{"id":19793,"date":"2018-12-10T13:35:34","date_gmt":"2018-12-10T17:35:34","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=19793"},"modified":"2018-12-10T13:36:16","modified_gmt":"2018-12-10T17:36:16","slug":"19793","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/12\/10\/19793\/","title":{"rendered":"\u2018Inten\u00e7\u00e3o de acabar com os ativismos j\u00e1 est\u00e1 em curso no Brasil\u2019"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"19794\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/12\/10\/19793\/47f50f7c-6632-4e3e-b448-453f964d7715\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/47F50F7C-6632-4E3E-B448-453F964D7715.jpeg?fit=768%2C512\" data-orig-size=\"768,512\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"47F50F7C-6632-4E3E-B448-453F964D7715\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/47F50F7C-6632-4E3E-B448-453F964D7715.jpeg?fit=300%2C200\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/47F50F7C-6632-4E3E-B448-453F964D7715.jpeg?fit=600%2C400\" class=\"alignnone size-full wp-image-19794\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/47F50F7C-6632-4E3E-B448-453F964D7715.jpeg?resize=600%2C400\" alt=\"47F50F7C-6632-4E3E-B448-453F964D7715\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/47F50F7C-6632-4E3E-B448-453F964D7715.jpeg?w=768 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/47F50F7C-6632-4E3E-B448-453F964D7715.jpeg?resize=300%2C200 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/47F50F7C-6632-4E3E-B448-453F964D7715.jpeg?resize=450%2C300 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p><strong>Na Sul 21, por\u00a0\u00a0Marco Weissheimer &#8211;\u00a0<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>A Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos est\u00e1 completando 70 anos. Adotada pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas em 10 de dezembro de 1948, a Declara\u00e7\u00e3o foi uma tentativa de resposta \u00e0 barb\u00e1rie que assolou o planeta ao longo da Segunda Grande Guerra Mundial.<!--more--><\/p>\n<p>O esp\u00edrito geral da Declara\u00e7\u00e3o era estabelecer um ideal comum de humanidade a ser atingido por todos os povos e todas as na\u00e7\u00f5es. Nos \u00faltimos anos, por\u00e9m, a percep\u00e7\u00e3o da barb\u00e1rie, presente no p\u00f3s-guerra, parece ter enfrentado um progressivo enfraquecimento.<\/p>\n<p>\u201cChegamos a um momento onde parece que, de novo, a humanidade est\u00e1 em quest\u00e3o. Retornamos no mundo inteiro a uma situa\u00e7\u00e3o onde se questiona se todos os humanos devem ser considerados como integrantes da categoria \u2018humanidade\u2019, ou, dito de outro modo, se \u00e9 leg\u00edtimo ou n\u00e3o que todos os humanos tenham direitos humanos\u201d, diz Paulo C\u00e9sar Carbonari, presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos do Rio Grande do Sul. Em entrevista ao <strong>Sul21<\/strong>, Carbonari fala sobre a atualidade da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos e sobre os desafios que ela enfrenta, sobretudo no Brasil, onde o presidente eleito Jair Bolsonaro prometeu, entre outras coisas, que ir\u00e1 por fim a todas as formas de ativismo.<\/p>\n<p>Essa inten\u00e7\u00e3o de acabar com os ativismos, afirma ainda Carbonari, \u201cj\u00e1 est\u00e1 em curso no Brasil por meio de um processo de criminaliza\u00e7\u00e3o e de desmoraliza\u00e7\u00e3o das lutas, dos movimentos sociais, dos defensores e defensoras de direitos humanos\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_433324\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-433324 size-full jetpack-lazy-image jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/20181207-sul21_gs_img_0712_11.jpg?resize=600%2C400&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" srcset=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/20181207-sul21_gs_img_0712_11.jpg 900w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/20181207-sul21_gs_img_0712_11-200x133.jpg 200w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/20181207-sul21_gs_img_0712_11-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/20181207-sul21_gs_img_0712_11-768x512.jpg 768w\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">\u201cOs ind\u00edgenas s\u00f3 se tornaram oficialmente seres humanos por volta de 1530 em fun\u00e7\u00e3o de uma bula papal\u201d. Foto: Guilherme Santos\/Sul21<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Sul21<\/strong>: <em>A Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos est\u00e1 completando 70 anos. Ela nasceu no p\u00f3s-guerra, em um momento que a percep\u00e7\u00e3o da barb\u00e1rie estava muito presente na vida de todos que haviam convivido, direta ou indiretamente, com os horrores da Segunda Guerra Mundial. Hoje, parece que essa percep\u00e7\u00e3o da barb\u00e1rie est\u00e1 enfraquecida e a pr\u00f3pria ideia de Direitos Humanos \u00e9 crescentemente contestada por setores da sociedade. Que balan\u00e7o \u00e9 poss\u00edvel fazer desse per\u00edodo e de como a agenda dos Direitos Humanos \u00e9 percebida na sociedade hoje?<\/em><\/p>\n<p><strong>Paulo C\u00e9sar Carbonari<\/strong>: A Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos nasceu como uma tentativa de resposta \u00e0 barb\u00e1rie, ao totalitarismo e \u00e0 experi\u00eancia hist\u00f3rica de elimina\u00e7\u00e3o massiva de seres humanos. A hist\u00f3ria \u00e9 marcada por v\u00e1rios momentos em que nem todos os humanos s\u00e3o considerados como pertencendo \u00e0 categoria da humanidade. Em muitos momentos dessa hist\u00f3ria, humanos foram tratados como n\u00e3o-humanos ou como seres inferiores. Na antiga Gr\u00e9cia, as mulheres eram humanas, mas eram tratadas como seres inferiores. Os escravos e estrangeiros, por raz\u00f5es diferentes, tamb\u00e9m eram assim classificados. Nos prim\u00f3rdios do cristianismo tivemos a discuss\u00e3o entre Paulo e Pedro sobre, se para ser crist\u00e3o, era preciso ser judeu ou n\u00e3o, sobre quem poderia ser crist\u00e3o.<\/p>\n<p>Se considerarmos quando os europeus chegaram a Am\u00e9rica, a primeira carta de Cristov\u00e3o Colombo a Espanha informava que os seres que tinha encontrado aqui n\u00e3o tinham religi\u00e3o. Isso significava n\u00e3o ter alma e n\u00e3o ser humano. Os ind\u00edgenas s\u00f3 se tornaram oficialmente seres humanos por volta de 1530 em fun\u00e7\u00e3o de uma bula papal. Ent\u00e3o, essa discuss\u00e3o \u00e9 antiga. O que 1948 traz como marco hist\u00f3rico, em seu sentido mais amplo, \u00e9 dizer: h\u00e1 uma humanidade que \u00e9 comum e nenhum ser humano pode ser morto por qualquer raz\u00e3o que seja, ou discriminado e exclu\u00eddo.<\/p>\n<p>O que ocorreu neste processo a partir de 1948, por um lado, foi uma tentativa de especificar o que \u00e9 essa condi\u00e7\u00e3o humana, considerando toda a sua diversidade. De l\u00e1 para c\u00e1, tivemos o reconhecimento de direitos e a cria\u00e7\u00e3o de conven\u00e7\u00f5es internacionais protetoras de direitos para negros, mulheres, deficientes, crian\u00e7as e outros setores da sociedade. Agora, no entanto, chegamos a um momento em que parece que, de novo, a humanidade est\u00e1 em quest\u00e3o. Se formos seguir a tese do fil\u00f3sofo africano Achille Mbembe, diremos que estamos vivendo um momento marcado por uma necropol\u00edtica. Assim, retornamos no mundo inteiro a uma situa\u00e7\u00e3o onde se questiona se todos os humanos devem ser considerados como integrantes da categoria \u201chumanidade\u201d, ou, dito de outro modo, se \u00e9 leg\u00edtimo ou n\u00e3o que todos os humanos tenham direitos humanos. No Brasil, isso se apresenta na forma de v\u00e1rias consignas, que s\u00e3o repetidas de boca cheia por a\u00ed.<\/p>\n<p><strong>Sul21<\/strong>: <em>Do tipo daquelas que associam os defensores de direitos humanos a bandidos\u2026<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_433323\" class=\"wp-caption alignright\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-433323 jetpack-lazy-image jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/20181207-sul21_gs_img_0704_10-600x400.jpg?resize=420%2C280&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 420px) 100vw, 420px\" srcset=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/20181207-sul21_gs_img_0704_10-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/20181207-sul21_gs_img_0704_10-200x133.jpg 200w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/20181207-sul21_gs_img_0704_10-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/20181207-sul21_gs_img_0704_10.jpg 900w\" alt=\"\" width=\"420\" height=\"280\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">\u201cA ideia de que a humanidade n\u00e3o se aplica a certos seres humanos \u00e9 forte no Brasil\u201d. (Foto: Guilherme Santos\/Sul21)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>\u00a0Paulo C\u00e9sar Carbonari<\/strong>: Acho que h\u00e1 tr\u00eas dessas consignas que s\u00e3o mais fortes hoje. Elas s\u00e3o complementares, mas tem suas especificidades. Uma delas \u00e9 essa que voc\u00ea citou. Ela \u00e9 a mais antiga e vem dos anos 70, criando uma figura que n\u00e3o existe nem do ponto de vista jur\u00eddico nem do ponto de vista sociol\u00f3gico, que \u00e9 a figura do chamado bandido. Essa figura coloca aqueles cuja pr\u00e1tica foi condenada por alguma previs\u00e3o legal como se n\u00e3o fossem merecedores da inclus\u00e3o na categoria de humanidade. Essa vis\u00e3o \u00e9 muito forte hoje no Brasil. \u00c9 a ideia de que a humanidade n\u00e3o se aplica a esses seres humanos que, portanto, deveriam ser eliminados. Uma m\u00e1xima associada a essa \u00e9 aquela que diz que \u201cbandido bom \u00e9 bandido morto\u201d, o que significa advogar a elimina\u00e7\u00e3o f\u00edsica das pessoas inclu\u00eddas nesta categoria.<\/p>\n<p>Enquanto a primeira vers\u00e3o \u00e9 de um punitivismo crasso, a segunda a gente chama de seletivista. Essa vers\u00e3o \u00e9 bem traduzida na ideia de quem diz: eu at\u00e9 defendo os direitos humanos, mas s\u00f3 para os humanos direitos. Segundo essa ideia, nem todos os humanos tem a mesma humanidade. A escala vai dependendo da circunst\u00e2ncia, de quem vai ser atacado mais de frente. Essa \u00e9 uma vers\u00e3o um pouco mais sofisticada do que foi o nazismo e sua estrat\u00e9gia de elimina\u00e7\u00e3o. Come\u00e7a com um grupo e depois vai se ampliando a praticamente todos os seres. Essa vers\u00e3o \u00e9 um pouquinho diferente da primeira, com uma carga de sofistica\u00e7\u00e3o mais perversa, pois \u00e9 mais sutil.<\/p>\n<p><strong>Sul21<\/strong>: <em>Pretende apresentar um certo verniz de humanidade\u2026<\/em><\/p>\n<p><strong>Paulo Cesar Carbonari<\/strong>: Sim, ela reconhece uma humanidade at\u00e9 certa altura. Depois n\u00e3o tem mais. A terceira, que vem na esteira dessas posi\u00e7\u00f5es ultra-liberais, \u00e9 uma vis\u00e3o meritocr\u00e1tica, que se traduz na seguinte ideia: a gente at\u00e9 aceita os direitos humanos, mas para quem merece os direitos humanos, para quem faz por merecer esses direitos, para quem se empenha e se d\u00e1 bem.\u00a0 \u00c9 o discurso meritocr\u00e1tico de que, quem se esfor\u00e7a, consegue. Essa vis\u00e3o dialoga com o individualismo crasso que vemos hoje baseado na ideia neoliberal de que devemos ser empreendedores de si mesmo. Eu por mim em primeiro lugar. Essa vis\u00e3o, na verdade, acaba com a ideia de direitos humanos, transformando-os numa esp\u00e9cie de privil\u00e9gio disfuncional ao mercado. Se eu me esforcei, eu mere\u00e7o e compro os meus direitos. Essa \u00e9 a ideia que vale nesta concep\u00e7\u00e3o. Enfim, as tr\u00eas vis\u00f5es contrariam a concep\u00e7\u00e3o universalista de direitos humanos.<\/p>\n<p><strong>Sul21<\/strong>: <em>Logo ap\u00f3s o final do primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es presidenciais deste ano, o ent\u00e3o candidato Jair Bolsonaro disse que, caso eleito, iria \u201cpor fim a todo o ativismo\u201d no Brasil. Bem, ele foi eleito. Na sua avalia\u00e7\u00e3o, em que medida essa amea\u00e7a deve ser levada a s\u00e9rio?<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_433321\" class=\"wp-caption alignleft\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-433321 jetpack-lazy-image jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/20181207-sul21_gs_img_0661_08-600x400.jpg?resize=420%2C280&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 420px) 100vw, 420px\" srcset=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/20181207-sul21_gs_img_0661_08-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/20181207-sul21_gs_img_0661_08-200x133.jpg 200w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/20181207-sul21_gs_img_0661_08-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/20181207-sul21_gs_img_0661_08.jpg 900w\" alt=\"\" width=\"420\" height=\"280\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">\u201cAcho que ele (Bolsonaro) vai fazer o que disse que iria fazer\u201d. Foto: Guilherme Santos\/Sul21<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>\u00a0Paulo Cesar Carbonari<\/strong>: Eu sou daqueles que acredita que se deve levar a s\u00e9rio tudo o que as pessoas dizem. Afinal, ele era candidato \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica e foi eleito presidente da Rep\u00fablica. Eu, portanto, como cidad\u00e3o brasileiro, ainda que n\u00e3o concorde com o que ele disse, devo levar isso a s\u00e9rio. Acho que ele vai fazer o que disse que iria fazer. A minha d\u00favida \u00e9 de que modo ele vai fazer isso e quando. Considerando essa inten\u00e7\u00e3o de acabar com os ativismos, j\u00e1 est\u00e1 em curso no Brasil, infelizmente, um processo de criminaliza\u00e7\u00e3o e de desmoraliza\u00e7\u00e3o das lutas, dos movimentos sociais, dos defensores e defensoras de direitos humanos. J\u00e1 h\u00e1 um processo em curso com a participa\u00e7\u00e3o, em alguns lugares, do Poder Judici\u00e1rio e do Minist\u00e9rio P\u00fablico. Essa a\u00e7\u00e3o pode ser intensificada. Pode-se, por exemplo, responsabilizar essas pessoas por improbidade, por corrup\u00e7\u00e3o ou outra acusa\u00e7\u00e3o do tipo, criando uma l\u00f3gica de desmoraliza\u00e7\u00e3o. Na minha avalia\u00e7\u00e3o, esse processo tende a avan\u00e7ar.<\/p>\n<p>Outra forma de \u201cpor fim aos ativismos\u201d est\u00e1 relacionada ao financiamento das organiza\u00e7\u00f5es. Ainda que tenhamos produzido um marco regulat\u00f3rio tratando da rela\u00e7\u00e3o entre Estado e sociedade civil, isso n\u00e3o deve ser levado adiante para dificultar a obten\u00e7\u00e3o de recursos por parte das organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil. N\u00e3o garantir recursos \u00e9 outra forma de n\u00e3o propiciar condi\u00e7\u00f5es para que essas organiza\u00e7\u00f5es sigam atuando. N\u00e3o sei se n\u00e3o haver\u00e1, inclusive, interfer\u00eancia na coopera\u00e7\u00e3o internacional que ap\u00f3ia, por exemplo, projetos de desenvolvimento social e de educa\u00e7\u00e3o. A maior parte desses recursos vem de governos. Existem, portanto, v\u00e1rios mecanismos para ele colocar em pr\u00e1tica aquilo que disse pretender fazer. Talvez ele n\u00e3o os adote de modo aberto j\u00e1 no in\u00edcio do governo. Para alguns grupos sociais, por outro lado, ele pode sair atirando logo no in\u00edcio, tanto no sentido metaf\u00f3rico como no literal, pois j\u00e1 os identificou como seus alvos priorit\u00e1rios\u2026<\/p>\n<p><strong>Sul21<\/strong>: <em>Como o MST, por exemplo\u2026<\/em><\/p>\n<p><strong>Paulo C\u00e9sar Carbonari<\/strong>: MST, MTST, movimento ind\u00edgena\u2026Mas eu acho que talvez a a\u00e7\u00e3o venha mais numa l\u00f3gica sutil que v\u00e1 criando uma rede de desmonte e de desmoraliza\u00e7\u00e3o. A criminaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas um mecanismo jur\u00eddico que se completa com a desmoraliza\u00e7\u00e3o para destruir politicamente as lideran\u00e7as desses movimentos. Infelizmente, j\u00e1 estamos vendo isso acontecer h\u00e1 mais tempo.<\/p>\n<p><strong>Sul21<\/strong>: <em>Trazendo a conversa para o plano do Estado, qual avalia\u00e7\u00e3o voc\u00ea faz, como presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos, sobre a situa\u00e7\u00e3o dos direitos humanos no Rio Grade do Sul? Quais os principais problemas enfrentados?<\/em><\/p>\n<p><strong>Paulo Cesar Carbonari<\/strong>: O Conselho \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o novo. Ainda que o Rio Grande do Sul tenha sido pioneiro na cria\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o aos direitos humanos \u2013 a primeira comiss\u00e3o legislativa foi criada aqui na Assembleia -, o Estado ainda n\u00e3o tinha um conselho estadual de direitos humanos, que acabou finalmente sendo criado em 2014. Gastamos quase dois anos para construir toda a parte de estrutura\u00e7\u00e3o. Ainda estamos construindo os mecanismos mais institucionais de a\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, estamos falando de uma experi\u00eancia ainda recente.<\/p>\n<p>Temos uma composi\u00e7\u00e3o que tem a participa\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico, mas a maioria dela \u00e9 de organiza\u00e7\u00f5es e grupos de direitos humanos da sociedade civil. Esse \u00e9 um dado importante pois a maioria dos conselhos tem uma composi\u00e7\u00e3o parit\u00e1ria ou ent\u00e3o com maioria governamental. Quanto mais independ\u00eancia e autonomia tiver, mais capacidade de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica o conselho ter\u00e1. Quanto mais preso \u00e0 l\u00f3gica governamental, mais dificuldade ele ter\u00e1 par agir de modo independente. E, na \u00e1rea de direitos humanos, se voc\u00ea n\u00e3o tiver essa capacidade de a\u00e7\u00e3o independente, acaba inviabilizado no trabalho fundamental. O trabalho mais importante de um conselho deste tipo \u00e9 sugerir pol\u00edticas e denunciar as viola\u00e7\u00f5es de direitos.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, num primeiro momento, procuramos estabelecer as condi\u00e7\u00f5es para criar um Plano Estadual de Direitos Humanos, o que significa criar pol\u00edticas de direitos humanos. Fizemos uma confer\u00eancia estadual para isso, mas infelizmente o atual governo vai chegando ao fim se ter feito o seu tema de casa que era formular a proposta para um programa estadual de direitos humanos. O Estado n\u00e3o assumiu a sua responsabilidade. At\u00e9 fez algumas a\u00e7\u00f5es e criou uma secretaria onde os direitos humanos eram apenas um entre v\u00e1rios temas, sem construir uma pol\u00edtica de Estado para essa \u00e1rea.<\/p>\n<figure id=\"attachment_433320\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-433320 size-full jetpack-lazy-image jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/20181207-sul21_gs_img_0658_07.jpg?resize=600%2C400&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" srcset=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/20181207-sul21_gs_img_0658_07.jpg 900w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/20181207-sul21_gs_img_0658_07-200x133.jpg 200w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/20181207-sul21_gs_img_0658_07-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/20181207-sul21_gs_img_0658_07-768x512.jpg 768w\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">\u201cN\u00f3s temos no Rio Grande do Sul um protocolo de a\u00e7\u00e3o policial que j\u00e1 foi criticado quando da morte do Elton Brum, em S\u00e3o Gabriel\u201d. Foto: Guilherme Santos\/Sul21<\/figcaption><\/figure>\n<p>Do ponto de vista das viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos no Rio Grande do Sul, eu citaria tr\u00eas grandes temas. Temos os conflitos territoriais, as disputas por terra, especialmente nas cidades, com ocupa\u00e7\u00f5es urbanas, despejos, falta de moradia. Tivemos o caso emblem\u00e1tico dos Lanceiros Negros neste contexto, mas a lista de casos \u00e9 muito grande. N\u00f3s acompanhamos mais de 50 situa\u00e7\u00f5es envolvendo esse tipo de conflito. O Conselho age no sentido de exigir que o Poder Judici\u00e1rio fa\u00e7a as media\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para que os despejos n\u00e3o sejam violentos. Como, infelizmente, n\u00e3o h\u00e1 pol\u00edtica habitacional, o que a gente consegue fazer \u00e9 que a viol\u00eancia n\u00e3o se abata de modo ainda mais duro sobre os pobres que j\u00e1 vivem um contexto de viol\u00eancia. A maior parte das situa\u00e7\u00f5es que chegam at\u00e9 n\u00f3s envolvem esse tipo de conflito.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, \u00a0vem os casos envolvendo viol\u00eancia policial. Tivemos diversas situa\u00e7\u00f5es de repress\u00e3o contra manifesta\u00e7\u00f5es, ocupa\u00e7\u00f5es e mobiliza\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Tivemos, por exemplo, a a\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia contra a Federa\u00e7\u00e3o Anarquista Ga\u00facha e coletivos culturais com a apreens\u00e3o de livros e equipamentos diversos.\u00a0 N\u00f3s temos no Rio Grande do Sul um protocolo de a\u00e7\u00e3o policial que j\u00e1 foi criticado quando da morte do sem terra Elton Brum, em S\u00e3o Gabriel. Na \u00e9poca, o Comit\u00ea Estadual de Combate \u00e0 Tortura fez um relat\u00f3rio ao ent\u00e3o Conselho de Defesa da Pessoa Humana (que agora \u00e9 o Conselho Nacional de Direitos Humanos), em Bras\u00edlia, que recomendou que essa normativa de a\u00e7\u00e3o policial fosse revisada no Estado, o que at\u00e9 hoje n\u00e3o aconteceu.<\/p>\n<p><strong>Sul21<\/strong>: <em>Quais seriam os problemas envolvendo essa normativa?<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_433314\" class=\"wp-caption alignright\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-433314 jetpack-lazy-image jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/20181207-sul21_gs_img_0554_01-600x400.jpg?resize=420%2C280&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 420px) 100vw, 420px\" srcset=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/20181207-sul21_gs_img_0554_01-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/20181207-sul21_gs_img_0554_01-200x133.jpg 200w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/20181207-sul21_gs_img_0554_01-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/20181207-sul21_gs_img_0554_01.jpg 900w\" alt=\"\" width=\"420\" height=\"280\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">\u201cO epis\u00f3dio da ocupa\u00e7\u00e3o Lanceiros Negros mostra que a pol\u00edcia continua com um protocolo equivocado\u201d. (Foto: Guilherme Santos\/Sul21)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>\u00a0Paulo C\u00e9sar Carbonari<\/strong>: A mudan\u00e7a dessa norma significaria construir outra forma de a\u00e7\u00e3o policial em situa\u00e7\u00f5es de conflito desse tipo. Toda a normativa que est\u00e1 em vigor hoje n\u00e3o segue a orienta\u00e7\u00e3o internacional das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre como a pol\u00edcia deve agir nestes conflitos. Naquela \u00e9poca, h\u00e1 mais de dez anos, j\u00e1 t\u00ednhamos feito essa den\u00fancia, que estamos retomando agora. O epis\u00f3dio da ocupa\u00e7\u00e3o Lanceiros Negros mostra que a pol\u00edcia continua com um protocolo equivocado sobre procedimentos para desocupa\u00e7\u00f5es for\u00e7adas e outras situa\u00e7\u00f5es de conflito aberto.<\/p>\n<p>O terceiro tema, considerando as viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos no Rio Grande do Sul, est\u00e1 relacionado \u00e0 quest\u00e3o ind\u00edgena. Tivemos uma miss\u00e3o do Conselho Nacional de Direitos Humanos aqui, que verificou uma s\u00e9rie de irregularidades na pol\u00edtica de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena no Estado.<\/p>\n<p><strong>Sul21<\/strong><em>: Bolsonaro, al\u00e9m da promessa de acabar com os ativismos, tem dito que em seu governo a pol\u00edcia ter\u00e1 carta branca para \u201cmatar bandidos\u201d. Na semana passada, em duas ocorr\u00eancias policiais envolvendo a Brigada Militar no interior do Estado, dez pessoas foram mortas a tiros, sendo uma delas um ref\u00e9m de um assalto a banco. Na sua avalia\u00e7\u00e3o, esses epis\u00f3dios indicam que as pol\u00edcias j\u00e1 estariam se sentindo \u201c\u00e0 vontade\u201d, digamos, para colocar em pr\u00e1tica as concep\u00e7\u00f5es de Bolsonaro para a \u00e1rea da seguran\u00e7a p\u00fablica?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><strong>Paulo C\u00e9sar Carbonari: <\/strong>Acho que esses n\u00e3o s\u00e3o os primeiros epis\u00f3dios. Houve outros antes. H\u00e1 uma tend\u00eancia das for\u00e7as policiais em insistir em n\u00e3o produzir a\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas de seguran\u00e7a p\u00fablica que sejam consistentes, mas pass\u00edveis de cr\u00edtica social. H\u00e1 um autoritarismo persistente na a\u00e7\u00e3o policial. Eles acham que s\u00e3o os \u00fanicos que sabem fazer enfrentamento com a viol\u00eancia e que fazer isso significa repress\u00e3o somente. Precisamos enfrentar o debate sobre o que significa fazer seguran\u00e7a p\u00fablica e qual \u00e9 o papel da pol\u00edcia neste processo. Acho que n\u00e3o fizemos esse debate adequadamente, ao que se soma o punitivismo dominante na sociedade que acaba legitimando qualquer a\u00e7\u00e3o desde que seja para matar os bandidos.<\/p>\n<p><strong>Sul21<\/strong>: <em>No caso do assalto em Ibiraiaras, a Brigada justificou a morte dos seis assaltantes afirmando que eles dispararam contra os policiais\u2026<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_433325\" class=\"wp-caption alignleft\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-433325 jetpack-lazy-image jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/20181207-sul21_gs_img_0738_12-600x400.jpg?resize=420%2C280&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 420px) 100vw, 420px\" srcset=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/20181207-sul21_gs_img_0738_12-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/20181207-sul21_gs_img_0738_12-200x133.jpg 200w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/20181207-sul21_gs_img_0738_12-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/20181207-sul21_gs_img_0738_12.jpg 900w\" alt=\"\" width=\"420\" height=\"280\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">\u201cSe voc\u00ea vai para uma l\u00f3gica de guerra, o outro lado tamb\u00e9m vai seguir a mesma l\u00f3gica\u201d. (Foto: Guilherme Santos\/Sul21)<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>\u00a0<\/em><strong>Paulo C\u00e9sar Carbonari: <\/strong>O argumento para legitimar esse tipo de pr\u00e1tica sempre \u00e9 esse: dizer que a pol\u00edcia reagiu a um ataque feito pelo outro lado. O problema \u00e9 que sempre \u00e9 dif\u00edcil de produzir uma investiga\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel e garantir que os \u00f3rg\u00e3os de controle das institui\u00e7\u00f5es policiais possam agir nestas situa\u00e7\u00f5es de forma independente. Tudo ainda est\u00e1 por ser investigado no caso, mas uma olhada b\u00e1sica parece indicar que houve no m\u00ednimo um exagero. Querer autorizar a pol\u00edcia a agir de modo ilegal, como se isso fosse condi\u00e7\u00e3o para combater a viol\u00eancia e aumentar a seguran\u00e7a, \u00e9 de um primarismo elementar. O que voc\u00ea vai conseguir, fazendo isso, \u00e9 criar condi\u00e7\u00f5es para que aqueles que querem produzir o crime tamb\u00e9m se habilitem a fazer isso de modo mais sofisticado e violento. Essa receita, ao inv\u00e9s de resolver o problema da seguran\u00e7a, criaria um estado de guerra, onde todos os lados v\u00e3o se armar.<\/p>\n<p><strong>Sul21<\/strong>: <em>Esse cen\u00e1rio n\u00e3o pode aumentar a inseguran\u00e7a para os pr\u00f3prios policiais?<\/em><\/p>\n<p><strong>Paulo C\u00e9sar Carbonari<\/strong>: Com certeza. Para eles e para todo mundo. Se voc\u00ea vai para uma l\u00f3gica de guerra, o outro lado tamb\u00e9m vai seguir a mesma l\u00f3gica. \u00c9 muito apelativo para a opini\u00e3o p\u00fablica dizer que se vai liberar armas para todo mundo, que a pol\u00edcia estar\u00e1 liberada para matar. Muitas pessoas criam a ilus\u00e3o de que, com isso, estar\u00e3o livres dos bandidos que andam por a\u00ed. \u00c9 uma ilus\u00e3o. Essa l\u00f3gica n\u00e3o produz nenhuma realidade segura que garanta a prote\u00e7\u00e3o das pessoas e a realiza\u00e7\u00e3o dos direitos. Do meu ponto de vista, querer tratar o problema da seguran\u00e7a como uma quest\u00e3o de guerra \u00e9 o principal equ\u00edvoco. Isso s\u00f3 ajuda a piorar a situa\u00e7\u00e3o. As propostas do presidente eleito, portanto, s\u00e3o altamente discut\u00edveis, ainda que tenham apoio popular significativo.<\/p>\n<p><strong>Sul21<\/strong>: <em>Na tua avalia\u00e7\u00e3o, os organismos e ativistas de direitos humanos est\u00e3o preparados para enfrentar o cen\u00e1rio que se avizinha?<\/em><\/p>\n<p><strong>Paulo C\u00e9sar Carbonari: <\/strong>Estamos fazendo v\u00e1rias an\u00e1lises disso e construindo processos de prote\u00e7\u00e3o, de pensar como fazer para que as nossas a\u00e7\u00f5es e mobiliza\u00e7\u00f5es sejam feitas de modo articulado. Tamb\u00e9m temos que dar um tempo para ver o que vai acontecer. Teremos agora praticamente uma semana inteira de encontros de diferentes grupos que atuam em diferentes frentes de direitos humanos. Em primeiro lugar, vamos nos reencontrar, conversar sobre as nossas agendas e ver como seguiremos fazendo nossa luta pelos direitos humanos neste novo contexto. Na minha avalia\u00e7\u00e3o, ainda vamos precisar de algum tempo para processar tudo isso que vem acontecendo no pa\u00eds. O que \u00e9 certo e vem sendo reafirmado em todos os encontros \u00e9 que n\u00e3o vamos arredar p\u00e9 dessa luta, com os cuidados e as exig\u00eancias necess\u00e1rias nesta nova conjuntura que estamos vivendo.<\/p>\n<div id=\"share-after-433383\" class=\"share-after share-outlined share-small\">\n<div id=\"facebook-after-433383\" class=\"facebook sharrre\" data-url=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/entrevistas-2\/2018\/12\/intencao-de-acabar-com-os-ativismos-ja-esta-em-curso-no-brasil\/\" data-urlalt=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/?p=433383\" data-text=\"\u2018Inten\u00e7\u00e3o de acabar com os ativismos j\u00e1 est\u00e1 em curso no Brasil\u2019\" data-title=\"Share\" data-reader=\"Share on Facebook\" data-count=\"%s shares on Facebook\">\n<div class=\"box\"><a class=\"count\" href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/entrevistas-2\/2018\/12\/intencao-de-acabar-com-os-ativismos-ja-esta-em-curso-no-brasil\/#\">174<\/a><a class=\"share\" href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/entrevistas-2\/2018\/12\/intencao-de-acabar-com-os-ativismos-ja-esta-em-curso-no-brasil\/#\">Share<\/a><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"twitter-after-433383\" class=\"twitter sharrre\" data-url=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/entrevistas-2\/2018\/12\/intencao-de-acabar-com-os-ativismos-ja-esta-em-curso-no-brasil\/\" data-urlalt=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/?p=433383\" data-text=\"\u2018Inten\u00e7\u00e3o de acabar com os ativismos j\u00e1 est\u00e1 em curso no Brasil\u2019\" data-title=\"Tweet\" data-reader=\"Tweet this\" data-count=\"%s Tweets\">\n<div class=\"box no-count\"><a class=\"share\" href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/entrevistas-2\/2018\/12\/intencao-de-acabar-com-os-ativismos-ja-esta-em-curso-no-brasil\/#\">Tweet<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"at-below-post addthis_tool\" data-url=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/entrevistas-2\/2018\/12\/intencao-de-acabar-com-os-ativismos-ja-esta-em-curso-no-brasil\/\"><\/div>\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<footer class=\"entry-footer\">\n<p class=\"entry-meta\"><span class=\"entry-categories\">Editoria: <a href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/editoria\/entrevistas-2\/\" rel=\"category tag\">Entrevistas<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/editoria\/areazero\/\" rel=\"category tag\">z_Areazero<\/a><\/span><span class=\"entry-tags\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/tag\/ativismo\/\" rel=\"tag\">ativismo<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/tag\/brigada-militar\/\" rel=\"tag\">Brigada Militar<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/tag\/conselho-estadual-de-direitos-humanos\/\" rel=\"tag\">Conselho Estadual de Direitos Humanos<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/tag\/declaracao-universal-dos-direitos-humanos\/\" rel=\"tag\">Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/tag\/direitos-humanos\/\" rel=\"tag\">Direitos Humanos<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/tag\/humanidade\/\" rel=\"tag\">Humanidade<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/tag\/jair-bolsonaro\/\" rel=\"tag\">Jair Bolsonaro<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/tag\/ocupacoes\/\" rel=\"tag\">ocupa\u00e7\u00f5es<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/tag\/paulo-cesar-carbonari\/\" rel=\"tag\">Paulo C\u00e9sar Carbonari<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/tag\/violencia-policial\/\" rel=\"tag\">viol\u00eancia policial<\/a><\/span><\/p>\n<\/footer>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Sul 21, por\u00a0\u00a0Marco Weissheimer &#8211;\u00a0\u00a0A Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos est\u00e1 completando 70 anos. 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