{"id":15842,"date":"2017-12-29T19:21:06","date_gmt":"2017-12-29T23:21:06","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=15842"},"modified":"2017-12-29T19:21:06","modified_gmt":"2017-12-29T23:21:06","slug":"qual-a-origem-dos-rituais-de-ano-novo-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/12\/29\/qual-a-origem-dos-rituais-de-ano-novo-no-brasil\/","title":{"rendered":"Qual a origem dos rituais de Ano Novo no Brasil?"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"15843\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/12\/29\/qual-a-origem-dos-rituais-de-ano-novo-no-brasil\/rio-4\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/rio.jpg?fit=660%2C371\" data-orig-size=\"660,371\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"rio\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/rio.jpg?fit=300%2C169\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/rio.jpg?fit=600%2C337\" class=\"alignnone size-full wp-image-15843\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/rio.jpg?resize=600%2C337\" alt=\"rio\" width=\"600\" height=\"337\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/rio.jpg?w=660 660w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/rio.jpg?resize=300%2C169 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/rio.jpg?resize=534%2C300 534w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>H\u00e1 mais de 4 mil anos, j\u00e1 se comemorava o in\u00edcio de um novo ciclo no calend\u00e1rio. Mas naquela \u00e9poca, em vez de um &#8220;ano&#8221; novo, a passagem do tempo era contada pelas esta\u00e7\u00f5es do ano.<!--more--><\/p>\n<p>Na BBC, por <span class=\"byline__name\">Lais Modelli &#8211;\u00a0<\/span>O primeiro povo a celebrar a festa de passagem teria sido o da Mesopot\u00e2mia, \u00e1rea que corresponde hoje aos territ\u00f3rios de Iraque, Kuwait, S\u00edria e Turquia. Por dependerem da agricultura para sobreviver, eles celebravam o fim do inverno e in\u00edcio da primavera, \u00e9poca em que se iniciava uma nova safra de planta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com isso, a festa de passagem dos mesopot\u00e2micos n\u00e3o se dava na noite do dia 31 de dezembro para 1\u00ba de janeiro, mas sim do dia 22 para o 23 de mar\u00e7o, data do in\u00edcio da primavera no Hemisf\u00e9rio Norte.<\/p>\n<div class=\"story-body\">\n<div class=\"story-body__inner\">\n<p>Foi somente com a introdu\u00e7\u00e3o de um novo calend\u00e1rio no Ocidente, em 1582 &#8211; o calend\u00e1rio gregoriano, adotado pelo papa Greg\u00f3rio 13 no lugar do calend\u00e1rio juliano &#8211; que o primeiro dia do novo ano passou a ser 1\u00ba de janeiro.<\/p>\n<p>Assim como acontece nas comemora\u00e7\u00f5es de Ano Novo atualmente, as celebra\u00e7\u00f5es de passagem tamb\u00e9m representavam esperan\u00e7a. Se hoje alguns rituais t\u00eam por objetivo atrair prosperidade e dinheiro &#8211; como usar a cor amarela na festa de R\u00e9veillon ou comer lentilhas &#8211; os cultos de 4 mil anos atr\u00e1s pediam alimento e fartura.<\/p>\n<p>J\u00e1 o termo R\u00e9veillon, usado em v\u00e1rias partes do mundo para descrever a festa de v\u00e9spera de Ano Novo, \u00e9 mais recente: surgiu no s\u00e9culo 17, na Fran\u00e7a, e representava festas da nobreza que duravam a noite toda.<\/p>\n<p>O R\u00e9veillon n\u00e3o tinha data para acontecer, mas com o decl\u00ednio da nobreza francesa a palavra foi sendo adaptada para a festa de v\u00e9spera de Ano Novo &#8211; a palavra R\u00e9veillon deriva do verbo &#8220;acordar&#8221; em franc\u00eas.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo 19, essas festas foram adotadas pela nobreza de outros lugares do mundo que eram influenciados pela cultura francesa.<\/p>\n<p>A nobreza do Brasil foi uma das que adotou o R\u00e9veillon, mas o sincretismo religioso caracter\u00edstico do passado hist\u00f3rico do pa\u00eds fez com que as comemora\u00e7\u00f5es aqui adicionassem novos personagens, costumes e comidas \u00e0s festas de Ano Novo.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/34C9\/production\/_99231531_festadeiemanjnoriodejaneirocomasvestimentasbrancaseasflorescomooferenda.tomazsilvaagnciabrasil.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"Festa de Iemanj\u00e1, no Rio de Janeiro, com as vestimentas brancas e as flores como oferenda\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Nas festas de Iemanj\u00e1, os devotos vestem branco e levam flores como oferenda | Foto: Tomaz Silva\/Ag. Brasil<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">\u00c0 moda brasileira<\/h2>\n<p>Em Salvador, a Igreja do Senhor do Bonfim \u00e9 o principal ponto da cidade na \u00faltima sexta-feira do ano, chamada de &#8220;Sexta-feira da Gratid\u00e3o&#8221;. Fi\u00e9is de todo o pa\u00eds v\u00e3o at\u00e9 o templo para pedir prote\u00e7\u00e3o para o pr\u00f3ximo ano e levar objetos para benzer, como colares, as famosas fitinhas do bonfim, chaves de casa, fotos e at\u00e9 o carro.<\/p>\n<p>Em todas as praias do Brasil, seguidores de Iemanj\u00e1 costumam passar o R\u00e9veillon no litoral para fazer oferendas ou pular as sete ondas.<\/p>\n<p>Iemanj\u00e1, a Rainha do Mar, \u00e9 uma divindade africana originalmente vinda da Nig\u00e9ria, da tradi\u00e7\u00e3o chamada de iorub\u00e1, e incorporada pelo candombl\u00e9 e pela umbanda no Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;Na Nig\u00e9ria, o ritual a Iemanj\u00e1 \u00e9 feito no dia 2 de fevereiro (assim como na Bahia), mas ele tamb\u00e9m ocorre no Brasil durante os \u00faltimos dias do ano e na v\u00e9spera de Ano Novo&#8221;, explica o professor da Unirio Zeca Ligi\u00e9ro, autor de livros sobre tradi\u00e7\u00e3o e performance afro-brasileira.<\/p>\n<p>&#8220;Iemanj\u00e1 se popularizou nas religi\u00f5es afro-brasileiras, como a Umbanda, o Tambor de Mina e o Candombl\u00e9 pela for\u00e7a deste arqu\u00e9tipo feminino que ela representa: m\u00e3e, vaidosa que gosta de perfumes, flores e agrados e protetora das gestantes&#8221;, completa o professor.<\/p>\n<p>Ligi\u00e9ro conta que a Umbanda nasceu no Brasil depois que os rituais africanos foram duramente perseguidos no pa\u00eds, tendo sido diretamente influenciada pela cultura nacional.<\/p>\n<p>&#8220;Essa nova religi\u00e3o de matriz africana, a Umbanda, mesclou v\u00e1rias tradi\u00e7\u00f5es amer\u00edndias, espirita e cat\u00f3lica, criando uma nova imagem para Iemanj\u00e1, uma esp\u00e9cie de v\u00eanus cabocla, cujos quadris s\u00e3o mais fartos que os seios&#8221;, explica o professor.<\/p>\n<p>&#8220;A imagem de Iemanj\u00e1, por causa dessa mescla, parece sair do mar como uma virgem de Botticelli, mas distribui gra\u00e7as com suas palmas abertas como algumas imagens de Virgem Maria. Ali\u00e1s, ela tem semblante de Maria, mas traz uma estrela na testa (s\u00edmbolo da alta espiritualidade africana) e tem longos cabelos negros, mais ind\u00edgenas que afro.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Todas as religi\u00f5es fazem empr\u00e9stimos umas das outras para construir suas ritualidades espec\u00edficas&#8221;, explica o professor de Hist\u00f3ria Moderna da Unicamp, Rui Luis Rodrigues, ao falar sobre a origem hist\u00f3rica das festas de final de ano.<\/p>\n<p>&#8220;Pesquisas hist\u00f3ricas, antropol\u00f3gicas e teol\u00f3gicas t\u00eam indicado os variados empr\u00e9stimos que os grupos religiosos contraem entre si em seus rituais.&#8221;<\/p>\n<p>O umbandista Marcelo Rodrigues, do Rio de Janeiro, faz, todos os finais de ano, oferendas a Iemanj\u00e1. &#8220;Procuro fazer a virada de ano na praia, mas, quando n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, costumo ir um ou dois dias antes ao mar.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Sete ondas<\/h2>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o do brasileiro com as praias nacionais durante o R\u00e9veillon, no entanto, n\u00e3o \u00e9 exclusiva de devotos de Iemanj\u00e1.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/134DE\/production\/_99407097_6c312b14-f473-4b35-b4a4-a141f2250ec2.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"Fitas do Senhor do Bonfim\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Fitinhas do Senhor de Bonfim s\u00e3o presen\u00e7a garantida no R\u00e9veillon de Salvador<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Apesar de morar longe do litoral, no interior de S\u00e3o Paulo, a fam\u00edlia costuma do paulista Rodrigo da Gama passar o R\u00e9veillon nas praias de Santa Catarina, Estado onde t\u00eam familiares.<\/p>\n<p>&#8220;Quando estamos em Santa Catarina, sempre vamos at\u00e9 a praia, usamos roupas brancas e pulamos as sete ondas na virada&#8221;, conta Gama.<\/p>\n<p>De uma fam\u00edlia de &#8220;cat\u00f3licos n\u00e3o praticantes&#8221;, ele explica que o ritual de usar branco e pular as ondas, diferente de como \u00e9 para os umbandistas, n\u00e3o tem significado religioso, somente espiritual.<\/p>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia dele demonstra como a figura de Iemanj\u00e1 se popularizou no Brasil, principalmente nos anos 1950 e 1960, quando seu ritual passou a ser praticado nas praias da famosa Zona Sul do Rio de Janeiro, ganhando visibilidade nacional.<\/p>\n<p>&#8220;Mas a partir da organiza\u00e7\u00e3o de shows pirot\u00e9cnicos e de patroc\u00ednios milion\u00e1rios para as festas nas praias cariocas, os rituais a Iemanj\u00e1 t\u00eam sido banidos para praias cada vez mais distantes&#8221;, afirma Ligi\u00e9ro.<\/p>\n<p>&#8220;Percebemos que os rituais de oferendas a Iemanj\u00e1 correm cada dia mais risco, mesmo com Iemanj\u00e1 congregando milh\u00f5es de pessoas de outras religi\u00f5es, que se vestem de branco e v\u00e3o para a praia. Assistimos a volta da persegui\u00e7\u00e3o \u00e0s religi\u00f5es afro-brasileiras com a hostiliza\u00e7\u00e3o desses rituais.&#8221;<\/p>\n<p>Usar roupas brancas na festa de Ano Novo se tornou comum no Brasil na d\u00e9cada de 1970, quando membros do Candombl\u00e9 passaram a fazer suas oferendas na praia de Copacabana. Pessoas que passavam pela praia e viam o ritual, acharam bonito o branco &#8211; e adotaram a vestimenta.<\/p>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o de pular as sete ondas na virada do ano, fazendo sete pedidos diferentes, tamb\u00e9m est\u00e1 ligada \u00e0 Umbanda e ao culto a Iemanj\u00e1.<\/p>\n<p>O sete \u00e9 um n\u00famero cabal\u00edstico, que na Umbanda representa Exu, filho de Iemanj\u00e1. Tamb\u00e9m tem rela\u00e7\u00e3o com as Sete Linhas de Umbanda, conceito de organiza\u00e7\u00e3o dos esp\u00edritos sob o comando de um orix\u00e1s. Cada pulo, nesse caso, seria o pedido a um orix\u00e1 diferente.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/10DCE\/production\/_99407096_d8b69292-332a-485d-becb-17e01274f2ac.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"Homem jogando flores pra Iemanj\u00e1\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">As oferendas a Iemanj\u00e1 s\u00e3o um ritual de Ano-novo tipicamente brasileiro<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Os dias de Ano Novo<\/h2>\n<p>As comemora\u00e7\u00f5es de Ano Novo n\u00e3o acontecem necessariamente no dia 1\u00ba de janeiro. Isso porque existem v\u00e1rios calend\u00e1rios que organizam o ciclo anual de maneira diferente do gregoriano.<\/p>\n<p>Para os mu\u00e7ulmanos, o Ano Novo corresponde ao m\u00eas de maio do calend\u00e1rio gregoriano; para os judeus, corresponde ao per\u00edodo de final de setembro e in\u00edcio de outubro; j\u00e1 os chineses celebram a passagem entre final de janeiro e in\u00edcio de fevereiro.<\/p>\n<p>A advogada Anna Beatriz Dodeles \u00e9 de fam\u00edlia judia e n\u00e3o comemora o Ano Novo do calend\u00e1rio gregoriano.<\/p>\n<p>&#8220;O &#8216;Ano Novo&#8217; Judaico se chama Rosh Hashana, conhecido como Dia do Julgamento e a Cabe\u00e7a do Ano. Ele acontece em um dos meses mais importantes do Juda\u00edsmo, o m\u00eas de Elul&#8221;, conta ela.<\/p>\n<p>&#8220;Essa festividade ocorre no s\u00e9timo m\u00eas do calend\u00e1rio Judaico &#8211; Lunar &#8211; e marca para os judeus o nascimento do mundo, o in\u00edcio da cria\u00e7\u00e3o humana.&#8221;<\/p>\n<p>Para celebrar o Rosh Hashana, cujas comemora\u00e7\u00f5es duram dois dias, a fam\u00edlia Dodeles faz ora\u00e7\u00f5es e come determinadas comidas t\u00edpicas para a comunidade judia, como o vinho e a chal\u00e1 redonda (p\u00e3o fermentado arredondado) umedecido no mel.<\/p>\n<p>&#8220;Nessa \u00e9poca, devemos pedir perd\u00e3o \u00e0s pessoas que magoamos, n\u00e3o de forma gen\u00e9rica, mas de maneira pensada. Caso aquela pessoa n\u00e3o aceite as desculpas, o pedido deve ser feito no m\u00ednimo tr\u00eas vezes, e o mais importante \u00e9 mudar o nosso comportamento para que aquilo n\u00e3o se repita naquele novo ano&#8221;, explica a advogada.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/F1E3\/production\/_99332916_comemoraodehanukahnacasadosdodelos.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"Comemora\u00e7\u00e3o do hanukah na casa dos Dodeles\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Na casa de Anna Beatriz Dodeles, a celebra\u00e7\u00e3o do hanukah, no final do ano, ganhou um toque brasileiro com a troca de presentes | Foto: Arquivo pessoal<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>J\u00e1 a fam\u00edlia da jornalista Fl\u00e1via Sato, que \u00e9 budista, tamb\u00e9m segue tradi\u00e7\u00f5es da cultura japonesa. Por isso, sua fam\u00edlia se despede do ano velho no dia 31 de dezembro, mas faxinando a casa.<\/p>\n<p>&#8220;No dia 31, na casa dos meus pais, praticamos um ritual chamado Oosouji, que \u00e9 uma limpeza minuciosa da casa para renovar as energias do ambiente e come\u00e7ar o Ano Novo do zero, com tudo limpo e organizado&#8221;, conta a jornalista.<\/p>\n<p>A comida tamb\u00e9m \u00e9 importante neste ritual de passagem. &#8220;N\u00e3o pode faltar ozoni, um caldo que leva um bolinho de arroz; o moti, que, segundo a tradi\u00e7\u00e3o, traz boa sorte para o ano que se inicia. Depois da queima de fogos e de comer moti, nossa festa costuma acabar cedo, porque no dia seguinte, logo pela manh\u00e3, todos nos reunimos novamente para iniciar o ano em ora\u00e7\u00e3o&#8221;, descreve ela, explicando que o Ano Novo \u00e9 o principal feriado em fam\u00edlia dos budistas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da faxina, do jantar em fam\u00edlia e da queima de fogos, tamb\u00e9m h\u00e1 rituais individuais na casa dela.<\/p>\n<p>&#8220;Meus pais sempre me incentivaram a aproveitar essa \u00e9poca para escrever todos os meus objetivos do ano, para que eu pudesse ter foco e realizar minhas metas pessoais.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"tags-container\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 mais de 4 mil anos, j\u00e1 se comemorava o in\u00edcio de um novo ciclo no calend\u00e1rio. 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