{"id":20770,"date":"2019-03-11T11:46:38","date_gmt":"2019-03-11T15:46:38","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=20770"},"modified":"2019-03-11T11:46:38","modified_gmt":"2019-03-11T15:46:38","slug":"bolsonaro-proibidao-para-menores-e-maiores","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/03\/11\/bolsonaro-proibidao-para-menores-e-maiores\/","title":{"rendered":"Bolsonaro: proibid\u00e3o para menores e maiores"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"20771\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/03\/11\/bolsonaro-proibidao-para-menores-e-maiores\/pri-3\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/pri.jpg?fit=1960%2C1202\" data-orig-size=\"1960,1202\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"pri\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/pri.jpg?fit=300%2C184\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/pri.jpg?fit=600%2C368\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/pri.jpg?resize=600%2C368\" alt=\"pri\" width=\"600\" height=\"368\" class=\"alignnone size-full wp-image-20771\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/pri.jpg?w=1960 1960w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/pri.jpg?resize=300%2C184 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/pri.jpg?resize=768%2C471 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/pri.jpg?resize=1024%2C628 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/pri.jpg?resize=489%2C300 489w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/pri.jpg?w=1200 1200w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/pri.jpg?w=1800 1800w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>No El Pa\u00eds, por Xico S\u00e1 &#8211; N\u00e3o precisamos recorrer a seriados chiques e dist\u00f3picos, como abestalhadamente j\u00e1 fez este cronista. Nem citar os Black Mirrors ou South Parks da vida. O buraco, a cratera, o rombo simb\u00f3lico \u00e9 mais embaixo. Bolsonaro \u00e9 t\u00edpico personagem da pornochanchada brasileira, o cinema popular dos anos 1970-80, n\u00e3o por coincid\u00eancia a \u00e9poca de um Brasil idealizado pelo capit\u00e3o-presidente nos seus micro-serm\u00f5es nost\u00e1lgicos e patri\u00f3ticos.<!--more--><\/p>\n<p>Mach\u00e3o caricato, bo\u00e7al -usou o aux\u00edlio-moradia \u201cpra comer gente\u201d-, homof\u00f3bico, eterno esp\u00edrito de baixo clero, crist\u00e3o de araque etc. Caberia em v\u00e1rios filmes do g\u00eanero. Inclusive no cl\u00e1ssico Hist\u00f3rias que nossas bab\u00e1s n\u00e3o contavam (1979), dirigido por Oswaldo de Oliveira, uma par\u00f3dia de Branca de Neve e os Sete An\u00f5es. Bolsonaro faria o ca\u00e7ador. \u00d3bvio que prefiro o mitol\u00f3gico Costinha no papel. E Deus salve, para todo sempre, a Adele F\u00e1tima, magn\u00edfica atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Perigoso para menores, sob pena de um Brasil sem futuro, o moralista militar da reserva \u00e9 igualmente proibid\u00e3o para maiores de 60 anos. Imagina se depender da bondade da turma de Paulo Guedes (todo-poderoso ministro da Economia) e se for pobre, como a massa maior do pa\u00eds. Vixe. Pode ter que escapar fedendo com 400 mirr\u00e9is para remediar o irremedi\u00e1vel custo das receitas e caldos de uma velhice sem sustan\u00e7a.<\/p>\n<p>O capit\u00e3o da reserva, com a sua den\u00fancia moral rasa e o fastio para governar, se enquadra em outra caracter\u00edstica atribu\u00edda ao ciclo da pornochanchada: distrair os fan\u00e1ticos eleitores para evitar quest\u00f5es graves da realidade do pa\u00eds. Nada como um carnavalesco post porn\u00f4 para desviar dos esc\u00e2ndalos do Queiroz e do laranjal do partido que o conduziu, generosamente com dinheiro p\u00fablico, ao Pal\u00e1cio do Planalto.<\/p>\n<p>Ao situar o presidente como personagem elementar de tal safra cinematogr\u00e1fica, longe desse escriba a inten\u00e7\u00e3o de diminuir a import\u00e2ncia do movimento que come\u00e7ou no Rio de Janeiro e teve a Boca do Lixo paulistana como sua Hollywood. Sou f\u00e3 e confesso em p\u00fablico, sem vergonha, a minha devo\u00e7\u00e3o. \u00c9 que a pornochanchada \u00e9 quase o lugar (\u00f3bvio) de fala do Bolsonaro, entende? Sabe a \u00faltima do capit\u00e3o? A antologia completa est\u00e1 inteira nesse ciclo do cinema tupiniquim, incluindo no pacote a paranoia diante dos \u201ccomunistas\u201d, tem\u00e1tica presente nas pel\u00edculas dos anos 1970.<\/p>\n<p>Para entender o Brasil deste per\u00edodo, recomendo, al\u00e9m de rebobinar as velhas fitas de VHS no inconsciente, assistir ao document\u00e1rio Hist\u00f3rias que nosso cinema (n\u00e3o) contava (2018), dirigido por Fernanda Pessoa. O filma\u00e7o passou por algumas poucas salas no Brasil (que pena, merecia cartaz permanente pelo seu car\u00e1ter pedag\u00f3gico, paulofreiriano, talvez) e \u00e9 f\u00e1cil de encontrar nos servi\u00e7os de streaming.<\/p>\n<p>Cinema \u00e9 montagem. E a diretora, na companhia de Luiz Cruz, o montador do longa-metragem, sabem disso. Pesquisa profunda qual a garganta daquele outro cl\u00e1ssico norte-americano (Deep Throat, 1972), o filme n\u00e3o \u00e9 carente de voz em OFF ou de entrevistados para narrar um mundo de coisas. Bastou a sabedoria de editar falas &#038; falocentrismos, cenas e obscenidades que d\u00e3o conta de um pa\u00eds que j\u00e1 mudou muito, mas foi buscar no reino da pornochanchada, nas elei\u00e7\u00f5es do ano passado, o seu comandante em marcha-r\u00e9.<\/p>\n<p>Pessoa e Cruz enfileiram 27 longas para contar sobre o cinem\u00e3o do per\u00edodo da Ditadura Militar. E agora Jos\u00e9? (Tortura do Sexo), dirigido por Ody Fraga \u00e9 exemplar, com cenas que re\u00fanem os castigos dos por\u00f5es e um poss\u00edvel erotismo de dar um n\u00f3 no cabe\u00e7\u00e3o do doutor Freud. Doideiras que s\u00f3 a pornochanchada, n\u00e3o o Cinema Novo ou cult decifravam.<\/p>\n<p>Tem o Silvio de Abreu com \u00c1rvore dos Sexos (1977) e Cada Um D\u00e1 o Que Tem (1975), fita que dirige com Adriano Stuart e John Herbert. Reparo na vida e obra de S\u00edlvio de Abreu. Tanta tv, tanto cinema, tanto teatro&#8230; Em todas as fun\u00e7\u00f5es poss\u00edveis: roteirista, ator, supervisor de n\u00facleos dram\u00e1ticos etc etc. S\u00e9rio candidato a um dos maiores artistas brasileiros de todos os tempos. Repare na biografia desse homem. Al\u00e9m de tudo, dirigiu o maior elogio ao freudianismo de todos os tempo, Mulher Objeto (1981), com Helena Ramos (palmas eternas) e Nuno Leal Maia \u2014sim, Nuno fabuloso tamb\u00e9m em O bem dotado, o homem de Itu (dire\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Miziara, 1978).<\/p>\n<p>O filme da Pessoa \u00e9 um del\u00edrio sem fim para a minha gera\u00e7\u00e3o, mas creio que seja mais importante ainda para quem desconhece o ciclo da pornochanchada e agora se v\u00ea desgovernado pelo capit\u00e3o-presidente. Se senti falta de um Walter Hugo Khouri, nosso Antonioni da M\u00f3oca, matei a saudade da Sandra Br\u00e9a (1952-2000), tem lindeza maior no cosmo? Senti falta pelo universo que sugere, mas \u00e9 pol\u00eamico situar o Khouri neste ciclo, talvez n\u00e3o lhe perten\u00e7a.<\/p>\n<p>Em compensa\u00e7\u00e3o, a fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica A Super F\u00eamea (Anibal Massaini Neto, 1973), com Vera Fischer, \u00e9 um nirvana. Que document\u00e1rio rico sobre um per\u00edodo idem. Pena que, na vida real, s\u00f3 nos sobrou este caricato capit\u00e3o-presidente enquanto obscuro objeto do resqu\u00edcio autorit\u00e1rio. \u201cNoooossa!\u201d, exclamaria o grande Costinha, com sua imoral bocarra. \u201cT\u00e1s brincando?!\u201d, completaria a mesma humor\u00edstica figura.<\/p>\n<p>Xico S\u00e1, escritor e jornalista, \u00e9 autor de \u201cCatecismo de devo\u00e7\u00f5es, intimidades &#038; pornografias\u201d (editora do bispo), entre outros livros. \u00c9 comentarista do programa \u201cReda\u00e7\u00e3o Sportv\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No El Pa\u00eds, por Xico S\u00e1 &#8211; N\u00e3o precisamos recorrer a seriados chiques e dist\u00f3picos, como abestalhadamente j\u00e1 fez este cronista. Nem citar os Black Mirrors ou South Parks da vida. O buraco, a cratera, o rombo simb\u00f3lico \u00e9 mais embaixo. 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