{"id":18363,"date":"2018-06-07T10:06:05","date_gmt":"2018-06-07T14:06:05","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=18363"},"modified":"2018-06-07T10:06:05","modified_gmt":"2018-06-07T14:06:05","slug":"como-o-pre-sal-poderia-ajudar-o-brasil-a-usar-menos-diesel","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/06\/07\/como-o-pre-sal-poderia-ajudar-o-brasil-a-usar-menos-diesel\/","title":{"rendered":"Como o pr\u00e9-sal poderia ajudar o Brasil a usar menos diesel"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"18364\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/06\/07\/como-o-pre-sal-poderia-ajudar-o-brasil-a-usar-menos-diesel\/pla-2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/pla.jpg?fit=660%2C371\" data-orig-size=\"660,371\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"pla\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/pla.jpg?fit=300%2C169\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/pla.jpg?fit=600%2C337\" class=\"alignnone size-full wp-image-18364\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/pla.jpg?resize=600%2C337\" alt=\"pla\" width=\"600\" height=\"337\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/pla.jpg?w=660 660w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/pla.jpg?resize=300%2C169 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/pla.jpg?resize=534%2C300 534w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><br \/>\nDa BBC News Brasil em S\u00e3o Paulo, por\u00a0Camilla Veras Mota &#8211;\u00a0Com n\u00famero recorde de empresas inscritas, mais uma \u00e1rea do pr\u00e9-sal vai a leil\u00e3o nesta quinta-feira. A 4\u00aa rodada de partilha de produ\u00e7\u00e3o colocou quatro campos em oferta, dois na bacia de Santos, dois na bacia de Campos, uma \u00e1rea de cerca de 4,2 mil km\u00b2, o equivalente a tr\u00eas vezes o tamanho do munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo.<!--more--><\/p>\n<p>O aumento do pre\u00e7o do petr\u00f3leo no mercado internacional e a alta produtividade das reservas brasileiras atra\u00edram 16 petroleiras, entre as quais gigantes como Shell, Statoil e Exxon Mobil.<\/p>\n<p>Um recurso do pr\u00e9-sal que n\u00e3o \u00e9 chamariz para essas multinacionais &#8211; o g\u00e1s natural -, contudo, poderia ser aliado importante para o Brasil reduzir a depend\u00eancia do diesel e aumentar a participa\u00e7\u00e3o de fontes renov\u00e1veis em sua matriz energ\u00e9tica no m\u00e9dio e longo prazo.<\/p>\n<p>O g\u00e1s natural est\u00e1 associado ao \u00f3leo nas \u00e1reas de explora\u00e7\u00e3o, dissolvido ou como uma capa sobre os reservat\u00f3rios. O menos poluente entre os combust\u00edveis f\u00f3sseis, na Europa e nos Estados Unidos ele vem sendo cada vez mais usado como combust\u00edvel de caminh\u00f5es e de navios &#8211; neste \u00faltimo caso, como um caminho para que os pa\u00edses cumpram as metas de redu\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o de gases poluentes pelo transporte mar\u00edtimo.<\/p>\n<div class=\"story-body\">\n<div class=\"story-body__inner\">\n<p>No Brasil, o g\u00e1s natural \u00e9 usado para consumo dom\u00e9stico, em setores industriais e nas usinas termel\u00e9tricas. Ele tamb\u00e9m poderia ser aproveitado, entretanto, como combust\u00edvel alternativo para os \u00f4nibus nas grandes metr\u00f3poles do pa\u00eds e para dar flexibilidade \u00e0 gera\u00e7\u00e3o e\u00f3lica e solar &#8211; ou seja, como &#8220;backup&#8221; para fornecer energia quando essas fontes, que s\u00e3o intermitentes, n\u00e3o estivessem produzindo -, ressaltam especialistas ouvidos pela BBC Brasil.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/051F\/production\/_101911310_pipeline.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"Gasoduto\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Infraestrutura para distribui\u00e7\u00e3o do g\u00e1s explorado pelas plataformas mar\u00edtimas exige pesados investimentos<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>At\u00e9 2026, justamente por causa da explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal, a oferta de g\u00e1s natural na malha integrada de gasodutos do pa\u00eds deve crescer quase 40%, de 43 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos por dia para 59 milh\u00f5es, conforme as estimativas feitas pela Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE) com base nas reservas j\u00e1 conhecidas.<\/p>\n<p>Apesar do aumento, a diversifica\u00e7\u00e3o do uso do g\u00e1s natural enfrenta obst\u00e1culos que v\u00e3o desde a baixa demanda interna, que dificulta a cria\u00e7\u00e3o de um mercado com pre\u00e7os que atraiam empresas para a explora\u00e7\u00e3o do combust\u00edvel, \u00e0 falta de infraestrutura de gasodutos para a distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Caminh\u00f5es, g\u00e1s liquefeito e os &#8216;corredores azuis&#8217;<\/h2>\n<p>&#8220;O desenvolvimento do pr\u00e9-sal nos conduz a r\u00e1pidos e materiais excedentes de g\u00e1s natural&#8221;, diz Edmilson Moutinho dos Santos, professor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de S\u00e3o Paulo (IEE-USP).<\/p>\n<p>&#8220;Trata-se de um g\u00e1s dif\u00edcil de monetizar, por quest\u00f5es log\u00edsticas, mas que representa uma oportunidade real de valoriza\u00e7\u00e3o no mercado dom\u00e9stico, tornando nossa matriz energ\u00e9tica muito mais sustent\u00e1vel e em linha com as demandas globais do s\u00e9culo 21&#8221;, completa.<\/p>\n<p>O especialista estuda o conceito de &#8220;corredores azuis&#8221;, rotas para ve\u00edculos pesados, em expans\u00e3o na Europa, que garantem autonomia para abastecimento de ve\u00edculos movidos a GNC, g\u00e1s natural veicular comprimido, ou GNL, g\u00e1s liquefeito.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/EF7F\/production\/_101911316_jooramosascomsde.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"Parque e\u00f3lico em Campo Formoso, na Bahia\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">JO\u00c3O RAMOS\/ASCOM SDE<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">G\u00e1s natural poderia tamb\u00e9m ser usado para complementar gera\u00e7\u00e3o por fontes renov\u00e1veis, aumentando a participa\u00e7\u00e3o dessas modalidades na matriz energ\u00e9tica<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>O uso do g\u00e1s natural como combust\u00edvel alternativo ganhou f\u00f4lego nos \u00faltimos dez anos, afirma Adriano Pires, s\u00f3cio-diretor da C\u00e2mara Brasileira de Infraestrutura (CBIE), gra\u00e7as, em parte, \u00e0 redu\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os &#8211; reflexo, por sua vez, da explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s de xisto (um tipo de g\u00e1s &#8220;n\u00e3o convencional&#8221;, que n\u00e3o est\u00e1 atrelado \u00e0s reservas de petr\u00f3leo) nos EUA e da amplia\u00e7\u00e3o do uso da vers\u00e3o l\u00edquida do g\u00e1s natural, o GNL, que n\u00e3o depende de gasoduto para ser transportado.<\/p>\n<p>O GNL, ali\u00e1s, vem sendo cada vez mais utilizado em navios, diante da press\u00e3o internacional para a fixa\u00e7\u00e3o de metas mais agressivas pelo transporte mar\u00edtimo para redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00e3o de gases poluentes.<\/p>\n<p>&#8220;O g\u00e1s natural \u00e9 visto hoje como um caminho de transi\u00e7\u00e3o para matrizes energ\u00e9ticas mais limpas, enquanto n\u00e3o se desenvolvem, por exemplo, as baterias que v\u00e3o armazenar a produ\u00e7\u00e3o por energia e\u00f3lica&#8221;, ele acrescenta.<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o possui enxofre na composi\u00e7\u00e3o e n\u00e3o gera fuligem quando queima, explica o professor de planejamento energ\u00e9tico da Coppe-UFRJ Alexandre Szklo. &#8220;N\u00e3o existe &#8216;queima limpa&#8217; em combust\u00edvel f\u00f3ssil, mas a emiss\u00e3o de poluentes \u00e9 menor.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Coleta de lixo e \u00f4nibus urbano<\/h2>\n<p>Em uma de suas pesquisas, Moutinho, do Instituto de Energia e Ambiente da USP, simulou a troca de 30 caminh\u00f5es de coleta de lixo a \u00f3leo diesel por GNV na cidade de Sorocaba, em S\u00e3o Paulo. Levando em conta as solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas j\u00e1 dispon\u00edveis no pa\u00eds, os resultados sinalizaram uma redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es anuais de CO2 pela frota em 469 toneladas e a diminui\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o de poluentes como mon\u00f3xido de carbono em mais de 95%.<\/p>\n<p>Szklo, da Coppe-UFRJ, tamb\u00e9m v\u00ea potencial para substitui\u00e7\u00e3o do diesel na frota de \u00f4nibus urbano, em \u00e1reas em que j\u00e1 exista malha de distribui\u00e7\u00e3o de g\u00e1s, como a regi\u00e3o Sudeste. Ele afirma que a alternativa j\u00e1 foi estudada na cidade do Rio de Janeiro, mas n\u00e3o foi para frente porque a mudan\u00e7a para o combust\u00edvel a g\u00e1s dificultaria a venda dos ve\u00edculos no fim do seu ciclo de vida.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/A15F\/production\/_101911314_onibuscesarogatasecom.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"Interior de um \u00f4nibus\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">CESAR OGATA\/SECOM<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Para especialistas, g\u00e1s poderia substituir o diesel, por exemplo, em parte do transporte p\u00fablico urbano e em servi\u00e7os como a coleta de lixo<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Depois de &#8220;aposentados&#8221;, os \u00f4nibus usados para transporte urbano na capital carioca s\u00e3o vendidos para cidades do interior &#8211; que, nesse caso, n\u00e3o teriam acesso \u00e0 rede de distribui\u00e7\u00e3o de g\u00e1s para abastecer.<\/p>\n<p>&#8220;A quest\u00e3o do diesel \u00e9 maior que uma bala de prata&#8221;, diz o especialista, que acha dif\u00edcil que o combust\u00edvel mais usado no Brasil seja largamente substitu\u00eddo no curto ou m\u00e9dio prazo.<\/p>\n<p>O transporte de carga, por exemplo, movimenta em geral cargas pesadas, grandes volumes de produto com baixo valor agregado, como commodities. A margem de lucro, portanto, \u00e9 pequena, e menor ainda para os caminhoneiros aut\u00f4nomos, respons\u00e1veis por 30% do total do frete. O espa\u00e7o para investir em caminh\u00f5es menos poluentes, portanto, \u00e9 muito mais limitado.<\/p>\n<p>Os navios que saem dos portos do pa\u00eds, por sua vez, tamb\u00e9m transportam produtos de baixo valor agregado &#8211; ou seja, \u00e9 preciso ter volume para que o frete seja financeiramente rent\u00e1vel. Assim, \u00e0 medida que os tanques para g\u00e1s, maiores do que aqueles usados para o diesel, ocupariam espa\u00e7o que poderia ser da soja ou min\u00e9rio de ferro, esse tipo de alternativa acaba se tornando menos atraente.<\/p>\n<p>&#8220;O diesel \u00e9 a nossa principal matriz energ\u00e9tica. O Brasil consome mais diesel do que eletricidade&#8221;, destaca Szklo, para ilustrar o tamanho do desafio de reduzir de forma significativa a depend\u00eancia do combust\u00edvel que desencadeou a greve de caminhoneiros no \u00faltimo m\u00eas de maio.<\/p>\n<div id=\"ns_chart_GasNatural\"><\/div>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">O g\u00e1s do pr\u00e9-sal<\/h2>\n<p>De forma geral, parte do g\u00e1s explorado no subsolo oce\u00e2nico \u00e9 reinjetada nos reservat\u00f3rios, porque facilita a extra\u00e7\u00e3o de \u00f3leo, uma parcela \u00e9 consumida na plataforma, outra \u00e9 perdida ou queimada e parte \u00e9 disponibilizada para consumo.<\/p>\n<p>No pr\u00e9-sal, uma parcela maior do g\u00e1s tem sido reinjetada porque faltam rotas de escoamento das plataformas &#8220;offshore&#8221;, no oceano, para a malha &#8220;onshore&#8221;, no continente, diz Szklo, da Coppe-UFRJ.<\/p>\n<p>Parte do problema de infraestrutura, dizem Giovani Machado e Marcos Frederico, superintendentes da diretoria de estudos do petr\u00f3leo, g\u00e1s e biocombust\u00edveis da Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE), se deve ao custo elevado para construir a rede de gasodutos com centenas de quil\u00f4metros que ligaria o mar ao continente.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos e na Europa, como o g\u00e1s \u00e9 usado desde a d\u00e9cada de 50 e 60 para calefa\u00e7\u00e3o nas regi\u00f5es mais frias, a malha de distribui\u00e7\u00e3o que passou a ser usada, por exemplo, para abastecer os caminh\u00f5es, j\u00e1 estava dispon\u00edvel e &#8220;amortizada&#8221; &#8211; ou seja, os investimentos j\u00e1 haviam sido recuperados -, afirmam os especialistas.<\/p>\n<p>Diante da capacidade limitada do setor p\u00fablico de gastar e da incerteza das empresas que exploram os reservat\u00f3rios em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 demanda &#8211; ou seja, se elas ter\u00e3o para quem vender o g\u00e1s que eventualmente decidam explorar -, as vencedoras dos leil\u00f5es do pr\u00e9-sal t\u00eam pouco incentivo para ampliar a rede de distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"ns_chart_GasParticipacao\"><\/div>\n<p>&#8220;A infraestrutura n\u00e3o anda porque n\u00e3o tem demanda disposta a pagar por esse servi\u00e7o&#8221;, destacam.<\/p>\n<p>Os reservat\u00f3rios do pr\u00e9-sal t\u00eam uma propor\u00e7\u00e3o maior de g\u00e1s em rela\u00e7\u00e3o ao \u00f3leo do que os demais campos no pa\u00eds &#8211; o combust\u00edvel, contudo, tem teor mais alto de contaminantes, como o CO2, que precisam ser isolados para que o g\u00e1s seja comercializado.<\/p>\n<p>Para concorrer com o GNL importado e com o g\u00e1s barato que vem da Bol\u00edvia pelo gasoduto de 3,1 mil km inaugurado em 2010, o g\u00e1s do pr\u00e9-sal precisa ter um pre\u00e7o bem mais competitivo do que tem hoje, diz Larissa Resende, do Centro de Estudos de Energia da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV Energia).<\/p>\n<p>Uma das solu\u00e7\u00f5es nesse sentido, ela exemplifica, seria a &#8220;ancoragem&#8221; em projetos de termel\u00e9tricas a g\u00e1s &#8211; grandes consumidoras, que garantiriam parte da demanda &#8211; e a estocagem subterr\u00e2nea do combust\u00edvel, para que ele ficasse mais pr\u00f3ximo dos centros consumidores e reduzisse o impacto negativo das oscila\u00e7\u00f5es de demanda sobre os pre\u00e7os.<\/p>\n<p>Em paralelo, ela acrescenta, o pa\u00eds precisa de mudan\u00e7as regulat\u00f3rias e de formula\u00e7\u00f5es de pol\u00edtica energ\u00e9tica voltadas para fomentar o mercado de g\u00e1s. O chamado &#8220;PL do g\u00e1s&#8221;, o projeto de lei 6407, de 2013, est\u00e1 parado no Congresso.<\/p>\n<p>&#8220;Essa abund\u00e2ncia de g\u00e1s que a gente tem no pr\u00e9-sal s\u00f3 vai ser aproveitada, inclusive como energia de transi\u00e7\u00e3o para construir uma matriz energ\u00e9tica mais limpa, se houver mercado. O Brasil corre o risco de perder uma oportunidade.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">O leil\u00e3o desta quinta-feira<\/h2>\n<p>As \u00faltimas rodadas de leil\u00f5es do pr\u00e9-sal foram realizadas em outubro do ano passado, quatro anos depois da primeira.<\/p>\n<p>Desde 2016, a Petrobras n\u00e3o precisa mais ser operadora \u00fanica dos campos do pr\u00e9-sal &#8211; uma lei de 2010 previa que a empresa deveria ter participa\u00e7\u00e3o m\u00ednima de 30% na explora\u00e7\u00e3o de todos os blocos em opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com a mudan\u00e7a, a estatal passou a ter direito de prefer\u00eancia sobre as \u00e1reas ofertadas. Ou seja, ela tem a prerrogativa de decidir antes do leil\u00e3o se deseja ou n\u00e3o ser operadora e de confirmar esse interesse no dia do certame, caso a oferta vencedora feita pelas empresas que far\u00e3o parte do cons\u00f3rcio esteja acima de sua capacidade financeira.<\/p>\n<p>Na 4\u00aa rodada, a Petrobras exerceu direito de prefer\u00eancia em tr\u00eas dos quatro campos em oferta &#8211; Dois Irm\u00e3os, Tr\u00eas Marias e Uirapuru -, com 30% de percentual m\u00ednimo de explora\u00e7\u00e3o requerido.<\/p>\n<p>As vencedoras do leil\u00e3o ser\u00e3o aquelas que oferecerem o maior excedente em \u00f3leo para a Uni\u00e3o. O regime, dito de partilha e institu\u00eddo em 2010, \u00e9 diferente do aplicado para as demais \u00e1reas produtoras de petr\u00f3leo do pa\u00eds, o de concess\u00e3o &#8211; que seleciona as empresas a partir dos valores de b\u00f4nus que elas oferecem ao governo.<\/p>\n<p>A 5\u00aa rodada de leil\u00f5es est\u00e1 prevista para o pr\u00f3ximo m\u00eas de setembro e a 6\u00aa, para o primeiro semestre de 2019.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"tags-container\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da BBC News Brasil em S\u00e3o Paulo, por\u00a0Camilla Veras Mota &#8211;\u00a0Com n\u00famero recorde de empresas inscritas, mais uma \u00e1rea do pr\u00e9-sal vai a leil\u00e3o nesta quinta-feira. A 4\u00aa rodada de partilha de produ\u00e7\u00e3o colocou quatro campos em oferta, dois na bacia de Santos, dois na bacia de Campos, uma \u00e1rea de cerca de 4,2 mil&#8230;<a class=\"more-link\" href=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/06\/07\/como-o-pre-sal-poderia-ajudar-o-brasil-a-usar-menos-diesel\/\">Continue a leitura <span class=\"meta-nav\">&raquo;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-18363","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-4Mb","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18363","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18363"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18363\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18365,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18363\/revisions\/18365"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18363"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18363"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18363"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}