{"id":19465,"date":"2018-11-14T17:14:32","date_gmt":"2018-11-14T21:14:32","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=19465"},"modified":"2018-11-14T17:14:32","modified_gmt":"2018-11-14T21:14:32","slug":"bolsonaro-existe-foi-esfaqueado-mesmo-ou-e-tudo-fake-news","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/11\/14\/bolsonaro-existe-foi-esfaqueado-mesmo-ou-e-tudo-fake-news\/","title":{"rendered":"Bolsonaro existe? Foi esfaqueado mesmo, ou \u00e9 tudo \u2018fake news\u2019?"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"19466\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/11\/14\/bolsonaro-existe-foi-esfaqueado-mesmo-ou-e-tudo-fake-news\/88b8856f-1cb0-4d63-ba33-19e8f3f4db47\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/88B8856F-1CB0-4D63-BA33-19E8F3F4DB47.jpeg?fit=980%2C599\" data-orig-size=\"980,599\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"88B8856F-1CB0-4D63-BA33-19E8F3F4DB47\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/88B8856F-1CB0-4D63-BA33-19E8F3F4DB47.jpeg?fit=300%2C183\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/88B8856F-1CB0-4D63-BA33-19E8F3F4DB47.jpeg?fit=600%2C367\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/88B8856F-1CB0-4D63-BA33-19E8F3F4DB47.jpeg?resize=600%2C367\" alt=\"88B8856F-1CB0-4D63-BA33-19E8F3F4DB47\" width=\"600\" height=\"367\" class=\"alignnone size-full wp-image-19466\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/88B8856F-1CB0-4D63-BA33-19E8F3F4DB47.jpeg?w=980 980w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/88B8856F-1CB0-4D63-BA33-19E8F3F4DB47.jpeg?resize=300%2C183 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/88B8856F-1CB0-4D63-BA33-19E8F3F4DB47.jpeg?resize=768%2C469 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/88B8856F-1CB0-4D63-BA33-19E8F3F4DB47.jpeg?resize=491%2C300 491w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Hoje, pela primeira vez, a cr\u00f4nica cotidiana, a hist\u00f3ria que estamos vivendo, n\u00e3o \u00e9 narrada exclusivamente pelo poder, como no passado.<!--more--><\/p>\n<p>No El Pa\u00eds<br \/>\nJuan Arias <\/p>\n<p>Talvez a Hist\u00f3ria nunca tenha estado t\u00e3o insegura entre a verdade e a mentira. Nunca, nem mesmo o presente foi posto tanto em d\u00favida. Ser\u00e1 que descobrimos, de repente, que a verdade no estado puro n\u00e3o existe e que tudo pode ser verdadeiro e falso ao mesmo tempo?<\/p>\n<p>Vejamos o Brasil. Tudo parece ser uma coisa e o contr\u00e1rio. H\u00e1 at\u00e9 quem chegue a perguntar a si mesmo se o capit\u00e3o Jair Bolsonaro, que conseguiu 57 milh\u00f5es de votos nas urnas n\u00e3o se sabe como, existe realmente ou \u00e9 uma miragem. Coloca-se em d\u00favida at\u00e9 mesmo que tenha sido esfaqueado.<\/p>\n<p>Em um mundo no qual at\u00e9 intelectuais chegam a p\u00f4r em d\u00favida a exist\u00eancia do Holocausto judeu, com um saldo seis milh\u00f5es de pessoas \u2014 homens, mulheres e crian\u00e7as \u2014 exterminadas nos campos de concentra\u00e7\u00e3o, podemos ter a impress\u00e3o de que a verdade n\u00e3o existe e n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel conhec\u00ea-la.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 positivo ou negativo? \u00c9 verdade que dessa forma todos nos sentimos mais vulner\u00e1veis e inseguros ao n\u00e3o ser capazes de distinguir entre verdade e mentira. E, ao mesmo tempo, talvez tenhamos de nos acostumar a conviver em uma realidade mais complexa do que pens\u00e1vamos, que nos obriga a estar mais vigilantes, j\u00e1 que os limites entre realidade e apar\u00eancia, entre not\u00edcia e fake news, est\u00e3o ficando cada vez mais tornam-se se fazem cada dia mais t\u00eanues e indefinidos.<\/p>\n<p>O que sentimos hoje como uma inquieta\u00e7\u00e3o, talvez porque estivemos s\u00e9culos sentados tranquilos sobre nossas certezas, pode acabar sendo uma importante purifica\u00e7\u00e3o. Durante s\u00e9culos vivemos alimentados pelos dogmas que poder civil ou religioso nos imp\u00f4s. Tudo era, sem que precis\u00e1ssemos nos preocupar em descobrir, branco ou preto, verdadeiro ou falso, bom ou mau, justo ou injusto. Era assim mesmo, ou ser\u00e1 que t\u00ednhamos nos acostumado a conviver com a verdade imposta, o que nos dispensava da d\u00favida? As coisas eram como eram, porque sempre tinham nos ensinado assim. Teria dado muito trabalho coloc\u00e1-las em discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>Sempre acreditamos nos livros de Hist\u00f3ria, como se fossem textos sagrados que n\u00e3o pudessem ser discutidos. E se, na verdade, os livros de Hist\u00f3ria nos quais bebemos durante s\u00e9culos fossem, em sua maioria, uma grande fake news? N\u00f3s nos esquecemos de que, em grande parte, a Hist\u00f3ria foi escrita pelos vencedores, nunca pelos perdedores. Como teriam escrito os mesmos fatos aqueles que perderam as guerras, as v\u00edtimas, os analfabetos que n\u00e3o podiam escrev\u00ea-la, mas que a sofreram em sua pele?<\/p>\n<p>\u00c9 melhor n\u00e3o sofrer tanto e aprender a conviver em um mundo que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 nem ser\u00e1 aquele em que nossos pais viveram<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que estaria a salvo da contamina\u00e7\u00e3o das fake news o grande livro da Humanidade, a B\u00edblia, escrita no espa\u00e7o de mil anos por autores desconhecidos, que as Igrejas crist\u00e3s consideram ter sido inspirada por Deus e, portanto, verdadeira? E se descobr\u00edssemos que historicamente a B\u00edblia n\u00e3o resistiria a uma cr\u00edtica s\u00e9ria? Ou ser\u00e1 que algu\u00e9m pode acreditar que existiram seus personagens mais famosos, como Abra\u00e3o, No\u00e9, Matusal\u00e9m e Mois\u00e9s?<\/p>\n<p>E analisando apenas os quatro evangelhos can\u00f4nicos que os cat\u00f3licos consideram inspirados por Deus, quanto neles h\u00e1 de hist\u00f3rico e quanto h\u00e1 de catequese religiosa ou pol\u00edtica? Qual \u00e9 a vers\u00e3o verdadeira sobre o julgamento e condena\u00e7\u00e3o \u00e0 morte do profeta Jesus se entre as vers\u00f5es dos quatro evangelistas h\u00e1 in\u00fameras diferen\u00e7as bem vis\u00edveis? Qual \u00e9 a figura real de Jesus, a que \u00e9 apresentada aos judeus da \u00e9poca, cuja morte \u00e9 totalmente atribu\u00edda aos romanos, ou aquela narrada aos gentios e pag\u00e3os, em que se carrega nas tintas contra os judeus e fariseus?<\/p>\n<p>Talvez a inquietude que todos sentimos hoje, na nova era em que a Humanidade entrou ao n\u00e3o saber se estamos lidando com not\u00edcias verdadeiras ou falsas nem o quanto isso pode condicionar a conviv\u00eancia pol\u00edtica e social, se deva, no fim das contas, a algo positivo, embora seja preciso se recompor e recuperar a serenidade para entender que vivemos em um mar agitado, no qual \u00e9 dif\u00edcil distinguir um peixe vivo de um peda\u00e7o de pl\u00e1stico.<\/p>\n<p>Essa positividade que alguns pensadores come\u00e7am a farejar na situa\u00e7\u00e3o angustiante que vivemos, na qual verdade e mentira convivem abra\u00e7adas, talvez nas\u00e7a de algo novo e ao mesmo tempo positivo que n\u00e3o existia no passado. Hoje, pela primeira vez, a cr\u00f4nica cotidiana, a hist\u00f3ria que estamos vivendo, n\u00e3o \u00e9 narrada exclusivamente pelo poder, como no passado. N\u00e3o \u00e9 narrada pelos que se consideravam donos da verdade e a impunham com a espada na m\u00e3o, se fosse necess\u00e1rio. Todos os poderes, civis e religiosos, fizeram isso. Hoje, a cr\u00f4nica come\u00e7a a ser escrita e filtrada tamb\u00e9m pelos de baixo, pela periferia, por aqueles que n\u00e3o t\u00eam mais poder do que o oferecido pelas redes sociais.<\/p>\n<p>Isso sem d\u00favida levar\u00e1, como j\u00e1 est\u00e1 ocorrendo, a crises de identidade e \u00e0 quebra de velhos paradigmas de seguran\u00e7a, como o que os dogmas e as verdades oficiais ofereciam antes. Era tudo mais c\u00f4modo e causava menos ang\u00fastia. Mas n\u00e3o \u00e9ramos tamb\u00e9m mais escravos do pensamento \u00fanico do poder? O fato de n\u00e3o termos de nos preocupar em saber se o que nos ofereciam como hist\u00f3ria era verdade ou n\u00e3o, ou se era s\u00f3 a verdade de uma parte e n\u00e3o da outra, dava-nos tranquilidade. Hoje, estamos no meio de um ciclone que parece arrastar tudo e n\u00e3o \u00e9 estranho que nos sintamos inseguros, irritados e at\u00e9 com medo.<\/p>\n<p>T\u00e3o inseguros que ainda h\u00e1 quem n\u00e3o saiba realmente quem \u00e9 Bolsonaro ou se ele \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o, ou se os m\u00e9dicos de dois hospitais de prest\u00edgio inventaram a hist\u00f3ria da facada. E Lula? E Moro? Como se escrever\u00e1 amanh\u00e3 a hist\u00f3ria atual do Brasil? Ser\u00e1 que os historiadores de hoje conseguir\u00e3o nos contar no futuro a verdade ou a fake news sobre o que est\u00e1 vivendo uma sociedade que se sente presa entre a verdade e o boato, entre o que ela gostaria que fosse e o que efetivamente \u00e9 a realidade \u2014 que, afinal, tem possivelmente tem tantas caras e nuances quanto as cores do arco-\u00edris.<\/p>\n<p>\u00c9 melhor n\u00e3o sofrer tanto e aprender a conviver em um mundo que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 nem ser\u00e1 aquele em que nossos pais viveram. E essa sim \u00e9 uma verdade. Se opressora ou libertadora, s\u00f3 poderemos saber quando baixar a poeira dessa agita\u00e7\u00e3o em torno de verdade e falsidade ou de meias verdades e meias mentiras. O famoso fil\u00f3sofo espanhol Fernando Savater me lembrava de que \u201cse o mundo parasse de mentir, acabaria despeda\u00e7ado em poucos dias\u201d. \u00c0s vezes, uma meia verdade pode salvar o mundo de uma cat\u00e1strofe. At\u00e9 a Igreja cat\u00f3lica, com seus s\u00e9culos de experi\u00eancia em conduzir o poder, cunhou as famosas \u201cmentiras piedosas\u201d.<\/p>\n<p>Para terminar, \u00e9 verdade que Bolsonaro existe, com mais sombras do que luzes e mais inc\u00f3gnitas do que realidades. E tamb\u00e9m existe Lula, com toda sua hist\u00f3ria e todas suas contradi\u00e7\u00f5es. O que n\u00e3o sabemos \u00e9 como a Hist\u00f3ria nos contar\u00e1 um dia este momento, que em outras colunas em j\u00e1 chamei de dor de parto, mais do que de funeral e morte. E em todo parto existe, ao mesmo tempo, dor e felicidade, ansiedade e esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>E, acima de tudo, a certeza de que a vida, com todas suas amarguras e crueldades, verdades e mentiras, \u00e9 o \u00fanico e o melhor que temos. Que no Brasil predomine, apesar de tudo, a cultura da vida e n\u00e3o a da morte. Essa \u00e9 a grande aposta e a grande resist\u00eancia. Para isso, todos dever\u00edamos andar de m\u00e3os dadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, pela primeira vez, a cr\u00f4nica cotidiana, a hist\u00f3ria que estamos vivendo, n\u00e3o \u00e9 narrada exclusivamente pelo poder, como no passado.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-19465","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-53X","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19465","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19465"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19465\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19467,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19465\/revisions\/19467"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19465"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19465"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19465"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}