{"id":18036,"date":"2018-05-15T09:35:49","date_gmt":"2018-05-15T13:35:49","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=18036"},"modified":"2018-05-15T09:35:49","modified_gmt":"2018-05-15T13:35:49","slug":"o-brasil-neurotico","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/05\/15\/o-brasil-neurotico\/","title":{"rendered":"O Brasil neur\u00f3tico"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"18037\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/05\/15\/o-brasil-neurotico\/inde-2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/inde.jpg?fit=1960%2C1199\" data-orig-size=\"1960,1199\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"inde\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/inde.jpg?fit=300%2C184\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/inde.jpg?fit=600%2C367\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/inde.jpg?resize=600%2C367\" alt=\"inde\" width=\"600\" height=\"367\" class=\"alignnone size-full wp-image-18037\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/inde.jpg?w=1960 1960w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/inde.jpg?resize=300%2C184 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/inde.jpg?resize=768%2C470 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/inde.jpg?resize=1024%2C626 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/inde.jpg?resize=490%2C300 490w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/inde.jpg?w=1200 1200w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/inde.jpg?w=1800 1800w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Os militares forjaram a ignor\u00e2ncia da gera\u00e7\u00e3o que defende agora, entusiasmada, a candidatura fascista de Jair Bolsonaro<\/p>\n<p>No El Pa\u00eds &#8211; por Luiz Ruffato &#8211; Uma das caracter\u00edsticas marcantes da sociedade brasileira \u00e9 a incapacidade de discutirmos, de maneira equilibrada, os nossos problemas \u2014e, isso, tanto nas quest\u00f5es pessoais quanto coletivas. Levamos a vida a fingir que n\u00e3o damos import\u00e2ncia \u00e0s nossas diferen\u00e7as \u2014&#8221;Deixa isso pra l\u00e1&#8221;, &#8220;N\u00e3o vamos falar sobre isso&#8221;, &#8220;Bola pra frente&#8221;, &#8220;N\u00e3o esquenta a cabe\u00e7a&#8221;, &#8220;Essas coisas acontecem&#8221; s\u00e3o senten\u00e7as usadas para n\u00e3o enfrentarmos criticamente o passado. Com essa atitude, nos tornamos pouco a pouco uma comunidade doente, um pa\u00eds neur\u00f3tico.<!--more--><\/p>\n<p>A neurose \u00e9 a repeti\u00e7\u00e3o de uma determinada rea\u00e7\u00e3o como resposta a conflitos de naturezas diversas, exatamente porque n\u00e3o resolvemos o trauma original. Em outras palavras, como nunca paramos para refletir sobre a nossa conturbad\u00edssima Hist\u00f3ria, damos sempre a mesma resposta quando nos sentimos acuados. Um exemplo \u00f3bvio \u00e9 a ideia de que a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o para quando nos vimos amea\u00e7ados por uma perturba\u00e7\u00e3o da normalidade, ou seja, algo que foge \u00e0 nossa compreens\u00e3o imediata, \u00e9 o apelo ao uso da for\u00e7a. Pensamos sempre em aniquilar o outro, n\u00e3o em escut\u00e1-lo para tentar compartilhar um caminho comum.<\/p>\n<p>A indig\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 formula\u00e7\u00e3o de um discurso que ofere\u00e7a respostas claras aos anseios da popula\u00e7\u00e3o para as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es deve-se, em muito, \u00e0 nossa neurose coletiva. \u00c9 ineg\u00e1vel que, logo ap\u00f3s o governo do ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, que conseguiu tornar o Brasil protagonista da geopol\u00edtica mundial, com seus feitos econ\u00f4micos e sociais, o Brasil sofreu um descarrilamento. A desorganiza\u00e7\u00e3o, agravada ap\u00f3s o golpe parlamentar contra Dilma Rousseff, em 2015, patrocinada pelo presidente n\u00e3o eleito, Michel Temer, aumenta ainda mais a percep\u00e7\u00e3o de que somos uma carreta descontrolada descendo uma ladeira em alta velocidade. E qual a solu\u00e7\u00e3o para isso?<\/p>\n<p>Infelizmente, a solu\u00e7\u00e3o com que boa parte da popula\u00e7\u00e3o acena, como sempre, \u00e9 o autoritarismo. Foi por meio de um golpe pol\u00edtico-militar que nasceu a Rep\u00fablica em 1889; foi por meio de um movimento armado que Get\u00falio Vargas p\u00f4s fim \u00e0 chamada Rep\u00fablica Velha, em 1930; e foi por meio de um golpe que instaurou-se a ditadura militar em 1964. E, em todos esses momentos, o rompimento constitucional, embora liderado pela elite pol\u00edtico-econ\u00f4mica, contou com o apoio ou com o sil\u00eancio da maioria da popula\u00e7\u00e3o. Contas feitas, ao longo do s\u00e9culo XX o Brasil desfrutou de breves momentos de democracia entre largos per\u00edodos de exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por falta de acesso a uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade, humanista, os brasileiros possu\u00edmos um car\u00e1ter eminentemente conservador; por nos faltar uma experi\u00eancia duradoura com o sistema democr\u00e1tico, os brasileiros n\u00e3o nos percebemos como sujeitos da hist\u00f3ria, mas meros observadores; por convivermos com uma corrup\u00e7\u00e3o end\u00eamica, que corr\u00f3i todos os segmentos da sociedade, os brasileiros desconfiamos uns dos outros; por termos sido moldados pela viol\u00eancia \u2013genoc\u00eddio dos povos ind\u00edgenas, escravid\u00e3o dos africanos negros, abismo entre ricos e pobres\u2013, os brasileiros acreditamos que somente pela viol\u00eancia podemos solucionar nossos conflitos. Com seu discurso reacion\u00e1rio, obscurantista, homof\u00f3bico, machista, racista, excludente e belicoso, o ex-capit\u00e3o do Ex\u00e9rcito, Jair Bolsonaro, vem atraindo a simpatia dos miser\u00e1veis abandonados pelo Estado e dos oportunistas que querem a manuten\u00e7\u00e3o de seus privil\u00e9gios. Pesquisa CNT\/MDA mostra Bolsonaro \u00e0 frente de todos os outros candidatos \u2013quando se exclui Lula da consulta\u2013, com chances reais de vencer no segundo turno.<\/p>\n<p>O discurso simplista e totalit\u00e1rio de Bolsonaro provoca uma esp\u00e9cie de refor\u00e7o \u00e0 neurose brasileira. Como n\u00e3o sabemos dar respostas diferentes a situa\u00e7\u00f5es diferentes, tendemos a buscar o conforto de uma resposta conhecida, mesmo que saibamos que estamos lidando com um cen\u00e1rio diverso. No final do ano passado, um instituto de pesquisa concluiu que 43% dos brasileiros defendiam a volta da ditadura militar e que, entre jovens de 16 a 24 anos, esse \u00edndice crescia para 46%. N\u00e3o por acaso, 60% dos eleitores potenciais de Bolsonaro t\u00eam menos de 34 anos \u201330% deles situa-se entre 16 e 24 anos.<\/p>\n<p>A ignor\u00e2ncia (ou seja, o desconhecimento) faz com que desejemos colocar no passado \u2013e o passado \u00e9 sempre idealizado\u2013 a solu\u00e7\u00e3o para os problemas do presente. Mas, se confront\u00e1ssemos o passado sem o v\u00e9u da nostalgia, constatar\u00edamos que, ao contr\u00e1rio do que advogam os entusiastas do autoritarismo, o per\u00edodo militar n\u00e3o conheceu estabilidade pol\u00edtica. A cada sucess\u00e3o brigavam entre si os v\u00e1rios setores das For\u00e7as Armadas para fazer prevalecer seus interesses: golpe de 1969 que guindou o general Garrastazu M\u00e9dici ao poder; rebeli\u00e3o de militares linha dura contra o general Ernesto Geisel, que autorizava pessoalmente a execu\u00e7\u00e3o de presos pol\u00edticos; pacote de Abril de 1977 que sufocou a oposi\u00e7\u00e3o; rebeli\u00e3o de militares linha dura contra o general Jo\u00e3o Figueiredo.<\/p>\n<p>O per\u00edodo militar tamb\u00e9m n\u00e3o foi um tempo de estabilidade econ\u00f4mica: a infla\u00e7\u00e3o m\u00e9dia era de 20% ao ano (contra 7,5% ao ano no per\u00edodo democr\u00e1tico, n\u00e3o contando o governo de transi\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Sarney), e ultrapassava os 200% ao ano quando devolveram o poder aos civis. Al\u00e9m disso, a corrup\u00e7\u00e3o grassava nas mais de 500 empresas estatais existentes, que inclu\u00edam sider\u00fargicas, bancos, r\u00e1dios, refinarias, etc. Durante o per\u00edodo militar, censores profissionais definiam o que era ou n\u00e3o era arte, o que podia ou n\u00e3o podia ser publicado, visto ou ouvido. Durante o per\u00edodo militar, qualquer um podia parar na cadeia e ser torturado ou at\u00e9 morto por manifestar opini\u00e3o divergente. Durante o per\u00edodo militar estavam proibidas manifesta\u00e7\u00f5es de rua. Os militares destru\u00edram os sistemas de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade e ampliaram o fosso entre ricos e pobres. Mas, principalmente, os militares forjaram a ignor\u00e2ncia da gera\u00e7\u00e3o que defende agora, entusiasmada, a candidatura fascista de Jair Bolsonaro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os militares forjaram a ignor\u00e2ncia da gera\u00e7\u00e3o que defende agora, entusiasmada, a candidatura fascista de Jair Bolsonaro No El Pa\u00eds &#8211; por Luiz Ruffato &#8211; Uma das caracter\u00edsticas marcantes da sociedade brasileira \u00e9 a incapacidade de discutirmos, de maneira equilibrada, os nossos problemas \u2014e, isso, tanto nas quest\u00f5es pessoais quanto coletivas. 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