{"id":18793,"date":"2018-08-14T09:57:35","date_gmt":"2018-08-14T13:57:35","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=18793"},"modified":"2018-08-14T09:57:35","modified_gmt":"2018-08-14T13:57:35","slug":"fernanda-montenegro-este-pais-nao-vai-se-entregar-na-sua-sobrevivencia-nao-vai-desistir","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/08\/14\/fernanda-montenegro-este-pais-nao-vai-se-entregar-na-sua-sobrevivencia-nao-vai-desistir\/","title":{"rendered":"Fernanda Montenegro: \u201cEste pa\u00eds n\u00e3o vai se entregar. Na sua sobreviv\u00eancia, n\u00e3o vai desistir\u201d"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"18794\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/08\/14\/fernanda-montenegro-este-pais-nao-vai-se-entregar-na-sua-sobrevivencia-nao-vai-desistir\/linda-2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/linda.jpg?fit=1960%2C1308\" data-orig-size=\"1960,1308\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"linda\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/linda.jpg?fit=300%2C200\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/linda.jpg?fit=600%2C400\" class=\"alignnone size-full wp-image-18794\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/linda.jpg?resize=600%2C400\" alt=\"linda\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/linda.jpg?w=1960 1960w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/linda.jpg?resize=300%2C200 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/linda.jpg?resize=768%2C513 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/linda.jpg?resize=1024%2C683 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/linda.jpg?resize=450%2C300 450w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/linda.jpg?w=1200 1200w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/linda.jpg?w=1800 1800w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Atriz brasileira, que est\u00e1 prestes a completar 89 anos, lan\u00e7a livro fotobiogr\u00e1fico sobre seus mais de 70 anos de carreira. Ao EL PA\u00cdS, diz que o Brasil est\u00e1 &#8220;nas catacumbas&#8221;, mas &#8220;n\u00e3o vai se entregar&#8221;<!--more--><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No El Pa\u00eds<\/p>\n<p>Arlette Pinheiro Esteves da Silva tornou-se Fernanda Montenegro (Rio de Janeiro, 1929) quando ainda trabalhava na R\u00e1dio Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e Cultura, onde come\u00e7ara aos 15 anos ap\u00f3s passar em um teste. \u201cFiquei l\u00e1 durante 10 anos, mesmo j\u00e1 trabalhando em teatro. A partir do quinto ano, comecei a ter um programa liter\u00e1rio para o qual eu adaptava contos, novelas e participava como r\u00e1dio atriz. Inventei esse nome. Achei que era interessante para um programa liter\u00e1rio\u201d, conta ela ao EL PA\u00cdS. \u201cSoava como aqueles nomes franceses a la s\u00e9culo XIX ligados a literatura de Balzac e Flaubert. Foi por curti\u00e7\u00e3o, mas esse nome acabou pegando. O que vou fazer?\u201d<\/p>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p>Era o in\u00edcio de uma longa e brilhante trajet\u00f3ria no teatro, no cinema e na televis\u00e3o compartilhada na maior parte do tempo com seu parceiro, o ator, diretor e produtor Fernando Torres, com quem foi casada at\u00e9 a morte dele, em setembro de 2008. Prestes a completar 89 anos, Fernanda mant\u00e9m uma rotina de trabalho intenso. Mais recentemente,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/07\/26\/cultura\/1532616225_067178.html\">abriu a<\/a>\u00a0<span class=\"st\"><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/07\/26\/cultura\/1532616225_067178.html\">Festa Liter\u00e1ria Internacional de Paraty (Flip) de julho deste ano com uma leitura de textos de Hilda Hilst<\/a>, a homenageada do evento, e lan\u00e7ou<\/span>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sescsp.org.br\/livraria\/4247_FERNANDA+MONTENEGROITINERARIO+FOTOBIOGRAFICO#\/content=detalhes-do-produto\" target=\"_blank\">pela editora SESC um livro,\u00a0<em>Itiner\u00e1rio Fotobiogr\u00e1fico<\/em><\/a>, recheado de fotos, textos pessoais e mem\u00f3rias desses quase 75 anos de carreira. \u201cEle foi pensado h\u00e1 uns oito anos pelo professor Danilo Miranda [diretor do SESC S\u00e3o Paulo], que \u00e9 um homem voltado para a cultura. Fui abrindo as gavetas e come\u00e7ou a vir o material\u201d, conta.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"COL45ObY7NwCFQkrhwodOoEJkQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Pergunta.<\/strong>\u00a0Quando a senhora se deparou com todo esse material, teve uma outra dimens\u00e3o de sua carreira?<\/p>\n<p><strong>Resposta.<\/strong>\u00a0N\u00e3o, a gente vai vivendo e vai trabalhando&#8230; S\u00e3o praticamente 75 anos. O que na verdade tamb\u00e9m est\u00e1 no livro, que tem 500 p\u00e1ginas, \u00e9 o que sobrou do que n\u00e3o foi esquecido, do que n\u00e3o foi usado e desaparecido das gavetas. Fernando e eu tivemos uma companhia durante 30 ou 40 anos, ent\u00e3o nessa din\u00e2mica de divulga\u00e7\u00e3o do que se fazia, muito material n\u00e3o se guardou. De uma certa maneira, o que est\u00e1 no livro, que eu acho de boa qualidade, \u00e9 o que sobrou dessa din\u00e2mica de se propor diante da sociedade quando voc\u00ea tem um trabalho cultural e teatral. No Brasil, a cada dia voc\u00ea tem que matar um le\u00e3o, ainda mais dentro da cultura. Ent\u00e3o, se voc\u00ea tem algo a dizer no campo cultural, voc\u00ea tem que se propor. N\u00e3o h\u00e1 ac\u00famulo, compreende? No nosso pa\u00eds, a cultura \u00e9 batalhada.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Muita gente jovem que\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/03\/28\/cultura\/1522272044_383110.html\">trabalha com teatro fala da dificuldade de se pagar as contas<\/a>. Tamb\u00e9m era assim quando a senhora come\u00e7ou?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0Sempre foi dif\u00edcil viver de cultura no Brasil, n\u00e3o s\u00f3 de teatro. Mas o teatro tamb\u00e9m, porque ele requer o outro&#8230; Um escritor pode se fechar numa sala e escrever um livro, que poder\u00e1 ser sua gl\u00f3ria ou n\u00e3o. Um pintor pode pintar um quadro e um dia, inclusive depois de sua morte, virar um g\u00eanio. O teatro requer o outro, requer o comunal. Para existir, ele precisa de um investimento, mesmo que m\u00ednimo. Como estamos numa crise, o teatro&#8230; Ele n\u00e3o vai acabar, mas est\u00e1 nas catacumbas. Est\u00e1 sendo feito conforme a situa\u00e7\u00e3o permitir. No Brasil, penso que est\u00e1 se encerrando, depois de mais de 200 anos, uma din\u00e2mica, uma est\u00e9tica teatral da pot\u00eancia da dramaturgia, do grande autor. Dada as circunst\u00e2ncias econ\u00f4micas e tamb\u00e9m um certo esgotamento de uma est\u00e9tica teatral no mundo, estamos todos em tempo de espera. N\u00e3o tenho conhecimento absoluto, sou apenas uma observadora do nosso ponto de vista. Mas a cultura vive uma crise geral, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o teatro.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/13\/cultura\/1534130710_624070_1534160896_sumario_normal.jpg?resize=600%2C455&#038;ssl=1\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/13\/cultura\/1534130710_624070_1534160896_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/13\/cultura\/1534130710_624070_1534160896_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/13\/cultura\/1534130710_624070_1534160896_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Fernando Torres e Fernanda Montenegro, em 1953, rec\u00e9m casados.\" width=\"600\" height=\"455\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Fernando Torres e Fernanda Montenegro, em 1953, rec\u00e9m casados.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">ARQUIVO PESSOAL<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Por qu\u00ea?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0Porque \u00e9 tida mais ou menos assim como um licor, um conhaque depois de um grande jantar. Ela \u00e9 dispens\u00e1vel. E ainda h\u00e1 um movimento que diz que a cultura tira o prato de comida do pobre, porque \u00e9 fundamental primeiro alimentar e depois vir\u00e3o os outros apoios diante da vida, como a cultura. Eu, na minha viagem, penso que deveria haver s\u00f3 um minist\u00e9rio, o Minist\u00e9rio da Cultura. E depois secretarias. Secretarias de Educa\u00e7\u00e3o, Economia&#8230; \u00c9 uma ideia maluca, mas na medida em que h\u00e1 desprest\u00edgio total em torno da cultura, o meu protesto vai para o campo da utopia. N\u00e3o h\u00e1 educa\u00e7\u00e3o que se fixe sem que esteja acoplada \u00e0 cultura. Uma educa\u00e7\u00e3o seca, sem o est\u00edmulo de uma vis\u00e3o carnificada da cultura, n\u00e3o se fixa.<\/p>\n<p>A crise cultural \u00e9 muito mais ligada ao artesanato. Quando eu digo artesanato, eu digo o seguinte: nem todo o dia voc\u00ea faz uma grande obra de arte, mas voc\u00ea toca o seu violino porque voc\u00ea n\u00e3o pode deixar de tocar o seu violino. Uma orquestra \u00e9 feita de artistas, mas antes de serem artistas s\u00e3o artes\u00e3os. \u00c9 como o palha\u00e7o no circo, \u00e9 como um pintor. H\u00e1 um fazer que n\u00e3o passa pela ind\u00fastria. \u00c9 isso que est\u00e1 sendo desprestigiado. Isso n\u00e3o quer dizer que l\u00e1 nos recantos mais abandonados do Brasil a m\u00fasica daquela regi\u00e3o n\u00e3o se fa\u00e7a, a dan\u00e7a n\u00e3o se fa\u00e7a, os movimentos de alguma vis\u00e3o c\u00eanica n\u00e3o se fa\u00e7am. A voca\u00e7\u00e3o [de um artista] \u00e9 inarred\u00e1vel. \u00c9 uma condena\u00e7\u00e3o, para o bem e para o mal. Essa voca\u00e7\u00e3o te leva a um of\u00edcio, ent\u00e3o voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um trabalhador. \u00c9 um oficiante, seja marceneiro, corneteiro, pedreiro, m\u00e9dico, advogado, jornalista&#8230; Entendeu? De alguma maneira, mesmo nas catacumbas, o of\u00edcio vai sendo realizado. Porque se voc\u00ea n\u00e3o estiver ali, fazendo aquilo, vai ser infeliz. Pode at\u00e9 comer melhor, pode at\u00e9 tomar seu conhaque, mas n\u00e3o vai ser feliz.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Voc\u00ea participou de greves durante os anos 60 contra a censura. Ainda existe hoje? E se existe, qual \u00e9 a diferen\u00e7a entre antes e agora?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0A censura que existe hoje \u00e9 uma censura aparentemente sem face, porque \u00e9 a censura do desprest\u00edgio cultural. \u00c9 mais dif\u00edcil de caminhar e at\u00e9 de protestar. Antes sab\u00edamos contra quem protestar e por que censuravam. Hoje acho que temos um Congresso Nacional prim\u00e1rio, sem dimens\u00e3o cultural, e \u00e0s vezes at\u00e9 mesmo educacional. N\u00e3o h\u00e1 censura dentro da vis\u00e3o tradicional, que se define a partir de proibi\u00e7\u00f5es catalogadas em um regime ditatorial. Quando eu falo em desaten\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura, eu falo que isso faz parte de uma vis\u00e3o de Bras\u00edlia em torno da cultura.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/13\/cultura\/1534130710_624070_1534161080_sumario_normal.jpg?resize=600%2C448&#038;ssl=1\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/13\/cultura\/1534130710_624070_1534161080_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/13\/cultura\/1534130710_624070_1534161080_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/13\/cultura\/1534130710_624070_1534161080_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Fernanda Montenegro na novela da TV Record 'A Morta Sem Espelho', em 1963.\" width=\"600\" height=\"448\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Fernanda Montenegro na novela da TV Record &#8216;A Morta Sem Espelho&#8217;, em 1963.<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0No mundo inteiro existem movimentos reivindicat\u00f3rios que demandam mais espa\u00e7o para, por exemplo, artistas negros e transexuais. No Brasil isso resultou, recentemente,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/07\/02\/opinion\/1530536103_327593.html\">na desist\u00eancia de Fabiana Cozza de representar Dona Ivone Lara num musical sobre sua vida<\/a>. Considera esses movimentos leg\u00edtimos ou v\u00ea tamb\u00e9m alguma tentativa de censura por parte deles?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0S\u00e3o movimentos leg\u00edtimos que est\u00e3o sendo violentamente detonados agora, mas que dentro de 10 ou 15 anos estar\u00e3o absolutamente encaixados, aceitos. As coisas, a cada per\u00edodo, se acrescentam em suas propostas de reivindica\u00e7\u00e3o, de afirma\u00e7\u00e3o humana. Pela idade que eu tenho, eu sei que daqui a 15 anos isso n\u00e3o ser\u00e1 mais discutido. Ser\u00e1 uma representatividade respeitada, aceita e sequer pensada em ser triturada.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Por que acha que v\u00eam sendo triturados?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0Meu filho, isso faz parte das batalhas, das lutas de reivindica\u00e7\u00f5es, entendeu? Eu n\u00e3o tenho mais 15 anos, ent\u00e3o eu sei que \u00e9 assim mesmo, \u00e9 batalhado mesmo, \u00e9 sofrido mesmo. O momento do protesto \u00e9 por uma quest\u00e3o de reconhecimento de uma ra\u00e7a ou car\u00eancia social. Mas eu me lembro da grita pela liberdade de express\u00e3o nos anos 60 e o que foi a mulher se propor como criatura. A cada 10 anos h\u00e1 zonas que precisam ser esclarecidas e conquistadas, e geralmente isso vem com contund\u00eancia. Mas a\u00ed chega-se a um acordo, a um ganho. Dentro de um tempo, haver\u00e1 outra zona que precisa ser esclarecida, reivindicada e conquistada.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Qual fase da sua carreira a senhora mais se sente orgulhosa?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0Dela toda. Sobrevivi. Eu tive um companheiro de vida que me ajudou a existir, e eu a ele. Houve um par. Os pares de qualquer sexo se ajudam, s\u00e3o amparos m\u00fatuos. Conheci Fernando Torres no teatro, que \u00e9 um campo maravilhoso de conv\u00edvio, de paci\u00eancia, de generosidade, de contund\u00eancia, porque isso n\u00e3o \u00e9 conquistado com doses de ajuda qu\u00edmica. \u00c9 um lugar onde se tem que suportar. E o palco \u00e9 o lugar mais livre que o homem criou em sua hist\u00f3ria. N\u00e3o existe nada mais liberto nem mais libert\u00e1rio do que o palco.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Talvez por isso incomode tantas pessoas&#8230;<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0Eu acredito que sim, mas isso vale para a cultura em geral.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/07\/23\/cultura\/1532371217_501094.html\">A cultura \u00e9 instigadora, n\u00e3o \u00e9 conformada<\/a>. Essa culturinha conformada&#8230; No Brasil estamos caminhando para\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/09\/21\/cultura\/1506018494_703601.html\">uma vis\u00e3o de grupos evang\u00e9licos que t\u00eam um outro conceito sobre o que vem a ser a arte<\/a>\u00a0ou a liberdade de se dizer e de ser. H\u00e1 uma contesta\u00e7\u00e3o em torno disso. Ent\u00e3o temos mais um problema que \u00e9 como a gente vai existir com esses contr\u00e1rios. E a gente vai ter que ter for\u00e7a o suficiente para contestar essa contesta\u00e7\u00e3o (risos). \u00c9 isso que faz a din\u00e2mica da vida, n\u00e3o \u00e9? Quem vive de dramaturgia sabe o que \u00e9 isso.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_3\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/13\/cultura\/1534130710_624070_1534161232_sumario_normal.jpg?resize=600%2C405&#038;ssl=1\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/13\/cultura\/1534130710_624070_1534161232_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/13\/cultura\/1534130710_624070_1534161232_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/13\/cultura\/1534130710_624070_1534161232_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Foto em fam\u00edlia, em 2000.\" width=\"600\" height=\"405\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Foto em fam\u00edlia, em 2000.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">ARQUIVO PESSOAL<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Tornou-se um clich\u00ea dizer que a senhora \u00e9 a melhor atriz do Brasil. Concorda com esse t\u00edtulo?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0No momento, embora com 97 anos, Bibi Ferreira \u00e9 a grande mulher, a grande atriz, a grande produtora, a grande artistas dos palcos desse pa\u00eds. N\u00e3o sou eu. \u00c9 nela que eu me espelhei quando eu tinha 15 ou 20 anos. Al\u00e9m dela, Dulcina de Moraes. Mas Bibi trabalhou at\u00e9 95 anos \u00e9 tamb\u00e9m uma cantora extraordin\u00e1ria, uma mulher de palco absoluta. Ela \u00e9 minha raiz.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Alguma atriz ou ator da nova gera\u00e7\u00e3o te chama a aten\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0\u00c9 muito pobre, para n\u00e3o dizer porco, destacar um nome. H\u00e1 uma gera\u00e7\u00e3o de atrizes e atores que est\u00e3o bem, s\u00e3o \u00f3timos, est\u00e3o se preparando a pr\u00f3pria custa numa hora complicada de sobreviv\u00eancia de palco, indo fazer seu teatro como pode, sobrevivendo economicamente do que puder fazer de cinema, de televis\u00e3o&#8230; Ent\u00e3o n\u00e3o vou destacar ningu\u00e9m. O teatro do Brasil \u00e9 mais rico do que ficar destacando um ou outro nome.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Seu livro possui imagens muito pessoais, de fam\u00edlia, entre as quais destaca-se uma de Fernando Torres no dia de sua morte. Qual \u00e9 a fronteira entre o que \u00e9 p\u00fablico e o que \u00e9 privado?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0\u00c9 um itiner\u00e1rio de uma vida. Eu sou resultado dos meus antepassados. S\u00e3o italianos e portugueses. Me criei envolvida por esse mundo que lutava para se adaptar a este pa\u00eds e, como toda leva de primeiros habitantes de um pa\u00eds depois de uma imigra\u00e7\u00e3o, meus pais eram profundamente brasileiros. Eu sou profundamente brasileira. Assim como eu tive a minha fam\u00edlia de sangue, eu tive a minha fam\u00edlia de teatro. Amigos, colegas&#8230; A maioria j\u00e1 se foi. Eu n\u00e3o posso narrar minha vida sem meu companheiro, esse homem com quem vivi 60 anos. E meus filhos, que tamb\u00e9m vieram para a mesma \u00e1rea que n\u00f3s. Tudo se mistura. N\u00e3o existe divis\u00e3o [entre a vida profissional e pessoal]. O verdadeiro bicho de teatro n\u00e3o tem divis\u00e3o. Se tiver que amamentar nos bastidores, amamenta. Se estiver sem ningu\u00e9m para dar conta, leva para o camarim e a camareira ajuda naquele momento a cuidar da crian\u00e7a. Isso no meu tempo, n\u00e3o sei como \u00e9 hoje. Porque n\u00f3s t\u00ednhamos uma vida intensa, dia e noite, de palco, de bastidor&#8230; E de profiss\u00e3o. Ou de voca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0A senhora ainda trabalha muito. O que te estimula a manter esse mesmo vigor de antes?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0Eu n\u00e3o sei como ainda trabalho.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/01\/26\/cultura\/1485439893_444182.html\">A minha gera\u00e7\u00e3o que ainda est\u00e1 viva trabalha muito<\/a>. Laura Cardoso, Eva Vilma, Lima Duarte, Francisco Cuoco&#8230; Nathalia Timberg trabalha sem parar em teatro. Est\u00e3o todos de 81 para 93 anos. Porque o teatro te d\u00e1 vida. O corpo pode estar ruim, mas na hora que voc\u00ea entra em cena&#8230; Saiu de cena, vem todas as dores das juntas. Mas em cena, n\u00e3o tem nada.<\/p>\n<section id=\"sumario_4|foto\" class=\"sumario_foto izquierda\"><a name=\"sumario_4\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/13\/cultura\/1534130710_624070_1534161611_sumario_normal.jpg?resize=360%2C533&#038;ssl=1\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/13\/cultura\/1534130710_624070_1534161611_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/13\/cultura\/1534130710_624070_1534161611_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"Fernando Torres e Fernanda Montenegro, em 1994.\" width=\"360\" height=\"533\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Fernando Torres e Fernanda Montenegro, em 1994.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">ARQUIVO PESSOAL<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0No seu caso, o que veio com a idade? Em que momento percebeu que estava envelhecendo?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0As minhas juntas j\u00e1 foram melhores. Os olhos tamb\u00e9m j\u00e1 enxergaram melhor. Os sapatos j\u00e1 puderam ter salto oito ou nove, mas j\u00e1 n\u00e3o me arrisco mais. A coluna ainda est\u00e1 no lugar, s\u00f3 Deus sabe porqu\u00ea. Eu fui sem perceber at\u00e9 a morte do Fernando, que faz 10 anos agora em setembro. A partir da\u00ed vi que a finitude estava chegando, entendeu? O humor mudou. A paci\u00eancia aumentou. A resigna\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m aumentou, mas n\u00e3o muita. Principalmente em rela\u00e7\u00e3o a exist\u00eancia mesma, mas n\u00e3o tanta em rela\u00e7\u00e3o ao mundo principalmente da pol\u00edtica. Infelizmente n\u00e3o existe a imortalidade. Quando eu vejo Bibi Ferreira parando, com 97 anos, \u00e9 a minha era que est\u00e1 indo embora. Comecei a perceber\u00a0 isso com a morte de Paulo Autran, que se foi h\u00e1 uns 12 anos. Pouco antes ele estava fazendo uma pe\u00e7a de Moli\u00e8re com 1.000 pessoas na plateia. E ele parou. Eu mandei uma carta pare ele, e isso est\u00e1 no livro, em que eu dizia, apavorada: \u201cPaulo, se voc\u00ea para, acabou a nossa era\u201d. E \u00e9 verdade. Aos poucos, meus amigos insepar\u00e1veis foram embora. Foi o in\u00edcio do fim. Mas isso n\u00e3o tem morbidez, n\u00e3o tem ang\u00fastias&#8230; Bate uma certa tristeza \u00e0s vezes, mas a atividade te leva a ter uma terapia ocupacional boa. \u00c9 vida pura, porque voc\u00ea est\u00e1 sempre lidando com seres humanos.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0O Brasil ainda vale a pena? O que diria para algu\u00e9m que desistiu do pa\u00eds?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0O Brasil existe. Independentemente dessa Bras\u00edlia maluca que est\u00e1 a\u00ed e desses governos que se sucedem. Temos um pa\u00eds do tamanho de um continente onde cada setor, na esperan\u00e7a de dias melhores, acorda e canta. E eu s\u00f3 quero dizer que este pa\u00eds n\u00e3o vai se entregar. Em todos os sentidos. Na sua sobreviv\u00eancia, n\u00e3o vai desistir. N\u00f3s estamos todos nas catacumbas. Mas vai sair o brasileiro contempor\u00e2neo. E se \u00e9 contempor\u00e2neo, est\u00e1 ligado ao seu tempo, ent\u00e3o \u00e9 um ganho (risos).<\/p>\n<\/div>\n<aside id=\"compartir_superior\" class=\"compartir\">\n<div class=\"compartir__interior\">\n<div id=\"compartir_social_inferior\" class=\"compartir-social\"><button id=\"inferior_fb\" class=\"boton_facebook\" title=\"Recomendar no Facebook\"><\/button><button id=\"inferior_twit\" class=\"boton_twitter\" title=\"Twittear\"><\/button><\/p>\n<div id=\"compartir-otros_inf\" class=\"compartir-otros\"><button id=\"boton_compartir-otros_inf\" class=\"boton_compartir-otros\">Otros<\/button><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/aside>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atriz brasileira, que est\u00e1 prestes a completar 89 anos, lan\u00e7a livro fotobiogr\u00e1fico sobre seus mais de 70 anos de carreira. 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