{"id":18681,"date":"2018-07-23T17:56:49","date_gmt":"2018-07-23T21:56:49","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=18681"},"modified":"2018-07-23T17:57:38","modified_gmt":"2018-07-23T21:57:38","slug":"por-cirurgias-plasticas-mais-baratas-brasileiros-organizam-no-whatsapp-viagens-ate-bolivia-e-venezuelapor-cirurgias-plasticas-mais-baratas-brasileiros-organizam-no-whatsapp-viagens-ate-bolivia-e-ven","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/07\/23\/por-cirurgias-plasticas-mais-baratas-brasileiros-organizam-no-whatsapp-viagens-ate-bolivia-e-venezuelapor-cirurgias-plasticas-mais-baratas-brasileiros-organizam-no-whatsapp-viagens-ate-bolivia-e-ven\/","title":{"rendered":"Por cirurgias pl\u00e1sticas mais baratas, brasileiros organizam no WhatsApp viagens at\u00e9 Bol\u00edvia e Venezuela"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"18682\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/07\/23\/por-cirurgias-plasticas-mais-baratas-brasileiros-organizam-no-whatsapp-viagens-ate-bolivia-e-venezuelapor-cirurgias-plasticas-mais-baratas-brasileiros-organizam-no-whatsapp-viagens-ate-bolivia-e-ven\/ci-3\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/ci.jpg?fit=660%2C371\" data-orig-size=\"660,371\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"ci\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/ci.jpg?fit=300%2C169\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/ci.jpg?fit=600%2C337\" class=\"alignnone size-full wp-image-18682\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/ci.jpg?resize=600%2C337\" alt=\"ci\" width=\"600\" height=\"337\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/ci.jpg?w=660 660w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/ci.jpg?resize=300%2C169 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/ci.jpg?resize=534%2C300 534w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p class=\"story-body__introduction\">A microempres\u00e1ria Silvana Siqueira, de 39 anos, se juntou a outras quatro mulheres e, em um carro, atravessou a fronteira entre o Brasil e a Venezuela no in\u00edcio deste ano. O objetivo: se submeter a\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-43910129\">cirurgias pl\u00e1sticas<\/a>.<!--more--><\/p>\n<p class=\"story-body__introduction\"><span class=\"byline__name\">Vin\u00edcius Lemos<\/span><span class=\"byline__title\">De Cuiab\u00e1 para a BBC News Brasil<\/span><\/p>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\"><\/div>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\">E elas n\u00e3o s\u00e3o as \u00fanicas. Segundo m\u00e9dicos e outras pessoas desse ramo ouvidas pela BBC News Brasil, cresceu nos \u00faltimos anos a busca, por brasileiros, desses procedimentos em pa\u00edses como a Bol\u00edvia e a Venezuela. A ponto de todo um mercado ter se organizado em torno desse fil\u00e3o.<\/div>\n<p>H\u00e1 in\u00fameras p\u00e1ginas e grupos no Facebook dedicadas ao assunto. Os interessados criam grupos no WhatsApp, em sua maioria compostos por mulheres, nos quais trocam experi\u00eancias e organizam as viagens, atra\u00eddos principalmente pela oferta de menor pre\u00e7o. Al\u00e9m disso, brasileiros t\u00eam atuado como intermediadores entre pacientes, m\u00e9dicos e &#8220;cuidadores&#8221;, pessoas que recebem para ajudar no p\u00f3s-operat\u00f3rio.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 uma estat\u00edstica sobre essa procura, mas a Sociedade Boliviana de Cirurgia Pl\u00e1stica cita o c\u00e2mbio, favor\u00e1vel a quem vive no Brasil, como um dos principais atrativos. Na Venezuela, um s\u00f3 m\u00e9dico diz operar at\u00e9 12 brasileiros por m\u00eas. L\u00e1, a crise econ\u00f4mica tem feito os profissionais atuarem cada vez mais para atrair clientes do exterior, de acordo com os relatos.<\/p>\n<p>Siqueira conta que decidiu fazer as pl\u00e1sticas no pa\u00eds vizinho ap\u00f3s ouvir relatos bem-sucedidos de amigas. Ela pagou R$ 13,5 mil pelos procedimentos. &#8220;A qualidade do servi\u00e7o deles \u00e9 excelente. Eu consegui o resultado que almejava&#8221;, conta. A viagem de carro fazia parte de um pacote no valor de R$ 2 mil pago a uma brasileira para receber os cuidados ap\u00f3s a cirurgia.<\/p>\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-parrot\">\n<div class=\"story-body\">\n<div class=\"story-body__inner\">\n<p>Alguns procedimentos chegam a custar menos da metade do valor cobrado no Brasil \u2013 os mais procurados s\u00e3o lipoaspira\u00e7\u00e3o, lipoescultura, rinoplastia, abdominoplastia e implante de silicone nos seios.<\/p>\n<p>Mas existem riscos. Al\u00e9m da possibilidade de ser operado por um profissional que n\u00e3o \u00e9 cirurgi\u00e3o pl\u00e1stico, h\u00e1 tamb\u00e9m o perigo de o procedimento ser feito em uma cl\u00ednica clandestina ou n\u00e3o haver cuidados adequados no p\u00f3s-operat\u00f3rio, problemas tamb\u00e9m registrados no Brasil.<\/p>\n<p>No ano passado, ao menos duas brasileiras morreram nos pa\u00edses vizinhos por causa de complica\u00e7\u00f5es. O mesmo ocorreu no caso da banc\u00e1ria Lilian Calixto, de 46 anos, que morreu no Rio ap\u00f3s uma interven\u00e7\u00e3o nos gl\u00fateos realizada por Denis Furtado, m\u00e9dico conhecido como &#8220;Doutor Bumbum&#8221;, que, segundo o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj), n\u00e3o tinha autoriza\u00e7\u00e3o para exercer medicina no Estado.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/13E7C\/production\/_102523518_gettyimages-480801884.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"Homem opera paciente\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">&#8216;N\u00e3o existe crise para a cirurgia pl\u00e1stica aqui&#8217;, diz pessoa que recebe, na Venezuela, brasileiros que desejam fazer cirurgia pl\u00e1stica<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Como ocorre a negocia\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>M\u00e9dicos na Bol\u00edvia e na Venezuela mant\u00eam uma equipe dedicada a conquistar clientes no Brasil. Por meio de divulga\u00e7\u00f5es nas redes sociais e at\u00e9 pessoalmente, nas \u00e1reas de fronteira, intermedi\u00e1rios brasileiros anunciam o trabalho do profissional, propagando fotos de supostos resultados de procedimentos.<\/p>\n<p>Esses intermedi\u00e1rios geralmente ganham um percentual por cliente conquistado, e costumam fechar um pacote incluindo transporte, alimenta\u00e7\u00e3o, estadia, cirurgia e cuidados durante o p\u00f3s-operat\u00f3rio. H\u00e1 outras op\u00e7\u00f5es para quem deseja viajar por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Al\u00e9m deles, ajudam na divulga\u00e7\u00e3o os &#8220;cuidadores&#8221;, na maioria tamb\u00e9m brasileiros, que via de regra n\u00e3o trabalham para um m\u00e9dico espec\u00edfico. Ele auxiliam na busca pelo profissional e cobram at\u00e9 R$ 3 mil para oferecer suporte no per\u00edodo p\u00f3s-operat\u00f3rio, que pode levar 15 dias. O valor inclui alimenta\u00e7\u00e3o, acompanhamento, estadia e ajuda durante a recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 preciso tomar cuidado, porque existe o risco de (os pacientes) serem captados por gente que trabalha por comiss\u00f5es e porcentagens para arrumar pacientes para cirurgi\u00f5es falsos&#8221;, alertou em conversa com a BBC News Brasil o presidente da Sociedade Boliviana de Cirurgia Pl\u00e1stica, Javier Ruiz Barea.<\/p>\n<p>Os pagamentos das cirurgias pl\u00e1sticas s\u00e3o feitos em uma \u00fanica presta\u00e7\u00e3o, em d\u00f3lar ou real. No caso da Bol\u00edvia, podem ser realizados antes de o paciente ir ao pa\u00eds ou na chegada. Na Venezuela, precisam ser pagos antes, por meio de dep\u00f3sito banc\u00e1rio ou entregues a um representante do m\u00e9dico.<\/p>\n<p>As conversas sobre as pl\u00e1sticas, os valores e a forma de pagamento acontecem no WhatsApp. Tamb\u00e9m s\u00e3o criados nos aplicativos grupos que re\u00fanem as pessoas que ir\u00e3o nas mesmas datas, nos quais tamb\u00e9m s\u00e3o publicadas informa\u00e7\u00f5es sobre as viagens e as cirurgias.<\/p>\n<p>Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Pl\u00e1stica (SBCP), a pr\u00e1tica de levar grupos de brasileiros para fazer cirurgias pl\u00e1sticas em outros pa\u00edses \u00e9 ilegal. &#8220;Eles aliciam as pessoas. Trata-se quase de um tr\u00e1fico de pacientes. \u00c9 um interesse exclusivamente mercantil. Fazem do paciente objeto de mercancia&#8221;, afirmou Denis Calazans, secret\u00e1rio-geral da entidade.<\/p>\n<p>Uma pessoa que recebe pacientes na Venezuela, que pediu para n\u00e3o ser identificada, nega que a pr\u00e1tica seja criminosa.<\/p>\n<p>&#8220;Os m\u00e9dicos brasileiros tentam nos denegrir. Eles costumam dizer que somos aliciadores, mas eu n\u00e3o obrigo ningu\u00e9m a vir. As pessoas chegam aqui por vontade pr\u00f3pria. S\u00e3o elas que me procuram&#8221;, diz.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/9E54\/production\/_102523504_crop.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"O empres\u00e1rio e jornalista Peterson Prestes\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Prestes j\u00e1 fez 22 procedimentos est\u00e9ticos na Bol\u00edvia desde 2011<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Ind\u00fastria do bisturi<\/h2>\n<p>Os grupos, que costumam ter entre cinco e dez pessoas, geralmente viajam por meio de vans, \u00f4nibus ou carros particulares.<\/p>\n<p>Em boa parte das vezes, vivem nos Estados pr\u00f3ximos \u00e0 fronteira \u2013 os pacientes que chegam \u00e0 Bol\u00edvia v\u00eam, em sua maioria, de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Acre e Rond\u00f4nia, enquanto no caso da Col\u00f4mbia, de Roraima ou do Amazonas.<\/p>\n<p>Durante o p\u00f3s-operat\u00f3rio, h\u00e1 a op\u00e7\u00e3o de ficar em espa\u00e7os pertencentes aos cuidadores. A atividade se tornou t\u00e3o rent\u00e1vel que, para alguns, se tornou a \u00fanica fonte de renda \u2013 h\u00e1 quem tenha contratado enfermeiros, cozinheiros e motoristas para atender aos pacientes.<\/p>\n<p>Na Venezuela, os brasileiros costumam fazer as interven\u00e7\u00f5es em Puerto Ordaz, a cidade grande mais pr\u00f3xima \u00e0 fronteira. No pa\u00eds, o grande n\u00famero de estrangeiros que procuram os servi\u00e7os locais fez os m\u00e9dicos criarem &#8220;promo\u00e7\u00f5es&#8221; para os locais, relata uma cuidadora ouvida pela BBC News Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;Os m\u00e9dicos passaram a cobrar metade do pre\u00e7o, em compara\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que \u00e9 cobrado dos estrangeiros, para que eles (venezuelanos) fa\u00e7am as cirurgias&#8221;, relata.<\/p>\n<p>Em meio \u00e0 profunda crise vivida na Venezuela, os cirurgi\u00f5es pl\u00e1sticos intensificaram a divulga\u00e7\u00e3o de seus trabalhos no exterior.<\/p>\n<p>Segundo o cirurgi\u00e3o Enzo Troisi, a vinda de estrangeiros cresceu nos \u00faltimos anos. &#8220;Hoje, al\u00e9m dos brasileiros, tamb\u00e9m recebemos pacientes colombianos, dominicanos, americanos e europeus&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Formado h\u00e1 20 anos, Troisi afirma costumar operar de 8 a 12 brasileiros todos os meses. N\u00e3o h\u00e1 levantamentos sobre a quantidade de brasileiros que v\u00e3o \u00e0 Venezuela com esse fim.<\/p>\n<p>Uma cabeleireira brasileira, que pediu para n\u00e3o ser identificada, diz que economizou R$ 6,5 mil ao fazer pl\u00e1sticas no pa\u00eds vizinho em fevereiro passado. &#8220;Eu fiz lipoaspira\u00e7\u00e3o e coloquei pr\u00f3tese nos seios. No Brasil, os procedimentos n\u00e3o sairiam por menos de R$ 17 mil. Paguei R$ 10,5 mil na Venezuela.&#8221;<\/p>\n<p>Ela elogia os m\u00e9dicos. &#8220;Eles foram muito cuidadosos e exigiram uma bateria de exames. Deu tudo certo comigo e com as outras meninas do meu grupo&#8221;, conta. &#8220;N\u00e3o me arrependo. Meus parentes diziam que eu estava maluca, por causa das not\u00edcias ruins do pa\u00eds, mas a minha experi\u00eancia foi muito tranquila&#8221;, diz a mulher.<\/p>\n<p>A Sociedade Brasileira de Cirurgia pl\u00e1stica alerta que os riscos est\u00e3o presentes n\u00e3o s\u00f3 nos procedimentos em si, mas tamb\u00e9m no per\u00edodo p\u00f3s-cir\u00fargico. Isso porque, afirma, h\u00e1 casos de brasileiros que sofrem complica\u00e7\u00f5es por n\u00e3o aguardar o tempo necess\u00e1rio de repouso.<\/p>\n<p>&#8220;Uma das caracter\u00edsticas que percebemos, principalmente nas cirurgias feitas na Venezuela, \u00e9 que os brasileiros que t\u00eam complica\u00e7\u00f5es fazem a recupera\u00e7\u00e3o em hospitais p\u00fablicos no Brasil. Ent\u00e3o, eles pagam particular em outro pa\u00eds e se recuperam aqui, \u00e0s custas do Estado brasileiro. Apesar disso, \u00e9 importante destacar que a sa\u00fade brasileira \u00e9 universal e n\u00e3o se pode negar assist\u00eancia&#8221;, afirma Calazans.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/F05C\/production\/_102523516_gettyimages-501484328.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"Santa Cruz de La Sierra, na Bol\u00edvia\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Santa Cruz de La Sierra, na Bol\u00edvia, \u00e9 um dos pontos mais procurados por brasileiros por cirurgias<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Ajuda do c\u00e2mbio<\/h2>\n<p>Na Bol\u00edvia, o mercado de cirurgias pl\u00e1sticas teve uma grande expans\u00e3o nos \u00faltimos anos. L\u00e1, a cidade mais procurada por brasileiros \u00e9 Santa Cruz de La Sierra, tamb\u00e9m pr\u00f3xima com a fronteira.<\/p>\n<p>&#8220;A taxa de c\u00e2mbio faz com que os procedimentos fiquem mais baratos para os brasileiros&#8221;, conta o presidente da Sociedade Boliviana de Cirurgia Pl\u00e1stica.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois anos, a vendedora Josiane Roque, de 31 anos, foi \u00e0 Bol\u00edvia para fazer uma lipoescultura e colocar pr\u00f3teses de silicone nos seios.<\/p>\n<p>Ela relata que pesquisou sobre os m\u00e9dicos locais antes de fazer as interven\u00e7\u00f5es, que custaram R$ 7,5 mil. &#8220;Vi os resultados das cirurgias que eram feitas l\u00e1 e gostei. Depois olhei os valores e vi que pagaria metade do que gastaria aqui no Brasil.&#8221;.<\/p>\n<p>A vendedora tamb\u00e9m contratou uma cuidadora para auxili\u00e1-la no p\u00f3s-operat\u00f3rio. &#8220;Eu fiquei sete dias na Bol\u00edvia, ap\u00f3s a cirurgia, e s\u00f3 retornei quando estava bem. Gostei muito dos resultados, e indiquei para todas as minhas amigas.&#8221;<\/p>\n<p>O empres\u00e1rio e jornalista Peterson Prestes, de 36 anos, afirma ter feito 22 procedimentos na Bol\u00edvia desde 2011, entre pl\u00e1sticas e interven\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas. &#8220;Fiz rinoplastia, apliquei botox v\u00e1rias vezes, coloquei pr\u00f3teses nos gl\u00fateos, entre outras interven\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas. Foi tudo muito tranquilo e nunca tive nenhuma complica\u00e7\u00e3o&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Ele acredita que os mesmos procedimentos, caso feitos no Brasil, n\u00e3o custariam menos de R$ 100 mil \u2013 na Bol\u00edvia, conta, sa\u00edram por pouco menos de R$ 80 mil.<\/p>\n<p>&#8220;No total, paguei pouco menos de R$ 50 mil ao longo desses anos. Eu consigo muitos descontos porque tamb\u00e9m trabalho como drag queen e gravo v\u00eddeos divulgando algumas cl\u00ednicas.&#8221;<\/p>\n<p>Javier Barea alerta que os brasileiros devem tomar cuidado para n\u00e3o contratar falsos profissionais.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 pessoas que n\u00e3o s\u00e3o m\u00e9dicas e se passam por cirurgi\u00f5es pl\u00e1sticos. Existem tamb\u00e9m m\u00e9dicos que n\u00e3o possuem tal especialidade e se oferecem para esse tipo de interven\u00e7\u00f5es. Por isso, orientamos que somente entrem em contato com cirurgi\u00f5es que perten\u00e7am \u00e0 Sociedade Boliviana de Cirurgia Pl\u00e1stica.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/8663\/production\/_102630443_caf3a3bb-58fc-4e01-a2bb-41b18ac6d0ca.jpg?resize=549%2C549&#038;ssl=1\" alt=\"Exemplo de an\u00fancio de pacote para cirurgias pl\u00e1sticas na Bol\u00edvia ofertado na internet\" width=\"549\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">REPRODU\u00c7\u00c3O\/FACEBOOK<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Exemplo de pacote para cirurgias pl\u00e1sticas na Bol\u00edvia ofertado na internet<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Casos tr\u00e1gicos<\/h2>\n<p>Embora as mulheres que conversaram com a reportagem relatem experi\u00eancias positivas, nem sempre o sonho da cirurgia pl\u00e1stica termina bem.<\/p>\n<p>O caso de morte mais recente foi o da manauara Orqu\u00eddea Cat\u00e3o Ponds, de 45 anos, que morreu horas depois de passar por uma lipoaspira\u00e7\u00e3o na Venezuela, em dezembro.<\/p>\n<p>Segundo o laudo pericial, ela teve tromboembolia pulmonar \u2013 um co\u00e1gulo se forma nas veias, entupindo a art\u00e9ria do pulm\u00e3o.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia contesta o resultado da per\u00edcia. &#8220;Tenho certeza de que n\u00e3o foi uma tromboembolia pulmonar. Eu a acompanhei, estive l\u00e1 no momento da cirurgia e vi tudo de errado que aconteceu no dia&#8221;, relata uma parente dela, que pediu para n\u00e3o ser identificada.<\/p>\n<p>Um ano antes, outra brasileira havia morrido ap\u00f3s ser operada pelo mesmo m\u00e9dico, o oncologista Oscar Hurtado. Dioneide Leite, de 36 anos, se submeteu a uma abdominoplastia com ele. O nome de Hurtado n\u00e3o consta na lista de profissionais inscritos na Sociedade Venezuelana de Cirurgia Pl\u00e1stica (SVCP).<\/p>\n<p>A reportagem procurou a entidade para comentar o caso, mas ela afirmou que n\u00e3o poderia responder nesta semana.<\/p>\n<p>Em setembro do ano passado, a mato-grossense Janeane Rodrigues da Silva Fid\u00e9lis, de 42 anos, morreu em decorr\u00eancia de cirurgias pl\u00e1sticas feitas na Bol\u00edvia. Ela sofreu uma parada card\u00edaca dois dias depois de se submeter a lipoaspira\u00e7\u00e3o e abdominoplastia.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico respons\u00e1vel pela cirurgia, o cirurgi\u00e3o pl\u00e1stico Hern\u00e1n Justiniano Grillo, n\u00e3o respondeu aos pedidos de entrevista. Na \u00e9poca, argumentou que a paciente n\u00e3o relatou, no pr\u00e9-operat\u00f3rio, que tomava diferentes tipos de medicamentos, dentre eles um para problemas card\u00edacos.<\/p>\n<p>De acordo com a Sociedade Boliviana de Cirurgia Pl\u00e1stica, o m\u00e9dico est\u00e1 inscrito na entidade. A entidade afirma que todos de morte os casos s\u00e3o investigados pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico da Bol\u00edvia, mas s\u00e3o conduzidos em sigilo.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/AD73\/production\/_102630444_5e75f65c-d2fb-4f1b-8abd-68def5d8d3d6.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"O secret\u00e1rio-geral da SBCP, Denis Calazans\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">DIVULGA\u00c7\u00c3O<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">&#8216;Fluxo migrat\u00f3rio aumentou em raz\u00e3o do crescimento do apelo mercadol\u00f3gico de determinados profissionais das regi\u00f5es e de intermediadores, que aliciam pacientes com valores muito abaixo da m\u00e9dia&#8217;, diz Denis Calazans<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Falta de dados<\/h2>\n<p>A Sociedade Brasileira de Cirurgia Pl\u00e1stica fez uma representa\u00e7\u00e3o na Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica sobre o &#8220;turismo m\u00e9dico&#8221;, na qual relatou as mortes das brasileiras. Segundo a PGR, n\u00e3o foram encontrados ind\u00edcios de ilegalidades, e procedimento de investiga\u00e7\u00e3o acabou arquivado.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos cinco anos, foram registradas ao menos oito mortes de brasileiras na Venezuela em decorr\u00eancia de cirurgias pl\u00e1sticas. Na Bol\u00edvia foram ao menos sete em 20 anos, segundo a Sociedade Boliviana de Cirurgia Pl\u00e1stica.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 dados sobre as mortes e complica\u00e7\u00f5es ocorridas ap\u00f3s cirurgias feitas no Brasil, como a da banc\u00e1ria operada pelo &#8220;Doutor Bumbum&#8221;. Apesar dos v\u00e1rios casos relatados na imprensa ao longo dos anos, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, o Conselho Federal de Medicina e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Pl\u00e1stica afirmam que n\u00e3o possuem estat\u00edsticas sobre \u00f3bitos ou sequelas graves.<\/p>\n<p>No Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Mortalidade (SIM), do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, n\u00e3o h\u00e1 apontamentos de mortes em raz\u00e3o de cirurgias pl\u00e1sticas. Os casos normalmente s\u00e3o notificados de formas distintas, como infec\u00e7\u00e3o ou parada cardiorrespirat\u00f3ria, pois n\u00e3o h\u00e1 uma especificidade para as interven\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas.<\/p>\n<p>O dermatologista \u00c9rico Pampado Di Santis defendeu uma tese de doutorado que tinha como tema as mortes em procedimentos de lipoaspira\u00e7\u00e3o no Brasil. Ele relata que teve dificuldades para encontrar dados sobre os \u00f3bitos relacionados \u00e0s interven\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Obtive pela imprensa (os dados) em uma busca herc\u00falea de 10 anos. \u00c9 mais dif\u00edcil ainda conseguir as certid\u00f5es de \u00f3bito&#8221;, comenta.<\/p>\n<p>Com base nas pesquisas para a tese, Santis apurou que foram registradas, no Brasil, 102 mortes, de 1987 a 2015, em decorr\u00eancia de lipoaspira\u00e7\u00e3o, em alguns casos associadas a outros procedimentos.<\/p>\n<p>Segundo o dermatologista, n\u00e3o h\u00e1 como afirmar que as interven\u00e7\u00f5es nos pa\u00edses vizinhos s\u00e3o mais arriscadas que as feitas no Brasil. &#8220;N\u00e3o se pode dizer que os riscos s\u00e3o distintos, pelo motivo de n\u00e3o termos no Brasil, e tamb\u00e9m no mundo, dados consistentes sobre esses casos.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"tags-container\"><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A microempres\u00e1ria Silvana Siqueira, de 39 anos, se juntou a outras quatro mulheres e, em um carro, atravessou a fronteira entre o Brasil e a Venezuela no in\u00edcio deste ano. O objetivo: se submeter a\u00a0cirurgias pl\u00e1sticas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-18681","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-4Rj","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18681","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18681"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18681\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18684,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18681\/revisions\/18684"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18681"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18681"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18681"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}