{"id":19882,"date":"2018-12-17T13:35:40","date_gmt":"2018-12-17T17:35:40","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=19882"},"modified":"2018-12-17T13:35:40","modified_gmt":"2018-12-17T17:35:40","slug":"todos-somos-esquisitos-cientistas-de-yale-confirmam-que-a-pessoa-normal-so-existe-nas-estatisticas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/12\/17\/todos-somos-esquisitos-cientistas-de-yale-confirmam-que-a-pessoa-normal-so-existe-nas-estatisticas\/","title":{"rendered":"Todos somos esquisitos: cientistas de Yale confirmam que a pessoa normal s\u00f3 existe nas estat\u00edsticas"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"19883\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/12\/17\/todos-somos-esquisitos-cientistas-de-yale-confirmam-que-a-pessoa-normal-so-existe-nas-estatisticas\/norma\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/norma.jpg?fit=1960%2C1306\" data-orig-size=\"1960,1306\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"norma\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/norma.jpg?fit=300%2C200\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/norma.jpg?fit=600%2C400\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/norma.jpg?resize=600%2C400\" alt=\"norma\" width=\"600\" height=\"400\" class=\"alignnone size-full wp-image-19883\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/norma.jpg?w=1960 1960w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/norma.jpg?resize=300%2C200 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/norma.jpg?resize=768%2C512 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/norma.jpg?resize=1024%2C682 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/norma.jpg?resize=450%2C300 450w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/norma.jpg?w=1200 1200w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/norma.jpg?w=1800 1800w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>O indiv\u00edduo m\u00e9dio serve para identificar as caracter\u00edsticas mais frequentes, mas n\u00e3o \u00e9 de carne e osso<!--more--><\/p>\n<p>No El Pa\u00eds, por KRISTIN SULENG<\/p>\n<p>Se voc\u00ea \u00e9 viciado em xadrez e apaixonado pela teoria das cordas, segundo a qual o espa\u00e7o-tempo tem onze dimens\u00f5es; se vive permanentemente conectado ao computador, porque \u00e9 mais f\u00e1cil encontr\u00e1-lo on-line do que em qualquer outro lugar, se n\u00e3o faz a mesmas coisas que os outros, pode ter se achado esquisito uma vez ou outra. Ou algu\u00e9m fez voc\u00ea se sentir assim. No entanto, mesmo que algu\u00e9m o identifique como rato de biblioteca ou o defina como nerd, geek ou freak, adjetivos que poderiam ser usados para os personagens da s\u00e9rie Big Bang Theory, voc\u00ea n\u00e3o tem nada de estranho. Todos temos caracter\u00edsticas que nos tornam diferentes. Al\u00e9m disso, segundo um novo estudo da Universidade Yale (EUA), ningu\u00e9m \u00e9 normal.<\/p>\n<p>A ideia de normalidade, diz Francisco Estupi\u00f1\u00e1, professor de Psicologia da Universidade Complutense de Madri, \u00e9 relevante no sentido estat\u00edstico para manuais de diagn\u00f3stico no campo da sa\u00fade mental, como o DSM (sigla em ingl\u00eas de Manual Diagn\u00f3stico e Estat\u00edstico de Transtornos Mentais), a b\u00edblia da Associa\u00e7\u00e3o Americana de Psiquiatria: &#8220;O normal, estatisticamente falando, \u00e9 o frequente&#8221;. Por exemplo, entre ser destro ou canhoto, o primeiro \u00e9 mais comum (apenas entre 10% e 17% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 canhota). A quest\u00e3o, continua o especialista, &#8220;est\u00e1 no uso desse conceito na linguagem comum.&#8221;<\/p>\n<p>A denomina\u00e7\u00e3o &#8220;normal&#8221; geralmente causa problemas por ser uma combina\u00e7\u00e3o de dois sentidos diferentes, o cient\u00edfico e o comum, diz Cristian Saborido, professor do departamento de L\u00f3gica, Hist\u00f3ria e Filosofia da Ci\u00eancia da UNED. Segundo ele, &#8220;o segundo tem a ver com os ideais que temos sobre o perfeito&#8221;.<\/p>\n<p>Ideias diferentes sobre normalidade<br \/>\nNo \u00e2mbito do pensamento, e na filosofia da medicina em particular, esse duplo sentido do termo se traduz em um debate entre duas perspectivas: a naturalista e a construtivista. &#8220;A primeira diz que permite distinguir objetivamente estados saud\u00e1veis dos doentes, e o ideal frente ao patol\u00f3gico. A segunda cr\u00edtica essa vis\u00e3o, defendendo que a sa\u00fade e a doen\u00e7a s\u00e3o conceitos cheios de valores que somos incapazes de entender de forma objetiva, e que dependem do contexto sociocultural&#8221;, explica Saborido.<\/p>\n<p>Esse segundo ponto de vista, na avalia\u00e7\u00e3o da psiquiatria, \u00e9 defendido em The Myth of Optimality in Clinical Neuroscience (o mito da otimalidade na neuroci\u00eancia cl\u00ednica), um artigo dos pesquisadores Avram J. Holmes e Lauren M. Patrick, do Departamento de Psicologia da Universidade Yale, publicado na revista Cell. Embora o que digam n\u00e3o seja novo: &#8220;A filosofia tem dito isso desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XX&#8221;, diz Saborido, citando os fil\u00f3sofos franceses Michel Foucault e Georges Canguilhem, que criticavam a ideia de normalidade na medicina e na psiquiatria.<\/p>\n<p>A psiquiatria se baseia na combina\u00e7\u00e3o do ideal e do estat\u00edstico para estabelecer, a partir de um conjunto de popula\u00e7\u00e3o, o que deve ser o comportamento padr\u00e3o e considerar patol\u00f3gico tudo o que se distancie dele. &#8220;O objetivo da psiquiatria seria trazer as pessoas para a normalidade estat\u00edstica, porque entende-se que corresponde \u00e0 normalidade ideal&#8221;, afirma o professor de filosofia.<\/p>\n<p>Existe um comportamento ideal?<br \/>\nO artigo tamb\u00e9m questiona a hist\u00f3ria de nossa esp\u00e9cie. Os autores, destaca Saborido, criticam a concep\u00e7\u00e3o que assume a evolu\u00e7\u00e3o como um caminho unidirecional que nos levou ao ideal. &#8220;A evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o nos levou a ter um padr\u00e3o \u00fanico de comportamento, e sim a uma enorme quantidade deles&#8221;, diz o professor. Mais do que o ideal, o motor que nos impulsiona como esp\u00e9cie \u00e9 o diverso.<\/p>\n<p>&#8220;O ideal \u00e9 um mito. Evolutivamente, somos capazes de desenvolver comportamentos diferentes, porque vivemos e enfrentamos contextos muito diferentes. Se tiv\u00e9ssemos apenas uma maneira de agir, ser\u00edamos um fracasso&#8221;, diz Saborido. Portanto, \u00e9 um equ\u00edvoco, dizem os autores do estudo, que um neuropsiquiatra, neurologista ou psic\u00f3logo analisem comportamentos de forma isolada.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o se trata de pensar que as pessoas t\u00eam que se comportar de uma certa maneira em todos os casos. O ser humano vive em ambientes mut\u00e1veis, as amea\u00e7as e as oportunidades surgem e desaparecem, e o c\u00e9rebro precisa se adaptar a tudo isso. \u00c9 preciso observar o comportamento em seu contexto&#8221;, continua este especialista. S\u00f3 se pode falar em comportamentos ideais em determinadas circunst\u00e2ncias, mas como termo global n\u00e3o funciona, afirma Carmen Agust\u00edn, bi\u00f3loga e doutora em Neuroci\u00eancias.<\/p>\n<p>O problema de n\u00e3o se sentir normal<br \/>\nA otimalidade est\u00e1 ligada \u00e0 busca da supera\u00e7\u00e3o, lembra Estupi\u00f1\u00e1: &#8220;Est\u00e1 relacionada com o perfeccionismo, at\u00e9 que o esfor\u00e7o deixa de ser eficiente. \u00c9 como a caricatura das muitas coisas que precisamos fazer para ser saud\u00e1veis, mas n\u00e3o h\u00e1 horas [suficientes] no dia para cumprir tudo o que \u00e9 sin\u00f4nimo de sa\u00fade&#8221;, compara.<\/p>\n<p>Muitas pessoas decidem consultar um psic\u00f3logo por n\u00e3o se sentirem comuns. Poucas recorrem \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o &#8220;eu n\u00e3o sou normal&#8221;. A maioria prefere expressar suas experi\u00eancias: &#8220;Doutor, o que acontece comigo n\u00e3o \u00e9 normal&#8221;. Ou seja, vivenciam as experi\u00eancias como algo inconfess\u00e1vel ou repreens\u00edvel. &#8220;O que esperam \u00e9 que os psic\u00f3logos deem alguma garantia de que o que acontece com elas \u00e9 conhecido e trat\u00e1vel. E a resposta deve transmitir que n\u00e3o devem ter vergonha e tentar expor solu\u00e7\u00f5es&#8221;, afirma o psic\u00f3logo.<\/p>\n<p>Para avaliar como patol\u00f3gico um problema comportamental, duas perguntas fundamentais devem ser feitas, continua Estupi\u00f1\u00e1: a pessoa sofre com o que acontece com ela? Tem mais dificuldade em participar de sua vida social, profissional e familiar? &#8220;A interfer\u00eancia com o ser subjetivo e circunst\u00e2ncias objetivas \u00e9 mais importante do que os r\u00f3tulos complexos. Quando o problema n\u00e3o perturba a vida di\u00e1ria, \u00e9 dif\u00edcil consider\u00e1-lo um transtorno, mas, se isso acontecer, ent\u00e3o \u00e9 preciso abord\u00e1-lo&#8221;, diz Estupi\u00f1\u00e1.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, podemos dizer que ningu\u00e9m \u00e9 normal?<br \/>\nFica claro que, estatisticamente, \u00e9 complicado dizer, porque as pessoas tendem a ser parecidas e, geralmente, estabelecemos perfis ou categorias para diferentes comportamentos. Mas outra coisa \u00e9 a exist\u00eancia da normalidade.<\/p>\n<p>&#8220;O indiv\u00edduo m\u00e9dio \u00e9 uma caricatura, n\u00e3o existe, \u00e9 uma mera constru\u00e7\u00e3o estat\u00edstica. Embora muitas vezes abordemos as estat\u00edsticas de maneira muito ing\u00eanua, sem entendimento t\u00e9cnico. Se dissermos que uma popula\u00e7\u00e3o come, em m\u00e9dia, meio frango, isso significa que h\u00e1 pessoas que n\u00e3o comem frango e outras que comem um inteiro. Isso acontece em \u00e1reas sens\u00edveis, como a sexualidade. Em estudos epidemiol\u00f3gicos, a vida sexual \u00e9 desenhada como uma m\u00e9dia, mas outros estudos que se concentram no comportamento por meio do que as pessoas procuram na internet n\u00e3o t\u00eam nada a ver com esse estere\u00f3tipo resultante de fazer pesquisas com as pessoas sobre como se veem&#8221;, conclui Estupi\u00f1\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O indiv\u00edduo m\u00e9dio serve para identificar as caracter\u00edsticas mais frequentes, mas n\u00e3o \u00e9 de carne e osso<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-19882","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-5aG","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19882","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19882"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19882\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19884,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19882\/revisions\/19884"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19882"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19882"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19882"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}