{"id":16359,"date":"2018-01-29T16:24:40","date_gmt":"2018-01-29T20:24:40","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=16359"},"modified":"2018-01-29T16:26:27","modified_gmt":"2018-01-29T20:26:27","slug":"os-quatro-desafios-do-humanismo-contemporaneo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/01\/29\/os-quatro-desafios-do-humanismo-contemporaneo\/","title":{"rendered":"Os quatro desafios do humanismo contempor\u00e2neo"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"16362\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/01\/29\/os-quatro-desafios-do-humanismo-contemporaneo\/images-2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/images.jpg?fit=283%2C178\" data-orig-size=\"283,178\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"images\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/images.jpg?fit=283%2C178\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/images.jpg?fit=283%2C178\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/images.jpg?resize=283%2C178\" alt=\"images\" width=\"283\" height=\"178\" class=\"alignnone size-full wp-image-16362\" \/><\/p>\n<p>A crise ecol\u00f3gica, a crise migrat\u00f3ria, os desvios da economia sem regras ou os progressos tecnol\u00f3gicos exigem que se repense um novo humanismo, se n\u00e3o quisermos que ele se pare\u00e7a a um ideal distante e desconectado das realidades do mundo.<!--more--><\/p>\n<p>Instituto Humanitas Unisinos &#8211; A reportagem \u00e9 de B\u00e9atrice Bouniol, publicada por La Croix, 26-01-2018. A tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 de Mois\u00e9s Sbardelotto.<\/p>\n<p>No dia 17 de janeiro passado, intelectuais franceses interpelavam o presidente da Rep\u00fablica francesa em um artigo intitulado: \u201cSua pol\u00edtica migrat\u00f3ria est\u00e1 em contradi\u00e7\u00e3o com o humanismo que o senhor apoia!\u201d.<\/p>\n<p>Com essas palavras, eles enfatizavam um dos maiores desafios levantados ao humanista contempor\u00e2neo. Herdeiro daqueles que, a partir do s\u00e9culo XIV na Europa, propuseram ao mundo um projeto de emancipa\u00e7\u00e3o, ele continua ligado \u00e0 ideia de um ser humano que toma nas m\u00e3os o pr\u00f3prio destino e se esfor\u00e7a para construir uma sociedade justa.<\/p>\n<p>Mas as crises, a migrat\u00f3ria e a ecol\u00f3gica, o neoliberalismo ou ainda as novas tecnologias abalam muito fortemente os valores desse humanismo que obrigam a retornar \u00e0 quest\u00e3o fundamental: o que \u00e9 uma vida humana?<\/p>\n<p>Crise migrat\u00f3ria<br \/>\nDe todos os desafios atuais, \u00e9 aquela que se choca com a promessa central do humanismo: a igual dignidade de cada ser humano. Ainda no s\u00e9culo XVI, como observa o historiador Olivier Christin, os humanistas refletiam sobre essa \u201chumanidade comum\u201d em um contexto de globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cNa era moderna, a Europa conheceu grandes migra\u00e7\u00f5es \u2013 a dos judeus espanh\u00f3is, depois a dos huguenotes franceses \u2013 enquanto as grandes descobertas a questionam sobre a diversidade cultural\u201d, explica o historiador. \u201cA esses numerosos debates, o Iluminismo deu uma resposta: somos solid\u00e1rios com todos os seres humanos, mesmo \u00e0 dist\u00e2ncia.\u201d<\/p>\n<p>No seu rastro, alguns prop\u00f5em hoje a necessidade de separar os direitos fundamentais da humanidade da cidadania; outros prop\u00f5em estender esta \u00faltima a uma \u201ccidadania mundial\u201d.<\/p>\n<p>A crise migrat\u00f3ria, como prova prim\u00e1ria do humanismo, lembra a sua fragilidade hist\u00f3rica. \u201cComo a \u00fanica rela\u00e7\u00e3o \u00e9tica com o outro \u00e9 a da ajuda e do cuidado, que fazem refer\u00eancia \u00e0 mortalidade e \u00e0 vulnerabilidade de todos, \u00e9 preciso admitir que continuamos negociando sobre esse princ\u00edpio que n\u00e3o deveria estar sob nenhuma condi\u00e7\u00e3o\u201d, lembra o fil\u00f3sofo Marc Cr\u00e9pon, que prop\u00f4s a no\u00e7\u00e3o de \u201cconsenso homicida\u201d para definir a aceita\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cUm humanismo que queira evitar toda forma de tranquilidade de consci\u00eancia deve come\u00e7ar reconhecendo essa falha\u201d, acrescenta, \u201ce inventar caminhos de sair da passividade. Fazem parte disso a revolta, a cr\u00edtica aos discursos niilistas, assim como todo gesto de bondade.\u201d<\/p>\n<p>Crise ecol\u00f3gica<br \/>\nA ideia do homem como medida de tudo, separado do ambiente, durou muito tempo. Os efeitos destrutivos do seu modo de vida no planeta e sobre os outros seres vivos evidenciam as lacunas de um humanismo que organizava a separa\u00e7\u00e3o das ci\u00eancias humanas das ci\u00eancias naturais nos s\u00e9culos XVI e XVII.<\/p>\n<p>O aquecimento clim\u00e1tico e o sofrimento animal obrigam a romper com uma concep\u00e7\u00e3o do humano como simples liberdade, \u201chors-sol\u201d, desconectada da realidade ambiental, de acordo com o vocabul\u00e1rio atual.<\/p>\n<p>A crise ecol\u00f3gica imp\u00f5e \u201cuma reflex\u00e3o sobre os nossos limites e sobre os nossos direitos\u201d, confirma Corine Pelluchon, que lan\u00e7ou pela editora Seuil o livro \u00c9thique de la consid\u00e9ration [\u00c9tica da considera\u00e7\u00e3o]. \u201cEssa reflex\u00e3o abre a um novo humanismo que engloba as gera\u00e7\u00f5es futuras e os outros seres vivos, que insiste na liberdade, mas tamb\u00e9m na materialidade da exist\u00eancia e na vulnerabilidade. Dentro do pensamento humanista cl\u00e1ssico, minha liberdade era limitada pela dos outros; a lei a garantia. Atualmente, tamb\u00e9m devemos aceitar autolimitar o nosso consumo para preservar o mundo comum.\u201d<\/p>\n<p>A heran\u00e7a humanista n\u00e3o deve ser rejeitada, mas completada: o ser humano \u00e9 tamb\u00e9m aquele que, levando em considera\u00e7\u00e3o seu ambiente, desenvolve o senso de medida.<\/p>\n<p>Neoliberalismo<br \/>\nConcentra\u00e7\u00e3o de riquezas, precariza\u00e7\u00e3o, sofrimento no trabalho&#8230; Na \u00e9poca da desregulamenta\u00e7\u00e3o mundial, a quest\u00e3o humanista ressoa de forma diferente: o que \u00e9 uma vida boa e livre? \u201cN\u00e3o \u00e9 aquela que se esgota na sobreviv\u00eancia ou no consumo, n\u00e3o \u00e9 aquela de uma pessoa reduzida a uma vari\u00e1vel de adapta\u00e7\u00e3o de uma programa\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o\u201d, lista Olivier Christin. \u201cA brutalidade econ\u00f4mica atual reprop\u00f5e a pergunta sobre a realiza\u00e7\u00e3o, o valor e a finalidade de uma vida humana.\u201d<\/p>\n<p>Do mesmo modo, lan\u00e7a novamente a reflex\u00e3o sobre o nosso projeto de sociedade. O humanismo hoje passa por uma vontade pol\u00edtica, porque \u201co Estado deve reafirmar sua miss\u00e3o, que consiste em organizar a sociedade para a justi\u00e7a e para a paz, e n\u00e3o para o lucro de alguns\u201d, insiste Corine Pelluchon.<\/p>\n<p>\u201cA ideologia que leva a esquecer o valor dos seres e destr\u00f3i o sentido do trabalho tem um nome: economicismo. \u00c9 uma ideologia que impregna tamb\u00e9m as mentalidades. Reafirmar o humanismo, buscar um projeto de emancipa\u00e7\u00e3o que subtraia o ser humano da domina\u00e7\u00e3o do desempenho e da mercantiliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 o \u00fanico modo de preservar a democracia.\u201d<\/p>\n<p>Novas tecnologias<br \/>\nUm programa resume por si s\u00f3 a amplitude dos desafios levantados pelas novas tecnologias: o transumanismo, que visa a aumentar as caracter\u00edsticas f\u00edsicas e mentais do ser humano para superar seus limites biol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos que, assim, p\u00f5em novamente em discuss\u00e3o \u201ca pr\u00f3pria delimita\u00e7\u00e3o da pessoa humana convocam um enorme investimento dos humanistas que n\u00e3o se preocupam apenas com as possibilidades da ci\u00eancia\u201d, alarma-se Olivier Christin.<\/p>\n<p>Tais progressos exigem que se debata sobre a liberdade, que n\u00e3o consiste, lembra ainda Corine Pelluchon, \u201cem fazer tudo o que \u00e9 poss\u00edvel, mas sim em orientar o progresso em fun\u00e7\u00e3o dos bens que escolhemos honrar e daquilo que nos recusamos a ver acontecer\u201d.<\/p>\n<p>O que desejamos, como queremos nos definir como seres humanos? Essas s\u00e3o as perguntas que tamb\u00e9m s\u00e3o levantadas pelas tecnologias digitais, afirma a te\u00f3loga Gemma Serrano, diretora do departamento de \u201cHumanismo Digital\u201d no Coll\u00e8ge des Bernardins.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o nos encontramos diante de novos instrumentos. Estamos imersos em uma nova cultura que tamb\u00e9m traz consigo um ideal de compartilhamento e de colabora\u00e7\u00e3o\u201d, especifica. \u201cEssa imers\u00e3o n\u00e3o \u00e9 necessariamente negativa, contanto que mantenhamos uma capacidade de an\u00e1lise e de a\u00e7\u00e3o. N\u00e3o somos apenas influenciados por essa nova cultura digital, mas tamb\u00e9m participamos ativamente da sua constru\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Como nos tempos das Luzes, a educa\u00e7\u00e3o, portanto, deve estar no centro das nossas preocupa\u00e7\u00f5es. \u201cN\u00e3o \u00e9 oportuno que equipemos intelectualmente as pessoas. Devemos tamb\u00e9m lev\u00e1-las a afirmarem sua autonomia moral e a se humanizarem desenvolvendo certas disposi\u00e7\u00f5es morais\u201d, conclui Corine Pelluchon. \u201cNa realidade, n\u00e3o se trata apenas de saber que mundo queremos deixar aos nossos filhos, mas tamb\u00e9m de que filhos deixaremos ao mundo.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A crise ecol\u00f3gica, a crise migrat\u00f3ria, os desvios da economia sem regras ou os progressos tecnol\u00f3gicos exigem que se repense um novo humanismo, se n\u00e3o quisermos que ele se pare\u00e7a a um ideal distante e desconectado das realidades do mundo.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16362,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-16359","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/images.jpg?fit=283%2C178","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-4fR","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16359","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16359"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16359\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16363,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16359\/revisions\/16363"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16362"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16359"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16359"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16359"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}