{"id":17848,"date":"2018-05-03T14:31:47","date_gmt":"2018-05-03T18:31:47","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=17848"},"modified":"2018-05-03T14:31:47","modified_gmt":"2018-05-03T18:31:47","slug":"brasil-e-a-misoginia-na-politica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/05\/03\/brasil-e-a-misoginia-na-politica\/","title":{"rendered":"Brasil e a MISOGINIA na pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"17849\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/05\/03\/brasil-e-a-misoginia-na-politica\/2831d367-6d43-4e0c-9a31-2d26c3f061ea\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/2831D367-6D43-4E0C-9A31-2D26C3F061EA.jpeg?fit=470%2C313\" data-orig-size=\"470,313\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"2831D367-6D43-4E0C-9A31-2D26C3F061EA\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/2831D367-6D43-4E0C-9A31-2D26C3F061EA.jpeg?fit=300%2C200\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/2831D367-6D43-4E0C-9A31-2D26C3F061EA.jpeg?fit=470%2C313\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/2831D367-6D43-4E0C-9A31-2D26C3F061EA.jpeg?resize=470%2C313\" alt=\"2831D367-6D43-4E0C-9A31-2D26C3F061EA\" width=\"470\" height=\"313\" class=\"alignnone size-full wp-image-17849\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/2831D367-6D43-4E0C-9A31-2D26C3F061EA.jpeg?w=470 470w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/2831D367-6D43-4E0C-9A31-2D26C3F061EA.jpeg?resize=300%2C200 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/2831D367-6D43-4E0C-9A31-2D26C3F061EA.jpeg?resize=450%2C300 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 470px) 100vw, 470px\" \/><\/p>\n<p>No Jundia\u00ed Agora, por Rose Gouv\u00eaia &#8211; A pol\u00edtica \u00e9 uma das muitas \u00e1reas em que a mulher est\u00e1 em desvantagem em rela\u00e7\u00e3o ao homem. Nesta \u00e1rea, a desigualdade de g\u00eanero pode ser percebida com a seguinte compara\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>As mulheres s\u00e3o a maioria na popula\u00e7\u00e3o brasileira (51,7%), a maioria do eleitorado brasileiro (52,13%) e representam 44,27% dos filiados a partidos pol\u00edticos.<!--more--><\/p>\n<p>Mas, apesar disso, as estat\u00edsticas para quadros femininos eleitos nas ultimas elei\u00e7\u00f5es 2014\/2016 \u00e9 ridiculamente irris\u00f3ria: temos apenas 15% de mulheres no Senado Federal (dos 81 senadores, 13 s\u00e3o mulheres) apenas 12% de mulheres na C\u00e2mara Federal, (dos 513 deputados, 61 s\u00e3o mulheres), 9% de mulheres na Assembleia Legislativa de S\u00e3o Paulo (dos 94 parlamentares, 10 s\u00e3o mulheres)  e 0% na C\u00e2mara de Vereadores de Jundia\u00ed. (das 19 cadeiras, 19 s\u00e3o ocupadas por homens)<\/p>\n<p>Se compararmos com estat\u00edsticas mundiais, teremos a vergonhosa certeza de que o Brasil est\u00e1 no caminho inverso da equidade de g\u00eanero na pol\u00edtica. A m\u00e9dia de representa\u00e7\u00e3o de mulheres nos parlamentos no mundo \u00e9 de 23,5%. Isso faz com que o Brasil ocupe o 154\u00ba lugar entre 193 pa\u00edses do ranking elaborado pela Inter Parliamentary Union \u2013 Associa\u00e7\u00e3o dos Legislativos Nacionais de todo o mundo. O Brasil fica na frente apenas de alguns pa\u00edses \u00e1rabes, do Oriente M\u00e9dio e das Ilhas Polin\u00e9sias.<\/p>\n<p>A estrutura de poder dos partidos pol\u00edticos brasileiros tamb\u00e9m dificulta a visibilidade de mulheres, posto que dominada por homens. O Partido dos Trabalhadores (PT) \u00e9 um dos poucos que s\u00e3o presididos por uma mulher. Ou seja: os altos escal\u00f5es dos partidos pol\u00edticos distribuem as fun\u00e7\u00f5es reproduzindo o machismo da sociedade.<\/p>\n<p>E n\u00e3o bastasse a inexpressiva representatividade das mulheres nos espa\u00e7os pol\u00edticos, as que conseguem chegar l\u00e1 s\u00e3o vistas com pouco respeito e muita misoginia, tanto por seus colegas parlamentares, como pelo senso comum social que cobra excessivamente das mulheres, mas releva posturas dos homens.<\/p>\n<p>Quem n\u00e3o se lembra do processo de golpe, revestido de impeachment, pelo qual atravessou a presidente Dilma Rousseff? A narrativa das detra\u00e7\u00f5es contra a primeira governante mulher do Pa\u00eds se pautou completamente na cultura machista e mis\u00f3gino do nosso Pa\u00eds, com xingamentos relacionados ao seu g\u00eanero e n\u00e3o somente partindo de pol\u00edticos, mas tamb\u00e9m de pessoas da sociedade de forma geral, homens e tamb\u00e9m mulheres, infelizmente.<\/p>\n<p>Quando Dilma foi arrancada de sua cadeira, uma das frases mais ditas foi: \u201cDepois da Dilma, ser\u00e1 dif\u00edcil uma mulher conseguir eleger-se presidente, novamente.\u201d<\/p>\n<p>Ora, mas quando o ex-presidente Fernando Collor, ou o deputado Eduardo Cunha foram retirados de suas fun\u00e7\u00f5es, ningu\u00e9m se lembrou de suas condi\u00e7\u00f5es de g\u00eanero. Ningu\u00e9m disse que depois deles, os homens perderiam a credibilidade na pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Isso acontece por conta da nossa cultura mis\u00f3gina que associa mulheres a fraquezas e incapacidades, Ou seja: os defeitos seriam \u201ccondi\u00e7\u00f5es inatas\u201d das pessoas pertencentes ao g\u00eanero feminino.<\/p>\n<p>Assim, quando algu\u00e9m acredita que uma mulher errou, \u00e9 naturalizado nas mentes machistas que ela errou por ser mulher. A\u00ed todas as mulheres se tornam a \u201cdona Maria do tr\u00e2nsito\u201d aquela que \u201cdirige mal e deveria pilotar um tanque.\u201d<\/p>\n<p>Definir todas as mulheres pela caracter\u00edstica de uma mulher \u00e9 desumaniza\u00e7\u00e3o, \u00e9 misoginia. Mulheres s\u00e3o diferentes entre si e tem talentos, caracter\u00edsticas e dificuldades diversas. Assim como os homens.<\/p>\n<p>E a misoginia na pol\u00edtica continua e se apresenta de mais uma forma. Os constantes coment\u00e1rios sobre a apar\u00eancia de mulheres que tem cargos p\u00fablicos s\u00e3o parte da narrativa de inferioriza\u00e7\u00e3o da mulher, como se fosse um lembrete de que a fun\u00e7\u00e3o das mulheres no mundo \u00e9 apenas enfeitar os ambientes.<\/p>\n<p>Um exemplo recente disso, vimos numa das sess\u00f5es do Senado Federal, no ano passado. Quando o presidente da Casa chamou a senadora Sh\u00e9ridan Oliveira (PSDB-RR) para votar um item, uma voz masculina se fez ouvir no Plen\u00e1rio, com a palavra \u201cgostosa\u201d. O autor dessa infeliz express\u00e3o nunca foi detectado, certamente por camaradagem de seus colegas homens que sabiam quem era, mas resolveram n\u00e3o denunci\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 comum coment\u00e1rios sobre o emocional das mulheres na pol\u00edtica. Quando a mulher discorda da postura de seus colegas homens e trava um debate mais acalorado, logo \u00e9 vista como \u201cmulher hist\u00e9rica\u201d, \u201cmulher naqueles dias\u201d. Quando \u00e9 um pol\u00edtico homem a se exaltar, defendendo seus pontos de vista, ele \u00e9 visto como \u201chomem de personalidade forte\u201d.<\/p>\n<p>Enfim, o cen\u00e1rio pol\u00edtico ainda \u00e9 visto no Brasil como jogo de homens. E se a pol\u00edtica, por si s\u00f3, j\u00e1 \u00e9 desgastante, imagine para uma mulher pol\u00edtica ainda ter que lidar com desgastes por conta de sua condi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero que em nada se relaciona com o contexto pol\u00edtico; ou seja, n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para a quest\u00e3o de g\u00eanero interferir na pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Igualdade na pol\u00edtica tamb\u00e9m significa representatividade. Isso significa dizer que, quanto mais mulheres participarem da pol\u00edtica, menos import\u00e2ncia ter\u00e1 a distin\u00e7\u00e3o de g\u00eanero.<\/p>\n<p>E para que isso aconte\u00e7a, o Brasil precisa adotar medidas firmes para estimular a representatividade das mulheres na pol\u00edtica. Duas das medidas, em curto prazo, s\u00e3o cotas obrigat\u00f3rias para cadeiras femininas nos Parlamentos brasileiros e est\u00edmulos do poder p\u00fablico para que os partidos admitam mais mulheres em seus espa\u00e7os hier\u00e1rquicos e de decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, e pensando num cen\u00e1rio de m\u00e9dio e longo prazo, temos que usar a educa\u00e7\u00e3o como ferramenta de visibilidade e empoderamento das mulheres. Ensinar, desde cedo, as futuras e os futuros adultos que as mulheres e os homens, apesar das diferen\u00e7as sob diversos aspectos, devem ser detentores dos mesmos direitos de cidadania, social e pol\u00edtica. \u00c9 o que chamamos de equidade.<\/p>\n<p>E essa equidade das mulheres na pol\u00edtica, tenho certeza, beneficiar\u00e1 a sociedade como um todo. Segundo mat\u00e9ria do Estad\u00e3o do ano passado, pesquisas acad\u00eamicas tamb\u00e9m t\u00eam refletido sobre a quest\u00e3o apurando que, em regimes democr\u00e1ticos, quanto maior \u00e9 a presen\u00e7a de mulheres dentro do Legislativo e do Executivo, menor \u00e9 a incid\u00eancia de injusti\u00e7as, como a corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Jundia\u00ed Agora, por Rose Gouv\u00eaia &#8211; A pol\u00edtica \u00e9 uma das muitas \u00e1reas em que a mulher est\u00e1 em desvantagem em rela\u00e7\u00e3o ao homem. 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