{"id":16343,"date":"2018-01-28T20:30:51","date_gmt":"2018-01-29T00:30:51","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=16343"},"modified":"2018-01-28T20:30:51","modified_gmt":"2018-01-29T00:30:51","slug":"como-voce-descreveria-seu-dia-hoje-os-paises-mais-otimistas-nao-sao-os-que-voce-imagina","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/01\/28\/como-voce-descreveria-seu-dia-hoje-os-paises-mais-otimistas-nao-sao-os-que-voce-imagina\/","title":{"rendered":"Como voc\u00ea descreveria seu dia hoje? Os pa\u00edses mais otimistas n\u00e3o s\u00e3o os que voc\u00ea imagina"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"16344\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/01\/28\/como-voce-descreveria-seu-dia-hoje-os-paises-mais-otimistas-nao-sao-os-que-voce-imagina\/pob-2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/pob.jpg?fit=1960%2C1127\" data-orig-size=\"1960,1127\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"pob\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/pob.jpg?fit=300%2C173\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/pob.jpg?fit=600%2C345\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/pob.jpg?resize=600%2C345\" alt=\"pob\" width=\"600\" height=\"345\" class=\"alignnone size-full wp-image-16344\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/pob.jpg?w=1960 1960w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/pob.jpg?resize=300%2C173 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/pob.jpg?resize=768%2C442 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/pob.jpg?resize=1024%2C589 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/pob.jpg?resize=522%2C300 522w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/pob.jpg?w=1200 1200w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/pob.jpg?w=1800 1800w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Instituto de pesquisas fez essa pergunta a 42.000 pessoas. Nos lugares mais pobres, entre eles o Brasil, mais gente diz que seu dia foi bom. S\u00e3o mais felizes?<!--more--><\/p>\n<p>No El Pa\u00eds &#8211; Como voc\u00ea descreveria o seu dia hoje? Foi um dia t\u00edpico, um dia particularmente bom, ou particularmente ruim? O instituto de pesquisas Pew Research Center fez essa pergunta a 42.000 pessoas em 38 pa\u00edses, com resultados surpreendentes. Os lugares onde mais pessoas qualificaram seu dia como bom s\u00e3o Nig\u00e9ria, Col\u00f4mbia, Gana e Brasil. Os lugares onde menos gente diz o mesmo s\u00e3o a Espanha, a Pol\u00f4nia e o Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>Comparemos a Col\u00f4mbia com a Espanha. A maioria dos espanh\u00f3is diz que seu dia \u00e9 t\u00edpico, e s\u00f3 15% o descreve como particularmente bom. Na Col\u00f4mbia, \u00e9 ao contr\u00e1rio: 61% descrevem o dia como bom. Essa diferen\u00e7a entre Col\u00f4mbia e Espanha pode ser generalizada para os respectivos continentes. A maioria dos europeus qualifica seus dias como normais, enquanto na Am\u00e9rica Latina, e tamb\u00e9m na \u00c1frica, os entrevistados s\u00e3o muito mais positivos ao responderem.<\/p>\n<p>\u00c9 chamativo que haja mais \u201cdias bons\u201d em pa\u00edses pobres. Todos os pa\u00edses que superam 40% de \u201cdias bons\u201d t\u00eam um PIB inferior a 20.000 d\u00f3lares por habitante. A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o s\u00e3o os Estados Unidos. Esse paradoxo se repete com outras caracter\u00edsticas que costumamos considerar negativas: os pa\u00edses com mais \u201cdias bons\u201d s\u00e3o pa\u00edses com menor expectativa de vida, mais desigualdade de renda, pior educa\u00e7\u00e3o e menos redes de apoio familiar.<\/p>\n<p>Quais pa\u00edses s\u00e3o mais felizes<br \/>\nPodemos dizer ent\u00e3o que as pessoas s\u00e3o mais felizes nos pa\u00edses mais pobres ou mais desiguais? Na verdade n\u00e3o. Para medir a felicidade costumam ser usadas outras perguntas, mais precisas ou pelo menos mais bem estudadas, que oferecem resultados menos chocantes.<\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 o Relat\u00f3rio Mundial da Felicidade, das Na\u00e7\u00f5es Unidas. O estudo mede a felicidade com uma pergunta sobre bem-estar subjetivo: pede que os entrevistados avaliem sua vida como boa ou ruim, numa escala de zero a dez, pensando nos degraus de uma escada.<\/p>\n<p>Esse bem estar subjetivo tem, realmente, uma rela\u00e7\u00e3o direta com a renda. Nos pa\u00edses mais ricos, as pessoas s\u00e3o mais felizes. Em muitos pa\u00edses europeus, as pessoas se colocam na m\u00e9dia acima do s\u00e9timo degrau. J\u00e1 na maioria de pa\u00edses da \u00c1frica a m\u00e9dia n\u00e3o chega ao quinto degrau.<\/p>\n<p>Mas os dados de felicidade do relat\u00f3rio da ONU continuam revelando diferen\u00e7as conforme a regi\u00e3o. Por exemplo, muitos pa\u00edses das Am\u00e9ricas \u2013 como Honduras, Costa Rica, Equador, Col\u00f4mbia, Brasil e M\u00e9xico \u2013 s\u00e3o mais felizes do que se suporia com base na sua riqueza. Basta comparar a Guatemala com a Ucr\u00e2nia no gr\u00e1fico: os guatemaltecos se declaram muito mais felizes que os ucranianos, embora os dois pa\u00edses tenham rendas semelhantes.<\/p>\n<p>Medida dessa forma, a felicidade realmente se relaciona com muitas coisas que costumamos considerar positivas. Como s\u00e3o os pa\u00edses mais felizes? S\u00e3o lugares mais ricos, onde as pessoas vivem mais, t\u00eam melhor sa\u00fade, v\u00e3o \u00e0 escola, s\u00e3o mais livres, recebem rendas menos desiguais e contam com melhores redes de apoio familiar ou social. O site Our World in Data oferece muitos outros dados sobre esses fatores.<\/p>\n<p>Como explicar ent\u00e3o o paradoxo dos bons dias que vimos acima? Uma hip\u00f3tese \u00e9 que os pa\u00edses mais pr\u00f3speros sejam mais exigentes e descrevam dias bons dizendo que s\u00e3o dias t\u00edpicos. Al\u00e9m disso, haver\u00e1 certamente diferen\u00e7as culturais que influenciam nas respostas em cada pa\u00eds. A pergunta do Pew Research \u00e9 a primeira a ser feita nas suas pesquisas, quase como uma forma de sauda\u00e7\u00e3o, e talvez muitos entrevistados a respondam com f\u00f3rmulas educadas e autom\u00e1ticas. Ou seja, pode ocorrer como quando perguntamos \u201ccomo vai?\u201d a algu\u00e9m sem esperarmos uma resposta verdadeira, j\u00e1 que a conven\u00e7\u00e3o \u00e9 responder \u201ctudo bem\u201d em qualquer situa\u00e7\u00e3o. Se voc\u00ea resolver responder que est\u00e1 \u201cnormal\u201d, a outra pessoa ficar\u00e1 desconcertada.<\/p>\n<p>Finalmente, cabe uma terceira explica\u00e7\u00e3o: a pergunta sobre o seu dia poderia capturar (parcialmente) outro tipo de felicidade mais fugidia. H\u00e1 duas formas de perguntar a algu\u00e9m por sua felicidade. A primeira \u00e9 pedir que a pessoa avalie sua satisfa\u00e7\u00e3o ou seu bem-estar, como na pergunta da escada. A segunda \u00e9 interrogar sobre o seu estado de \u00e2nimo em momentos concretos. No relat\u00f3rio da ONU, para medir essa felicidade os entrevistados s\u00e3o questionados sobre suas experi\u00eancias positivas do dia anterior: sorriram? Sentiram-se contentes ou felizes durante grande parte da jornada?<\/p>\n<p>As respostas sobre essas duas felicidades n\u00e3o s\u00e3o iguais. As pessoas experimentam a felicidade de uma forma, e a avaliamos de outra. O bem estar valorativo, como vimos anteriormente, est\u00e1 muito correlacionado com a riqueza e a expectativa de vida. As pessoas de pa\u00edses mais pobres tendem a avaliar sua vida de uma forma pior quando pensam sobre ela. Mas essa correla\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais fraca com a felicidade experimentada: as pessoas em pa\u00edses (relativamente) pobres experimentam a mesma alegria e riem tanto como em pa\u00edses mais ricos. Por isso as diferen\u00e7as de felicidade entre os pa\u00edses se revelam maiores com a m\u00e9trica valorativa do que com a m\u00e9trica experiencial.<\/p>\n<p>Algumas pessoas argumentam que a felicidade experimentada funciona como um termostato, que tem desigualdades, mas \u00e9 um sistema em equil\u00edbrio, como os mecanismos que regulam nossa temperatura corporal ou a sensa\u00e7\u00e3o de fome. Isso teria vantagens e inconvenientes. A parte boa \u00e9 que as pessoas ser\u00e3o capazes de encontrar alegrias mesmo em circunst\u00e2ncias complicadas. A parte ruim, por outro lado, \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ser feliz continuamente, mesmo que haja motivos: quando tudo o que \u00e9 importante estiver bem, as pequenas coisas azedar\u00e3o nossa exist\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Instituto de pesquisas fez essa pergunta a 42.000 pessoas. Nos lugares mais pobres, entre eles o Brasil, mais gente diz que seu dia foi bom. 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