{"id":19965,"date":"2019-01-07T13:19:46","date_gmt":"2019-01-07T17:19:46","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=19965"},"modified":"2019-01-07T13:19:46","modified_gmt":"2019-01-07T17:19:46","slug":"boaventura-e-os-caminhos-da-esquerda-maioria-do-brasil-nunca-viveu-na-democracia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/01\/07\/boaventura-e-os-caminhos-da-esquerda-maioria-do-brasil-nunca-viveu-na-democracia\/","title":{"rendered":"Boaventura e os caminhos da esquerda: &#8220;Maioria do Brasil nunca viveu na democracia&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"19966\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/01\/07\/boaventura-e-os-caminhos-da-esquerda-maioria-do-brasil-nunca-viveu-na-democracia\/9f585d41-820b-4d53-b7c6-6059f1e29df2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/9F585D41-820B-4D53-B7C6-6059F1E29DF2.jpeg?fit=640%2C508\" data-orig-size=\"640,508\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"9F585D41-820B-4D53-B7C6-6059F1E29DF2\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/9F585D41-820B-4D53-B7C6-6059F1E29DF2.jpeg?fit=300%2C238\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/9F585D41-820B-4D53-B7C6-6059F1E29DF2.jpeg?fit=600%2C476\" class=\"alignnone size-full wp-image-19966\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/9F585D41-820B-4D53-B7C6-6059F1E29DF2.jpeg?resize=600%2C476\" alt=\"9F585D41-820B-4D53-B7C6-6059F1E29DF2\" width=\"600\" height=\"476\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/9F585D41-820B-4D53-B7C6-6059F1E29DF2.jpeg?w=640 640w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/9F585D41-820B-4D53-B7C6-6059F1E29DF2.jpeg?resize=300%2C238 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/9F585D41-820B-4D53-B7C6-6059F1E29DF2.jpeg?resize=378%2C300 378w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Em entrevista, o professor portugu\u00eas discute alternativas para a esquerda e analisa ascens\u00e3o da extrema direita<!--more--><\/p>\n<p>Lu Sudr\u00e9 e Pedro Ribeiro Nogueira*<br \/>\nBrasil de Fato | S\u00e3o Paulo (SP)<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o faltam alternativos no mundo, o que falta, de fato, \u00e9 um pensamento alternativo das alternativas&#8221;, disse certa vez o professor, soci\u00f3logo e pensador portugu\u00eas <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?list=PLytfbsQYLZpB5uDo8LRdjf9X9RfOlFw4d&amp;v=3SDhzA8mnAc\" target=\"_blank\" rel=\"external\">Boaventura Sousa Santos<\/a>. Interessado em ideias que promovam a emancipa\u00e7\u00e3o social e tendo dedicado sua vida e atividade intelectual \u00e0 descoloniza\u00e7\u00e3o de pensamentos e alternativas ao capitalismo tardio, Boaventura recebeu a reportagem do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/\"><strong>Brasil de Fato<\/strong><\/a>, na cobertura do hotel em que se hospedou em S\u00e3o Paulo no fim de dezembro de 2018.<\/p>\n<p>\u201cO meu grande desejo e toda a minha luta \u00e9 que as esquerdas se unam e aprendam com as li\u00e7\u00f5es do passado e n\u00e3o se unam quando j\u00e1 \u00e9 tarde demais. As esquerdas europeias uniram-se nos anos 30, nas frentes populares. Mas nessa altura, o Hitler j\u00e1 estava no poder\u201d, responde o professor titular aposentado da Universidade de Coimbra, ao ser questionado sobre os caminhos das esquerdas frente ao crescimento de ideias de extrema direita e sua legitima\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica na virada dos anos 10. Segundo ele, para al\u00e9m da batalha de ideias e das derrotas pol\u00edticas, estamos sob uma tirania do dinheiro, que se reproduz em fun\u00e7\u00e3o de si mesmo, descartando o humano.<\/p>\n<p>\u201cOs mercados s\u00e3o cinco investidores globais que dominam os mercados financeiros. Isso \u00e9 uma ditadura financeira. Incompat\u00edvel com a democracia. O capitalismo produtivo, industrial \u00e9 um capitalismo que precisa de oper\u00e1rios. O Estado n\u00e3o pode ser totalmente antissocial, porque, sen\u00e3o, destruiria seus pr\u00f3prios oper\u00e1rios. O capitalismo financeiro trabalha com ecr\u00e3s de computadores e com programas, n\u00e3o trabalha com gente e, por tanto, produz dinheiro sobre dinheiro. Portanto, \u00e9 profundamente antissocial.\u201d<\/p>\n<p>Confira abaixo a \u00edntegra da entrevista:<\/p>\n<p><strong>Brasil de Fato: A elei\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro pode ser interpretada dentro de um contexto internacional, de avan\u00e7o do conservadorismo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Boaventura de Sousa Santos: <\/strong>L\u00f3gico, a elei\u00e7\u00e3o do Bolsonaro \u00e9 uma express\u00e3o brasileira, obviamente, do movimento global. Estamos a enfrentar, nesse momento que h\u00e1 um circo reacion\u00e1rio de for\u00e7as ultraconservadoras no mundo e que est\u00e3o a tentar dominar o espa\u00e7o pol\u00edtico, de alguma maneira a destruir (por via democr\u00e1tica, temos que admitir) a democracia, usando mecanismos, que por via da manipula\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica, ou manipula\u00e7\u00e3o massiva e usando redes sociais, consegue distorcer a opini\u00e3o p\u00fablica, criar um clima vi\u00e1vel e prometer que, indiv\u00edduos, que s\u00e3o do sistema, se apresentem como anti-sistema para salvar seu pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00c9 algo que n\u00f3s vimos h\u00e1 18 meses. Vimos isso na Fran\u00e7a, com Emmanuel Macron, um jovem financeiro que se apresenta como anti-sistema. Vimos isso na elei\u00e7\u00e3o do Trump, e vimos isso tamb\u00e9m agora com o Bolsonaro e, como certamente os leitores do Brasil de Fato e os assinantes certamente sabem, todos esses que se apresentam como anti-sistema s\u00e3o homens do sistema.<\/p>\n<p>Emmanuel Macron \u00e9 um que foi homem financeiro do Rothschild, um dos popstars do sistema. O Trump conseguiu fazer todos os seus neg\u00f3cios sem pagar impostos federais (tem que estar bem dentro do sistema) e o Bolsonaro foi 27 anos membro do Congresso. Portanto, se apresentam sempre como solu\u00e7\u00f5es falsamente antissist\u00eamicas e que procuram sobretudo polarizar a sociedade de uma maneira anti-democr\u00e1tica. Ou seja, transformam advers\u00e1rios pol\u00edticos em inimigos. Com advers\u00e1rios a gente discute, os inimigos a gente destr\u00f3i, elimina. E \u00e9 exatamente essa pol\u00edtica do \u00f3dio, pol\u00edtica do sentimento.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que essas classes populares est\u00e3o tremendamente assustadas porque sentem a sua estabilidade desaparecer, assim como sua seguran\u00e7a, a seguran\u00e7a do emprego. O neoliberalismo global cria um sistema de precariedade extraordin\u00e1rio que faz com que as pessoas comecem a ter muita inseguran\u00e7a acerca da sustentabilidade da sua fam\u00edlia, e portanto do seu n\u00edvel de vida. Os que s\u00e3o pobres podem ser pobres ainda mais, as classes m\u00e9dias podem obviamente perder o estatuto de classe m\u00e9dia.<\/p>\n<p>Por outro lado, tem a inseguran\u00e7a f\u00edsica tamb\u00e9m, porque se cria um estado paralelo, crime organizado, muita viol\u00eancia, muita delinqu\u00eancia, e naturalmente isso tamb\u00e9m afeta extraordinariamente as pessoas e vai criar um caldo de cultura para um clima de repor a ordem, e portanto esses l\u00edderes aparecem como sendo uma estrutura autorit\u00e1ria. E Bolsonaro ainda mais porque \u00e9 um homem militar (apesar de ser um militar expulso do Ex\u00e9rcito), mas \u00e9 algu\u00e9m que pode vir com a l\u00f3gica militar e ali\u00e1s, uma l\u00f3gica belicista, como ele tem muitas vezes o gosto de afirmar com seus gestos e com a ideia de que \u00e9 preciso armar as pessoas para defend\u00ea-los da desordem.<\/p>\n<p>Bem, esse \u00e9 um sistema global que tem no Brasil uma express\u00e3o muito pr\u00f3pria, e essa express\u00e3o, ao meu entender, \u00e9 um capitalismo selvagem que est\u00e1 nesse momento no terreno, que vai entrar com uma agress\u00e3o econ\u00f4mica aos brasileiros. Essa agress\u00e3o vai impulsionar ainda mais as classes populares e essa agress\u00e3o \u00e9 acompanhada exatamente com esse discurso pol\u00edtico para poder criar fatos pol\u00edticos que possam vir a distrair a popula\u00e7\u00e3o das reais medidas econ\u00f4micas que v\u00e3o ser tomadas. Ou seja, fala-se de que a democracia agora vai ser uma democracia branca (como disse um general em uma entrevista), ou seja: \u00e9 preciso proibir os &#8220;vermelhos&#8221;, que seria o PT e o PSOL; prender l\u00edderes sociais, quer do MST, quer do MTST; tudo isto para depois fazer as medidas econ\u00f4micas, que s\u00e3o as aceitas no neoliberalismo (talvez come\u00e7ando, como vamos ver agora este ano, com a reforma da Previd\u00eancia); o que vai ser uma guerra contra as classes populares e as classes m\u00e9dias. V\u00e3o fazer uma guerra econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Foi assim que fez o Emmanuel Macron na Fran\u00e7a, e veja o que sucedeu no final do ano na Fran\u00e7a. Este homem, h\u00e1 18 meses, foi eleito em um grande consenso entre os franceses como antissistema, elevou as expectativas dos franceses de uma maneira extraordin\u00e1ria. E claro, essas expectativas n\u00e3o puderam ser cumpridas, porque sua receita era neoliberal. A primeira medida que ele teve foi acabar com o imposto sobre os ricos, obviamente teve depois que substituir esse imposto pelo aumento do pre\u00e7o da gasolina, isto \u00e9, um imposto indireto, um imposto regressivo, porque quer ricos, quer pobres pagam o mesmo pre\u00e7o pela gasolina, e portanto \u00e9 uma guerra econ\u00f4mica. A Fran\u00e7a est\u00e1 levantada nas ruas, com os chamados &#8220;coletes amarelos&#8221; pedindo a demiss\u00e3o do presidente. Ou seja, algu\u00e9m que por antissistema levanta muitas expectativas e leva profundas frustra\u00e7\u00f5es. N\u00e3o estou dizendo que o Brasil \u00e9 a Fran\u00e7a, que a mesma coisa acontece, mas vejo que realmente nesse fim de ano e come\u00e7o de ano, as sondagens dizem que h\u00e1 um grande consenso no povo brasileiro em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s medidas do governo eleito, quer dizer que as expectativas s\u00e3o altas, se as expectativas s\u00e3o altas e n\u00e3o forem cumpridas, as frustra\u00e7\u00f5es v\u00e3o ser muito profundas. E isso provavelmente vai ter consequ\u00eancias sociais e consequ\u00eancias pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Mas claro, um soci\u00f3logo \u00e9 bom em prever o passado e n\u00e3o em prever o futuro, e portanto n\u00e3o sei o que vai se passar.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3SDhzA8mnAc\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\">Confira o v\u00eddeo da entrevista com Boaventura.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 ser \u201cde esquerda\u201d, e como o senhor pensa que a esquerda deveria agir agora nesse momento?<\/strong><\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o muito forte minha, ali\u00e1s escrevi um livrinho que est\u00e1 agora a entrar em segunda edi\u00e7\u00e3o &#8220;Esquerdas do mundo, uni-vos&#8221; em que parto do princ\u00edpio que, nesse momento, as esquerdas s\u00e3o quem podem salvar a democracia. Eu penso que a direita est\u00e1 demasiadamente comprometida com o capitalismo financeiro global, com o neoliberalismo, para poder efetivamente ser genuinamente democr\u00e1tico. Isto \u00e9, as for\u00e7as da direita servem-se da democracia mas n\u00e3o servem \u00e0 democracia. Ali\u00e1s, o Brasil, de novo, \u00e9 um caso de laborat\u00f3rio. A concilia\u00e7\u00e3o de classes da qual falava o presidente Lula, foi enquanto ela serviu tamb\u00e9m os interesses da direita num momento de boom dos pre\u00e7os das commodities. No momento que esse boom passa, a direita n\u00e3o est\u00e1 nada interessada em concilia\u00e7\u00e3o de classes nem sequer est\u00e1 interessada na democracia, e portanto temos o golpe institucional aqui no Brasil onde talvez a presidenta mais honesta da Am\u00e9rica Latina foi impedida pelos pol\u00edticos mais corruptos da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Neste contexto, eu penso que as esquerdas t\u00eam que se unir e se articular. N\u00e3o \u00e9 perder a identidade. O PCdoB \u00e9 uma coisa, o PT \u00e9 outra, o PSOL \u00e9 outra, e outros partidos, que podemos considerar de esquerda no Brasil, cada um tem a sua identidade, cada um tem a sua trajet\u00f3ria. Agora, o que eu acho que \u00e9 fundamental \u00e9 distinguir entre os que os separa e o que os une. O que os pode unir? Claro que os separa muita coisa, mas o que os une \u00e9 travar essa extrema direita que vai empobrecer o pa\u00eds, que vai destruir a democracia em \u00faltima inst\u00e2ncia. As diferen\u00e7as, por vezes, parecem muito grandes, por que temos que saber que h\u00e1 muito dogmatismo e sectarismo nas esquerdas, por que s\u00e3o parte de sua hist\u00f3ria. E isso tem que acabar.<\/p>\n<p>O meu grande desejo e toda a minha luta \u00e9 que as esquerdas se unam e aprendam com as li\u00e7\u00f5es do passado e n\u00e3o se unam quando j\u00e1 \u00e9 tarde demais. As esquerdas europeias uniram-se nos anos 30, nas frentes populares. Mas nessa altura, o Hitler j\u00e1 estava no poder. E \u00e9 curioso porque, para os comunistas, os socialistas eram seus piores inimigos. E para os socialistas, os piores inimigos eram os comunistas. Quando veio Hitler, prendeu uns e prendeu outros, portanto, n\u00e3o distinguiu entre socialistas e comunistas.<\/p>\n<p>N\u00f3s, em Portugal, temos uma solu\u00e7\u00e3o de esquerda, \u00e9 o \u00fanico pa\u00eds que temos solu\u00e7\u00e3o de esquerda, que \u00e9 governado por partido socialista, um bloco de esquerda, e o partido comunista e que foi exatamente nessa l\u00f3gica. \u00c9 uma uni\u00e3o das esquerdas, pragm\u00e1tica, mas n\u00e3o \u00e9 uma articula\u00e7\u00e3o com a direita. E eu penso que articula\u00e7\u00f5es entre for\u00e7as da direita e for\u00e7as da esquerda terminou, sou totalmente contra. Acho que se o PT, particularmente porque foi aquele que tentou mais esse tipo de pol\u00edtica, continuar nesse caminho est\u00e1 liquidado historicamente. N\u00e3o h\u00e1 lugar para concilia\u00e7\u00e3o com for\u00e7as de direita, mas \u00e9 evidente que h\u00e1 um lugar enorme, particular, para as for\u00e7as de esquerdas. E tem que ser nessa base, pragm\u00e1tica, n\u00e3o vamos unir-nos todos, n\u00e3o vamos perder as nossas identidades, vamos unir-nos naquilo que a gente quer fazer: que \u00e9 travar esta onda de extrema direita, travar o empobrecimento dos brasileiros, travar a destrui\u00e7\u00e3o das leis trabalhistas, travar a privatiza\u00e7\u00e3o de tudo que houver no pa\u00eds e inclusive o SUS. Ent\u00e3o, unamo-nos nisso! E articulemo-nos nisso.<\/p>\n<p>Para isso, as esquerdas t\u00eam que ter uma outra atitude, mas isso n\u00e3o basta. Eu penso que as esquerdas no Brasil s\u00e3o todas esquerdas de constitui\u00e7\u00e3o parlamentar, separaram-se muito dos movimentos sociais e separaram-se muito das periferias. As esquerdas deixaram de saber falar ao povo, com toda a franqueza. N\u00e3o sabem ir para as periferias, n\u00e3o t\u00eam o discurso das pessoas que est\u00e3o realmente atormentadas pela seguran\u00e7a. E portanto, o que \u00e9 que n\u00f3s precisamos? Precisamos outra vez que se fa\u00e7a aquele grande trabalho (que a esquerda sempre fez) que \u00e9 saber falar com as popula\u00e7\u00f5es empobrecidas e com as periferias. Precisamos reinventar as c\u00e9lulas comunistas, as comunidades eclesiais de base, os c\u00edrculos de cultura de Paulo Freire, ou seja, tudo isso tem que ser reinventado para podermos construir uma democracia participativa, que \u00e9 bom entender, \u00e9 o \u00fanico sustent\u00e1culo da democracia representativa. A democracia representativa sem a democracia participativa n\u00e3o se defende dos antidemocratas. E portanto \u00e9 isso que n\u00f3s temos que fazer, sobretudo nesse contexto de fake news, de tanta manipula\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica. A esquerda tem que aprender a trabalhar na rede. O modo em que a campanha do Bolsonaro usou as redes foi extremamente sofisticado, a esquerda n\u00e3o estava preparada e essa prepara\u00e7\u00e3o do Bolsonaro come\u00e7ou a mais de quatro anos, agora sabe-se. E, portanto, a esquerda tem que se preparar. Mas al\u00e9m disso, a esquerda tem que saber voltar a falar, conversar face a face, \u00e9 por isso que \u00e9 muito importante n\u00f3s irmos para as periferias, porque s\u00f3 na face a face \u00e9 que a gente destr\u00f3i as fake news, quando olha nos olhos das pessoas, conversa e pergunta &#8220;o que \u00e9 que est\u00e1 a passar?&#8221; e qual \u00e9 a opini\u00e3o dela.<\/p>\n<p><strong>A elei\u00e7\u00e3o do Bolsonaro, aqui na Am\u00e9rica Latina, coincide com o governo de Mauricio Macri e com a elei\u00e7\u00e3o de outros presidentes neoliberais. Como o senhor analisa esse per\u00edodo pol\u00edtico que o continente est\u00e1 vivendo?<\/strong><\/p>\n<p>Esse per\u00edodo da Am\u00e9rica Latina \u00e9 de reflexo, \u00e9 realmente a resposta \u00e0 primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI, que foi aquele per\u00edodo onde a partir de 1998, na Venezuela, n\u00f3s vamos assistir a emerg\u00eancia de governos populares que, n\u00e3o sendo socialistas, s\u00e3o, no entanto, governos que procuram uma redistribui\u00e7\u00e3o da riqueza e de alguma maneira tentam produzir sociedades mais justas. Tomaram medidas extraordin\u00e1rias e muito importantes aqui no Brasil para que isso pudesse suceder. Isto aconteceu exatamente em uma altura em que este continente era o \u00fanico do mundo onde se falava do socialismo do s\u00e9culo XXI, foi um momento muito claro de lutas sociais.<\/p>\n<p>Por que foi poss\u00edvel? Por muitas raz\u00f5es: os movimentos sociais vinham desde os anos 80, por exemplo; mas tamb\u00e9m por outra raz\u00e3o: imperialismo norte-americano estava distra\u00eddo, porque estava completamente concentrado na Guerra do Iraque, no Oriente M\u00e9dio. A partir de 2009, o imperialismo americano volta com for\u00e7a ao continente, com o golpe em Honduras, contra o Manuel Zelaya, que como sabem, n\u00e3o era um socialista, era um homem que queria dar de comer aos hondurenhos, como o Lula, aos brasileiros. Foi obviamente impedido e destitu\u00eddo e agora vemos quais s\u00e3o as consequ\u00eancias. A imprensa convencional, a televis\u00e3o, nunca faz uma rela\u00e7\u00e3o entre o golpe contra Manuel Zelaya em 2009 e os milhares de hondurenhos que est\u00e3o agora a fugir de Honduras a caminho dos EUA, para fugir da fome e do crime. \u00c9 exatamente isso o que os golpes procuram: empobrecer e depois n\u00e3o dar condi\u00e7\u00f5es \u00e0s popula\u00e7\u00f5es para continuarem nos seus pa\u00edses.<\/p>\n<p>Eu penso que, a partir de 2009, os EUA querem dar uma resposta e controlar, sobretudo, por um fator que normalmente no Brasil se v\u00ea muito mal (come\u00e7a a ver-se melhor agora e em 2019 vai se ver muito bem) que \u00e9 a rivalidade entre China e os EUA. O Brasil foi o grande teste, porque era parte dos BRICS, era a democracia robusta, portanto mais vulner\u00e1vel tamb\u00e9m a uma interven\u00e7\u00e3o. Era preciso neutralizar o Brasil e ele foi neutralizado com o golpe contra a Dilma, com a pris\u00e3o do presidente Lula (que \u00e9 obviamente uma persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica) e agora com a elei\u00e7\u00e3o do Bolsonaro que, como podemos ver, faz um alinhamento at\u00e9 caricato com os EUA, desde a transfer\u00eancia da embaixada para Jerusal\u00e9m, \u00e0s visitas a Taiwan, \u00e9 a mesma guerra global pol\u00edtica entre EUA e a China, em que os EUA querem um alinhamento total da Am\u00e9rica Latina, e por isso Macri, por isso Bolsonaro, e por isso a Col\u00f4mbia e certamente outras m\u00e1s not\u00edcias que vamos ter no continente ao longo dessa d\u00e9cada.<\/p>\n<p><strong>Essa desestabiliza\u00e7\u00e3o \u00e9, ent\u00e3o, um interesse estadunidense?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o tenho d\u00favida nenhuma, porque no EUA h\u00e1 uma coisa que j\u00e1 h\u00e1 muito tempo \u00e9 discutida, est\u00e1, ali\u00e1s, em livros e documentos, por exemplo de agentes da CIA. Eles muito claramente dizem qual \u00e9 a estrat\u00e9gia: &#8220;n\u00f3s fazemos tudo, destru\u00edmos todos os governos para obter um objetivo \u00fanico: o acesso aos recursos naturais&#8221;. Portanto os EUA tudo far\u00e3o para ter acesso ao pr\u00e9-sal (como j\u00e1 v\u00e3o ter), acesso \u00e0 Amaz\u00f4nia (como certamente v\u00e3o ter) e a todos os recursos minerais e h\u00eddricos do mundo, porque \u00e9 evidente que a quest\u00e3o da \u00e1gua vai ser tamb\u00e9m uma quest\u00e3o fundamental geo-estrat\u00e9gica. Portanto \u00e9 uma estrat\u00e9gia global de um alinhamento; ali\u00e1s n\u00f3s da Europa estamos a sofrer de outra forma, as mesmas consequ\u00eancias; isto \u00e9, os EUA querem um alinhamento total da Europa com eles e um distanciamento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 China, querem isol\u00e1-la. N\u00e3o podem atacar a China diretamente, porque parte da d\u00edvida p\u00fablica americana est\u00e1 na m\u00e3o de credores chineses. A China n\u00e3o pode ser atacada diretamente, mas \u00e9 atacada atrav\u00e9s dos seus aliados, Ir\u00e3, R\u00fassia; e, obviamente, o Brasil nos BRICS era tamb\u00e9m, de alguma maneira, um aliado. Um movimento global e imperial que est\u00e1 em curso.<\/p>\n<p><strong>Assim como no Brasil, as esquerdas da Am\u00e9rica Latina tamb\u00e9m deveria se unir? \u00c9 o mesmo funcionamento?<\/strong><\/p>\n<p>Eu penso que sim. Eu venho do Chile, onde estive a trabalhar para a Frente Ampla, onde pude publicar este meu livro; na Argentina tamb\u00e9m. Quer dizer, h\u00e1 em todo o mundo, este desejo de unir as esquerdas como a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o para travar os fascistas. \u00c9 um movimento que est\u00e1 a\u00ed, tem diferentes formas, no Brasil, no M\u00e9xico, na Argentina, no Chile, mas \u00e9 evidente que \u00e9 a \u00fanica maneira que n\u00f3s temos de salvar a democracia.<\/p>\n<p>Para muita gente de esquerda, que sobretudo pensou sempre no socialismo, \u00e9 muito dif\u00edcil pensar que neste momento, a esquerda \u00e9 o garante da democracia.<\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m desses movimentos que o senhor descreveu, h\u00e1 outros atores que impulsionam o avan\u00e7o deste fascismo global?<\/strong><\/p>\n<p>O mercado financeiro \u00e9, obviamente, o grande propulsor dessas for\u00e7as conservadoras porque o mercado financeiro est\u00e1 a mostrar o seu car\u00e1cter anti-democr\u00e1tico. Um capitalismo dominado pelo mercado financeiro \u00e9 incompat\u00edvel com a democracia, porque ele quer regular a democracia, n\u00e3o pode ser a democracia regular o capital, ele n\u00e3o quer ser regulado democraticamente. Tem que ser ele a regular a democracia. \u00c9 por isso que, certamente os mais velhos, tenham surpresa disto: h\u00e1 vinte anos, algu\u00e9m imagina que quando h\u00e1 uma elei\u00e7\u00e3o num pa\u00eds, a grande not\u00edcia dos jornais e a grande an\u00e1lise de primeira p\u00e1gina dos jornais seja qual foi a rea\u00e7\u00e3o dos mercados? A bolsa subiu, a bolsa baixou? Qual foi a rea\u00e7\u00e3o dos mercados? Os mercados n\u00e3o votam. Os mercados n\u00e3o se perguntam qual \u00e9 a rea\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os. Os mercados s\u00e3o cinco investidores globais que dominam os mercados financeiros. Isso \u00e9 uma ditadura financeira. Incompat\u00edvel com a democracia. O capitalismo produtivo, industrial \u00e9 um capitalismo que precisa de oper\u00e1rios, portanto n\u00e3o pode ser totalmente antissocial, porque sen\u00e3o destruiria seus pr\u00f3prios oper\u00e1rios. O capitalismo financeiro trabalha com ecr\u00e3s de computadores e com programas, n\u00e3o trabalha com gente e, por tanto, produz dinheiro sobre dinheiro. Portanto, \u00e9 profundamente antissocial.<\/p>\n<p>Para isso, as suas medidas s\u00e3o de guerra social: uma transfer\u00eancia massiva de riqueza dos pobres para os ricos. O neoliberalismo \u00e9 isto, n\u00e3o \u00e9 outra coisa. \u00c9 um sistema econ\u00f4mico que consiste numa transfer\u00eancia sistem\u00e1tica de rendimento dos pobres para os ricos, que s\u00f3 pode ser feito por modos autorit\u00e1rios. No passado foi a ditadura, agora, uma democracia \u00e9 que est\u00e1 esvaziada de conte\u00fado. Que est\u00e1 falsificada por fake news. Por uma m\u00eddia completamente mentirosa porque n\u00e3o diz qual \u00e9 a realidade de seus pa\u00edses. Isto est\u00e1 sendo analisado agora na Fran\u00e7a. Tem sido analisada em todo o mundo. Porque exatamente, os cidad\u00e3os come\u00e7am a ver que foram profundamente enganados, obviamente, por essas pol\u00edticas, destes pol\u00edticos \u201cantissist\u00eamicos\u201d. Eu penso que essas formas de guerra econ\u00f4mica se assentam em quatro pilares: o desprezo das elites; agress\u00e3o econ\u00f4mica; mentira midi\u00e1tica; e brutalidade policial. S\u00e3o os quatro elementos de uma guerra contra a grande maioria dos povos e, portanto, classes m\u00e9dias e classes populares. Este caldo \u00e9 um caldo totalmente antidemocr\u00e1tico. O neoliberalismo, o capital financeiro est\u00e1 por tr\u00e1s deste ataque \u00e0 democracia.<\/p>\n<p><strong>O senhor falou algo interessante na pergunta anterior, sobre como\u00a0\u00a0&#8220;a esquerda passa a defender a democracia&#8221;, o que nos faz pensar sobre a\u00a0atual situa\u00e7\u00e3o do Brasil, no qual a esquerda ficou acuada e passou a defender as mesmas institui\u00e7\u00f5es que a destroem diante de um mal enorme que se aproxima e se beneficia delas. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o um pouco paradoxal, n\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Quando eu digo que a esquerda tem que defender a democracia, tem que entender uma coisa: a esquerda na Am\u00e9rica Latina foi sempre muito racista e muito sexista. Grande parte da popula\u00e7\u00e3o do Brasil nunca viveu em uma democracia. Vive em Estado de Exce\u00e7\u00e3o. As periferias vivem em Estado de Exce\u00e7\u00e3o permanente. N\u00f3s, as classes m\u00e9dias, \u00e9 que pens\u00e1vamos que era uma democracia. Ent\u00e3o, a esquerda tem que pensar que a democracia sempre foi muito excludente aqui no brasil. E, portanto, \u00a0n\u00e3o \u00e9 um sistema universal. Por outro lado, a esquerda, n\u00e3o pode defender esta democracia. Ela defende a democracia para radicalizar e para modificar, por exemplo, quando eu digo que n\u00e3o pode haver democracia representativa liberal sem democracia participativa isso vai obrigar a uma reinven\u00e7\u00e3o da esquerda dos pr\u00f3prios partidos. Eu acho que os partidos de esquerda n\u00e3o tem futuro se continuarem como s\u00e3o. Eu acho que temos que criar partidos de movimento.<\/p>\n<p>Tem que ter democracia participativa dentro do partido. Isto \u00e9, circuncidad\u00e3os. Como vemos, por exemplo, o Podemos na Espanha. S\u00e3o ele que formulam os programas dos partido e que escolhem os candidatos. Portanto, para evitarmos o que essa concentra\u00e7\u00e3o de elites partid\u00e1rias que s\u00e3o sujeitos a uma corrup\u00e7\u00e3o end\u00eamica, que \u00e9 exatamente isso que surge neste momento e que perde o contato total com as periferias empobrecidas. J\u00e1 n\u00e3o sabem falar deles. Isto \u00e9, passam a ser parte das elites que eles desprezam. Por tanto, h\u00e1 uma grande transforma\u00e7\u00e3o. Quando num tempo \u00a0em que \u00e9 cada vez mais necess\u00e1rio distinguir entre esquerda e direita \u00e9 que voc\u00ea vai dizer que j\u00e1 n\u00e3o faz mais sentido esta distin\u00e7\u00e3o. Ora bem, \u00e9 que h\u00e1 aqui uma armadilha. Ser de esquerda \u00e9 fundamentalmente isto: \u00e9 estar do lado daqueles que sofrem as opress\u00f5es do capitalismo, do colonialismo &#8211; sobre a forma de racismo- ,e do patriarcado &#8211; sobre a forma de viol\u00eancia contra as mulheres. Por tanto, \u00e9 muito claro, \u00e9 estar do lado dos 99% contra 1% . \u00c9 estar do lado daqueles que lutam contra contra o capitalismo e o colonialismo, porque existe o colonialismo. Ele n\u00e3o acabou com as independ\u00eancias. E do patriarcado que \u00e9 a viol\u00eancia contra as mulheres. Isso que \u00e9 ser de esquerda.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a perspectiva com esse comportamento eleitoral do brasileiro de enxergar uns aos outros como inimigos sem enxergar nossos algozes, quem de fato est\u00e1 fazendo mal para a classe trabalhadora?<\/strong><\/p>\n<p>Os brasileiros tem que voltar a conversar cordialmente entre si. Este \u00e9 um momento de polariza\u00e7\u00e3o, o que torna isso muito dif\u00edcil. Temos que admitir as diferen\u00e7as. Eu, por exemplo, n\u00e3o consigo falar com taxistas no Brasil, porque, realmente, a maneira como formulam suas opini\u00f5es s\u00e3o extremamente agressivas. Eu n\u00e3o gosto que se insulte ningu\u00e9m. Entre um ladr\u00e3o e um guerrilheiro, eu prefiro um guerrilheiro. O que \u00e9 isso? Onde \u00e9 que est\u00e1 o ladr\u00e3o? Foi provado realmente que o Lula se apropriou? N\u00e3o. N\u00e3o foi provado. No estrangeiro, a gente sabe que o Lula \u00e9 v\u00edtima de uma persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. N\u00e3o houve prova. Eu li a senten\u00e7a. Mas ele conseguiram criar aquilo que n\u00f3s conseguimos chamamos de uma pol\u00edtica de ressentimento. O que \u00e9 uma pol\u00edtica de ressentimento? \u00c9 uma pol\u00edtica que consiste em que a v\u00edtima \u00a0se torna contra a v\u00edtima. Por exemplo, nos EUA, h\u00e1 30 ano vejo esta evolu\u00e7\u00e3o. O oper\u00e1rio, branco, empobrecido, norte-americano, pensa que seu inimigo \u00e9 o oper\u00e1rio latino empobrecido como ele. E portanto, a v\u00edtima contra a v\u00edtima. Na \u00c1frica do Sul, o negro empobrecido pensa que seu inimigo \u00e9 o imigrante mo\u00e7ambicano e zimbabuano e, portanto, h\u00e1 cenas de racismo entre negros na \u00c1frica do Sul. Ora bem, \u00e9 v\u00edtima contra a v\u00edtima. \u00c9 isso que se chama sistema de opress\u00e3o. Porque n\u00e3o h\u00e1 opressores. Querem ocultar o opressor. E por isso querem que n\u00e3o haja distin\u00e7\u00e3o entre esquerda e direita. A esquerda \u00e9 a reivindica\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 opressor e obviamente, oprimido.<\/p>\n<p><em>*Com colabora\u00e7\u00e3o de Katarine Flor e Mauro Ramos<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista, o professor portugu\u00eas discute alternativas para a esquerda e analisa ascens\u00e3o da extrema direita<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-19965","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-5c1","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19965","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19965"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19965\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19967,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19965\/revisions\/19967"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19965"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19965"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19965"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}