{"id":18806,"date":"2018-08-17T11:20:17","date_gmt":"2018-08-17T15:20:17","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=18806"},"modified":"2018-08-17T11:20:17","modified_gmt":"2018-08-17T15:20:17","slug":"casaco-de-vison-pes-de-porco","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/08\/17\/casaco-de-vison-pes-de-porco\/","title":{"rendered":"Casaco de vison, p\u00e9s de porco"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"18807\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/08\/17\/casaco-de-vison-pes-de-porco\/are\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/are.jpg?fit=275%2C183\" data-orig-size=\"275,183\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"are\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/are.jpg?fit=275%2C183\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/are.jpg?fit=275%2C183\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/are.jpg?resize=275%2C183\" alt=\"are\" width=\"275\" height=\"183\" class=\"alignnone size-full wp-image-18807\" \/><\/p>\n<p>Aretha Franklin teve uma fase extraordin\u00e1ria, mas depois seus dotes foram desperdi\u00e7ados<!--more--><\/p>\n<p>No El Pa\u00eds, por DIEGO A. MANRIQUE<\/p>\n<p>Esta hist\u00f3ria da Aretha Franklin ocorre num hotel de luxo nova-iorquino. A cantora entra no sagu\u00e3o, com suas joias e seu casaco de vison; saiu para fazer compras e segura contra o peito uma sacola grande de papel\u00e3o. De repente, a sacola arrebenta e seu conte\u00fado se esparrama pelo piso encerado. Funcion\u00e1rios e clientes ficam horrorizados. S\u00e3o mi\u00fados de animais: tripas, focinhos, orelhas, p\u00e9s de porco. Como se n\u00e3o fosse com ela, Aretha continua andando at\u00e9 o elevador e, sem olhar para tr\u00e1s, sobe para sua su\u00edte.<\/p>\n<p>Nesse relato intu\u00edmos a verdadeira Aretha. Uma estrela capaz de se dedicar a cozinhar a saborosa comida do sul dos EUA, a chamada soul food, em um hotel de Manhattan. E tamb\u00e9m a diva altiva, preparada para ignorar os desastres causados por seus modos imperiais. O apre\u00e7o pelo aut\u00eantico revela a profundidade de suas ra\u00edzes, esse po\u00e7o de gospel ancestral \u2013 sem esquecer o blues \u2013 que ela utilizava para exorcizar suas dores \u00edntimas.<\/p>\n<p>E havia tamb\u00e9m a superestrela. Ela usava suas exig\u00eancias como lembretes da sua natureza sobre-humana. Inimiga do ar condicionado, fazia sofrerem os privilegiados que haviam pagado quantidades absurdas para v\u00ea-la ao vivo. Sua fobia de avi\u00e3o era a desculpa perfeita para frustrar os empres\u00e1rios europeus, que alegavam inutilmente que tamb\u00e9m era poss\u00edvel cruzar o Atl\u00e2ntico de navio.<\/p>\n<p>A Europa sempre foi uma solu\u00e7\u00e3o para artistas afro-americanos em momentos delicados da sua carreira. Mas Aretha n\u00e3o procurava a respeitabilidade dos palcos brit\u00e2nicos e franceses. Ela jogava em outro time, o do show business norte-americano, em tempos nos quais eram poucas as mulheres que aspiravam \u00e0 Primeira Divis\u00e3o. A rivalidade se estabelecia em cifras de vendas, condi\u00e7\u00f5es dos contratos, honras oficiais, inclusive em aspectos intang\u00edveis que s\u00f3 elas podiam avaliar.<\/p>\n<p>Entretanto, n\u00e3o se discutiam os m\u00e9ritos musicais. E \u00e9 poss\u00edvel que nisso tamb\u00e9m Aretha levasse vantagem. Conforme reconheceu Jerry Wexler, um dos hipsters da Atlantic que pilotaram seu grande lan\u00e7amento em 1967, ela era perfeitamente capaz de produzir-se a si mesma, e de fato o fez em muitas de suas grava\u00e7\u00f5es. S\u00f3 que Wexler e companhia n\u00e3o lhe davam cr\u00e9dito, supostamente para que n\u00e3o lhe subisse \u00e0 cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Uma desculpa p\u00e9ssima, que oculta a luta por royalties de produ\u00e7\u00e3o e o desejo inconfess\u00e1vel de se aproveitar das inseguran\u00e7as de Aretha. Como qualquer outra cantora, ela necessitava de desafios e de competidores musicais \u00e0 sua altura, como evidenciou em Sparkle, o LP de 1976 no qual colaborou com Curtis Mayfielfd.<\/p>\n<p>A partir de 1980, depois de sua contrata\u00e7\u00e3o pela Arista, Aretha se habituou ao automatismo de trabalhar com produtores acomodados, como Narada Michael Walden, Luther Vandross e Michael Powell \u2013 que dizia ter o segredo do sucesso: bastava que ela entrasse com sua voz monumental. Era o in\u00edcio da era dos duetos, que ca\u00edam nas gra\u00e7as dos programadores das r\u00e1dios e geravam sucessos meia-boca. Pode-se sonhar que algum dia montar\u00e3o um tribunal de Nuremberg para julgar os respons\u00e1veis por junt\u00e1-la com Puff Daddy e Kenny G.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aretha Franklin teve uma fase extraordin\u00e1ria, mas depois seus dotes foram desperdi\u00e7ados<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-18806","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-4Tk","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18806","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18806"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18806\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18808,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18806\/revisions\/18808"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18806"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18806"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18806"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}