{"id":19512,"date":"2018-11-20T08:35:22","date_gmt":"2018-11-20T12:35:22","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=19512"},"modified":"2018-11-20T08:35:22","modified_gmt":"2018-11-20T12:35:22","slug":"consciencia-negra-sobre-males-quilombos-e-terreiros","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/11\/20\/consciencia-negra-sobre-males-quilombos-e-terreiros\/","title":{"rendered":"CONSCI\u00caNCIA NEGRA: SOBRE MAL\u00caS, QUILOMBOS E TERREIROS"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"19513\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/11\/20\/consciencia-negra-sobre-males-quilombos-e-terreiros\/consciencia-negra-1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/consci%C3%AAncia-negra-1.jpg?fit=1728%2C800\" data-orig-size=\"1728,800\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"consci\u00eancia-negra-1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/consci%C3%AAncia-negra-1.jpg?fit=300%2C139\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/consci%C3%AAncia-negra-1.jpg?fit=600%2C278\" class=\"alignnone size-full wp-image-19513\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/consci%C3%AAncia-negra-1.jpg?resize=600%2C278\" alt=\"consci\u00eancia-negra-1\" width=\"600\" height=\"278\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/consci%C3%AAncia-negra-1.jpg?w=1728 1728w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/consci%C3%AAncia-negra-1.jpg?resize=300%2C139 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/consci%C3%AAncia-negra-1.jpg?resize=768%2C356 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/consci%C3%AAncia-negra-1.jpg?resize=1024%2C474 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/consci%C3%AAncia-negra-1.jpg?resize=648%2C300 648w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/consci%C3%AAncia-negra-1.jpg?w=1200 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Lutas de resist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o negra foram fundamentais para as conquistas democr\u00e1ticas e para a forma\u00e7\u00e3o do Brasil<!--more--><\/p>\n<p>No Brasil De Fato, Por Juca Guimar\u00e3es e J\u00e9ssica Moreira<\/p>\n<section class=\"text vertical-spacing\">A popula\u00e7\u00e3o brasileira de negros e pardos, segundo os dados mais recentes do IBGE, soma 114,8 milh\u00f5es de pessoas. Ou seja, mais da metade dos 207,1 milh\u00f5es de habitantes do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em 1533, de acordo com o registro mais antigo sobre a escravid\u00e3o no Brasil, o sangue negro corria nas veias de apenas 17 indiv\u00edduos. N\u00e3o se sabe quantos eram homens ou mulheres, pois todos vieram na condi\u00e7\u00e3o de escravizados, para trabalhar nas terras da capitania heredit\u00e1ria de S\u00e3o Tom\u00e9 &#8212; territ\u00f3rio que hoje se localiza entre o sul do Esp\u00edrito Santo e o norte do Rio de Janeiro. O trabalho n\u00e3o tinha remunera\u00e7\u00e3o. A vida era sem liberdade e sem dignidade.<\/p>\n<p>No por\u00e3o do navio, junto aos os primeiros 17 homens e mulheres negras escravizadas, veio tamb\u00e9m a semente de um sonho de liberdade, de uma p\u00e1tria humanit\u00e1ria, democr\u00e1tica e sem desigualdade. Uma nova concep\u00e7\u00e3o de mundo, que se forjou nos cora\u00e7\u00f5es e mentes de um povo guerreiro.<\/p>\n<p>A resist\u00eancia vem desde os mal\u00eas, africanos mu\u00e7ulmanos que organizaram um grande levante em Salvador, at\u00e9 as mulheres e homens que constru\u00edram os quilombos e seus espa\u00e7os de liberdade e de religiosidade, onde s\u00e3o preservadas a cultura e a ancestralidade do povo negro. Nos 485 anos seguintes, os descendentes daqueles 17 africanos e dos que vieram depois deles, lutaram pela liberdade, pelo fim da escravid\u00e3o e, muito al\u00e9m disso, combateram em todas as frentes de batalhas por direitos democr\u00e1ticos, contra o autoritarismo, pela soberania nacional e a unidade do pa\u00eds. Um Brasil de todos e sem discrimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 necess\u00e1rio contar a hist\u00f3ria sobre a nossa perspectiva. Somos n\u00f3s os agentes da nossa liberta\u00e7\u00e3o\u201d , disse o historiador e escritor Carlos Machado, autor do livro \u201cG\u00eanios da Humanidade: Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o Africana e Afrodescendente\u201d, pela DBA Editora.<\/p>\n<p>A luta contra o racismo \u00e9 priorit\u00e1ria para a vit\u00f3ria contra a desigualdade social e a repress\u00e3o. A resist\u00eancia se d\u00e1 diariamente e em diversas frentes de batalha, como nos ensina a escritora Concei\u00e7\u00e3o Evaristo, ganhadora do pr\u00eamio de literatura Jabuti e militante hist\u00f3rica do movimento negro no Brasil. Sua obra, reconhecida internacionalmente, \u00e9 fundamentada nas quest\u00f5es raciais e no protagonismo negro.<\/p>\n<p>O exemplo tamb\u00e9m vem das rebeli\u00f5es, levantes e insurg\u00eancias protagonizados pelos negros e negras no Brasil. Embora seja uma mem\u00f3ria constantemente alvo de tentativas de invisibiliza\u00e7\u00e3o. \u201cAqui em S\u00e3o Paulo, por exemplo, tem placas indicando onde \u00e9 a primeira igreja, que monumento representa o qu\u00ea, por\u00e9m, n\u00e3o tem nenhuma placa dizendo onde nossos antepassados eram vendidos, onde eram torturada, onde era o cemit\u00e9rio. \u00c9 uma mem\u00f3ria pouca divulgada. N\u00f3s fizemos a Hist\u00f3ria. N\u00e3o h\u00e1 Hist\u00f3ria do Brasil sem a popula\u00e7\u00e3o de origem africana. Fizemos a Hist\u00f3ria, mas ficamos sem mem\u00f3ria\u201d, afirmou o professor Machado.<\/p>\n<p>O\u00a0<em>Brasil de Fato<\/em>\u00a0produziu uma s\u00e9rie de tr\u00eas v\u00eddeos tratando sobre a luta de resist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o negra no Brasil: intoler\u00e2ncia religiosa, genoc\u00eddio dos jovens e cultura.<\/p>\n<p>A preserva\u00e7\u00e3o da ancestralidade e da religiosidade presente nos terreiros de candombl\u00e9, da umbanda e do catimb\u00f3-jurema tamb\u00e9m faz parte desta luta cotidiana pela preserva\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria. As religi\u00f5es de matriz africana seguem na resist\u00eancia contra todo tipo de ataques e difama\u00e7\u00f5es. \u201c\u00c9 um racismo religioso que vem ao longo dos anos, desde o rapto dos negros africanos. A partir do momento que o negro come\u00e7a a fazer o exerc\u00edcio da sua religiosidade, aquilo \u00e9 demonizado\u201d, afirma a sacerdotisa \u00ccya Omin Efun Lade.<\/p>\n<p>A persegui\u00e7\u00e3o \u00e0s religi\u00f5es de matriz africana tamb\u00e9m acontece nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, contrariando a Constitui\u00e7\u00e3o. \u201cNo Estado laico, como o nosso, uma TV que s\u00f3 mostra e s\u00f3 fala da religi\u00e3o dela. Que n\u00e3o mostra a diversidade com respeito, tamb\u00e9m est\u00e1 promovendo uma forma de fascismo\u201d, disse a deputada estadual Leci Brand\u00e3o.<\/p>\n<p>Os escritores Dona Jacira, autora da obra &#8220;Caf\u00e9&#8221;, com poesias e textos biogr\u00e1ficos, e Allan da Rosa, que \u00e9 historiador e autor do livro &#8220;Zumbi Assombra Quem?&#8221;, relatam a import\u00e2ncia e a riqueza da cultura africana, principalmente na forma\u00e7\u00e3o da autoestima dos jovens. Das diversas manifesta\u00e7\u00f5es culturais e de resist\u00eancia por espa\u00e7o e contra o apagamento da voz negra.<\/p>\n<p>A consci\u00eancia e a resist\u00eancia negras se formam no grito de den\u00fancia do Movimento M\u00e3es de Maio contra o genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o negra. Contra o assassinato e o encarceramento de jovens exclu\u00eddos desde o nascimento de qualquer tipo de assist\u00eancia do Estado. Sem perspectivas \u00e0 vista e sempre na mira do bra\u00e7o armado repressor.<\/p>\n<p>Em maio de 2016, por conta da repres\u00e1lia aos ataques da fac\u00e7\u00e3o criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) foram registradas mais 500 mortes violentas no Estado de S\u00e3o Paulo, em dez dias, grande parte das v\u00edtimas eram negras.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia do racismo espreita a pele negra a todo momento e todos os lugares. Como revela o advogado Sinvaldo Jos\u00e9 Firmo. Ele e o filho de 13 anos estavam perto do est\u00e1dio do Pacaembu, em S\u00e3o Paulo, em maio de 2010, quando um policial apontou a arma para a cabe\u00e7a do garoto, durante uma abordagem violenta, em seguida, o policial e a equipe que estava com ele tamb\u00e9m intimidaram o advogado. Em 2018, a Justi\u00e7a condenou o Estado pela abordagem violenta e o caso se tornou uma importante jurisprud\u00eancia contra os abusos da PM.<\/p>\n<p>Como afirma a escritora Concei\u00e7\u00e3o Evaristo, a celebra\u00e7\u00e3o da Consci\u00eancia Negra \u00e9 tamb\u00e9m um momento importante para, brancos e negros, refletirem sobre o racismo, suas ra\u00edzes e suas consequ\u00eancias.<\/p>\n<\/section>\n<section class=\"subtitle vertical-spacing\">\n<section class=\"subtitle vertical-spacing\">\n<h2 class=\"text\">MAIS DE 5 S\u00c9CULOS DE RESIST\u00caNCIA<\/h2>\n<\/section>\n<section class=\"embedMedia vertical-spacing\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"body_timeline\">\n<div class=\"timeline\">\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>1452<\/h3>\n<p>Ben\u00e7\u00e3o papal<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<div class=\"img_quad\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm5.staticflickr.com\/4823\/45236203394_8b8ca5b88b_o.jpg?w=600\" \/><\/div>\n<div class=\"texto_img\">\n<p>A Igreja Cat\u00f3lica, na figura do papa Nicolau V, legitima a escraviza\u00e7\u00e3o de africanos. A coroa portuguesa adota a medida como pol\u00edtica de estado e base de sustenta\u00e7\u00e3o dos projetos colonialistas.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>1500<\/h3>\n<p>Colonialismo<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<p>In\u00edcio do processo de coloniza\u00e7\u00e3o dos portugueses no Brasil<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>1533<\/h3>\n<p>In\u00edcio<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<p>O governo da capitania de S\u00e3o Tom\u00e9, que atualmente seria uma \u00e1rea entre o Esp\u00edrito Santo e Rio de Janeiro, solicitou \u00e0 coroa portuguesa a autoriza\u00e7\u00e3o para trazer 17 negros da \u00c1frica para serem escravizados em territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>1549<\/h3>\n<p>Expans\u00e3o e revoltas<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<p>Na Bahia, a escraviza\u00e7\u00e3o de africanos foi ampliada por conta da cultura da cana-de-a\u00e7\u00facar em larga escala. De pronto, come\u00e7aram as primeiras fugas, assassinato de fazendeiros e levantes isolados.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"img_linha\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm5.staticflickr.com\/4917\/32089542388_21f4ebbec1_o.jpg?w=600\" \/><\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>1630<\/h3>\n<p>Resist\u00eancia<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<p>Surge o Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, capitania de Pernambuco (atualmente, regi\u00e3o pertencente a Alagoas), para onde foram negros escravizados em fazendas de cana-de-a\u00e7\u00facar, principalmente da Bahia. Seus principais l\u00edderes foram Ganga Zumba, Zumbi e Dandara<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>1750<\/h3>\n<p>Felipa e Maria<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<div class=\"img_quad\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm5.staticflickr.com\/4870\/45236315384_7c4394b96f_o.jpg?w=600\" \/><\/div>\n<div class=\"texto_img\">\n<p>Neste ano, foi criado o quilombo Mola, no Par\u00e1, nos moldes de uma cidade-estado republicana, liderado pelas negras Felipa Aranha e Maria Luiza Piri\u00e1, nas margens do igarap\u00e9 Itapocu, no baixo Xingu. Ao longo de 100 anos de resist\u00eancia, o quilombo expandiu e formou uma confedera\u00e7\u00e3o com outros quatro quilombos da regi\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>1794<\/h3>\n<p>Exemplo do Haiti<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<p>Cinco anos ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, que aconteceu em 1789, com a queda e a execu\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia real, a Fran\u00e7a, um dos grandes imp\u00e9rios da \u00e9poca, aboliu a escravid\u00e3o, mas n\u00e3o nas col\u00f4nias. Em 1802, h\u00e1 um retrocesso e a Fran\u00e7a volta a instituir a escravid\u00e3o. Em 1804, o Haiti vive uma grande rebeli\u00e3o contra a escravid\u00e3o e se torna a primeira rep\u00fablica negra do mundo<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>1798<\/h3>\n<p>Revolta de B\u00fazios<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<p>Acontece na Bahia a Revolta dos Alfaiates, tamb\u00e9m chamada de Revolta dos B\u00fazios, um movimento de insurg\u00eancia contra a coroa portuguesa liderado por negros livres, artes\u00e3os, alfaiates e soldados sem patentes. O fim da escravid\u00e3o e a independ\u00eancia eram as principais reivindica\u00e7\u00f5es. Um dos l\u00edderes foi o soldado negro Luiz Gonzaga das Virgens e Veiga<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>1835<\/h3>\n<p>Revolta dos Mal\u00eas<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<p>A Revolta dos Mal\u00eas foi um levante que aconteceu entre os dias 24 e 29 de janeiro, em Salvador, com mais 1.500 rebeldes. Eram, na sua maioria, negros livres mu\u00e7ulmanos que atuavam em atividades aut\u00f4nomas. Eles lutaram pelo fim da escravid\u00e3o, liberdade religiosa e a cria\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>1839<\/h3>\n<p>Revolta da Balaiada<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<p>Foi a maior revolta camponesa do s\u00e9culo XIX, no Maranh\u00e3o, comandada por Negro Cosme. De um lado estavam os fazendeiros apoiando o governo autorit\u00e1rio da prov\u00edncia, do outro, os chamados balaios, que eram comerciantes pobres, agricultores, negros livres e artes\u00e3os sem direito \u00e0 propriedade de terra ou cidadania<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>1844<\/h3>\n<p>Trai\u00e7\u00e3o dos Porongos<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<p>No Rio Grande do Sul, durante a Guerra da Farroupilha, as guarni\u00e7\u00f5es de negros escravizados que foram libertos pelo lado republicano para lutar eram chamados de Lanceiros Negros. Al\u00e9m da Independ\u00eancia, os negros lutavam pelo fim da escravid\u00e3o. No final da guerra, durante o processo de paz, os soldados negros foram tra\u00eddos pelo lado republicano e deixados desarmados em Porongos, atual munic\u00edpio de Pinheiro Machado. L\u00e1 eles foram brutalmente dizimados por um ataque das for\u00e7as do Imp\u00e9rio, comandadas por Duque de Caxias, por conta de um acordo com o general David Canabarros, comandante dos republicanos, ambos os lados eram contra o fim da escravid\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>1848<\/h3>\n<p>Revolu\u00e7\u00e3o Praieira<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o Praieira, em Pernambuco, durou quase dois anos e contou com um grande n\u00famero de negros livres. O levante contra D.Pedro II come\u00e7ou com a troca de um liberal por um conservador no governo da prov\u00edncia. Os rebeldes progressistas exigiam uma nova Constitui\u00e7\u00e3o com voto livre e universal, liberdade de imprensa, direito ao trabalho e reforma do poder judici\u00e1rio<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>1850<\/h3>\n<p>Proibi\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<p>Foi aprovada a lei Eus\u00e9bio de Queiroz que proibia o tr\u00e1fico de pessoas para serem escravizadas no Brasil<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>1871<\/h3>\n<p>Ventre livre<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<p>A lei determina que as crian\u00e7as nascidas no Brasil, a partir daquele ano, n\u00e3o seriam escravizadas<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>1888<\/h3>\n<p>Abolicionistas<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<p>A coroa, em franca decad\u00eancia, cede \u00e0 press\u00e3o dos abolicionistas e acaba com a escravid\u00e3o no Brasil. No ano seguinte, \u00e9 proclamada a Rep\u00fablica. Entre os l\u00edderes dos abolicionistas est\u00e3o os negros Luiz Gama (advogado e jornalista), Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio (m\u00e9dico farmac\u00eautico e jornalista) e Andr\u00e9 Rebou\u00e7as (engenheiro)<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>1890<\/h3>\n<p>Capoeira na ilegalidade<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<p>Uma lei torna a capoeira ilegal no Brasil. Os capoeiristas ent\u00e3o se unem para manter viva a cultura e a tradi\u00e7\u00e3o do jogo de capoeira em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>1896<\/h3>\n<p>Canudos<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<p>A cidade de Canudos, na Bahia, era comandada por Ant\u00f4nio Conselheiro, um m\u00edstico que tinha passado 25 anos caminhando pelo sert\u00e3o e decidiu criar um lugar onde as pessoas que viviam em extrema pobreza pudessem morar e progredir. O sonho de Ant\u00f4nio Conselheiro foi compartilhado com uma grande multid\u00e3o de explorados, principalmente negros que foram escravizados<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>1910<\/h3>\n<p>Revolta da Chibata<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<p>A revolta por conta dos castigos f\u00edsicos impostos na Marinha, principalmente, contra marujos negros por motivos banais foi liderada por Jo\u00e3o C\u00e2ndido. O marinheiro negro tomou o controle de v\u00e1rios navios de guerra da armada brasileira e amea\u00e7ou a abrir fogo contra a sede do governo, que na \u00e9poca era no Rio de Janeiro<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>1931<\/h3>\n<p>Frente Negra<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<p>Neste ano \u00e9 criado o grupo pol\u00edtico Frente Negra Brasileira, que cinco anos depois se torna um partido. A FNB foi fundada em S\u00e3o Paulo e reuniu diversos grupos e movimentos populares de resist\u00eancia negra contra o racismo. Em 1937, durante a ditadura Vargas, ela \u00e9 decretada ilegal<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>1944<\/h3>\n<p>Teatro Negro<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<p>Foi criado o Teatro Experimental do Negro, no Rio de Janeiro, liderado pelo ator e economista Abdias Nascimento. O TEN foi fundamental na estrutura\u00e7\u00e3o das reivindica\u00e7\u00f5es de pol\u00edticas afirmativas e combate ao racismo estrutural<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>1950<\/h3>\n<p>Mulher Negra<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<p>Realizado o 1\u00ba Conselho Nacional da Mulher Negra<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>1951<\/h3>\n<p>Discrimina\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<p>A lei Afonso Arinos \u00e9 aprovada e pro\u00edbe a discrimina\u00e7\u00e3o racial no Brasil em locais p\u00fablicos<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>1974<\/h3>\n<p>Il\u00ea Negro<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<p>\u00c9 fundado o Il\u00ea Ayi\u00ea, primeiro bloco-afro do Brasil, que se tornou um centro cultural de resist\u00eancia negra na Bahia<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>1978<\/h3>\n<p>Movimento Negro<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<p>\u00c9 criado o MNU (Movimento Negro Unificado)<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>1985<\/h3>\n<p>Racismo Inafian\u00e7\u00e1vel<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<p>Foi criada a lei que classifica o racismo como crime inafian\u00e7\u00e1vel. Em 1988, o propositor da lei, o deputado e jornalista Carlos Alberto Ca\u00f3 Oliveira, escreveu o inciso que torna o crime de racismo inafian\u00e7\u00e1vel e imprescrit\u00edvel<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>1988<\/h3>\n<p>Mulheres negras<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<p>Acontece no Rio de Janeiro o primeiro Encontro Nacional de Mulheres Negras<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>1989<\/h3>\n<p>\u00c9 lei<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<p>Foi criada a Lei de Crime Racial no Brasil<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>1996<\/h3>\n<p>Zumbi her\u00f3i<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<div class=\"img_quad\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm5.staticflickr.com\/4816\/45048318905_e44fdc52b8_o.jpg?w=600\" \/><\/div>\n<div class=\"texto_img\">\n<p>O nome de Zumbi \u00e9 inclu\u00eddo no pante\u00e3o dos her\u00f3is brasileiros<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>2002<\/h3>\n<p>A\u00e7\u00f5es afirmativas<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<p>\u00c9 aprovada a primeira lei de a\u00e7\u00f5es afirmativas no Brasil, com vagas reservadas para afrodescentes nas universidades estaduais do Rio de Janeiro<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>2003<\/h3>\n<p>Negro no Poder<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<p>\u00c9 criada a Secretaria de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>2004<\/h3>\n<p>Ensino Superior Negro<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<p>Come\u00e7am as aulas na Universidade Zumbi dos Palmares, do Instituto Afro Brasileira de Ensino Superior, em S\u00e3o Paulo<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>2014<\/h3>\n<p>Cotas no servi\u00e7o p\u00fablico<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<p>\u00c9 sancionada a lei 12.990\/14 que prev\u00ea a reserva de vagas para negros e pardos nos concursos p\u00fablicos<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry2\">\n<div class=\"title_time\">\n<h3>2018<\/h3>\n<p>Representatividade negra<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"body\">\n<p>O Unegro, coletivo de cursinho pr\u00e9-vestibular para estudantes negros e o G\u00e9ledes, Instituto da Mulher Negra, completam 30 anos de atividades<\/p>\n<div class=\"jetpack-video-wrapper\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Consci\u00eancia Negra:  A intoler\u00e2ncia Religiosa no Brasil\" width=\"600\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/M5_izVJs-Jc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; 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