{"id":15639,"date":"2017-12-18T08:42:14","date_gmt":"2017-12-18T12:42:14","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=15639"},"modified":"2017-12-18T08:42:14","modified_gmt":"2017-12-18T12:42:14","slug":"airto-moreira-o-musico-que-o-mundo-venera-e-o-brasil-pouco-conhece","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/12\/18\/airto-moreira-o-musico-que-o-mundo-venera-e-o-brasil-pouco-conhece\/","title":{"rendered":"Airto Moreira, o m\u00fasico que o mundo venera e o Brasil pouco conhece"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"15640\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/12\/18\/airto-moreira-o-musico-que-o-mundo-venera-e-o-brasil-pouco-conhece\/air\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/air.jpg?fit=1960%2C1305\" data-orig-size=\"1960,1305\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"air\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/air.jpg?fit=300%2C200\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/air.jpg?fit=600%2C400\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/air.jpg?resize=600%2C399\" alt=\"air\" width=\"600\" height=\"399\" class=\"alignnone size-full wp-image-15640\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/air.jpg?w=1960 1960w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/air.jpg?resize=300%2C200 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/air.jpg?resize=768%2C511 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/air.jpg?resize=1024%2C682 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/air.jpg?resize=451%2C300 451w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/air.jpg?w=1200 1200w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/air.jpg?w=1800 1800w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>O percussionista que tocou ao lado de Miles Davis e fez carreira no exterior volta ao Brasil<!--more--><\/p>\n<p>No El Pa\u00eds, por CHEMA GARC\u00cdA MART\u00cdNEZ &#8211; H\u00e1 meio s\u00e9culo, Airto Guimorvan Moreira (Itai\u00f3polis, 1941) desembarcava no aeroporto JFK de Nova York sem uma ideia exata do que seria de sua vida. \u201cS\u00f3 sabia que queria tocar, fazer m\u00fasica, e Nova York parecia ser o local adequado para isso\u201d. N\u00e3o se enganou.<!--more--><\/p>\n<p>Meio s\u00e9culo mais tarde, o percussionista e cantor conhecido por suas colabora\u00e7\u00f5es com Miles Davis e Chick Corea, entre outros, voltou ao pa\u00eds que o viu nascer para interpretar as m\u00fasicas de seu primeiro disco 100% brasileiro, Alu\u00ea, com shows em S\u00e3o Paulo (SESC) e Rio de Janeiro (Blue Note).<\/p>\n<p>Quem visita o site do artista se surpreende com a foto de um jovem Airto de gravata borboleta e palet\u00f3, recebendo o primeiro pr\u00eamio de um concurso para cantores principiantes. \u201cMeu primeiro \u201ctrabalho\u201d foi de cantor. Canto desde os 5 anos. N\u00e3o havia festa de anivers\u00e1rio em que minha m\u00e3e n\u00e3o anunciasse: \u201ce agora meu filho vai cantar para voc\u00eas&#8230;\u201d e eu cantava qualquer coisa, apesar de me aborrecer, mas sabia o que me esperava em casa se n\u00e3o o fizesse. O que eu gostava era de tocar, o que fosse, n\u00e3o me importava. Pegava um instrumento e come\u00e7ava a tocar sem saber muito bem o que fazia\u201d.<\/p>\n<p>Com 17 anos, Airto viajou a S\u00e3o Paulo para tentar a sorte. \u201cAndei pelas boates procurando trabalho, mas naquela \u00e9poca os empres\u00e1rios s\u00f3 queriam cantoras, de modo que comecei a levar a s\u00e9rio isso de tocar um instrumento. Escolhi a bateria\u201d.<\/p>\n<p>Passar da bateria \u00e0 percuss\u00e3o foi algo natural para Airto. \u201cN\u00e3o sei como aconteceu, simplesmente comecei a tocar percuss\u00e3o&#8230; e at\u00e9 hoje. Eu n\u00e3o planejo as coisas, as coisas me acontecem&#8230;\u201d. A vida e o contato com outros percussionistas, afirma, lhe ensinaram tudo o que precisava saber sobre o instrumento. \u201cExiste algo que caracteriza os percussionistas, e \u00e9 que influenciamos uns aos outros de uma forma, digamos, natural. Por exemplo, em Nova York, muitos iam me ver e viam que eu tocava instrumentos que n\u00e3o eram comuns, e me perguntavam, \u201cEscuta Airto, o que \u00e9 isso?\u201d. Em pouco tempo eles estavam tocando o mesmo instrumento. Mas eu fiz a mesma coisa com Nan\u00e1 Vasconcelos. A primeira vez que o vi tocando berimbau n\u00e3o entendi absolutamente nada e, no fim das contas, acabei tocando-o tamb\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p>De Nova York ao Rio de Janeiro e de volta. A carreira improv\u00e1vel de Airto o afastaria das turbul\u00eancias musicais do Brasil dos anos 60 \u2013 Tropic\u00e1lia e derivados \u2013 para aproxim\u00e1-lo da trepidante cena jazz\u00edstica nova-iorquina. \u201cEu n\u00e3o sabia o que era o jazz aqui no Brasil, pensava que o conhecia, mas n\u00e3o&#8230; por isso fui aos Estados Unidos, para inteirar-me\u201d.<\/p>\n<p>Foi atrav\u00e9s do saxofonista Cannonball Adderley que o nome de Airto Moreira chegou aos ouvidos de Miles Davis. E foi por ele que \u201co brasileiro\u201d, como era conhecido nos ambientes musicais de Nova York, p\u00f4de participar das seminais sess\u00f5es de grava\u00e7\u00e3o que deram origem ao \u00e1lbum \u201cBitches Brew\u201d. Em sua autobiografia, o trompetista lembra dos problemas de adapta\u00e7\u00e3o do rec\u00e9m-chegado, que imaginava \u201cintimidado\u201d por sua presen\u00e7a: \u201cclaro que estava intimidado, mas n\u00e3o por Miles e sim pela m\u00fasica, por ser t\u00e3o \u201cnatural\u201d, o que a fazia muito dif\u00edcil de assimilar. E eu estava ali, no meio, tentando responder a toda aquela energia em um n\u00edvel de igualdade com m\u00fasicos que tocavam juntos por metade da vida&#8230; n\u00e3o havia lugar para mim. O que fiz? Comecei a tocar muito, mas muito forte. At\u00e9 que, um dia, Miles se aproximou e me disse: \u201cn\u00e3o precisa tocar t\u00e3o forte, simplesmente&#8230;toque\u201d. Fiquei totalmente desconcertado: o que ele queria dizer com isso? Porque Miles falava pouco, mas quando o fazia, sua palavra era lei. E tinha raz\u00e3o: eu estava acabando com minhas m\u00e3os sem outro prop\u00f3sito al\u00e9m de me destacar entre tudo aquilo, o que n\u00e3o fazia o menor sentido. Ent\u00e3o comecei a tocar como se estivesse com medo, voc\u00ea sabe, esse \u201ccha-ch\u00e1\u201d suave que acompanha um cantor sem voz, esse tipo de coisa&#8230; ent\u00e3o alguns dias depois Miles veio conversar de novo. \u201cEscute bem, tudo o que voc\u00ea precisa fazer \u00e9 isso mesmo, escutar e tocar. S\u00f3 isso\u201d. Essa foi a melhor li\u00e7\u00e3o que recebi dele. A partir desse momento, comecei a ouvir a m\u00fasica, a ouvi-la de verdade&#8230; porque a m\u00fasica \u00e9 como um filme, voc\u00ea precisa v\u00ea-lo em seu conjunto, os personagens, o enredo e, a partir da\u00ed, desenvolver seu papel\u201d.<\/p>\n<p>De Miles a Chick Corea (Return to Forever), Joe Zawinul (Weather Report), Mickey Hart (Grateful Dead)&#8230; dois anos e meio ap\u00f3s sua apresenta\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade, o percussionista e cantor estava construindo um caminho in\u00e9dito de renova\u00e7\u00e3o para o jazz; caminho que muitos outros seguiriam&#8230; \u201ctudo vem de minha ideia do que \u00e9 um percussionista. Advogo por uma percuss\u00e3o natural. Eu me interesso pelo som, as cores&#8230; para mim, o percussionista \u00e9 um pintor que se move entre os instrumentos de acordo com a m\u00fasica. \u00c9 a cola que une e d\u00e1 coes\u00e3o ao conjunto. N\u00e3o se trata de impor-se, mas de compartilhar. N\u00e3o incomodar, mas inspirar\u201d.<\/p>\n<p>O EL PA\u00cdS preparou uma playlist no Spotify que perpassa alguns dos principais momentos da carreira do percussionista. A lista come\u00e7a com sua passagem, ainda no in\u00edcio da carreira, pelo grupo Quarteto Novo; passa pelo seu trabalho solo em discos antigos e recentes, como o novo lan\u00e7amento Alu\u00ea; e termina com sua contribui\u00e7\u00e3o ao disco Bitches Brew, de Miles Davis.<\/p>\n<p>De Miles a Chick Corea (Return to Forever), Joe Zawinul (Weather Report), Mickey Hart (Grateful Dead)&#8230; <\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/user\/elpais\/playlist\/0docZEDO2hxMsWccosy9Qq\"\n              width=\"300\" height=\"380\" frameborder=\"0\" allowtransparency=\"true\"><\/iframe><\/p>\n<p>Vivendo nos Estados Unidos h\u00e1 mais de meio s\u00e9culo, Airto Moreira n\u00e3o pisava em solo brasileiro \u201ch\u00e1 alguns anos\u201d, esclarece, mas sem esclarecer muita coisa. E ainda assim. A relativa frieza com que a visita do filho pr\u00f3digo foi recebida pela imprensa, n\u00e3o pelo p\u00fablico, mostra um fato indiscut\u00edvel: o m\u00fasico brasileiro mais influente fora do pa\u00eds desde Carmen Miranda, Jo\u00e3o Gilberto e Tom Jobim, est\u00e1 longe de ser profeta em sua terra. \u201cReconhe\u00e7o que n\u00e3o estou por dentro da atualidade brasileira, mas n\u00e3o \u00e9 algo que me preocupe muito, porque estou imbu\u00eddo do esp\u00edrito do Brasil e sei que tudo o que vier de um pa\u00eds com semelhante patrim\u00f4nio musical, ser\u00e1 bom\u201d.<\/p>\n<p>Sentado em um canto do palco, rodeado por um fascinante arsenal de Objetos Musicais n\u00e3o Identificados, incluindo um jogo de chinelos usados, Airto se apodera da audi\u00eancia que veio escut\u00e1-lo em sua \u00fanica apresenta\u00e7\u00e3o carioca, na sala Blue Note Rio. O furac\u00e3o desatado pelo mais do que septuagen\u00e1rio artista e seu quinteto \u2013 o mesmo que o acompanha no \u00faltimo disco, o primeiro gravado no Brasil pelo artista, com as contribui\u00e7\u00f5es do guitarrista Jos\u00e9 Neto e a filha do maestro, Diana Moreira, cantando \u2013 acaba com qualquer retic\u00eancia que pud\u00e9ssemos ter sobre sua forma. Sua mensagem \u00e9 iluminadora, vibrante, luminosa&#8230; o que essa cidade bela e ca\u00f3tica precisa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O percussionista que tocou ao lado de Miles Davis e fez carreira no exterior volta ao Brasil<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-15639","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-44f","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15639","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15639"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15639\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15641,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15639\/revisions\/15641"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15639"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15639"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15639"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}