{"id":17141,"date":"2018-03-21T05:16:27","date_gmt":"2018-03-21T09:16:27","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=17141"},"modified":"2018-03-21T05:16:27","modified_gmt":"2018-03-21T09:16:27","slug":"pais-tentam-boicotar-livro-sobre-princesas-africanas-mae-resiste-e-obra-e-mantida","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/03\/21\/pais-tentam-boicotar-livro-sobre-princesas-africanas-mae-resiste-e-obra-e-mantida\/","title":{"rendered":"PAIS TENTAM BOICOTAR LIVRO SOBRE PRINCESAS AFRICANAS, M\u00c3E RESISTE, E OBRA \u00c9 MANTIDA"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"17142\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/03\/21\/pais-tentam-boicotar-livro-sobre-princesas-africanas-mae-resiste-e-obra-e-mantida\/d3fccd20-6978-4c32-950c-bb3a6789e54b\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/D3FCCD20-6978-4C32-950C-BB3A6789E54B.jpeg?fit=440%2C220\" data-orig-size=\"440,220\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"D3FCCD20-6978-4C32-950C-BB3A6789E54B\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/D3FCCD20-6978-4C32-950C-BB3A6789E54B.jpeg?fit=300%2C150\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/D3FCCD20-6978-4C32-950C-BB3A6789E54B.jpeg?fit=440%2C220\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/D3FCCD20-6978-4C32-950C-BB3A6789E54B.jpeg?resize=440%2C220\" alt=\"D3FCCD20-6978-4C32-950C-BB3A6789E54B\" width=\"440\" height=\"220\" class=\"alignnone size-full wp-image-17142\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/D3FCCD20-6978-4C32-950C-BB3A6789E54B.jpeg?w=440 440w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/D3FCCD20-6978-4C32-950C-BB3A6789E54B.jpeg?resize=300%2C150 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 440px) 100vw, 440px\" \/><\/p>\n<p>The Intercept, por Juliana Gon\u00e7alves &#8211; \u201cQUANDO A PRINCESA Iemanj\u00e1 abriu a boca, sa\u00edram dela milhares de estrelinhas. Eram estrelinhas de todos os tamanhos. Estrelinhas que brilhavam mais e estrelinhas que brilhavam menos\u201d. S\u00e3o trechos como esse que fazem parte do livro infantil Omo-Oba \u2013 Hist\u00f3rias de Princesas, que foi questionado por um grupo de pais da Escola Sesi, em Volta Redonda, no Rio de Janeiro. Eles n\u00e3o queriam que seus filhos, alunos do 3\u00ba ano do Ensino Fundamental I, tivessem contato com a \u201ccultura africana\u201d.<!--more--><\/p>\n<p>A autora, Kiusam Oliveira, que \u00e9 Doutora em Educa\u00e7\u00e3o pela USP, conta hist\u00f3rias tradicionais do povo iorubano sobre seis princesas que se tornaram rainhas: Oi\u00e1, Oxum, Iemanj\u00e1, Olocum, Aj\u00ea Xalug\u00e1 e Odudu\u00e1 \u2013 que tamb\u00e9m s\u00e3o, no Brasil, entidades cultuadas por religi\u00f5es de matrizes africanas. As hist\u00f3rias das ancestrais s\u00e3o narradas destacando suas habilidades com o objetivo de, segundo a autora, \u201cempoderar meninas de todos tempos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cUm dos cuidados que tive foi de n\u00e3o ter uma conota\u00e7\u00e3o religiosa. O que as pessoas dificilmente sabem \u00e9 que essas mulheres representam nossas ancestrais. E, aqui, com todo o racismo que a gente vive, quando se toca no nome delas, parece que voc\u00ea est\u00e1 falando de diabo e dem\u00f4nio. O livro vem para desmistificar uma s\u00e9rie de situa\u00e7\u00f5es\u201d, explica a autora.<\/p>\n<div class=\"jetpack-video-wrapper\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"OMO-OBA: hist\u00f3rias de princesas\" width=\"600\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Lh9sENdbh_s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<p>Omo-Oba \u00e9 recomendado pelo MEC e utilizado em escolas em todo o Brasil desde 2009. \u201c\u00c9 a primeira vez em dez anos que algo desse tipo acontece. Para mim, isso reflete a atual conjuntura do nosso Brasil. As pessoas intolerantes e racistas est\u00e3o se achando no direito de agir porque, agora, temos a impress\u00e3o que tudo pode\u201d, afirma Kiusam.<\/p>\n<p>Ao ser questionada sobre o livro por um grupo de pais, a escola enviou um bilhete informando que os alunos seriam divididos em grupos de trabalho, e que a obra poderia ser substitu\u00edda por outra caso algum grupo assim desejasse. A professora da rede p\u00fablica Juliana Pereira de Carvalho, m\u00e3e de Gael Bretas Pereira, de 8 anos, que estuda na Escola Sesi, se indignou. Ela postou o comunicado no Facebook.<\/p>\n<p>\u201cCom certeza isso \u00e9 um preconceito afro-religioso, n\u00e3o consigo perceber outra coisa. Eu tinha acabado de vir da manifesta\u00e7\u00e3o da Marielle, estava muito sentida. Eu cheguei em casa e meu filho me entregou o bilhete. Eu vi aquilo e pensei \u2018mas era s\u00f3 o que me faltava\u2019\u201d, conta.<\/p>\n<p>O ensino de hist\u00f3ria e cultura africana e ind\u00edgena nas escolas \u00e9 determinado pela Lei 11.645, que foi mencionada por Juliana em sua postagem. As escolas tamb\u00e9m devem cumprir a Lei 10.639, que diz que o conte\u00fado program\u00e1tico deve incluir a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na forma\u00e7\u00e3o da sociedade nacional, resgatando a contribui\u00e7\u00e3o do povo negro nas \u00e1reas social, econ\u00f4mica e pol\u00edtica pertinentes \u00e0 Hist\u00f3ria do Brasil.<\/p>\n<p>Com a repercuss\u00e3o da hist\u00f3ria nas redes sociais, o caso chegou \u00e0 ger\u00eancia da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica da Escola Sesi no Rio de Janeiro, que decidiu n\u00e3o substituir o livro. Fez mais: promoveu um debate com os pais. E manteve a postura: o livro ser\u00e1 usado nas 15 unidades do Estado.<\/p>\n<p>\u201cDiante do que a gente defende como projeto pedag\u00f3gico, isso n\u00e3o pode acontecer. N\u00e3o ter\u00e1 nenhum outro livro adotado, porque o livro escolhido foi esse\u201d, afirmou Giovanni Lima, gerente da escola.<\/p>\n<p>Antes de Juliana, outra m\u00e3e publicou o mesmo bilhete nas redes sociais. Ela foi chamada pela pedagoga da institui\u00e7\u00e3o para uma conversa. A professora explicou que as medidas foram tomadas em respeito \u00e0 religi\u00e3o dos pais insatisfeitos com o livro. A decis\u00e3o de n\u00e3o utilizar outro livro s\u00f3 foi tomada ap\u00f3s a repercuss\u00e3o da segunda postagem nas redes sociais.<\/p>\n<p>\u201cA escola n\u00e3o est\u00e1 descolada do nosso contexto pol\u00edtico. Provavelmente, se a gente n\u00e3o tivesse causado essa discuss\u00e3o mais ampla, alguns pais que s\u00e3o neutros teriam se deixado levar pelos insatisfeitos, e a gente teria caminhado para a pior rela\u00e7\u00e3o poss\u00edvel entre as crian\u00e7as. Relatei a situa\u00e7\u00e3o para o meu filho de forma que ele compreendesse, e ele ficou muito triste com o preconceito\u201d, conta Juliana.<\/p>\n<p>Racismo recorrente<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 uma repeti\u00e7\u00e3o. J\u00e1 vi acontecer outras vezes, em outras escolas, com outros livros que trabalham a mesma tem\u00e1tica. J\u00e1 teve escola que simplesmente disse que \u2018esse aqui n\u00e3o\u2019\u201d, conta Maria Mazza, fundadora da editora Mazza, dedicada a livros sobre a cultura negra e que publica o livro Omo-Oba.<\/p>\n<p>Em 2009, um caso semelhante aconteceu em uma escola em Maca\u00e9, tamb\u00e9m no Rio de Janeiro, quando uma professora optou por trabalhar o livro indicado pelo MEC \u201cLendas de Exu\u201d, de Adilson Martins, em aula. Mesmo argumentando n\u00e3o ter usado conota\u00e7\u00e3o religiosa, a professora foi afastada pela dire\u00e7\u00e3o do col\u00e9gio \u2013 que seria formada por diretores evang\u00e9licos.<\/p>\n<p>O uso de livros de Jorge Amado em salas de aula tamb\u00e9m j\u00e1 foi questionado em S\u00e3o Gon\u00e7alo. \u201cAs pessoas acham que tudo que est\u00e1 ligado \u00e0 cultura africana tem a ver com religi\u00e3o. Existe uma vis\u00e3o de demonizar as culturas afro-brasileiras. \u00c9 preconceito e racismo religioso. A mitologia grega com a sua vis\u00e3o euroc\u00eantrica ningu\u00e9m pede para retirar da escola\u201d, lembra o babalorix\u00e1 Ivanir dos Santos, interlocutor da Comiss\u00e3o de Combate \u00e0 Intoler\u00e2ncia Religiosa.<\/p>\n<p>A Escola Sesi voltou atr\u00e1s em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 divis\u00e3o de grupos de trabalho que levem em considera\u00e7\u00e3o a religi\u00e3o do aluno. Por\u00e9m, os efeitos da tentativa dos pais de boicotarem a obra foram sentidos. \u201cO modelo de a\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi dado, mesmo com a repara\u00e7\u00e3o. A minha preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que outros livros sejam atacados. Precisamos ficar atentos\u201d, teme a autora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>The Intercept, por Juliana Gon\u00e7alves &#8211; \u201cQUANDO A PRINCESA Iemanj\u00e1 abriu a boca, sa\u00edram dela milhares de estrelinhas. Eram estrelinhas de todos os tamanhos. Estrelinhas que brilhavam mais e estrelinhas que brilhavam menos\u201d. 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