{"id":1925,"date":"2016-06-25T09:39:26","date_gmt":"2016-06-25T13:39:26","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=1925"},"modified":"2016-06-25T09:39:26","modified_gmt":"2016-06-25T13:39:26","slug":"exploracao-de-latifundiarios-transforma-vilarejo-em-campo-de-conflito-aberto","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2016\/06\/25\/exploracao-de-latifundiarios-transforma-vilarejo-em-campo-de-conflito-aberto\/","title":{"rendered":"Explora\u00e7\u00e3o de latifundi\u00e1rios transforma vilarejo em campo de conflito aberto"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"1926\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2016\/06\/25\/exploracao-de-latifundiarios-transforma-vilarejo-em-campo-de-conflito-aberto\/image-417\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/image-110.jpeg?fit=640%2C426\" data-orig-size=\"640,426\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/image-110.jpeg?fit=300%2C200\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/image-110.jpeg?fit=600%2C399\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/image-110.jpeg?resize=600%2C399\" alt=\"image\" width=\"600\" height=\"399\" class=\"alignnone size-full wp-image-1926\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/image-110.jpeg?w=640 640w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/image-110.jpeg?resize=300%2C200 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/image-110.jpeg?resize=451%2C300 451w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>O distrito Uni\u00e3o Bandeirantes tem 25 mil moradores e sequer deveria existir, pelo menos n\u00e3o do ponto de vista ambiental<!--more--><\/p>\n<p>Por Ismael Machado e Lui Machado, de Rond\u00f4nia<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil chegar a Uni\u00e3o Bandeirantes. A noroeste de Rond\u00f4nia, a cerca de 80 quil\u00f4metros (km) do distrito de Jaci Paran\u00e1 e a 160 km do centro da capital Porto Velho, a localidade possui poucas vias de acesso. As que existem s\u00e3o de terra, estreitas e esburacadas, fazendo com que o trajeto entre a BR-364 e a comunidade seja penoso e demorado. A longa estrada de ch\u00e3o tem como paisagem cercas, pastos e gados com o in\u00edcio do asfalto no ch\u00e3o anunciando o fim da zona rural e come\u00e7o da zona urbana duas horas depois de sair da rodovia.<\/p>\n<p>O isolamento de Uni\u00e3o Bandeirantes n\u00e3o \u00e9 por acaso. Na verdade, o lugar que hoje abriga aproximadamente 25 mil habitantes e possui o status de distrito de Porto Velho, sequer deveria existir. Pelo menos n\u00e3o do ponto de vista ambiental. O distrito est\u00e1 localizado na subzona 2.1 do Zoneamento Socioecon\u00f4mico e ecol\u00f3gico, de ocupa\u00e7\u00e3o restrita, no entorno da Reserva Extrativista (Resex) Jaci-Paran\u00e1, Flona Bom Futuro e Terra Ind\u00edgena Karipuna, em Porto Velho.<\/p>\n<p>Hoje a exist\u00eancia do distrito \u00e9, ao mesmo tempo, fruto e retrato da inexist\u00eancia de uma reforma agr\u00e1ria eficiente no pa\u00eds e da morosidade do Poder P\u00fablico. Al\u00e9m disso, o bate cabe\u00e7a entre pol\u00edticas ambientais e fundi\u00e1rias abre novamente uma discuss\u00e3o complexa sobre a necessidade de sobreviv\u00eancia da terra e da preserva\u00e7\u00e3o ambiental, fazendo deste lugar o ambiente perfeito para os conflitos de terra.<\/p>\n<p>A avenida principal de Uni\u00e3o Bandeirantes possui asfalto, o que j\u00e1 \u00e9 bem mais que a maior parte dos outros distritos de Porto Velho. As maiores op\u00e7\u00f5es de mercado tamb\u00e9m mostram um desenvolvimento maior do que o das comunidades vizinhas. As ruas ao redor, entretanto, mostram uma realidade diferente. Os enormes buracos fazem o transitar dos carros uma tarefa quase imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>Sentado na varanda simples da casa de madeira constru\u00edda por ele mesmo, Jos\u00e9 Aparecido de Oliveira, 48 anos, \u2013 tamb\u00e9m conhecido como Cido \u2013 \u00e9 uma esp\u00e9cie de museu vivo sobre a origem de Uni\u00e3o Bandeirantes. Ele era um dos l\u00edderes do movimento que planejou o in\u00edcio do assentamento. Com dificuldades de se acomodar na cadeira por conta de uma h\u00e9rnia de disco que o tem mantido afastado das atividades do campo, ele conta como se deu o in\u00edcio do projeto de cidade.<\/p>\n<p>O in\u00edcio da ocupa\u00e7\u00e3o de Uni\u00e3o Bandeirantes \u00e9 recente. Oficialmente, come\u00e7ou em 1999 a partir da ocupa\u00e7\u00e3o de terras j\u00e1 desmatadas para a cria\u00e7\u00e3o de um assentamento de grupos dissidentes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). As primeiras ocupa\u00e7\u00f5es, contudo, vieram muito antes disso, com a chegada de grandes fazendeiros na regi\u00e3o. Sem nenhum tipo de fiscaliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se sabe como estes grupos e fam\u00edlias ligadas \u00e0 agropecu\u00e1ria conseguiram os documentos das terras, uma vez que o lugar era da Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA ideia surgiu de um movimento a parte do MST. J\u00e1 havia uma grande \u00e1rea desmatada por aqui, feito para cria\u00e7\u00e3o de gado. Foi ent\u00e3o que surgiu a ideia de criar um assentamento, a partir da invas\u00e3o dessas terras que n\u00e3o eram produtivas. As pessoas ficaram sabendo e foram migrando de outros lugares de Rond\u00f4nia e outros estados para c\u00e1 e criou-se o vilarejo\u201d, diz Cido, que afirma ter tido a anu\u00eancia do Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra) para a ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo Cido, o in\u00edcio da ocupa\u00e7\u00e3o foi menos traum\u00e1tico que a maioria dos casos que envolvem fazendeiros e assentamentos. A ideia de que aproxima\u00e7\u00e3o do Poder P\u00fablico poderia trazer como consequ\u00eancia a melhora da infraestrutura que permitisse o escoamento da produ\u00e7\u00e3o era atraente para quem trabalhava com agropecu\u00e1ria na regi\u00e3o. \u201cO pr\u00f3prio Incra come\u00e7ou a intermediar a negocia\u00e7\u00e3o entre os assentamentos e os fazendeiros da regi\u00e3o, o que facilitou muito\u201d, lembra.<\/p>\n<p>O in\u00edcio pac\u00edfico n\u00e3o durou tanto tempo. Dois anos depois, os primeiros conflitos come\u00e7aram a surgir. A chegada de outras fam\u00edlias de v\u00e1rios locais do pa\u00eds e, principalmente, de especuladores com interesse na explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria do meio ambiente tornou o conv\u00edvio entre os assentamentos e fazendeiros inst\u00e1vel.<\/p>\n<p>Nesse novo fluxo migrat\u00f3rio, cresceu a venda ilegal de terras e a ocupa\u00e7\u00e3o de novos territ\u00f3rios que n\u00e3o estavam no acordo anterior. \u201cMuitas dessas fam\u00edlias que chegaram depois n\u00e3o respeitavam a demarca\u00e7\u00e3o das terras que havia sido definido. Havia muita viol\u00eancia, porque o Estado era nulo e n\u00e3o havia como ter controle dessas pessoas que estavam chegando\u201d, afirma Cido.<\/p>\n<p>N\u00e3o demorou muito para que o mercado da extra\u00e7\u00e3o ilegal de madeira se instalasse na regi\u00e3o, aproveitando a ocupa\u00e7\u00e3o j\u00e1 realizada e a falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o. Segundo Cido, que j\u00e1 ocupou o cargo de administrador de Uni\u00e3o Bandeirante \u2013 esp\u00e9cie de l\u00edder comunit\u00e1rio escolhido entre os moradores para dialogar com representantes do poder p\u00fablico -, at\u00e9 2004 o local chegou a abrigar mais de 20 empresas, entre grandes madeireiras, estufas, marcenarias e serrarias.<\/p>\n<p>A degrada\u00e7\u00e3o ambiental na reserva foi t\u00e3o grande, que em 2003 foi aberta uma Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) dos Conflitos Fundi\u00e1rios, com o objetivo de conhecer, apurar e relatar graves conflitos agr\u00e1rios e fundi\u00e1rios, furtos de madeira e desmatamentos sem precedentes na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 2004, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal chegou a ordenar a desocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio com a proibi\u00e7\u00e3o de assentamentos, regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria e execu\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de infraestrutura p\u00fablica na regi\u00e3o. A decis\u00e3o causou mais conflitos e o resultado foi a mobiliza\u00e7\u00e3o de movimentos do campo, comunidades, igrejas, pol\u00edticos, Estado e, tamb\u00e9m, o Minist\u00e9rio P\u00fablico da Inf\u00e2ncia e Juventude, em favor da popula\u00e7\u00e3o atingida pela medida judicial.<\/p>\n<p>\u201cEu conversava com o pessoal do Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis] e dizia que o governo deveria criar uma pol\u00edtica para quem desmatou recuperar a \u00e1rea com \u00e1rvores t\u00edpicas da regi\u00e3o, como o a\u00e7a\u00ed. Deveria haver um incentivo para corrigir o erro que cometemos no passado. Muitos de n\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos informa\u00e7\u00e3o nenhuma sobre como lidar com a terra. A \u00fanica coisa que sab\u00edamos \u00e9 que precis\u00e1vamos desmatar para poder sobreviver. Mas a pol\u00edtica ambiental hoje n\u00e3o direciona para outras atividades. Ainda temos tempo de corrigir isso, dando palestras, fazendo preven\u00e7\u00f5es e ajudando esse homem do campo\u201d, acredita Cido.<\/p>\n<p>Apesar da popula\u00e7\u00e3o ter crescido durante esses anos, a infraestrutura n\u00e3o acompanhou a demanda. \u201cHoje ainda temos muita defici\u00eancia na sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. Faltam professores e j\u00e1 ficamos 45 dias sem ter ambul\u00e2ncia\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O IBAMA tenta se adequar e resolver a situa\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 complicado. Segundo o superintendente do Ibama em Rond\u00f4nia, Ren\u00ea Luiz de Oliveira, o \u00f3rg\u00e3o tem realizado constantemente a opera\u00e7\u00e3o Onda Verde. O objetivo \u00e9 combater crimes ambientais na regi\u00e3o, especialmente a extra\u00e7\u00e3o irregular de madeira.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com Oliveira, a regi\u00e3o onde est\u00e1 Uni\u00e3o Bandeirantes \u00e9 a que mais possui n\u00fameros de embargos logrados pelo Ibama em toda a floresta amaz\u00f4nica. \u201cDesde que a regi\u00e3o come\u00e7ou a receber um grande volume populacional, no come\u00e7o dos anos 2000, o Ibama tem feito esse trabalho de maneira ininterrupta\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O trabalho do \u00f3rg\u00e3o tem resultado em san\u00e7\u00f5es e amea\u00e7as. Nem sempre os afetados, madeireiras ilegais principalmente, aceitam mudan\u00e7as ou o bra\u00e7o da lei. No dia 28 de maio, uma equipe da Opera\u00e7\u00e3o Onda Verde, composta por tr\u00eas agentes ambientais do \u00f3rg\u00e3o e nove policiais ambientais do Batalh\u00e3o de Pol\u00edcia Ambiental de Rond\u00f4nia sofreu uma emboscada por um grupo de 60 pessoas. A inten\u00e7\u00e3o do ataque era impedir a retirada de maquin\u00e1rio utilizado na explora\u00e7\u00e3o ilegal de madeiras em uma terra ind\u00edgena.<\/p>\n<p>Fonte: Brasil de fato <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O distrito Uni\u00e3o Bandeirantes tem 25 mil moradores e sequer deveria existir, pelo menos n\u00e3o do ponto de vista ambiental<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1925","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-v3","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1925","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1925"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1925\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1927,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1925\/revisions\/1927"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1925"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1925"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1925"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}