{"id":19586,"date":"2018-11-24T09:17:19","date_gmt":"2018-11-24T13:17:19","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=19586"},"modified":"2018-11-24T09:17:19","modified_gmt":"2018-11-24T13:17:19","slug":"a-amarga-vida-das-filhas-de-marx","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/11\/24\/a-amarga-vida-das-filhas-de-marx\/","title":{"rendered":"A amarga vida das filhas de Marx"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"19587\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/11\/24\/a-amarga-vida-das-filhas-de-marx\/mar-5\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/mar.jpg?fit=1960%2C1274\" data-orig-size=\"1960,1274\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"mar\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/mar.jpg?fit=300%2C195\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/mar.jpg?fit=600%2C390\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/mar.jpg?resize=600%2C390\" alt=\"mar\" width=\"600\" height=\"390\" class=\"alignnone size-full wp-image-19587\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/mar.jpg?w=1960 1960w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/mar.jpg?resize=300%2C195 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/mar.jpg?resize=768%2C499 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/mar.jpg?resize=1024%2C666 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/mar.jpg?resize=462%2C300 462w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/mar.jpg?w=1200 1200w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/mar.jpg?w=1800 1800w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Jenny morreu jovem. Laura e Eleanor se suicidaram. Viveram \u00e0 sombra dos homens, sem d\u00favida no s\u00e9culo errado<!--more--><\/p>\n<p>No El Pa\u00eds<\/p>\n<p>Era uma vez tr\u00eas irm\u00e3s, as \u00fanicas que atingiram a idade adulta das sete crian\u00e7as que seus pais tiveram. Eram tr\u00eas irm\u00e3s, Jenny, Laura e Eleanor. A primeira morreu de c\u00e2ncer aos 38 anos, as outras duas cometeram suic\u00eddio. Laura, com seu marido, Paul Lafargue, um dos introdutores do marxismo na Espanha e autor do famoso O Direito \u00e0 Pregui\u00e7a. O casal chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que a vida n\u00e3o valia a pena a partir da idade em que a pessoa n\u00e3o pode desfrutar dos prazeres da exist\u00eancia e se torna um fardo para os outros.<!--more--><\/p>\n<p>A mais nova, Eleanor, se envenenou aos 43, talvez enojada e desanimada com os enganos de seu companheiro, o socialista Edward Aveling, de que cuidara durante uma longa doen\u00e7a, embora soubesse de suas infidelidades. Aparentemente, ela n\u00e3o p\u00f4de suportar a descoberta de que Aveling se casara secretamente com uma amante.<\/p>\n<p>Todas elas passaram por fases de aut\u00eantica mis\u00e9ria \u2013 n\u00e3o apenas na inf\u00e2ncia \u2013 e de persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. As tr\u00eas se casaram ou viveram com ativistas de esquerda. Mas o interesse por essas tr\u00eas irm\u00e3s n\u00e3o se deve somente ou principalmente \u00e0s suas vicissitudes pessoais, mas a sua contribui\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento do movimento oper\u00e1rio e a seu trabalho intelectual.<\/p>\n<p>Um detalhe revelador sobre Jenny: quando fez 13 anos, sua irm\u00e3 Laura lhe deu um di\u00e1rio e, em vez de dedic\u00e1-lo a criancices, come\u00e7ou a escrever um ensaio sobre a hist\u00f3ria da Gr\u00e9cia. Em 1870, publicou v\u00e1rios artigos sobre o tratamento dado aos presos pol\u00edticos irlandeses, outro sobre os abusos da pol\u00edcia francesa quando foi presa com sua irm\u00e3 Eleanor. Ela tamb\u00e9m era secret\u00e1ria do pai na Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores.<\/p>\n<p>Laura teve uma vida particularmente dif\u00edcil, passando por fases de depress\u00e3o, talvez por causa da morte prematura de seus tr\u00eas filhos. Oprimida pela pobreza, trabalhou como professora de l\u00ednguas e acompanhou o marido em v\u00e1rios pa\u00edses, fugindo da pol\u00edcia e colaborando com movimentos socialistas. Essa mulher, que tinha ajudado o pai com pesquisas para ele, escreveu artigos pol\u00edticos (sobre o socialismo na Fran\u00e7a, por exemplo), mas n\u00e3o chegou a ter uma obra not\u00e1vel, ficando sempre \u00e0 sombra de dois homens: o pai e o marido.<\/p>\n<p>Eleanor, que queria ser atriz, foi a mais intelectual das tr\u00eas: escreveu in\u00fameros artigos, alguns de interpreta\u00e7\u00e3o da obra de seu pai, outros sobre diferentes quest\u00f5es de import\u00e2ncia pol\u00edtica e social: um dos mais interessante \u00e9 o que escreveu sobre a situa\u00e7\u00e3o das mulheres tiranizadas pelo capitalismo e pelos homens. Considerava que a chegada do socialismo as tornaria livres e iguais aos homens. Poliglota, foi uma dura cr\u00edtica do colonialismo e defensora fervorosa da escolaridade obrigat\u00f3ria.<\/p>\n<p>As tr\u00eas, filhas de Karl Marx e Jenny von Westphalen, sentiam adora\u00e7\u00e3o pelo pai. A m\u00e3e, como elas, ficaria na obscuridade e relegada a um mundo de homens. O socialismo e o feminismo estavam longe de serem equivalentes.<\/p>\n<p>Agora que se aproxima o final das comemora\u00e7\u00f5es do bicenten\u00e1rio do nascimento de Karl Marx (com magn\u00edficas exposi\u00e7\u00f5es em sua cidade natal, Tr\u00e9veris, com confer\u00eancias e celebra\u00e7\u00f5es em sua homenagem), \u00e9 um bom momento para lembrar destas tr\u00eas irm\u00e3s, que, em uma \u00e9poca mais igualit\u00e1ria teriam se destacado na vida pol\u00edtica e intelectual de qualquer pa\u00eds e n\u00e3o seriam citadas quase exclusivamente como ap\u00eandices dos homens que estiveram por perto delas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jenny morreu jovem. Laura e Eleanor se suicidaram. 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