{"id":18661,"date":"2018-07-14T16:28:17","date_gmt":"2018-07-14T20:28:17","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=18661"},"modified":"2018-07-14T16:28:17","modified_gmt":"2018-07-14T20:28:17","slug":"o-homem-mais-sozinho-do-planeta","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/07\/14\/o-homem-mais-sozinho-do-planeta\/","title":{"rendered":"O homem mais sozinho do planeta"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"18662\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/07\/14\/o-homem-mais-sozinho-do-planeta\/so-3\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/so.jpg?fit=1960%2C1120\" data-orig-size=\"1960,1120\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"so\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/so.jpg?fit=300%2C171\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/so.jpg?fit=600%2C343\" class=\"alignnone size-full wp-image-18662\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/so.jpg?resize=600%2C343\" alt=\"so\" width=\"600\" height=\"343\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/so.jpg?w=1960 1960w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/so.jpg?resize=300%2C171 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/so.jpg?resize=768%2C439 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/so.jpg?resize=1024%2C585 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/so.jpg?resize=525%2C300 525w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/so.jpg?w=1200 1200w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/so.jpg?w=1800 1800w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>H\u00e1 uma centena de povos ind\u00edgenas que vivem sem contato com o mundo exterior. T\u00eam entre um e 100 membros. E quase nada se sabe sobre eles.<!--more--><\/p>\n<p>No El Pa\u00eds<\/p>\n<p>Na terra ind\u00edgena Tanaru, situada na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/amazonia\">Amaz\u00f4nia<\/a>\u00a0brasileira profunda, vive o homem mais solit\u00e1rio do mundo. N\u00e3o tem nenhum objeto pessoal e carece at\u00e9 de nome conhecido. N\u00e3o fala com ningu\u00e9m. N\u00e3o se sabe qual o seu idioma e nem o povo ao qual pertenceu. H\u00e1 apenas uma suspeita: que ele seja o \u00faltimo remanescente de uma comunidade cujos membros possivelmente foram aniquilados por pistoleiros ou doen\u00e7as quando se desbravaram essas paragens de Rond\u00f4nia. Isso pode ter ocorrido na d\u00e9cada de oitenta, durante a constru\u00e7\u00e3o da BR 364, uma pol\u00eamica rodovia financiada pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/banco_mundial\/a\">Banco Mundial.<\/a>\u00a0\u00c9 o que presumem os pesquisadores do Survival, o movimento global de defesa dos povos ind\u00edgenas, que,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.survival.es\/indigenasaislados\" target=\"_blank\">com sua campanha \u201cDeixe-os Viver\u201d<\/a>, defende o direito dessas comunidades de conservar suas terras e decidir como querem coexistir.<\/p>\n<p>O homem \u00e9 conhecido como \u201c\u00cdndio do Buraco\u201d, pois costuma cavar crateras para ca\u00e7ar animais ou para se esconder. Tem cerca de 50 anos, talvez. H\u00e1 apenas suposi\u00e7\u00f5es a partir de uma \u00fanica foto desfocada em que quase n\u00e3o se v\u00ea seu rosto, escondido atr\u00e1s de sua pequena casa de palha, na floresta. Foi clicado por um cineasta que acompanhava uma equipe da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/funai_fundacion_nacional_indio_brasil\">Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai)<\/a>. No Brasil existem 107 registros de povos ind\u00edgenas isolados na Amaz\u00f4nia, dos quais 26 foram confirmados pelas autoridades.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|foto\" class=\"sumario_foto izquierda\"><a name=\"sumario_3\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/06\/18\/planeta_futuro\/1529331737_195563_1529336615_sumario_normal.jpg?resize=360%2C277&#038;ssl=1\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/06\/18\/planeta_futuro\/1529331737_195563_1529336615_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/06\/18\/planeta_futuro\/1529331737_195563_1529336615_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"Esta \u00e9 a \u00fanica imagem obtida do homem conhecido como \u00cdndio do Buraco. Pode-se ver seu rosto entre as folhas.\" width=\"360\" height=\"277\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Esta \u00e9 a \u00fanica imagem obtida do homem conhecido como \u00cdndio do Buraco. Pode-se ver seu rosto entre as folhas.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-agencia\">FUNAI<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Esse homem solit\u00e1rio n\u00e3o cumpre puni\u00e7\u00e3o alguma, mas provavelmente sofre muito, imerso nas recorda\u00e7\u00f5es de sua tribo. Vive segundo seus desejos: permanecer isolado da sociedade industrializada. E n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico. \u201cH\u00e1 mais de 100 povos ao redor do mundo que n\u00e3o t\u00eam contato regular nem pac\u00edfico com a sociedade dominante. Est\u00e3o principalmente na Amaz\u00f4nia, no Chaco do Paraguai, nas ilhas indianas Andaman e em Papua Ocidental\u201d, diz Sarah Shenker, pesquisadora da Survival. Costumam ser grupos de ca\u00e7adores-coletores n\u00f4mades de 10, 20, 30 ou 50 membros (embora alguns do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/peru\/a\">Peru<\/a>\u00a0e do Brasil tenham de 100 a 200 integrantes) ou apenas um. Seu \u00fanico v\u00ednculo \u00e9 que dependem de suas terras para sobreviver, que s\u00e3o as mais bem cuidadas e com maior diversidade do planeta. \u201cAs evid\u00eancias mostram que eles s\u00e3o a melhor barreira contra o desmatamento\u201d, diz Shenker. Seus defensores afirmam que eles desenvolveram formas de vida autossuficientes e extraordinariamente diversas.<\/p>\n<p>Essas minorias se encontram numa situa\u00e7\u00e3o de extrema vulnerabilidade. S\u00e3o exterminadas pela viol\u00eancia exercida por estrangeiros, que tiram suas terras e recursos, al\u00e9m de doen\u00e7as como gripe e sarampo \u2013 contra as quais n\u00e3o t\u00eam imunidade. A Survival calcula que algumas tribos perderam at\u00e9 90% de seus membros em um ano ou dois, ap\u00f3s o primeiro contato. Mesmo quando existem equipes m\u00e9dicas presentes, n\u00e3o h\u00e1 garantia de que os ind\u00edgenas respondam ao tratamento.<\/p>\n<p>O Homem do Buraco \u00e9 a \u00fanica pessoa em sua terra. Quando Fiona Watson, outra ativista e pesquisadora da Survival, visitou esse territ\u00f3rio em 2011, encontrou restos de uma cabana de palha habitada por ele, al\u00e9m de seus caracter\u00edsticos buracos. Watson integrava uma expedi\u00e7\u00e3o da Funai, que desejava averiguar se era poss\u00edvel estabelecer um contato amistoso, j\u00e1 que os pesquisadores temiam pela seguran\u00e7a desse homem. \u201cH\u00e1 muitos pistoleiros que n\u00e3o teriam nenhum problema em se desfazer dele\u201d, contava num artigo.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|html\" class=\"sumario_html derecha\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p>A equipe tamb\u00e9m encontrou pontas de flecha talhadas, caba\u00e7as para armazenar \u00e1gua, nozes secas e uma tocha feita de resina. Na horta havia verduras, mandioca e milho. \u201cProvavelmente ele venha de noite, escondido, para colher as frutas quando amadurecem. Deve ter levado dias cortando as \u00e1rvores, sozinho, para abrir esse espa\u00e7o.\u201d Watson se sentia vigiada em todo momento. \u201cSe voc\u00ea chegar muito perto, ele disparar\u00e1 uma flecha como sinal de advert\u00eancia\u201d, escrevia a pesquisadora. Pouco depois, e ap\u00f3s v\u00e1rias tentativas de assassinato por parte de pecuaristas, o Governo brasileiro decidiu n\u00e3o tentar entrar em contato com ele e ampliar seu territ\u00f3rio em 3.000 hectares para que tivesse mais espa\u00e7o para viver.<\/p>\n<p>O caso do \u00cdndio do Buraco \u00e9 o mais extremo, mas n\u00e3o o \u00fanico. O mais famoso dos \u00faltimos tempos talvez tenha sido o de Jakarewyj, a ind\u00edgena aw\u00e1 que morreu em 2017 depois de anos de luta contra diversas doen\u00e7as contra\u00eddas ap\u00f3s um primeiro contato com madeireiros. Ela s\u00f3 pedia que a deixassem viver isolada. Tamb\u00e9m correm perigo os\u00a0<a href=\"https:\/\/elpais.com\/elpais\/2015\/10\/13\/planeta_futuro\/1444743104_732810.html\" target=\"_blank\">kawahivas<\/a>, que vivem no territ\u00f3rio de Rio Pardo, no Mato Grosso, assolado pelo desmatamento ilegal e pelos latifundi\u00e1rios. Esses ind\u00edgenas passam a vida fugindo das amea\u00e7as dos madeireiros. O mesmo aconteceu com os akuntsus. \u201cNos anos sessenta, os pecuaristas os consideravam um obst\u00e1culo ao progresso, e por isso os massacraram. S\u00f3 restaram quatro \u2013 e n\u00e3o viver\u00e3o at\u00e9 a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o\u201d, lamenta Shenker. S\u00e3o como o Homem do Buraco, o \u00fanico sobrevivente dessa tr\u00e1gica hist\u00f3ria. Quando ele morrer, seu povo ter\u00e1 desaparecido para sempre.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"sumario__interior\"><\/div>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 uma centena de povos ind\u00edgenas que vivem sem contato com o mundo exterior. T\u00eam entre um e 100 membros. 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