{"id":20745,"date":"2019-03-09T10:13:24","date_gmt":"2019-03-09T14:13:24","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=20745"},"modified":"2019-03-09T10:13:24","modified_gmt":"2019-03-09T14:13:24","slug":"governo-inicia-megaexpedicao-para-se-aproximar-de-indios-isolados-no-amazonas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/03\/09\/governo-inicia-megaexpedicao-para-se-aproximar-de-indios-isolados-no-amazonas\/","title":{"rendered":"Governo inicia megaexpedi\u00e7\u00e3o para se aproximar de \u00edndios isolados no Amazonas"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"20746\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/03\/09\/governo-inicia-megaexpedicao-para-se-aproximar-de-indios-isolados-no-amazonas\/in-4\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/in.jpg?fit=660%2C371\" data-orig-size=\"660,371\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"in\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/in.jpg?fit=300%2C169\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/in.jpg?fit=600%2C337\" class=\"alignnone size-full wp-image-20746\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/in.jpg?resize=600%2C337\" alt=\"in\" width=\"600\" height=\"337\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/in.jpg?w=660 660w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/in.jpg?resize=300%2C169 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/in.jpg?resize=534%2C300 534w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p class=\"story-body__introduction\">Uma equipe com cerca de 30 pessoas coordenadas pela Funai (Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio) e amparadas por soldados do Ex\u00e9rcito e policiais federais e militares iniciou no \u00faltimo domingo uma delicada expedi\u00e7\u00e3o que poder\u00e1 durar v\u00e1rios meses e tentar\u00e1 se aproximar de um grupo de \u00edndios isolados na Terra Ind\u00edgena Vale do Javari, no extremo oeste do Amazonas.<!--more--><\/p>\n<div class=\"byline\"><span class=\"byline__name\">Jo\u00e3o Fellet <\/span><\/div>\n<div class=\"byline\"><span class=\"byline__title\">Da BBC News Brasil em S\u00e3o Paulo<\/span><\/div>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\"><\/div>\n<p>\u00c9 a primeira vez nos \u00faltimos 23 anos que o governo brasileiro organiza uma miss\u00e3o desse porte e que pode resultar no contato com \u00edndios isolados, segundo a Funai.<\/p>\n<p>O objetivo principal da opera\u00e7\u00e3o \u00e9 apaziguar as rela\u00e7\u00f5es entre o grupo, da etnia korubo, e \u00edndios do povo matis, j\u00e1 contatados. Confrontos entre as duas comunidades provocaram entre 10 e 17 mortes desde 2014, conforme relat\u00f3rios da Funai.<\/p>\n<p>&#8220;Temos uma situa\u00e7\u00e3o extrema ali, que coloca em risco a sobreviv\u00eancia f\u00edsica do grupo isolado (korubo), assim como a integridade f\u00edsica dos matis&#8221;, diz \u00e0 BBC News Brasil o chefe da miss\u00e3o, Bruno Pereira, coordenador-geral de \u00edndios isolados e de recente contato da Funai.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;Quadrilhas profissionais&#8217;<\/h2>\n<p>A equipe &#8211; composta por servidores da Funai, colaboradores locais, um m\u00e9dico, uma enfermeira, um t\u00e9cnico de enfermagem e cerca de 20 \u00edndios da regi\u00e3o &#8211; partiu da cidade de Tabatinga (AM) rumo \u00e0 base da Funai no rio Itu\u00ed, dentro da terra ind\u00edgena.<\/p>\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-parrot wsoj-component\" data-variation=\"default-0\">\n<p>No domingo, o grupo deixou a base para uma viagem de dois dias de barco at\u00e9 o rio Coari. Eles devem passar alguns dias acampados antes de se deslocar por outros dois dias at\u00e9 as proximidades da aldeia isolada, entre o fim desta semana e o in\u00edcio da pr\u00f3xima.<\/p>\n<p>A Pol\u00edcia Federal, o Ex\u00e9rcito e a Pol\u00edcia Militar do Amazonas far\u00e3o bloqueios em rios da regi\u00e3o durante a expedi\u00e7\u00e3o. Segundo Pereira, a a\u00e7\u00e3o policial busca barrar e investigar &#8220;quadrilhas profissionais de infratores ambientais que pescam tartaruga e pirarucu&#8221; dentro da terra ind\u00edgena e promoveram quatro ataques com armas de fogo \u00e0 base da Funai nos \u00faltimos 14 meses.<\/p>\n<p>O Ex\u00e9rcito mobilizou helic\u00f3pteros para evacuar a equipe em caso de emerg\u00eancias.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/2849\/production\/_105831301_korubo-maloca-sobrevoo01-02-2019.jpg?resize=600%2C399&#038;ssl=1\" alt=\"Maloca korubo no Vale do Javari\" width=\"600\" height=\"399\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">FUNAI<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Maloca do grupo isolado korubo fotografada por um drone da Funai; estima-se que grupo tenha de 30 a 40 membros<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Que povos s\u00e3o considerados isolados?<\/strong><\/p>\n<p>Requisitada pelos \u00edndios matis, a expedi\u00e7\u00e3o divide especialistas e outros ind\u00edgenas do Vale do Javari &#8211; cr\u00edticos dizem que a miss\u00e3o pode agravar os conflitos na \u00e1rea, al\u00e9m de violar o direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o de um grupo que decidiu viver em isolamento.<\/p>\n<p>O governo considera isolados os grupos sem rela\u00e7\u00f5es permanentes com a sociedade nacional ou com outros povos ind\u00edgenas. A Funai estima que o grupo isolado korubo tenha entre 30 e 40 integrantes.<\/p>\n<p>A etnia se fragmentou nas \u00faltimas d\u00e9cadas em meio a rusgas internas e conflitos com comunidades vizinhas. Em 1996 e entre 2014 e 2015, dois grupos korubo foram contatados e se afastaram da comunidade que permanece isolada.<\/p>\n<p>O grupo contatado em 2014 e 2015 tamb\u00e9m vinha reivindicando \u00e0 Funai um reencontro com os parentes isolados. &#8220;Eles argumentam que, se n\u00e3o puderem ir para l\u00e1, v\u00e3o se vingar dos matis, vai ter uma nova guerra e vai morrer todo mundo l\u00e1 dentro&#8221;, diz Bruno Pereira.<\/p>\n<p>Seis korubo contatados integram a miss\u00e3o e ser\u00e3o os primeiros a se aproximar dos isolados. Segundo Pereira, ele far\u00e3o uma varredura na aldeia \u00e0 procura de bordunas, porretes usados como armas pelos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Ele diz que, mesmo que os isolados recebam bem os primeiros visitantes, os outros membros da expedi\u00e7\u00e3o s\u00f3 entrar\u00e3o na aldeia se os anfitri\u00f5es concordarem.<\/p>\n<p>Caso contr\u00e1rio, a equipe montar\u00e1 um acampamento a algumas dezenas de quil\u00f4metros da aldeia. Segundo Pereira, eles poder\u00e3o passar v\u00e1rios meses no local, comunicando-se com o grupo isolado por interm\u00e9dio dos visitantes e monitorando sua sa\u00fade.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/7669\/production\/_105831303_korubo_basefunaiitu-01-02-2019-1.jpg?resize=600%2C399&#038;ssl=1\" alt=\"Base da Funai no rio Itu\u00ed, Vale do Javari\" width=\"600\" height=\"399\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">FUNAI<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Base da Funai no rio Itu\u00ed; \u00f3rg\u00e3o diz que quadrilhas profissionais atacaram o local quatro vezes nos \u00faltimos 14 meses<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Para Antenor Vaz, ex-servidor da Funai que j\u00e1 chefiou a Frente de Prote\u00e7\u00e3o Etnoambiental do \u00f3rg\u00e3o no Vale do Javari, a opera\u00e7\u00e3o \u00e9 arriscada. Ele diz que \u00edndios korubo contatados em 1996 j\u00e1 tentaram visitar o mesmo grupo isolado em 2009, mas foram recha\u00e7ados.<\/p>\n<p>&#8220;Dois \u00edndios contatados foram cercados e quase morreram. Levaram bordunadas na cabe\u00e7a e se salvaram por sorte&#8221;, ele afirma \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Maior concentra\u00e7\u00e3o de povos isolados no mundo<\/h2>\n<p>Duas vezes maior que o Estado do Rio de Janeiro, a Terra Ind\u00edgena Vale do Javari tem, segundo a Funai, a maior concentra\u00e7\u00e3o de povos isolados do mundo, com 16 dos 107 registros de grupos n\u00e3o contatados na Amaz\u00f4nia brasileira.<\/p>\n<p>No mesmo territ\u00f3rio vivem comunidades de oito etnias contatadas, que somam cerca de 4,5 mil integrantes.<\/p>\n<p>Desde 1987, ap\u00f3s v\u00e1rias d\u00e9cadas de encontros que resultaram em graves conflitos e epidemias entre \u00edndios isolados, a Funai mudou sua pol\u00edtica e passou a evitar contat\u00e1-los. Pelas diretrizes atuais, o \u00f3rg\u00e3o s\u00f3 pode ir ao encontro desses grupos se eles correrem graves riscos ou se a iniciativa partir dos pr\u00f3prios \u00edndios.<\/p>\n<p>Para Bruno Pereira, a vulnerabilidade dos korubo justifica a miss\u00e3o: &#8220;Ou a gente interv\u00e9m, permitindo que eles tenham a integridade f\u00edsica respeitada e mantida, ou ficamos jogando com a sorte, e isso pode ocasionar um novo confronto de dimens\u00e3o at\u00e9 maior.&#8221;<\/p>\n<p>Em 2014, segundo um relat\u00f3rio da Funai, o grupo isolado korubo perdeu entre oito e 15 membros, mortos pelos matis numa emboscada com armas de fogo. Para pesquisadores que estudam a regi\u00e3o, o n\u00famero de v\u00edtimas pode ser maior.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/C489\/production\/_105831305_korubo_reencontro_marubao_maya.jpg?resize=600%2C450&#038;ssl=1\" alt=\"Ind\u00edgenas Korubo\" width=\"600\" height=\"450\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">FUNAI<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Grupo korubo contatado em 2014 reencontra membros da mesma etnia que deixaram o isolamento em 1996<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>O ataque buscava vingar a morte de dois \u00edndios matis, atacados a pauladas por seis korubo que haviam se aproximado de uma aldeia rival naquele mesmo ano.<\/p>\n<p>A Justi\u00e7a pode punir ind\u00edgenas por crimes, desde que os infratores tenham consci\u00eancia do delito. Cabe \u00e0 pol\u00edcia estadual coibir e investigar crimes entre ind\u00edgenas, enquanto a Pol\u00edcia Federal \u00e9 respons\u00e1vel por proteger os territ\u00f3rios de agress\u00f5es externas.<\/p>\n<p>Questionada pela BBC News Brasil, a Secretaria de Seguran\u00e7a do Amazonas n\u00e3o respondeu se as mortes foram investigadas.<\/p>\n<p>A animosidade entre os grupos cresceu a partir de 2010, quando os matis tentaram reocupar \u00e1reas onde viveram no passado e que s\u00e3o vizinhas ao territ\u00f3rio korubo, na regi\u00e3o dos rios Branco e Coari.<\/p>\n<p>Os korubo organizavam expedi\u00e7\u00f5es para saquear comida, panelas e ferramentas dos matis, que passaram cobrar a Funai a contatar o grupo e solucionar o conflito. Entre 2014 e 2015, os pr\u00f3prios matis fizeram contato com 21 \u00edndios korubo, que se afastaram da aldeia isolada e passaram a viver junto do grupo korubo contatado anteriormente, em 1996.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Cr\u00edticas \u00e0 Funai<\/h2>\n<p>Numa confer\u00eancia da Sociedade para a Antropologia das Terras Baixas da Am\u00e9rica do Sul (Salsa, na sigla em ingl\u00eas), no Peru, em 2017, o l\u00edder matis Make Turu disse que a Funai demorou a intervir na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A Funai n\u00e3o agiu como ela deveria ter agido para evitar esse conflito. Ao contr\u00e1rio, a Funai agiu ofendendo os matis, provocando mais mal ainda, mais divis\u00e3o, mais raiva.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo Turu, apesar da matan\u00e7a recente, os povos matis e korubo n\u00e3o s\u00e3o inimigos. &#8220;O pai de minha m\u00e3e \u00e9 korubo. Ent\u00e3o eu sou korubo. N\u00f3s somos misturados.&#8221;<\/p>\n<p>Os dois grupos falam l\u00ednguas parecidas, da fam\u00edlia Pano Setentrional. Procurado pela BBC News Brasil, Turu n\u00e3o quis dar entrevista sobre o conflito.<\/p>\n<p>A expedi\u00e7\u00e3o divide ind\u00edgenas do Vale do Javari. Em maio de 2018, a Funai se reuniu com lideran\u00e7as locais e avisou que faria uma opera\u00e7\u00e3o para se aproximar dos korubo isolados.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/112A9\/production\/_105831307_korubo_contato2015-grupocoari-1.jpg?resize=600%2C400&#038;ssl=1\" alt=\"Agentes de sa\u00fade em aldeia Korubo\" width=\"600\" height=\"400\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">FUNAI<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Agentes de sa\u00fade examinam \u00edndios korubo contatados em 2015; doen\u00e7as respirat\u00f3rias podem causar grande mortandade entre grupos isolados<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Coordenador da Uni\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Vale do Javari (Unijava), Paulo Marubo afirmou na ocasi\u00e3o que o contato teria efeitos imprevis\u00edveis. &#8220;Os povos precisam se unir, mas a gente n\u00e3o sabe o que pensam os isolados. Eles ainda t\u00eam aquela dor pela morte de seus parentes&#8221;, disse Marubo, segundo a ata do encontro.<\/p>\n<p>Procurado pela BBC News Brasil, Marubo tamb\u00e9m n\u00e3o quis dar entrevista sobre o tema.<\/p>\n<p>O ex-servidor da Funai Antenor Vaz, consultor internacional em pol\u00edticas para povos isolados, faz outras cr\u00edticas \u00e0 expedi\u00e7\u00e3o. Segundo ele, o direito dos povos ind\u00edgenas \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o, previsto na Constitui\u00e7\u00e3o e referendado por acordos internacionais firmados pelo Brasil, postula que cabe aos grupos isolados decidir pelo contato.<\/p>\n<p>Ele afirma que a Funai poderia adotar outras iniciativas para mediar o conflito no Vale do Javari, trabalhando junto aos grupos vizinhos da comunidade e coibindo invas\u00f5es no territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 v\u00e1rios exemplos na Funai de situa\u00e7\u00f5es em que os contatos pareciam irrevers\u00edveis, havia amea\u00e7as muito grandes a alguns povos isolados, mas decidiu-se por eliminar as amea\u00e7as para que a autodetermina\u00e7\u00e3o fosse respeitada&#8221;, ele afirma.<\/p>\n<p>Para Vaz, por\u00e9m, &#8220;a debilidade (da Funai) hoje \u00e9 tamanha que, diante das press\u00f5es, o caminho mais f\u00e1cil \u00e9 fazer o contato&#8221;.<\/p>\n<p>O ex-servidor diz que, al\u00e9m de desrespeitar um grupo que optou pelo isolamento, a decis\u00e3o pelo contato pode impactar os modos de vida e a sa\u00fade dos ind\u00edgenas de modo irrevers\u00edvel.<\/p>\n<p>&#8220;O perigo \u00e9 estabelecer padr\u00f5es antigos: fornecer tudo num primeiro momento, sedentarizar o grupo e, depois, os recursos financeiros e humanos sumirem.&#8221; Ele afirma que os korubo j\u00e1 contatados vivem graves problemas de sa\u00fade por causa das mudan\u00e7as nos h\u00e1bitos de vida.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/160C9\/production\/_105831309_javari_google.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"Imagem de sat\u00e9lite do Vale do Javari\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GOOGLE<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Conflitos entre Matis e Korubo ocorreram na regi\u00e3o dos rios Branco e Coari, perto da fronteira do Brasil com o Peru<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Cuidados com a sa\u00fade<\/h2>\n<p>Bruno Pereira, da Funai, lista as a\u00e7\u00f5es planejadas para evitar que a aproxima\u00e7\u00e3o resulte em conflitos ou doen\u00e7as. Antes de se deslocar para a \u00e1rea dos isolados, a equipe passar\u00e1 uma semana sendo monitorada pelos agentes de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Chefe da Divis\u00e3o de Programas e Projetos de Sa\u00fade Ind\u00edgena da Sesai (Secretaria Especial de Sa\u00fade Ind\u00edgena), Roberta Cerri diz que a maior preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 impedir que algu\u00e9m gripado tenha contato com os isolados. &#8220;As doen\u00e7as respirat\u00f3rias s\u00e3o nossa prioridade, porque eles n\u00e3o t\u00eam mem\u00f3ria imunol\u00f3gica dos nossos v\u00edrus mais corriqueiros&#8221;, afirma Cerri.<\/p>\n<p>Se os isolados adoecerem ap\u00f3s o contato, poder\u00e3o ser tratados pela equipe de sa\u00fade ou, nos casos mais graves, transportados por um helic\u00f3ptero da Sesai at\u00e9 o hospital do Ex\u00e9rcito em Tabatinga. A equipe tentar\u00e1 convencer o grupo a se deixar vacinar e a fazer o teste para mal\u00e1ria, doen\u00e7a end\u00eamica na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Tomaremos inje\u00e7\u00f5es e tiraremos sangue antes para eles verem que n\u00e3o \u00e9 feiti\u00e7aria&#8221;, diz Bruno Pereira.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade do grupo se baseia no tr\u00e1gico hist\u00f3rico de contatos com \u00edndios isolados no passado &#8211; dos quais foram v\u00edtimas os pr\u00f3prios mMatis, que agora pedem a interven\u00e7\u00e3o junto aos korubo.<\/p>\n<p>Os matis foram contatados pelo governo brasileiro em 1976, para que a Petrobras pudesse prospectar petr\u00f3leo na regi\u00e3o. A estatal abandonou as atividades ap\u00f3s tr\u00eas trabalhadores serem mortos a bordunadas pelos korubo, em 1984.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/2C95\/production\/_105831411_javari-reuniao_foto_mariovilela_funai-10.jpg?resize=600%2C399&#038;ssl=1\" alt=\"\u00cdndios em reuni\u00e3o na Funai\" width=\"600\" height=\"399\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">FUNAI<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Ind\u00edgenas do Vale do Javari se re\u00fanem com servidores da Funai; expedi\u00e7\u00e3o ao territ\u00f3rio Korubo divide lideran\u00e7as de outros povos<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Comunidade dizimada<\/h2>\n<p>No artigo &#8220;Isolados e ilhados: indigenismo e conflitos no Vale do Javari&#8221;, publicado em 2017 pelo peri\u00f3dico Estudos Ibero-Americanos, os pesquisadores Felipe Milanez e Barbara Arisi citam uma carta na qual os matis descrevem os efeitos do contato.<\/p>\n<p>Uma epidemia de gripe se espalhou rapidamente pelo grupo, matando dois ter\u00e7os dos membros da etnia. Em 1986, um servidor da Funai calculou que os matis n\u00e3o passavam de 50 membros.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o vem se recuperando desde ent\u00e3o &#8211; em 2014, a Sesai contou 457 integrantes da etnia.<\/p>\n<p>Coautor do artigo e professor de Humanidades da Universidade Federal da Bahia, Felipe Milanez diz que a incurs\u00e3o no territ\u00f3rio korubo n\u00e3o se compara com as grandes expedi\u00e7\u00f5es de contato com \u00edndios isolados do passado.<\/p>\n<p>Segundo ele, desta vez, o processo tem sido protagonizado por ind\u00edgenas que j\u00e1 se relacionam com a comunidade isolada, e n\u00e3o por \u00f3rg\u00e3os do Estado interessados em abrir territ\u00f3rios para a explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Milanez diz que o pr\u00f3prio conceito de contato n\u00e3o se aplica \u00e0 expedi\u00e7\u00e3o em curso. &#8220;Falar em contato \u00e9 um mito colonial e n\u00e3o faz sentido algum no Vale do Javari, onde um grupo n\u00e3o est\u00e1 isolado do outro.&#8221;<\/p>\n<p>Para ele, as negocia\u00e7\u00f5es entre ind\u00edgenas e \u00f3rg\u00e3os do Estado para organizar a expedi\u00e7\u00e3o representam o maior avan\u00e7o na pol\u00edtica para povos isolados do Brasil das \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>&#8220;A ideia \u00e9 construir outra rela\u00e7\u00e3o entre os matis e os korubo. For\u00e7ar o isolamento ali j\u00e1 provocou muitas mortes&#8221;, avalia Milanez.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape no-caption body-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/B9E6\/production\/_105409574_line976.jpg?resize=464%2C2&#038;ssl=1\" alt=\"L\u00cdNEA\" width=\"464\" height=\"2\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipe com cerca de 30 pessoas coordenadas pela Funai (Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio) e amparadas por soldados do Ex\u00e9rcito e policiais federais e militares iniciou no \u00faltimo domingo uma delicada expedi\u00e7\u00e3o que poder\u00e1 durar v\u00e1rios meses e tentar\u00e1 se aproximar de um grupo de \u00edndios isolados na Terra Ind\u00edgena Vale do Javari, no extremo&#8230;<a class=\"more-link\" href=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/03\/09\/governo-inicia-megaexpedicao-para-se-aproximar-de-indios-isolados-no-amazonas\/\">Continue a leitura <span class=\"meta-nav\">&raquo;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-20745","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-5oB","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20745","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20745"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20745\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20747,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20745\/revisions\/20747"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20745"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20745"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20745"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}