{"id":16977,"date":"2018-03-10T11:27:42","date_gmt":"2018-03-10T15:27:42","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=16977"},"modified":"2018-03-10T11:27:42","modified_gmt":"2018-03-10T15:27:42","slug":"entenda-porque-o-governo-faz-propaganda-enganosa-sobre-recuperacao-da-economia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/03\/10\/entenda-porque-o-governo-faz-propaganda-enganosa-sobre-recuperacao-da-economia\/","title":{"rendered":"Entenda porque o governo faz propaganda enganosa sobre recupera\u00e7\u00e3o da economia"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"16978\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/03\/10\/entenda-porque-o-governo-faz-propaganda-enganosa-sobre-recuperacao-da-economia\/fdddd481-3046-46a3-8951-f8ac5b7d145e\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/FDDDD481-3046-46A3-8951-F8AC5B7D145E.jpeg?fit=494%2C298\" data-orig-size=\"494,298\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"FDDDD481-3046-46A3-8951-F8AC5B7D145E\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/FDDDD481-3046-46A3-8951-F8AC5B7D145E.jpeg?fit=300%2C181\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/FDDDD481-3046-46A3-8951-F8AC5B7D145E.jpeg?fit=494%2C298\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/FDDDD481-3046-46A3-8951-F8AC5B7D145E.jpeg?resize=494%2C298\" alt=\"FDDDD481-3046-46A3-8951-F8AC5B7D145E\" width=\"494\" height=\"298\" class=\"alignnone size-full wp-image-16978\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/FDDDD481-3046-46A3-8951-F8AC5B7D145E.jpeg?w=494 494w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/FDDDD481-3046-46A3-8951-F8AC5B7D145E.jpeg?resize=300%2C181 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 494px) 100vw, 494px\" \/><\/p>\n<p>Com desemprego superando a marca de 12 milh\u00f5es, especialistas explicam que o baixo crescimento do PIB \u00e9 uma ilus\u00e3o.<!--more--><\/p>\n<p>Pedro Rafael Vilela<br \/>\nBrasil de Fato | Bras\u00edlia (DF)<\/p>\n<p>Ap\u00f3s dois anos de queda, com o pa\u00eds acumulando perdas de mais de 7% de sua economia, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) anunciou, na semana passada, que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, \u00edndice que mede o desempenho econ\u00f4mico nacional, avan\u00e7ou apenas 1% em 2017.<\/p>\n<p>Rejeitado por mais de 70% da popula\u00e7\u00e3o e praticamente sem nenhuma not\u00edcia positiva para comemorar, o governo de Michel Temer, e grande parte da m\u00eddia comercial, se apressaram para celebrar o que seria um resultado \u201cextraordin\u00e1rio\u201d e o fim da recess\u00e3o. Para economistas ouvidos pelo Brasil de Fato, no entanto, por tr\u00e1s da propaganda, o pa\u00eds segue sem oferecer sa\u00eddas consistentes para enfrentar o desemprego e o crescimento da mis\u00e9ria.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria eleva\u00e7\u00e3o do PIB n\u00e3o foi obra da atual pol\u00edtica econ\u00f4mica, explica M\u00e1rcio Pochmann, professor do Instituto de Economia da Universidade de Campinas (Unicamp).  \u201cO resultado do PIB se deve ao desempenho do setor agropecu\u00e1rio, que cresceu 13% no ano passado, em decorr\u00eancia de uma safra recorde de gr\u00e3os. O setor industrial apresentou crescimento zero e o setor de servi\u00e7os s\u00f3 cresceu 0,3%, uma estagna\u00e7\u00e3o. Ou seja, esse dado n\u00e3o est\u00e1 associado \u00e0 pol\u00edtica econ\u00f4mica do governo. Pelo contr\u00e1rio, a atual pol\u00edtica econ\u00f4mica agravou o quadro do pa\u00eds nos \u00faltimos anos\u201d, argumenta.<\/p>\n<p>A recess\u00e3o do pa\u00eds, que come\u00e7ou em 2015, poderia ter terminado no final de 2016, n\u00e3o fosse a mudan\u00e7a de governo provocada pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff. \u201cA pol\u00edtica do &#8216;austeric\u00eddio&#8217; come\u00e7ou ainda no governo Dilma, mas foi aprofundada com Temer, o que prolongou a recess\u00e3o e contribuiu para uma fal\u00eancia generalizada das empresas. O \u00fanico setor que obteve lucros foi o financeiro, ou seja, os bancos, que mantiveram seus ganhos. Em algum momento a gente ia bater no fundo do po\u00e7o e uma recess\u00e3o t\u00e3o demorada ia dar um sinal de recupera\u00e7\u00e3o, mas trata-se de um crescimento marginal [esse do PIB]\u201d, aponta o economista Paulo Kliass, doutor pela Universidade Paris 10 e especialista em pol\u00edticas p\u00fablicas e gest\u00e3o governamental.<\/p>\n<p>Desemprego<\/p>\n<p>Na \u00faltima atualiza\u00e7\u00e3o do IBGE, tamb\u00e9m da semana passada, o desemprego no pa\u00eds manteve patamares elevad\u00edssimos. Um total de 12,7 milh\u00f5es de pessoas est\u00e3o sem trabalho no pa\u00eds, \u00edndice que representa 12,2% da chamada popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa (PEA), aquela que busca trabalho e n\u00e3o encontra. O n\u00famero \u00e9 menor do que no ano passado, que chegou a registrar 14,1 milh\u00f5es de desempregados, mas o que impulsionou a queda foram os empregos sem carteira assinada ou o chamado trabalho por conta pr\u00f3pria. Pela primeira vez ao longo dos \u00faltimos anos, o Brasil voltou a ter mais empregos informais, de baixa qualidade e menores sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u201cO pouco crescimento do emprego vem se dando precariamente, na informalidade. \u00c9 uma combina\u00e7\u00e3o da capacidade ociosa da ind\u00fastria com a flexibiliza\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista. \u00c9 importante salientar que a m\u00e9dia do sal\u00e1rio informal \u00e9 muito mais baixa do que de quem tem carteira assinada,  al\u00e9m de serem trabalhos muito mais prec\u00e1rios do ponto de vista da seguran\u00e7a e da assist\u00eancia previdenci\u00e1ria, o que acaba prejudicando o pr\u00f3prio sistema previdenci\u00e1rio, j\u00e1 que nem empresas e trabalhador passam a contribuir com o INSS. N\u00e3o \u00e9 um processo sustent\u00e1vel para o pa\u00eds\u201d, analisa Paulo Kliass.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos mais de 12 milh\u00f5es de desempregados, M\u00e1rcio Pochmann lembra que um outro contingente muito expressivo, que engloba cerca de 4 milh\u00f5es de trabalhadores, desaparece da estat\u00edstica porque deixa de procurar emprego. \u201cS\u00e3o pessoas que est\u00e3o desempregadas h\u00e1 muito tempo e n\u00e3o conseguem arrumar uma ocupa\u00e7\u00e3o, por isso deixam de procurar. O IBGE identifica como popula\u00e7\u00e3o economicamente inativa e, por isso, essas pessoas nem entram nas estat\u00edsticas\u201d, explica<\/p>\n<p>Problema estrutural<\/p>\n<p>Os economistas ouvidos pela reportagem lembram que n\u00e3o houve amplia\u00e7\u00e3o da capacidade instalada do setor produtivo nos segmentos da ind\u00fastria e dos servi\u00e7os, ao longo dos \u00faltimos anos, o que revela o car\u00e1ter ilus\u00f3rio de uma recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica mais consistente.  \u201cO Brasil tem uma economia com baix\u00edssima capacidade de expans\u00e3o, do ponto de vista da produ\u00e7\u00e3o. Esse cen\u00e1rio que vem acompanhado do aumento dos importados, justamente porque qualquer ganho extra de renda n\u00e3o encontra capacidade produtiva para responder a demanda internamente\u201d, avalia M\u00e1rcio Pochmann.<\/p>\n<p>Segundo Paulo Kliass, esse \u00e9 um problema estrutural da economia brasileira. \u201cFoi adotada uma op\u00e7\u00e3o de estimular a exporta\u00e7\u00e3o de commodities agr\u00edcolas, petr\u00f3leo e min\u00e9rios, que s\u00e3o produtos de baixo valor agregado, ou seja, o pa\u00eds exporta basicamente a sua natureza. Por outro lado, foi feita uma pol\u00edtica de valoriza\u00e7\u00e3o da importa\u00e7\u00e3o de produtos industrializados, principalmente da China e de outros pa\u00edses asi\u00e1ticos, o que provocou uma quebradeira da ind\u00fastria brasileira de produtos manufaturados\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Na origem do problema, a combina\u00e7\u00e3o de c\u00e2mbio valorizado e altas taxas de juros, que desestimulam a capacidade produtiva da ind\u00fastria nacional. \u201cEsse movimento de desindustrializa\u00e7\u00e3o foi ceifando a capacidade de produzir e fez com que os industriais preferissem ser meros montadores. Eles importam produtos manufaturados para montar aqui no pa\u00eds, sem transforma\u00e7\u00e3o. O fato de n\u00f3s vivermos com alta taxa de juros foi criando esse tipo de empres\u00e1rio que n\u00e3o tem retorno operacional e perde o est\u00edmulo da produ\u00e7\u00e3o\u201d, acrescenta M\u00e1rcio Pochmann.<\/p>\n<p>Para Kliass, o Brasil s\u00f3 poder\u00e1 sair da crise \u201cquando o Estado recuperar os investimentos na \u00e1rea social, de infraestrutura, mas o que o governo atual  tem sinalizado \u00e9 exatamente o oposto\u201d, lamenta.  <\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Joana Tavares<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com desemprego superando a marca de 12 milh\u00f5es, especialistas explicam que o baixo crescimento do PIB \u00e9 uma ilus\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-16977","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-4pP","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16977","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16977"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16977\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16979,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16977\/revisions\/16979"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16977"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16977"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16977"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}