{"id":17676,"date":"2018-04-20T11:24:29","date_gmt":"2018-04-20T15:24:29","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=17676"},"modified":"2018-04-20T11:24:29","modified_gmt":"2018-04-20T15:24:29","slug":"pesquisa-inedita-identifica-grupos-de-familia-como-principal-vetor-de-noticias-falsas-no-whatsapp","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/04\/20\/pesquisa-inedita-identifica-grupos-de-familia-como-principal-vetor-de-noticias-falsas-no-whatsapp\/","title":{"rendered":"Pesquisa in\u00e9dita identifica grupos de fam\u00edlia como principal vetor de not\u00edcias falsas no WhatsApp"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"17677\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/04\/20\/pesquisa-inedita-identifica-grupos-de-familia-como-principal-vetor-de-noticias-falsas-no-whatsapp\/what\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/what.jpg?fit=660%2C371\" data-orig-size=\"660,371\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"what\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/what.jpg?fit=300%2C169\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/what.jpg?fit=600%2C337\" class=\"alignnone size-full wp-image-17677\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/what.jpg?resize=600%2C337\" alt=\"what\" width=\"600\" height=\"337\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/what.jpg?w=660 660w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/what.jpg?resize=300%2C169 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/what.jpg?resize=534%2C300 534w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Da BBC, por <span class=\"byline__name\">Juliana Gragnani &#8211;\u00a0<\/span>Voc\u00ea tem um tio que fica mandando not\u00edcias falsas no grupo de fam\u00edlia? Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3. Metade dos boatos que circularam no WhatsApp sobre a vereadora carioca assassinada no m\u00eas passado, Marielle Franco (PSOL), foi em grupos de fam\u00edlia.<!--more--><\/p>\n<p>O dado \u00e9 resultado de uma pesquisa in\u00e9dita feita pelo Monitor do Debate Pol\u00edtico no Meio Digital, da USP (Universidade de S\u00e3o Paulo), com respostas de 2.520 pessoas a um question\u00e1rio online elaborado pelo grupo. A metodologia se baseia em um estudo israelense que procurou a origem de boatos espalhados pelo WhatsApp ap\u00f3s o sequestro de tr\u00eas jovens israelenses na Cisjord\u00e2nia em 2014.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s filtrar os dados e restringi-los aos boatos mais disseminados, segundo os resultados, os pesquisadores reuniram 1.145 respostas de pessoas que disseram ter recebido varia\u00e7\u00f5es de textos dizendo que Marielle era ex-mulher do traficante Marcinho VP e que havia engravidado dele aos 16 anos, ou, em menor quantidade, uma foto que supostamente mostrava Marielle sentada no colo de Marcinho VP (n\u00e3o eram ela nem ele na imagem).<\/p>\n<p>Os boatos sobre Marielle come\u00e7aram a ser espalhados pelo WhatsApp na mesma noite em que ela foi assassinada. Nos dias seguintes, foram parar no Twitter e no Facebook. A pesquisa conseguiu identificar padr\u00f5es de distribui\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o a origem do conte\u00fado falso.<\/p>\n<p>O WhatsApp, aplicativo de mensagens por celular extremamente disseminado no Brasil, \u00e9 visto como uma das redes mais prop\u00edcias para a difus\u00e3o de not\u00edcias falsas. Como \u00e9 um aplicativo de mensagens privadas e n\u00e3o tem car\u00e1ter p\u00fablico, \u00e9 dif\u00edcil rastrear as &#8220;fake news&#8221; espalhadas ali e avaliar seu alcance, o que preocupa pesquisadores, especialmente considerando como isso poder\u00e1 ocorrer nas elei\u00e7\u00f5es brasileiras em 2018. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad) Cont\u00ednua de 2016, do IBGE, mostram que a atividade mais popular entre os brasileiros, ao usar a internet, \u00e9 trocar mensagens por meio de aplicativos &#8211; 94,5% dos brasileiros responderam que usam a internet para fazer isso.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisa da USP, o boato dominante no caso de Marielle foram varia\u00e7\u00f5es de um texto ligando a vereadora a Marcinho VP. Foi recebido por 916 pessoas que responderam ao question\u00e1rio. Dessas pessoas, 51% responderam ter recebido o texto em grupos de fam\u00edlia no WhatsApp; 32%, em grupos de amigos; 9% em grupos de colegas de trabalho e 9% em grupos ou mensagens diretas.<\/p>\n<p>A imagem que mostraria Marielle no colo de Marcinho VP foi recebida por 229 pessoas que responderam ao question\u00e1rio &#8211; 41% delas disseram ter recebido a foto em grupos de fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Pablo Ortellado, professor do curso de Gest\u00e3o de Pol\u00edticas P\u00fablicas da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e autor do estudo ao lado do pesquisador M\u00e1rcio Ribeiro, ressalta que, apesar dos dados, n\u00e3o se sabe a distribui\u00e7\u00e3o dos tipos de grupos no WhatsApp pela popula\u00e7\u00e3o. &#8220;Pode ser apenas que existam mais grupos de fam\u00edlia do que grupos de amigos ou de colegas de trabalho e os boatos tenham circulado igualmente em todos eles, mas, como h\u00e1 mais grupos de fam\u00edlias, nosso estudo tenha apenas captado essa distribui\u00e7\u00e3o dos grupos&#8221;, explica.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/06E1\/production\/_100916710_chart-boatos_marielle-xvods-nc.jpg?resize=600%2C361&#038;ssl=1\" alt=\"Gr\u00e1fico mostra divis\u00e3o de grupos no WhatsApp onde usu\u00e1rios receberam boatos sobre Marielle Franco\" width=\"600\" height=\"361\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Maioria dos textos relacionando Marielle a Marcinho VP foram compartilhados em grupos de fam\u00edlia<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;Agora, caso, de fato, os boatos tenham circulado mais nos grupos de fam\u00edlia do que nos outros grupos, temos um dado interessante. Pode ser que grupos de fam\u00edlia sejam ambientes mais &#8216;\u00edntimos&#8217; que permitam compartilhar seguramente conte\u00fados mais especulativos sem que quem compartilhe seja alvo de julgamento.&#8221;<\/p>\n<p>\u00c0s 10h do dia seguinte ao assassinato de Marielle, a estudante Rayene Sampaio, de 22 anos, de Barra do Gar\u00e7as (MT), recebeu a not\u00edcia falsa, em texto, de um primo de 15 anos no grupo da fam\u00edlia. Naquela noite, \u00e0s 22:44, o estudante Gabriel dos Santos, de 20 anos, de Goi\u00e2nia, recebia o boato de uma prima -&#8220;que deve ter uns 40 anos&#8221;- em um grupo de fam\u00edlia que tem 17 pessoas.&#8221;Teve gente no grupo que acreditou&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>A analista financeira Simone Oliveira, de 41 anos, define seu grupo de fam\u00edlia como um que \u00e9 &#8220;dividido ideologicamente&#8221;. Ela conta ter recebido a suposta foto de Marielle \u00e0s 19:46 do dia 16 &#8211; um dia ap\u00f3s o assassinato da vereadora. Quem enviou a not\u00edcia falsa, diz ela, foi seu sogro, que tem 65 anos e que depois foi &#8220;corrigido&#8221; por ela. Mas not\u00edcias falsas s\u00e3o comuns no grupo, diz.<\/p>\n<p>A pesquisa online feita pela USP perguntava qual boato foi recebido, dia e hor\u00e1rio exatos, onde o boato foi recebido e dados do usu\u00e1rio, como g\u00eanero, idade, cidade e n\u00edvel de estudo. O formul\u00e1rio foi divulgada nas p\u00e1ginas de Marielle Franco no Facebook e na p\u00e1gina Quebrando o Tabu &#8211; a p\u00e1gina, uma das maiores brasileiras no Facebook, tem 8,6 milh\u00f5es de curtidas e publica\u00e7\u00f5es mais alinhadas com a esquerda. Os dados demogr\u00e1ficos da pesquisa, portanto, podem acabar refletindo os da p\u00e1gina, explicam os pesquisadores. A maioria das respostas vieram de mulheres com pouco mais de 20 anos.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Boato mais disseminado em texto<\/h2>\n<p>Outros boatos disseminados, mas que n\u00e3o chegaram a ter representatividade como os citados acima, foram um v\u00eddeo que mostrava supostos assaltantes de bermuda e chinelo, ligando-os ao tr\u00e1fico, e uma sequ\u00eancia de arquivos de \u00e1udio relatando que o crime havia sido obra do Comando Vermelho.<\/p>\n<p>Essa foi outra descoberta do estudo: a forma mais disseminada dos boatos foi tamb\u00e9m a mais simples, ou seja, em texto, e n\u00e3o v\u00eddeo, fotos ou \u00e1udios. &#8220;Embora as formas que traziam supostas evid\u00eancias, como v\u00eddeos ou fotos, pudessem parecer mais &#8216;persuasivas&#8217;, foi a forma menos amparada em evid\u00eancias a que teve maior alcance&#8221;, diz Ortellado. &#8220;Isso est\u00e1 de acordo com os estudos sobre vi\u00e9s de confirma\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, nossa pouca capacidade de receber criticamente informa\u00e7\u00f5es que referendam ou confirmam nossas cren\u00e7as. Menos importante do que dar evid\u00eancias que amparam o boato \u00e9 fazer com que ele esteja de acordo com as nossas cren\u00e7as: no caso, o preconceito de que pessoas da favela tem v\u00ednculos com o tr\u00e1fico.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12EAA\/production\/_100428477_26133825719_2142becef4_k.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"Marielle Franco na C\u00e2mara do Rio\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Boatos sobre Marielle Franco come\u00e7aram a circular no WhatsApp, onde a maior parte foi difundida em grupos de fam\u00edlia | Foto: M\u00e1rio Vasconcellos\/CMRJ<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>As respostas da pesquisa mostram que os boatos tiveram in\u00edcio no dia 15, de forma mais t\u00edmida, e explodiram no dia 18, crescendo em quantidade at\u00e9 o dia 25. Entre os dias 15 e 17, o crescimento foi pequeno. &#8220;A difus\u00e3o dos boatos no WhatsApp parece um tanto mais lento do que nas m\u00eddias sociais, j\u00e1 que ele precisa passar por grupos de tamanho muito limitado&#8221;, sugere Ortellado. &#8220;Foram necess\u00e1rios tr\u00eas ou quatro dias para o boato estar amplamente difundido e, no primeiro dia, o alcance foi bem pequeno. \u00c9 bem diferente da din\u00e2mica que vemos no Facebook onde a difus\u00e3o se d\u00e1 por uma esp\u00e9cie de explos\u00e3o inicial e est\u00e1 plenamente difundido em pouco mais de 48 horas.&#8221;<\/p>\n<p>O primeiro registro de not\u00edcia falsa distribu\u00eddo no WhatsApp a que a BBC Brasil teve acesso foi em um grupo de colegas a que pertence o funcion\u00e1rio p\u00fablico Bruno Perez, que mora no Rio. Ele recebeu um boato \u00e0s 23h27 da noite do assassinato de Marielle Franco. Ela foi assassinada por volta das 21h30 e as primeiras not\u00edcias sobre sua morte come\u00e7aram a ser publicadas por volta das 22h10.<\/p>\n<p>Perez recebeu o v\u00eddeo que mostrava supostos assaltantes de bermuda e chinelo, que depois circulou associando os rapazes que apareciam ali como ligados ao Comando Vermelho. O boato que recebeu foi apenas o v\u00eddeo, sem texto, e quem enviou disse que aquele seria o momento &#8220;do roubo&#8221;.<\/p>\n<p>Uma mulher que n\u00e3o quis ser identificada na reportagem conta como recebeu o boato pela primeira vez \u00e0s 9h09 do dia seguinte ao assassinato. A not\u00edcia falsa foi divulgada em um grupo de informa\u00e7\u00f5es das cidades de Niter\u00f3i, S\u00e3o Gon\u00e7alo, Maric\u00e1 e Rio chamado &#8220;Niteroi-SG-Maric\u00e1-RJ News&#8221;, onde h\u00e1 38 participantes. A BBC Brasil tentou contato com algumas das pessoas no grupo que reproduziram os boatos, mas os integrantes do grupo n\u00e3o quiseram dar entrevista.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Boatos sobre sequestro no WhatsApp em tempo real<\/h2>\n<p>Para pesquisar as caracter\u00edsticas da difus\u00e3o de boatos sobre a Marielle no WhatsApp, os pesquisadores brasileiros da USP se inspiraram em um estudo de um pesquisador israelense.<\/p>\n<p>Em 2014, tr\u00eas adolescentes foram sequestrados perto de um assentamento israelense na Cisjord\u00e2nia. Para n\u00e3o atrapalhar as investiga\u00e7\u00f5es, o assunto n\u00e3o foi abordado por nenhum ve\u00edculo da imprensa. Rumores, ent\u00e3o, come\u00e7aram a circular no WhatsApp.<\/p>\n<p>No momento em que os rumores come\u00e7aram a circular, o pesquisador Tomer Simon, especialista em comunica\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00f5es de crise do Departamento de Gest\u00e3o de Desastres e Preven\u00e7\u00e3o de Danos da Universidade de Tel Aviv, publicou em suas redes: &#8220;Quem recebeu boatos por WhatsApp?&#8221;<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, ele iniciou uma ca\u00e7a aos boatos, estudando sua propaga\u00e7\u00e3o em tempo real. Para cada pessoa que havia recebido uma corrente, perguntava de quem havia recebido a mensagem antes, com o objetivo de chegar \u00e0 origem e verificar se o texto foi encaminhado a outras pessoas.<\/p>\n<p>Em seu experimento, no contexto de total sil\u00eancio da imprensa no pa\u00eds, Simon identificou 13 diferentes not\u00edcias ou rumores circulando pelo WhatsApp, dos quais 9 eram verdadeiros, ou seja, cumpriram o papel de informar durante aquele v\u00e1cuo de informa\u00e7\u00e3o. As outras quatro que n\u00e3o eram verdadeiras, diz ele, tinham 70% de &#8220;conte\u00fados verdadeiros&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Isso \u00e9 algo que se deve levar em conta: as not\u00edcias falsas se aproveitam de elementos verdadeiros para enganar as pessoas. Se um elemento \u00e9 verdadeiro, ele pode validar o resto, conectando com as cren\u00e7as e valores de quem l\u00ea a not\u00edcia. O elemento falso preenche um buraco, costurado a informa\u00e7\u00f5es verdadeiras.&#8221;<\/p>\n<p>Com seu experimento, Simon conseguiu encontrar tr\u00eas fontes diferentes dos boatos que circularam na rede: duas das fontes eram jornalistas e um era amigo da fam\u00edlia de um dos garotos sequestrados. Nem todos os boatos eram falsos.<\/p>\n<p>Mas o WhatsApp, diz ele, \u00e9 a rede &#8220;perfeita&#8221; para come\u00e7ar a dissemina\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas porque \u00e9 considerado muito mais confi\u00e1vel. &#8220;Voc\u00ea recebe informa\u00e7\u00f5es no WhatsApp de pessoas em que costuma confiar mais&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m cita a chamada &#8220;Basking in reflected glory&#8221; (algo como regojizar por meio da gl\u00f3ria alheia), um conceito da psicologia social segundo o qual as pessoas tendem a se associar com pessoas bem-sucedidas para se sentirem bem-sucedidas tamb\u00e9m. Assim, ao transmitir uma mensagem com informa\u00e7\u00f5es exclusivas, o transmissor se sentiria vitorioso e bem-conectado, sugere Simon.<\/p>\n<p>Para solucionar o problema da boataria desenfreada, o pesquisador israelense sugere campanhas para que o p\u00fablico leia as informa\u00e7\u00f5es de forma cr\u00edtica. Al\u00e9m disso, sugere que institui\u00e7\u00f5es de credibilidade criem grupos no WhatsApp para disseminar not\u00edcias verdadeiras. Ou ent\u00e3o que as institui\u00e7\u00f5es se coloquem como refer\u00eancia no aplicativo para que usu\u00e1rios mandem not\u00edcias para elas e, assim, elas verifiquem as informa\u00e7\u00f5es enviadas &#8211; algo como um bunker de not\u00edcias falsas, s\u00f3 que ao contr\u00e1rio.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/A321\/production\/_100916714_whatsapp.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"Imagem mostra celular com aplicativos do Facebook e WhatsApp\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">No Brasil, outro pesquisador j\u00e1 havia estudado a dissemina\u00e7\u00e3o de boatos sobre o zika, em 2016<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Boatos sobre o zika<\/h2>\n<p>A circula\u00e7\u00e3o de boatos no WhatsApp e no Facebook, no Brasil, j\u00e1 foi estudada pelo jornalista Marcelo Garcia, que trabalha na Fiocruz. Em seu mestrado, pesquisou sobre a circula\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas relacionadas \u00e0 epidemia de zika em 2015 e 2016.<\/p>\n<p>As duas situa\u00e7\u00f5es &#8211; not\u00edcias sobre zika e sobre Marielle &#8211; foram muito distintas, ele ressalta. Os boatos sobre zika se proliferaram em um contexto em que era tudo muito novo: ningu\u00e9m tinha informa\u00e7\u00f5es concretas sobre a liga\u00e7\u00e3o entre zika e microcefalia, nem pesquisadores nem imprensa. Era dif\u00edcil checar informa\u00e7\u00f5es ou publicar respostas a d\u00favidas porque, muitas vezes, a resposta era &#8220;n\u00e3o sabemos&#8221;.<\/p>\n<p>Mas ele tra\u00e7a paralelos entre as duas situa\u00e7\u00f5es, como a da tend\u00eancia que ele observou de usu\u00e1rios que compartilham not\u00edcias com as quais j\u00e1 concordam ou que corroboram suas cren\u00e7as. &#8220;Colocamos as cren\u00e7as antes dos fatos. \u00c9 algo que pode acontecer nas elei\u00e7\u00f5es&#8221;, observa.<\/p>\n<p>Garcia tamb\u00e9m acha que o WhatsApp \u00e9 uma m\u00eddia mais f\u00e1cil para compartilhar boatos. &#8220;Na quest\u00e3o da Marielle, tamb\u00e9m teve isso, ainda mais em um contexto polarizado&#8221;, diz. &#8220;Voc\u00ea acaba repassando aquilo para refor\u00e7ar determinado ponto de visto em um grupo do qual participa.&#8221;<\/p>\n<p>Para ele, outra caracter\u00edstica importante do boato \u00e9 que n\u00e3o tem autor ou fonte. &#8220;A legitimidade vem da fonte que enviou a not\u00edcia&#8221;, afirma &#8211; e, normalmente, quem envia mensagens no WhatsApp s\u00e3o pessoas conhecidas, de confian\u00e7a.<\/p>\n<p>Ele analisou quatro boatos sobre zika que circulavam no WhatsApp e analisou coment\u00e1rios da p\u00e1gina da Fiocruz, da Folha de S.Paulo e do Di\u00e1rio de Pernambuco. Chegou \u00e0 conclus\u00e3o que os boatos tinham tr\u00eas &#8220;grandes crit\u00e9rios&#8221;: 1) o desconhecimento em torno da pr\u00f3pria doen\u00e7a; 2) a desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s autoridades pol\u00edticas e a falta de confian\u00e7a no sistema de sa\u00fade no Brasil, de que o sistema daria conta da epidemia; 3) a desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ci\u00eancia em geral.<\/p>\n<p>&#8220;O que a gente estudou parece mostrar que precisamos estar mais atentos n\u00e3o s\u00f3 aos boatos que est\u00e3o circulando, mas tamb\u00e9m \u00e0s quest\u00f5es e d\u00favidas da popula\u00e7\u00e3o&#8221;, diz ele. &#8220;\u00c9 uma li\u00e7\u00e3o que tem que ficar. \u00c9 preciso repensar a forma como se comunica com a popula\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da BBC, por Juliana Gragnani &#8211;\u00a0Voc\u00ea tem um tio que fica mandando not\u00edcias falsas no grupo de fam\u00edlia? Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3. Metade dos boatos que circularam no WhatsApp sobre a vereadora carioca assassinada no m\u00eas passado, Marielle Franco (PSOL), foi em grupos de fam\u00edlia.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-17676","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-4B6","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17676","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17676"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17676\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17678,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17676\/revisions\/17678"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17676"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17676"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17676"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}