{"id":1762,"date":"2016-06-19T19:10:02","date_gmt":"2016-06-19T23:10:02","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=1762"},"modified":"2016-06-19T19:10:41","modified_gmt":"2016-06-19T23:10:41","slug":"as-familias-felizes-parecem-se-todas-as-familias-infelizes-sao-infelizes-cada-uma-a-sua-maneira","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2016\/06\/19\/as-familias-felizes-parecem-se-todas-as-familias-infelizes-sao-infelizes-cada-uma-a-sua-maneira\/","title":{"rendered":"As fam\u00edlias felizes parecem-se todas; as fam\u00edlias infelizes s\u00e3o infelizes cada uma \u00e0 sua maneira"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"1763\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2016\/06\/19\/as-familias-felizes-parecem-se-todas-as-familias-infelizes-sao-infelizes-cada-uma-a-sua-maneira\/image-383\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/image-77.jpeg?fit=309%2C476\" data-orig-size=\"309,476\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/image-77.jpeg?fit=195%2C300\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/image-77.jpeg?fit=309%2C476\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/image-77.jpeg?resize=309%2C476\" alt=\"image\" width=\"309\" height=\"476\" class=\"alignnone size-full wp-image-1763\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/image-77.jpeg?w=309 309w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/image-77.jpeg?resize=195%2C300 195w\" sizes=\"auto, (max-width: 309px) 100vw, 309px\" \/><\/p>\n<p>Por que Tolstoi detestava Ana Karenina?<!--more--><\/p>\n<p>Por Paulo Nogueira, em 2011<\/p>\n<p>Cem anos da morte de Tolstoi. Os russos virtualmente ignoraram. A BBC n\u00e3o. Um jornalista seu foi para a R\u00fassia para fazer um document\u00e1rio de duas partes sobre Tolstoi.<\/p>\n<p>Tolstoi viveu e morreu atormentado.<\/p>\n<p>Entrou numa depress\u00e3o aguda quando terminou Ana Karenina. Tinha cerca de 50 anos. Um intelectual ouvido pela BBC diz que \u00e9 normal escritores ficarem deprimidos ao terminar um romance. Segundo ele, aparece a quest\u00e3o: e agora? Ele lembra que Virginia Wolf se matou depois de terminar um livro. (Devo me preocupar com a proximidade do fim do romance que estou escrevendo? Algu\u00e9m tem uma receita de antidepressivos, por via das d\u00favidas?)<\/p>\n<p>Ana Karenina, a hist\u00f3ria de uma mulher da sociedade que se atira sob as rodas de um trem depois de largar o marido por um canalha, o Conde Vronski, foi um sucesso instant\u00e2neo de p\u00fablico e de cr\u00edtica.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o agradou ao autor.<\/p>\n<p>Eu, de certa forma, entendo. Ana Karenina, a ad\u00faltera, \u00e9 um clich\u00ea. \u00c9 uma repeti\u00e7\u00e3o russa de Emma Bovary, de Flaubert. Ana \u00e9 casada com um homem enfadonho. Tem um casamento infeliz. Engravida de um filho que n\u00e3o preencheria depois seu vazio existencial. Cede depois a virtude (para n\u00e3o usar uma palavra mais crua e mais precisa) a um bonit\u00e3o. E termina morta.<\/p>\n<p>A \u00fanica diferen\u00e7a da sinopse acima em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria de Emma Bovary \u00e9 que esta optou por tomar veneno em vez de estra\u00e7alhar sua beleza ad\u00faltera no trilho de um trem.<\/p>\n<p>Veja a Capitu de Dom Casmurro, de Machado de Assis.<\/p>\n<p>Ela foge dos clich\u00eas gra\u00e7as \u00e0 maestria do autor. Capitu n\u00e3o \u00e9 casada com um idiota. Bento, o marido, \u00e9 um homem inteligente e interessante. O suposto amante, Escobar, n\u00e3o \u00e9 irresist\u00edvel. O amante de Ana esmaga, como homem, o marido. O mesmo acontece em Madame Bovary: Emma n\u00e3o suporta sequer o barulho que o marido faz ao comer. Machado fugiu disso. Bentinho n\u00e3o \u00e9 pior que Escobar. N\u00e3o \u00e9 mais feio, n\u00e3o \u00e9 mais tolo. Voc\u00ea estranha que, sendo os maridos t\u00e3o rid\u00edculos, Ana e Emma um dia tenham querido casar com eles. Em Dom Casmurro, voc\u00ea entende a paix\u00e3o que Bento inspirou em Capitu.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o bastasse, Machado deu ambiguidade a sua trama. Bentinho, o narrador, tem certeza de que Capitu o traiu. Mas ele pode estar sendo apenas v\u00edtima de ci\u00fames infernais. Ciumentos s\u00e3o v\u00edtimas frequentes de del\u00edrios mentais.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1, em Dom Casmurro, nenhuma evid\u00eancia de adult\u00e9rio al\u00e9m da convic\u00e7\u00e3o de Bentinho. Ele v\u00ea em seu filho trejeitos de Escobar. Imagina por isso que na verdade seja filho de Escobar. Mas uma vez mais. Um homem ciumento v\u00ea coisas que podem ser mais produto de sua mente embaralhada do que da realidade.<\/p>\n<p>Ana Karenina e Capitu s\u00e3o quase contempor\u00e2neas.<\/p>\n<p>Mas Capitu, como personagem, \u00e9 superior. O drama de Machado foi ter escrito numa l\u00edngua secund\u00e1ria num pa\u00eds que em seu tempo vivia na periferia. Tivesse escrito em ingl\u00eas ou franc\u00eas, ou mesmo russo, seria comparado aos maiores romancistas da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Tolstoi provavelmente n\u00e3o leu Dom Casmurro. Se tivesse lido, concordaria. Teria ainda mais raz\u00f5es para detestar Ana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por que Tolstoi detestava Ana Karenina?<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1762","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-sq","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1762","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1762"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1762\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1766,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1762\/revisions\/1766"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1762"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1762"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1762"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}