{"id":17936,"date":"2018-05-09T12:13:28","date_gmt":"2018-05-09T16:13:28","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=17936"},"modified":"2018-05-09T12:13:28","modified_gmt":"2018-05-09T16:13:28","slug":"o-legado-de-muculmanos-que-se-rebelaram-na-bahia-antes-do-fim-da-escravidao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/05\/09\/o-legado-de-muculmanos-que-se-rebelaram-na-bahia-antes-do-fim-da-escravidao\/","title":{"rendered":"O legado de mu\u00e7ulmanos que se rebelaram na Bahia antes do fim da escravid\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"17937\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/05\/09\/o-legado-de-muculmanos-que-se-rebelaram-na-bahia-antes-do-fim-da-escravidao\/muc\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/muc.jpg?fit=660%2C371\" data-orig-size=\"660,371\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"muc\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/muc.jpg?fit=300%2C169\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/muc.jpg?fit=600%2C337\" class=\"alignnone size-full wp-image-17937\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/muc.jpg?resize=600%2C337\" alt=\"muc\" width=\"600\" height=\"337\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/muc.jpg?w=660 660w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/muc.jpg?resize=300%2C169 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/muc.jpg?resize=534%2C300 534w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p class=\"story-body__introduction\">Na BBC &#8211; Salvador, 25 de janeiro de 1835. Foi num sobrado de dois andares, na Ladeira da Pra\u00e7a, que teve in\u00edcio o maior e mais importante levante urbano de africanos escravizados j\u00e1 registrado no Brasil. Era por volta de 1h da madrugada quando um grupo de 50 africanos, das mais diferentes etnias, ocupou as ruas da capital baiana. O levante entrou para a hist\u00f3ria como a Revolta dos Mal\u00eas.<!--more--><\/p>\n<p>\u00c9 um epis\u00f3dio que evidencia a import\u00e2ncia pol\u00edtica que os africanos de religi\u00e3o mu\u00e7ulmana tiveram na hist\u00f3ria do Brasil &#8211; com um legado pouco conhecido que perdura at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>&#8220;Na Bahia de 1835, os negros que pertenciam a um dos grupos \u00e9tnicos mais islamizados da \u00c1frica Ocidental eram conhecidos como mal\u00eas&#8221;, explica o historiador Jo\u00e3o Jos\u00e9 Reis, da Universidade Federal da Bahia (UFBA). &#8220;O termo mal\u00ea deriva de imale, que significa mu\u00e7ulmano, na l\u00edngua iorub\u00e1&#8221;, decifra o autor do livro\u00a0<i>Rebeli\u00e3o Escrava no Brasil &#8211; A Hist\u00f3ria do Levante dos Mal\u00eas em 1835.<\/i><\/p>\n<p>Do velho sobrado, os rebeldes partiram em v\u00e1rias dire\u00e7\u00f5es. Um grupo avan\u00e7ou para a Pra\u00e7a do Pal\u00e1cio, onde ficava a cadeia da cidade. L\u00e1, os revoltososos planejavam tomar as armas dos guardas e libertar Pac\u00edfico Licutan, o Bilal, l\u00edder mal\u00ea que estava preso para pagar as d\u00edvidas de seu senhor. Os demais rebeldes enveredaram por ruas, becos e vielas, batendo nas portas e janelas das casas e convocando pessoas escravizadas e tamb\u00e9m libertos a se unirem a eles em combate. Cerca de 600 revoltosos, mu\u00e7ulmanos e n\u00e3o mu\u00e7ulmanos, responderam ao chamado e participaram do levante.<\/p>\n<p>O plano de libertar Pac\u00edfico Licutan, por\u00e9m, fracassou. Munidos de lan\u00e7as, espadas e porretes, os amotinados se viram obrigados a recuar diante de policiais armados com pistolas e baionetas. Desnorteados, fugiram da cidade e pediram ajuda aos escravos do Rec\u00f4ncavo, o cora\u00e7\u00e3o do escravismo baiano.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/31E9\/production\/_101177721_livrinhomale-institutohistoricogeograficobrasileiro.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"Livrinho mal\u00ea\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">INSTITUTO HIST\u00d3RICO GEOGR\u00c1FICO BRASILEIRO<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Livrinho mal\u00ea: v\u00e1rias palavras do noso vocabul\u00e1rio remetem a essa etnia<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>N\u00e3o apenas ficaram sem o apoio como foram encurralados em \u00c1gua de Meninos, local do Quartel da Cavalaria. Foi ali que se deu a batalha final. Antes do nascer do sol, 73 rebeldes j\u00e1 tinham tombado mortos e mais de 500 presos, explica a antrop\u00f3loga L\u00eddice Meyer Pinto Ribeiro, da Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP), autora do artigo\u00a0<i>Negros Isl\u00e2micos no Brasil Escravocrata<\/i>.<\/p>\n<p>At\u00e9 os africanos que n\u00e3o participaram do levante de 1835 sofreram persegui\u00e7\u00e3o policial.<\/p>\n<p>Um decreto assinado pelo chefe da Pol\u00edcia, Gon\u00e7alves Martins, autorizava qualquer cidad\u00e3o a dar voz de pris\u00e3o a escravos, mu\u00e7ulmanos ou n\u00e3o, que estivessem reunidos em n\u00famero de quatro ou mais. Reunir gente em casa, por exemplo, passou a ser terminantemente proibido.<\/p>\n<p>Outra medida obrigava os senhores a &#8220;converter&#8221; seus escravos ao catolicismo. Se n\u00e3o o fizessem em seis meses, seriam multados. Por medo de retalia\u00e7\u00f5es, os mu\u00e7ulmanos passaram a renegar sua religi\u00e3o. Mais do que isso: quando n\u00e3o era praticada \u00e0s escondidas, a religi\u00e3o sofria acultura\u00e7\u00e3o com pr\u00e1ticas cat\u00f3licas. Tudo isso explica a aus\u00eancia de descendentes de escravos seguidores do isl\u00e3.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Mu\u00e7ulmanos: inimigos na \u00c1frica, aliados no Brasil<\/h2>\n<p>&#8220;A vit\u00f3ria vem de Al\u00e1!&#8221;, dizia o fragmento em \u00e1rabe encontrado dentro de um amuleto mal\u00ea confiscado pela pol\u00edcia. No entanto, a t\u00e3o esperada vit\u00f3ria n\u00e3o chegou. Os corpos dos 73 rebeldes mortos foram jogados em valas comuns de um cemit\u00e9rio local. Os mais de 500 presos foram interrogados, julgados e punidos.<\/p>\n<p>As penas variavam de a\u00e7oites para os escravos a deporta\u00e7\u00e3o para os libertos. Quatro deles receberam a pena m\u00e1xima: enforcamento. As autoridades mandaram construir forcas novas no Campo da P\u00f3lvora, em Salvador. Mas se esqueceram de contratar um carrasco para fazer o servi\u00e7o. Na falta de um, os condenados foram mesmo fuzilados, em pra\u00e7a p\u00fablica, por um pelot\u00e3o improvisado.<\/p>\n<p>Ao longo da primeira metade do s\u00e9culo 19, muitos dos africanos mu\u00e7ulmanos traficados para a Bahia &#8211; em sua maioria hauss\u00e1s, etnia que prevalece na regi\u00e3o hoje equivalente ao norte da Nig\u00e9ria &#8211; eram soldados capturados durante uma jihad, ou &#8220;guerra santa&#8221; em \u00e1rabe.<\/p>\n<div class=\"story-body\">\n<div class=\"story-body__inner\">\n<p>&#8220;Eles se diferenciavam dos demais por serem alfabetizados em \u00e1rabe e por terem conhecimentos de matem\u00e1tica&#8221;, explica Ribeiro.<\/p>\n<p>Na \u00c1frica Ocidental, diversos reinos viviam em guerra no Califado de Sokoto, um Estado mu\u00e7ulmano fundado em 1809 pelo califa Usman dan Fodio e que ocupou um vasto territ\u00f3rio no norte da atual Nig\u00e9ria. Inimigos em sua terra natal, os &#8220;prisioneiros de guerra&#8221; viraram aliados em solo baiano.<\/p>\n<p>&#8220;Como eles pertenciam a diferentes etnias, o isl\u00e3 proporcionou a esses mu\u00e7ulmanos um sentimento de fraternidade. Tornou-se, portanto, um elemento civilizat\u00f3rio que transformou heterogeneidade \u00e9tnica em homogeneidade religiosa&#8221;, explica o antrop\u00f3logo Juarez Caesar Malta Sobreira, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Cor\u00e3o<\/h2>\n<p>A religi\u00e3o isl\u00e2mica foi determinante at\u00e9 na escolha do dia 25 de janeiro para o in\u00edcio do levante. Para os cat\u00f3licos, a data \u00e9 dedicada a Nossa Senhora da Guia e faz parte da festa do Senhor do Bonfim, uma das mais tradicionais da Bahia. Mas, para os mu\u00e7ulmanos, naquele ano, era dia de comemorar o Laylat al-Qadr, uma das festas isl\u00e2micas que precedem o fim do Ramad\u00e3, o m\u00eas sagrado para os mu\u00e7ulmanos.<\/p>\n<p>Para se proteger do inimigo, os guerreiros isl\u00e2micos confeccionaram amuletos com trechos do Cor\u00e3o escritos em \u00e1rabe, como &#8220;Ajude-nos contra aqueles que rejeitam a f\u00e9!&#8221; e &#8220;Resgatai-nos desta cidade cujo povo \u00e9 opressor!&#8221;, em pedacinhos de papel guardados em bolsas de couro costuradas \u00e0 m\u00e3o. Cada talism\u00e3, acreditavam, &#8220;protegia&#8221; de uma arma: os laya contra flechas e os maganin karfe contra facas.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/F151\/production\/_101177716_amuletoconfiscadoem1835-suranoitedegloria.jpg?resize=523%2C633&#038;ssl=1\" alt=\"Amuleto confiscado em 1835\" width=\"523\" height=\"633\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">SURA NOITE DE GLORIA<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">&#8220;A vit\u00f3ria vem de Al\u00e1!&#8221;, dizia o fragmento em \u00e1rabe encontrado dentro de um amuleto mal\u00ea confiscado pela pol\u00edcia<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Na Salvador de 1835, a Revolta dos Mal\u00eas foi protagonizada por pessoas escravizadas que viviam em \u00e1reas urbanas, que n\u00e3o cortavam cana em engenhos, nem passavam a noite em senzalas. Muito pelo contr\u00e1rio. Desfrutavam de relativa liberdade, podiam at\u00e9 trabalhar fora e recebiam uma pequena quantia pelos seus servi\u00e7os. Os &#8220;negros de ganho&#8221;, como eram conhecidos, exerciam os mais variados of\u00edcios: de barbeiro a artes\u00e3o, de alfaiate a vendedor.<\/p>\n<p>Com o que ganhavam, pagavam uma &#8220;cota&#8221; di\u00e1ria ao senhor. Com o que sobrava, arcavam com as despesas de comida, moradia e vestu\u00e1rio. &#8220;Alguns economizavam para comprar sua carta de alforria. Outros, depois de libertos, chegaram a acumular patrim\u00f4nio maior que certos brancos&#8221;, explica Ribeiro.<\/p>\n<p>Para manter viva a cren\u00e7a no profeta Maom\u00e9, os mal\u00eas se reuniam em lugares afastados e a portas fechadas para fazer ora\u00e7\u00f5es, ler passagens do Cor\u00e3o e celebrar festas do calend\u00e1rio mu\u00e7ulmano. &#8220;Assim como o candombl\u00e9, o isl\u00e3 n\u00e3o era totalmente livre para ser praticado. Senhores de escravos e chefes de pol\u00edcia tanto toleravam quanto reprimiam&#8221;, observa Reis.<\/p>\n<p>O artigo 276 do C\u00f3digo Penal de 1830, ali\u00e1s, proibia &#8220;o culto de outra religi\u00e3o que n\u00e3o seja a do Estado&#8221;. Mesmo assim, os aluf\u00e1s, nome dado aos dirigentes religiosos e que, em iorub\u00e1, significa sacerdote de If\u00e1, transmitiam seu conhecimento aos mais jovens. &#8220;Os adeptos do isl\u00e3 dedicavam as sextas-feiras, dia sagrado para os mu\u00e7ulmanos, \u00e0 prece e \u00e0 medita\u00e7\u00e3o. Nesse dia, usavam roupas brancas, costume isl\u00e2mico que se generalizou na Bahia&#8221;, observa Sobreira.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Legado mal\u00ea: da religiosidade ao vocabul\u00e1rio e \u00e0 culin\u00e1ria<\/h2>\n<p>No dia do levante de 1835, os mal\u00eas sa\u00edram \u00e0s ruas vestidos de abad\u00e1, esp\u00e9cie de camisol\u00e3o folgado na cor branca. Nos autos de devassa, as autoridades policiais se referiam \u00e0 bata isl\u00e2mica como &#8220;vestimenta de guerra&#8221;. Mas a indument\u00e1ria mal\u00ea n\u00e3o estaria completa sem o fil\u00e1, esp\u00e9cie de gorro que teria dado origem ao turbante branco usado no candombl\u00e9 e na umbanda.<\/p>\n<p>A influ\u00eancia do povo mal\u00ea na cultura popular brasileira, por\u00e9m, vai al\u00e9m do turbante e do abad\u00e1. Segundo Reis, tra\u00e7os do isl\u00e3 podem ser notados na cultura, no vocabul\u00e1rio e at\u00e9 na culin\u00e1ria. Difundida no interior de Sergipe e Alagoas, a dan\u00e7a do parafuso ou &#8220;dan\u00e7a da assombra\u00e7\u00e3o&#8221;, por exemplo, seria de origem mal\u00ea. Segundo a tradi\u00e7\u00e3o, na calada da noite, os africanos se disfar\u00e7avam de fantamas e faziam a dan\u00e7a para espantar os capit\u00e3es do mato.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/16681\/production\/_101177719_enterrodeumnegronabahia-rugendas-1822-1825.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"Enterro de um negro na Bahia\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">RUGENDAS (1822-1825)<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Quadro de Enterro de um negro na Bahia; &#8220;Apesar das persegui\u00e7\u00f5es, o isl\u00e3 negro continuou presente no Brasil at\u00e9 os dias de hoje&#8221;, diz historiadora<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>No vocabul\u00e1rio, o historiador cita o exemplo de &#8220;mandinga&#8221;: &#8220;Dicionarizado como feiti\u00e7o, o termo vem da bolsa de mandinga, amuleto mu\u00e7ulmano que os africanos introduziram no Brasil&#8221;. Na culin\u00e1ria baiana, outra tradi\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica tamb\u00e9m cruzou o Atl\u00e2ntico: o arroz de hauss\u00e1.<\/p>\n<p>Prato favorito do escritor Jorge Amado, \u00e9 feito sem sal, \u00f3leo ou tempero e cozido com bastante \u00e1gua. Na hora das refei\u00e7\u00f5es, os adeptos do isl\u00e3 s\u00f3 consumiam alimentos preparados por m\u00e3os mu\u00e7ulmanas, n\u00e3o ingeriam carne de porco e praticavam jejum no Ramad\u00e3.<\/p>\n<p>No aspecto religioso, o parentesco entre mu\u00e7ulmanos e candomblecistas tamb\u00e9m se faz presente. Na mitologia iorub\u00e1, Obatal\u00e1 \u00e9 o nome dado ao deus supremo, &#8220;aquele que fecunda&#8221;, abaixo apenas de Olorum, o criador do universo. No sincretismo brasileiro, ganhou o nome de Oxal\u00e1 ou Orixal\u00e1, orix\u00e1 associado \u00e0 figura de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>O historiador Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Te\u00f3filo Cairus, da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), aponta outra hip\u00f3tese para a origem etimol\u00f3gica do nome Oxal\u00e1: a express\u00e3o \u00e1rabe Insha&#8217;Allah, que significa &#8220;se Deus quiser&#8221;.<\/p>\n<p>A antrop\u00f3loga L\u00eddice Ribeiro d\u00e1 outras pistas da associa\u00e7\u00e3o entre as duas religi\u00f5es: o s\u00edmbolo da meia-lua atrelado aos orix\u00e1s, a substitui\u00e7\u00e3o do colorido das vestes africanas pelo branco das roupas isl\u00e2micas e at\u00e9 a pr\u00e1tica ritual de tirar os sapatos antes das reuni\u00f5es. &#8220;Apesar das persegui\u00e7\u00f5es, o isl\u00e3 negro continuou presente no Brasil at\u00e9 os dias de hoje&#8221;, diz.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"tags-container\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na BBC &#8211; Salvador, 25 de janeiro de 1835. Foi num sobrado de dois andares, na Ladeira da Pra\u00e7a, que teve in\u00edcio o maior e mais importante levante urbano de africanos escravizados j\u00e1 registrado no Brasil. Era por volta de 1h da madrugada quando um grupo de 50 africanos, das mais diferentes etnias, ocupou as&#8230;<a class=\"more-link\" href=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/05\/09\/o-legado-de-muculmanos-que-se-rebelaram-na-bahia-antes-do-fim-da-escravidao\/\">Continue a leitura <span class=\"meta-nav\">&raquo;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-17936","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-4Fi","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17936","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17936"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17936\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17938,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17936\/revisions\/17938"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17936"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17936"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17936"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}