvel criatura. Abaixo do galanteador barato s\u00f3 mesmo o asqueroso ro\u00e7ar da serpente vil que rasteja grotesca rente ao solo, como uma san\u00e7\u00e3o imposta pelo Senhor nos prim\u00f3rdios da Cria\u00e7\u00e3o, como nos relata o G\u00eanese.<br \/>\n         Ningu\u00e9m mais falso, ningu\u00e9m mais dissimulado, ningu\u00e9m mais inconseq\u00fcente, ningu\u00e9m mais falacioso e pernicioso que um galanteador de boa performance.<\/p>\n<p>        Deus h\u00e1 de predestinar justa morte ao galanteador, para que ele n\u00e3o se reproduza sobre a face da terra, n\u00e3o deixe herdeiros nem marca de pegadas no p\u00f3 do ch\u00e3o, n\u00e3o atormente nem \u00e0 mulher, nem ao homem nem ao Criador nem \u00e0 fam\u00edlia, em desatino que semeia o caos, rega a \u00e1rvore da tempestade e colhe rios de disc\u00f3rdia.<\/p>\n<p>        Que morra o galanteador, para que o mundo tenha paz de esp\u00edrito, para que a normalidade tome conta das pessoas, e que ningu\u00e9m ouse um gesto diferente, e que ningu\u00e9m atravesse as fronteiras do cotidiano, e que ningu\u00e9m invente uma forma nova de falar de amor, e que ningu\u00e9m fa\u00e7a da poesia menina de recado do cora\u00e7\u00e3o, nem da rima a prostituta que iniciar\u00e1 mais tarde nossos filhos no mister liter\u00e1rio sensual, e que ningu\u00e9m mande flores, e que ningu\u00e9m cante ao luar sob a janela da mulher amada, e que ningu\u00e9m fa\u00e7a gentilezas extravagantes, e que ningu\u00e9m sussurre confid\u00eancias encantadoras, e que ningu\u00e9m cometa finezas e outras amabilidades perfeitamente dispens\u00e1veis, e que ningu\u00e9m se arvore a encantar a f\u00eamea, nem a conquistar seu cora\u00e7\u00e3o, nem arrancar-lhe um sorriso, nem faz\u00ea-la feliz nem musa de versos comprometedores, nem intente torn\u00e1-la sublime, nem exalt\u00e1-la, ou excit\u00e1-la com toque de lasc\u00edvia, muito menos queira macular seu esp\u00edrito com o pecado da paix\u00e3o.<\/p>\n<p>         Rufem, pois, os tambores para que o galanteador suicide-se com dignidade, d\u00ea um tiro no p\u00e9 do ouvido e caia inerte em leito de morte, restabelecendo o sossego no mundo, a paz nos lares, a harmonia na alma da mulher, e a serenidade nos dom\u00ednios sexuais do homem.<\/p>\n<p>        N\u00e3o mandem flores ao t\u00famulo do galanteador, ele de fato n\u00e3o merece. Joguem sal, para que n\u00e3o venha florescer nem mesmo a grama, e n\u00e3o sobre pedra sobre pedra do seu cora\u00e7\u00e3o maldito e apaixonado.<\/p>\n<p>        E se missa de s\u00e9timo dia houver, o que n\u00e3o \u00e9 recomend\u00e1vel, e algu\u00e9m perguntar por quem os sinos dobram, digam qualquer coisa, menos que o r\u00e9quiem \u00e9 em louvor \u00e0 alma do desalmado galanteador. Sua sombra indiferente reflete a banda podre alojada no esp\u00edrito hip\u00f3crita de cada var\u00e3o.<\/p>\n<p>       Que Deus tenha piedade de ti, quixotesco Galanteador \u2013 antes que o Diabo o carregue!!<\/p>\n<p>(Basinho)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quantos somos? N\u00e3o sei. S\u00f3 sei que somos muitos. Talvez cem&#8230;, mil&#8230;, milhares&#8230;. 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