{"id":18522,"date":"2018-06-25T10:27:33","date_gmt":"2018-06-25T14:27:33","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=18522"},"modified":"2018-06-25T10:28:25","modified_gmt":"2018-06-25T14:28:25","slug":"5-razoes-pelas-quais-e-tao-dificil-renovar-a-politica-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/06\/25\/5-razoes-pelas-quais-e-tao-dificil-renovar-a-politica-brasileira\/","title":{"rendered":"5 raz\u00f5es pelas quais \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil renovar a pol\u00edtica brasileira"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"18523\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/06\/25\/5-razoes-pelas-quais-e-tao-dificil-renovar-a-politica-brasileira\/candi\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/candi.jpg?fit=660%2C371\" data-orig-size=\"660,371\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"candi\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/candi.jpg?fit=300%2C169\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/candi.jpg?fit=600%2C337\" class=\"alignnone size-full wp-image-18523\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/candi.jpg?resize=600%2C337\" alt=\"candi\" width=\"600\" height=\"337\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/candi.jpg?w=660 660w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/candi.jpg?resize=300%2C169 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/candi.jpg?resize=534%2C300 534w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<div class=\"byline\"><span class=\"byline__title\"><span class=\"byline__title\">Da BBC News Brasil em Londres, por\u00a0<\/span><\/span>Fernanda Odilla &#8211; Ao mesmo tempo em que o Brasil assiste \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de movimentos que defendem a renova\u00e7\u00e3o\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/75612fa6-147c-4a43-97fa-fcf70d9cced3\">pol\u00edtica<\/a>\u00a0e ao surgimento de escolas de forma\u00e7\u00e3o de novas lideran\u00e7as, as principais previs\u00f5es para as\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-42313908\">elei\u00e7\u00f5es de 2018<\/a>\u00a0n\u00e3o s\u00e3o de grandes mudan\u00e7as.<\/div>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\">\n<p>Na lista de pr\u00e9-candidatos ao Pal\u00e1cio do Planalto, por exemplo, h\u00e1 pouca novidade: dois ex-presidentes da Rep\u00fablica, cinco ex-ministros, al\u00e9m de nomes que j\u00e1 estiveram no Congresso, foram governadores ou pelo menos se candidataram a algum cargo em elei\u00e7\u00f5es passadas.<!--more--><\/p>\n<p>No caso do Congresso, se seguir a tend\u00eancia das elei\u00e7\u00f5es passadas, o \u00edndice de renova\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o tende a ser muito alto. Dos 513 deputados eleitos em 2014, 290 &#8211; mais de 54% &#8211; j\u00e1 faziam parte da legislatura anterior. Al\u00e9m disso, a grande maioria dos eleitos que n\u00e3o eram deputados federais no mandato anterior j\u00e1 tinha trabalhado com pol\u00edtica ocupando cargos eletivos ou nomeados no Legislativo ou no Executivo, em alguma das tr\u00eas esferas.<\/p>\n<p>Mas afinal, por que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil renovar a pol\u00edtica no Brasil?<\/p>\n<p>A forma como o sistema e as regras est\u00e3o estruturados, dizem especialistas, tendem a beneficiar quem j\u00e1 faz pol\u00edtica e dificultar a entrada dos novatos.<\/p>\n<p>&#8220;As estruturas dos partidos s\u00e3o completamente engessadas, hier\u00e1rquicas e prontas para eleger certas figuras e talvez para trazer um (\u00fanico) novo nome&#8221;, afirma a cientista social e antrop\u00f3loga Rosana Pinheiro-Machado, professora da Universidade Federal de Santa Maria, dizendo ser otimista em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es e formas distintas de candidaturas que est\u00e3o aparecendo.<\/p>\n<div class=\"story-body\">\n<div class=\"story-body__inner\">\n<p>J\u00e1 para o cientista pol\u00edtico e professor do Insper Carlos Melo, &#8220;algum grau de renova\u00e7\u00e3o sempre tem&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A quest\u00e3o \u00e9 se vai ser significativa para renovar a cara do sistema&#8221;, observa Melo, que n\u00e3o aposta numa mudan\u00e7a significativa de imediato, mas acredita que o pa\u00eds est\u00e1 vivendo um processo de transforma\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica &#8211; os resultados, contudo, s\u00f3 poder\u00e3o ser mensurados, segundo ele, talvez daqui a quatro ou oito anos.<\/p>\n<p>A BBC News Brasil ouviu especialistas e jovens que dizem querer mudar a pol\u00edtica para apontar as principais dificuldades de mudar a cara e as pr\u00e1ticas do sistema pol\u00edtico no pa\u00eds. Cinco foram as raz\u00f5es mais citadas para explicar por que isso \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil:<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">1. Estrutura dos partidos pol\u00edticos<\/h2>\n<p>Como candidaturas avulsas ou independentes n\u00e3o s\u00e3o permitidas no Brasil, para disputar uma elei\u00e7\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3rio estar filiado a um partido pol\u00edtico pelo menos seis meses antes do pleito.<\/p>\n<p>Apesar de ser relativamente f\u00e1cil se associar a um partido, as siglas tendem a dar mais oportunidades e a serem mais receptivas aos novatos que s\u00e3o potenciais puxadores de votos, como artistas ou atletas.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 muito dif\u00edcil voc\u00ea entrar num partido se n\u00e3o for para trabalhar dentro de uma l\u00f3gica muito pr\u00e9-determinada. Muitas vezes a l\u00f3gica \u00e9 perpetuar o partido e os mesmos poderes, as mesmas redes. Geralmente redes masculinas, com algumas exce\u00e7\u00f5es \u00e9 claro, mas redes de homens brancos&#8221;, afirma Pinheiro-Machado.<\/p>\n<p>A professora diz que ainda \u00e9 muito raro que partidos invistam em candidaturas femininas, em especial de mulheres negras.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/129EE\/production\/_102107267_gettyimages-508494106.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"Mulheres num protesto com megafone em S\u00e3o Paulo, em janeiro de 2016:\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Jovens, em sua maioria integrantes de movimentos e coletivos, que se filiam a partidos tentam ganhar espa\u00e7o e ter voz<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Alguns partidos est\u00e3o abrindo as portas para candidatos de movimentos pol\u00edticos nascidos nos \u00faltimos anos, como Agora!, RenovaBR, Movimento Brasil Livre (MBL) e Livres. Mas isso n\u00e3o significa que os mais jovens v\u00e3o ter voz e for\u00e7a nessas legendas.<\/p>\n<p>Por isso, Pedro Duarte, vice-presidente da juventude do PSDB, defende que mais jovens se filiem a partidos tradicionais e que participem de forma mais ativa da vida partid\u00e1ria na tentativa de abrir espa\u00e7o para caras novas em organiza\u00e7\u00f5es onde a estrutura de poder est\u00e1 consolidada e h\u00e1 pouca altern\u00e2ncia no comando.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">2. Financiamento de campanha<\/h2>\n<p>Al\u00e9m de n\u00e3o terem as portas abertas, diz Carlos Melo, os partidos se transformaram em importantes financiadores de campanha e tendem a patrocinar quem j\u00e1 est\u00e1 no poder.<\/p>\n<p>Desde 2014, quando o Supremo Tribunal Federal proibiu a doa\u00e7\u00e3o de empresas para partidos e candidatos, o financiamento eleitoral ficou restrito \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es de pessoas f\u00edsicas &#8211; que podem doar at\u00e9 10% da renda declarada no ano anterior \u00e0 elei\u00e7\u00e3o &#8211; e ao fundo partid\u00e1rio, que \u00e9 de R$ 888,7 milh\u00f5es neste ano.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/2828\/production\/_102108201_gettyimages-848897986.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"pessoa deposita dinheiro num cofrinho\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Al\u00e9m de doa\u00e7\u00e3o de pessoa f\u00edsica, campanha de 2018 vai ser financiada pelos fundos eleitoral e partid\u00e1rio<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>No ano passado, deputados e senadores aprovaram o fund\u00e3o eleitoral no valor de R$ 1,7 bilh\u00e3o. Tanto os recursos do fundo partid\u00e1rio quanto os do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, nome oficial do fund\u00e3o eleitoral, t\u00eam seu destino decidido pelos partidos.<\/p>\n<p>&#8220;Esses recursos tendem a ser distribu\u00eddos pela c\u00fapula dos partidos e a fortalecer quem j\u00e1 est\u00e1 no poder&#8221;, afirma Melo, salientando que nem sempre os partidos s\u00e3o transparentes e democr\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Apesar de a minirreforma partid\u00e1ria aprovada no ano passado ter estabelecido um teto para os gastos de campanha, disputar uma elei\u00e7\u00e3o de forma competitiva ainda \u00e9 considerado caro.<\/p>\n<p>&#8220;Acho que os partidos s\u00e3o muito pouco dispostos a financiar novos candidatos&#8221;, completa Rosana Pinheiro-Machado.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">3. For\u00e7a dos que j\u00e1 t\u00eam mandatos<\/h2>\n<p>Tanto Pinheiro-Machado quanto Melo apontam que, na l\u00f3gica de privilegiar quem j\u00e1 est\u00e1 no poder, o sistema pol\u00edtico d\u00e1 especial aten\u00e7\u00e3o aos donos de mandatos ou de cargos que conseguem usar a m\u00e1quina p\u00fablica.<\/p>\n<p>&#8220;Imagina um jovem que vai disputar com algu\u00e9m que j\u00e1 tem sede f\u00edsica, assessores e rede de relacionamento com prefeitos, vereadores&#8221;, diz o professor, salientando a condi\u00e7\u00e3o de desvantagem dos que n\u00e3o t\u00eam &#8220;um aparelho&#8221; funcionando a seu favor.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1780E\/production\/_102107269_16241758558_2fbd5dc3d8_z.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"Cerim\u00f4nia conjunta do Congresso Nacional para a abertura do ano legislativo em 2015.\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">FABIO RODRIGUES POZZEBOM\/AG\u00caNCIA BRASI<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Donos de mandato saem em vantagem na disputa eleitoral<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Melo afirma ainda que s\u00e3o poucos os partidos que t\u00eam l\u00edderes carism\u00e1ticos como Lula ou &#8220;chef\u00f5es&#8221; como Valdemar da Costa Neto (PR) e Roberto Jefferson (PTB), que conseguem se manter fortes em suas respectivas legendas mesmo sem mandato.<\/p>\n<p>Ainda assim, Pinheiro-Machado diz que, apesar de ser dif\u00edcil, \u00e9 poss\u00edvel romper com esse sistema.<\/p>\n<p>&#8220;Sou otimista em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es e \u00e0s novas formas de candidaturas que est\u00e3o come\u00e7ando a se colocar na jogada; de pessoas que vieram dos nov\u00edssimos movimentos at\u00e9 de candidaturas ativistas, e mesmo de grupos mais ao centro e \u00e0 direita&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 grupos que est\u00e3o pensando tamb\u00e9m em amplas redes de renova\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e de forma\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as muito voltadas para quest\u00f5es t\u00e9cnicas.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/7648\/production\/_102108203_gettyimages-537183768.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"mulher com bandeira do movimento LGBT\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">A professora Rosana Pinheiro-Machado est\u00e1 otimista com as candidaturas de pessoas de movimentos e de ativistas<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">4. Tom do discurso pol\u00edtico<\/h2>\n<p>Apesar das dificuldades impostas pelo sistema, os novatos tamb\u00e9m podem acabar criando dificuldades para si mesmos. Jovens ou ne\u00f3fitos na pol\u00edtica nem sempre conseguem fugir do discurso tradicional e impor um tom realmente novo.<\/p>\n<p>Os especialistas, no entanto, s\u00e3o otimistas sobre a nova gera\u00e7\u00e3o. Para Carlos Melo, h\u00e1 pessoas propondo novos tipos de organiza\u00e7\u00e3o mais horizontal e coletiva. E, principalmente, com um discurso que n\u00e3o desqualifica seus opositores. &#8220;Um novo jeito de fazer pol\u00edtica est\u00e1 germinando de alguma forma&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Pinheiro-Machado acha que os mais jovens com menos de 20 anos j\u00e1 conseguem fugir do discurso convencional porque fazem parte de &#8220;uma gera\u00e7\u00e3o completamente avessa ao sistema pol\u00edtico&#8221;.<\/p>\n<p>Ela admite, no entanto, que esta turma ainda deve demorar a assumir o poder. Enquanto isso, muitos dos que dizem querer mudar a pol\u00edtica a partir das elei\u00e7\u00f5es de 2018 &#8220;falam mais do mesmo&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">5. Disposi\u00e7\u00e3o do eleitor<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/11288\/production\/_102108207_gettyimages-638106594.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"eleitor votando\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Para o professor Carlos Melo, na aus\u00eancia do novo, o eleitor prefere votar branco ou nulo<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>A aparente pequena disposi\u00e7\u00e3o do eleitor em mudar o sistema tamb\u00e9m \u00e9 citada pelos pesquisadores como um dos fatores que dificulta essa renova\u00e7\u00e3o. Tamanha insatisfa\u00e7\u00e3o com a pol\u00edtica tem refletido no \u00edndice significativo de eleitores que prefere votar em ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>Votos brancos e nulos crescem a cada pesquisa de inten\u00e7\u00e3o de votos e, segundo o Datafolha, atingiram neste m\u00eas patamares recordes. A depender do cen\u00e1rio, o n\u00famero de pessoas que declara votar branco ou nulo varia de 17% a 28% na pesquisa Datafolha de junho, feita com mais de 2 mil pessoas em 174 munic\u00edpios.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o votos de protesto, de nega\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica. A fase em que a gente est\u00e1 \u00e9 de um mau humor terr\u00edvel&#8221;, avalia Carlos Melo.<\/p>\n<p><strong>Como, ent\u00e3o, mudar a pol\u00edtica<\/strong><strong>?<\/strong><\/p>\n<p>A BBC News Brasil perguntou a jovens que dizem querer mudar a pol\u00edtica como pretendem renovar o sistema. A maioria defendeu uma mudan\u00e7a completa de pessoas, pr\u00e1ticas e ideias.<\/p>\n<p>H\u00e1, contudo, posi\u00e7\u00f5es contradit\u00f3rias em rela\u00e7\u00e3o os novos movimentos.<\/p>\n<p>Para Jo\u00e3o Francisco Maria, da Rede e do movimento Agora!, o momento \u00e9 de transi\u00e7\u00e3o. &#8220;O sistema velho est\u00e1 morrendo, os partidos v\u00e3o morrer. Mas a gente tem que ocupar esses espa\u00e7os, hackear a pol\u00edtica, ocupar as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, ocupar os partidos, ocupar o Parlamento para, dentro dele, ir ajudando para fazer essa transi\u00e7\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o do novo.&#8221;<\/p>\n<p>J\u00e1 Felipe Rigoni, do Movimento Acredito e do Instituto RenovaBR, diz ser &#8220;imposs\u00edvel fazer pol\u00edtica sem partido pol\u00edtico&#8221;. Ele acredita que movimentos de renova\u00e7\u00e3o politica que est\u00e3o aparecendo tendem a se integrar com as legendas tradicionais.<\/p>\n<p>\u00c9 com a participa\u00e7\u00e3o dos movimentos, afirma Rigoni, que os partidos v\u00e3o se renovar e &#8220;tornar-se o que devem ser: o elo entre o cidad\u00e3o e o governo&#8221;.<\/p>\n<p>Por sua vez, Camila Moreno, do diret\u00f3rio nacional do PT, \u00e9 cr\u00edtica a muitos dos movimentos que pregam a renova\u00e7\u00e3o. &#8220;Acho que muitos desses novos movimentos est\u00e3o ligados \u00e0 pol\u00edtica tradicional. Eles s\u00e3o a ideia da velha pol\u00edtica num novo corpo&#8221;, diz. Ela acredita em mudan\u00e7a porque acha que os jovens &#8220;n\u00e3o est\u00e3o satisfeitos com o que j\u00e1 foi conquistado&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/C468\/production\/_102108205_escolacomum1.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"primeira turma da Escola Comum\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Alunos da primeira turma da Escola Comum, que pretende formar lideran\u00e7as pol\u00edticas em S\u00e3o Paulo<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Para o vice-presidente do PSDB, Pedro Duarte, &#8220;n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil, e ningu\u00e9m nunca disse que seria f\u00e1cil&#8221;. &#8220;Certamente h\u00e1 uma resist\u00eancia da velha guarda, mas a gente n\u00e3o pode fazer um discurso muito simples, muito bobo dos novos contra os velhos. Existe muita gente boa que \u00e9 considerada da velha guarda&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>Para F\u00e1bio Osterman, do Movimento Livres, &#8220;n\u00e3o existe um s\u00f3 caminho&#8221;. &#8220;Acho que a gente precisa ter esfor\u00e7os concatenados da sociedade civil com a sociedade pol\u00edtica.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Est\u00e1 cada vez mais claro que a gente precisa ter uma mudan\u00e7a geracional, que essa velha guarda que est\u00e1 no poder tem feito o poss\u00edvel para barrar. A gente precisa de uma nova gera\u00e7\u00e3o de pol\u00edticos que acreditem a politica serve para servir o cidad\u00e3o, e n\u00e3o se servir do cidad\u00e3o&#8221;, opina Osterman.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem, em vez de se lan\u00e7ar na pol\u00edtica, aposte na forma\u00e7\u00e3o de novos nomes. A professora Rosana Pinheiro-Machado faz parte do grupo que criou a Escola Comum, que capacita jovens lideran\u00e7as de \u00e1reas perif\u00e9ricas com aulas aos s\u00e1bados, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>&#8220;O que a gente n\u00e3o quer \u00e9 formar aquele estudante de movimento estudantil que repete as mesmas coisas como mesmo tom de voz. A gente quer formar pol\u00edticos de raiz, voltados para as comunidades locais, mas que saibam pensar de forma intelectual e livre&#8221;, explica.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"tags-container\"><\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da BBC News Brasil em Londres, por\u00a0Fernanda Odilla &#8211; Ao mesmo tempo em que o Brasil assiste \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de movimentos que defendem a renova\u00e7\u00e3o\u00a0pol\u00edtica\u00a0e ao surgimento de escolas de forma\u00e7\u00e3o de novas lideran\u00e7as, as principais previs\u00f5es para as\u00a0elei\u00e7\u00f5es de 2018\u00a0n\u00e3o s\u00e3o de grandes mudan\u00e7as. Na lista de pr\u00e9-candidatos ao Pal\u00e1cio do Planalto, por exemplo,&#8230;<a class=\"more-link\" href=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/06\/25\/5-razoes-pelas-quais-e-tao-dificil-renovar-a-politica-brasileira\/\">Continue a leitura <span class=\"meta-nav\">&raquo;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-18522","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-4OK","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18522","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18522"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18522\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18525,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18522\/revisions\/18525"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18522"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18522"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18522"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}