{"id":17484,"date":"2018-04-11T12:21:52","date_gmt":"2018-04-11T16:21:52","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=17484"},"modified":"2018-04-11T12:21:59","modified_gmt":"2018-04-11T16:21:59","slug":"quando-a-grande-cobertura-midiatica-e-de-fato-nenhuma","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/04\/11\/quando-a-grande-cobertura-midiatica-e-de-fato-nenhuma\/","title":{"rendered":"Quando a grande cobertura midi\u00e1tica \u00e9, de fato, nenhuma"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"17485\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/04\/11\/quando-a-grande-cobertura-midiatica-e-de-fato-nenhuma\/sin\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/sin.png?fit=600%2C333\" data-orig-size=\"600,333\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"sin\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/sin.png?fit=300%2C167\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/sin.png?fit=600%2C333\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/sin.png?resize=600%2C333\" alt=\"sin\" width=\"600\" height=\"333\" class=\"alignnone size-full wp-image-17485\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/sin.png?w=600 600w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/sin.png?resize=300%2C167 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/sin.png?resize=541%2C300 541w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>No DCM, por  Luiz Roberto Alves &#8211; Diante do fen\u00f4meno vivido pelo pa\u00eds entre os dias 5 e 7, as an\u00e1lises, coment\u00e1rios e palpites que se destacaram tiveram foco no conte\u00fado pol\u00edtico, nos \u00f3dios e intoler\u00e2ncias e na constru\u00e7\u00e3o da desgra\u00e7a pessoal da pessoa-personagem.<!--more--><\/p>\n<p>Um enfoque lingu\u00edstico-tecnol\u00f3gico pode revelar melhor a medida e o tamanho do que se pretendeu e do que se conseguiu impactar sobre a aparelhagem sensorial dos ouvintes, leitores e expectadores.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese \u00e9 que o melhor modo de medir o tamanho da arma\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e das linguagens da grande m\u00eddia brasileira consiste em acompanh\u00e1-la em coberturas mais longas, al\u00e9m dos atos de copiar-colar, da edi\u00e7\u00e3o dirigida de material e da submiss\u00e3o \u00e0s grandes ag\u00eancias intermedi\u00e1rias de informa\u00e7\u00e3o. O que parece configurar-se \u00e9 a mediocridade, seja intelectual, seja de organiza\u00e7\u00e3o ou entrega de resultados.<\/p>\n<p>A rigor, nessas situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o h\u00e1 cobertura, como n\u00e3o houve nesses dias. Bastou que o povo reunido em S\u00e3o Bernardo do Campo e seus l\u00edderes negassem \u00e0 m\u00eddia de que desconfiam h\u00e1 d\u00e9cadas o direito de estar presente entre eles, todos os circuitos falharam: gaguejou-se, repetiu-se, ignorou-se, sup\u00f4s-se, mentiu-se e o mais que caracterize a mediocridade e o abismo entre m\u00eddia e popula\u00e7\u00e3o. Diria Barthes, a linguagem chegou pr\u00f3ximo ao grau zero.<\/p>\n<p>Mas deve-se ir a alguns fatos. Os aqui postos s\u00e3o poucos e podem ser amplamente complementados. Arrolam-se aqui para dialogar com a teoria trabalhada.<\/p>\n<p>Apesar da imin\u00eancia dos fatos em movimento, n\u00e3o existiu nas falas e seus pares imag\u00e9ticos geografia ou log\u00edstica, pois o sindicato dos metal\u00fargicos (\u00e0s vezes confundido com outros) era um lugar que parecia estar pr\u00f3ximo a uma pista chamada Anchieta. As imedia\u00e7\u00f5es do sindicato eram ignoradas. Certo galp\u00e3o era, de fato, o Instituto Celso Daniel. Determinado pr\u00e9dio de cor tal e qual era a TVT e demais espa\u00e7os de produ\u00e7\u00e3o associados ao sindicato. Nada era sabido, pensado e concatenado como informa\u00e7\u00e3o de qualidade. Editores e chefias n\u00e3o serviram de nada \u00e0 intelig\u00eancia da cobertura.<\/p>\n<p>Da\u00ed, a gagueira, as suposi\u00e7\u00f5es, a ignor\u00e2ncia. Imagine-se como chegou a informa\u00e7\u00e3o a milhares de cidades brasileiras nos milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados? Alguma coisa se organizou como imagem na suposta negocia\u00e7\u00e3o entre uma emissora e a TVT. Algo mais tamb\u00e9m foi poss\u00edvel nos suportes alternativos, que projetaram voz e sentido ao interior da suposta cobertura, redimindo-a do fracasso pleno.<\/p>\n<p>A chegada do avi\u00e3o que portava o ex-presidente Lula tinha a cor lisa e, portanto, n\u00e3o seria outro, rajadinho. Parecia descri\u00e7\u00e3o de feij\u00e3o. O helic\u00f3ptero estacionado na superintend\u00eancia da Pol\u00edcia Federal n\u00e3o levaria o prisioneiro da Lavajato, segundo fontes seguras do colega A, minutos depois desmentido pelo colega B, da mesma emissora. A multid\u00e3o que cercou o sindicato era composta de \u201capoiadores\u201d de roupa vermelha e os grupos que portavam alguma bandeira do Brasil eram \u201cdefensores da Lavajato\u201d. A etiqueta era, assim, colada nas testas de pessoas humanas, complexas (ajude Edgar Morin!) e hist\u00f3ricas. Os coment\u00e1rios de est\u00fadio eram pautados quase exclusivamente pela mediocridade lingu\u00edstica que vinha da \u201ccobertura in loco\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o houve cobertura, nem \u201clocus\u201d ou fato. O fato mesmo \u00e9 que o lugar dessa grande m\u00eddia era outro, longe do Brasil real e sua complexidade hist\u00f3rico-pol\u00edtica. Quase tudo (ressalvado o respeito pela forma\u00e7\u00e3o poss\u00edvel dos rep\u00f3rteres em nossas universidades) sugeriu que a grande arma\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica perde os p\u00e9s e as m\u00e3os quando se distancia das popula\u00e7\u00f5es a quem deveria servir, como concess\u00e3o, nos termos da origem da m\u00eddia no Brasil.<\/p>\n<p>O antrop\u00f3logo Roquette Pinto precisa ser chamado. Em 1923, no limiar do r\u00e1dio, ele fez o discurso que julgava prof\u00e9tico. O que nascia iria ajudar a desenvolver a l\u00edngua falada do Brasil, produzir educa\u00e7\u00e3o e solidariedade nacional e integrar os espa\u00e7os da na\u00e7\u00e3o bela, diversa, naturalmente rica e grande.<\/p>\n<p>Caro Roquette, parece que de fato ningu\u00e9m \u00e9 profeta em sua terra. Pior quando os modos de organiza\u00e7\u00e3o da sociedade persistem renitentemente como esses que aqui se conhece e se vive: indignos.   <\/p>\n<p>.x.x.x.x.x.<\/p>\n<p>Luiz Roberto Alves \u00e9 professor e pesquisador da USP e UMESP, autor de v\u00e1rias obras, entre as quais Ensaios sobre o Vi\u00e1vel (2017).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No DCM, por Luiz Roberto Alves &#8211; Diante do fen\u00f4meno vivido pelo pa\u00eds entre os dias 5 e 7, as an\u00e1lises, coment\u00e1rios e palpites que se destacaram tiveram foco no conte\u00fado pol\u00edtico, nos \u00f3dios e intoler\u00e2ncias e na constru\u00e7\u00e3o da desgra\u00e7a pessoal da pessoa-personagem.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-17484","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-4y0","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17484","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17484"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17484\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17486,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17484\/revisions\/17486"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17484"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17484"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17484"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}