{"id":20830,"date":"2019-03-16T13:20:15","date_gmt":"2019-03-16T17:20:15","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=20830"},"modified":"2019-03-16T13:20:15","modified_gmt":"2019-03-16T17:20:15","slug":"ano-de-muitos-protestos-crise-politica-e-ataque-a-direitos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/03\/16\/ano-de-muitos-protestos-crise-politica-e-ataque-a-direitos\/","title":{"rendered":"Ano de muitos protestos, crise pol\u00edtica e ataque a direitos"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"20831\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/03\/16\/ano-de-muitos-protestos-crise-politica-e-ataque-a-direitos\/e02a4ef1-99bb-49d4-a4f9-4b30fed3ccf7\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/E02A4EF1-99BB-49D4-A4F9-4B30FED3CCF7.jpeg?fit=640%2C429\" data-orig-size=\"640,429\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"E02A4EF1-99BB-49D4-A4F9-4B30FED3CCF7\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/E02A4EF1-99BB-49D4-A4F9-4B30FED3CCF7.jpeg?fit=300%2C201\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/E02A4EF1-99BB-49D4-A4F9-4B30FED3CCF7.jpeg?fit=600%2C402\" class=\"alignnone size-full wp-image-20831\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/E02A4EF1-99BB-49D4-A4F9-4B30FED3CCF7.jpeg?resize=600%2C402\" alt=\"E02A4EF1-99BB-49D4-A4F9-4B30FED3CCF7\" width=\"600\" height=\"402\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/E02A4EF1-99BB-49D4-A4F9-4B30FED3CCF7.jpeg?w=640 640w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/E02A4EF1-99BB-49D4-A4F9-4B30FED3CCF7.jpeg?resize=300%2C201 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/E02A4EF1-99BB-49D4-A4F9-4B30FED3CCF7.jpeg?resize=448%2C300 448w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<h2 class=\"description\">Em 2018, o n\u00famero de manifesta\u00e7\u00f5es em Curitiba e na Regi\u00e3o Metropolitana foi mais que o dobro de ano anterior<\/h2>\n<p><!--more--><\/p>\n<div class=\"details-bar\">\n<div class=\"author-time\">\n<div class=\"author\">Simone Aparecida Polli, Alessandro Lunelli e Carolina de Morais<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"author\"><\/div>\n<div class=\"author\">Com um total de 166 protestos, 2018 foi um ano marcado por muitas disputas pol\u00edticas, tens\u00e3o social, dualidades e intoler\u00e2ncia. O Observat\u00f3rio de Conflitos Urbanos de Curitiba (grupo de pesquisa da UTFPR e UFPR) registrou m\u00eas a m\u00eas os atos que aconteceram na capital e na Regi\u00e3o Metropolitana e, neste artigo, faz um balan\u00e7o dessas manifesta\u00e7\u00f5es.<\/div>\n<div class=\"author\">\n<p>Analisando os objetos de conflito catalogados, observou-se que 84% deles se concentraram em sete categorias: Estado, Governo e Democracia (32%); Trabalhos e Direitos Trabalhistas (12%); Infraestrutura Vi\u00e1ria, Transportes, Tr\u00e2nsito e Circula\u00e7\u00e3o (11%); Sa\u00fade (8%); Seguran\u00e7a, Educa\u00e7\u00e3o e G\u00eanero, Ra\u00e7a, Etnia e Diversidade (7% cada).<\/p>\n<p>Os n\u00fameros revelam diferen\u00e7a do que foi observado no ano anterior, em que 68% dos conflitos se concentraram em quatro categorias, com destaque para G\u00eanero, Ra\u00e7a, Etnia e Diversidade (23%) e Trabalho e Direitos Trabalhistas (23%).<\/p>\n<p>Analisando a distribui\u00e7\u00e3o dos protestos, percebe-se uma repeti\u00e7\u00e3o ao longo do ano de manifesta\u00e7\u00f5es que envolvem a categoria \u201cTrabalho e Direitos Trabalhistas\u201d, \u201cEstado e Democracia\u201d e concentra\u00e7\u00e3o na categoria de \u201cinfraestrutura e transportes\u201d nos meses de abril e maio. O \u00faltimo se deve praticamente ao resultado da greve dos caminheiros e o primeiro \u00e0 \u201ccorrida eleitoral\u201d e a epis\u00f3dios constantes de destitui\u00e7\u00e3o de direitos e acesso aos servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>O slogan \u201cSem os Caminhoneiros o Brasil Para\u201d traduz o que aconteceu no final do m\u00eas de maio. A pol\u00edtica da Petrobras de seguir a varia\u00e7\u00e3o internacional do pre\u00e7o do petr\u00f3leo fez subir o pre\u00e7o do barril, gerando paralisa\u00e7\u00e3o de transportadoras e caminhoneiros aut\u00f4nomos de grandes propor\u00e7\u00f5es. As pautas foram bem diversificadas: pre\u00e7o do ped\u00e1gio; m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de trabalho do caminhoneiro; impostos incidentes sobre o combust\u00edvel; redu\u00e7\u00e3o do lucro das transportadoras.<\/p>\n<p>Como resultado, grande paralisa\u00e7\u00e3o, provocando crises de desabastecimento em todo o pa\u00eds. A greve denunciou o cotidiano de explora\u00e7\u00e3o enfrentado pelos trabalhadores. O movimento acabou sendo articulado tamb\u00e9m por grandes transportadoras com interesses tamb\u00e9m patronais, de cortar impostos sobre o combust\u00edvel.<\/p>\n<p>A greve dos caminhoneiros, que durou dez dias, provocou falta de combust\u00edvel, afetando a opera\u00e7\u00e3o de postos, circula\u00e7\u00e3o de \u00f4nibus, distribui\u00e7\u00e3o de alimentos, com consequ\u00eancias para todos. As institui\u00e7\u00f5es de ensino foram obrigadas a suspender parte de seu calend\u00e1rio letivo. Em Curitiba e regi\u00e3o, foram contabilizados oito pontos de bloqueio nas principais rodovias de acesso. Apesar das opini\u00f5es variarem bastante, a greve teve forte apoio da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em n\u00edvel local, os protestos ocorridos no ano apontam a precariza\u00e7\u00e3o dos direitos e servi\u00e7os p\u00fablicos al\u00e9m de tentativas de terceiriza\u00e7\u00e3o. Houve amea\u00e7as da Prefeitura de Curitiba de fechar sete unidades do Centro de Refer\u00eancia \u00e0 Assist\u00eancia Social (CRAS), sendo elas as unidades do Sambaqui (na Fazendinha), do Arroio, do Jardim Gabineto (na CIC), da Vila Hauer, do Butiatuvinha e Port\u00e3o, al\u00e9m da tentativa de fechamento da UPA Pinheirinho e terceiriza\u00e7\u00e3o da UPA CIC. A crise do trabalho e emprego tem aparecido com a greve dos servidores p\u00fablicos do estado, funcion\u00e1rios da Cohab e a amea\u00e7a de extinguir a fun\u00e7\u00e3o dos cobradores de \u00f4nibus por meio da bilhetagem eletr\u00f4nica no sistema de transporte.<\/p>\n<p>Na categoria \u201cG\u00eanero, Ra\u00e7a, Etnia e Diversidade\u201d aconteceram tamb\u00e9m muitos protestos. Foram principalmente atos p\u00fablicos como a marcha contra o aborto, ato contra intoler\u00e2ncia religiosa, vig\u00edlia contra LGBTfobia e outras marchas locais e nacionais. Nesta categoria, destaca-se a vig\u00edlia em solidariedade aos familiares e amigos da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e do motorista Anderson Gomes, v\u00edtimas de uma execu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no Rio de Janeiro. A mobiliza\u00e7\u00e3o reivindicou o fim da viol\u00eancia contra a mulher e a popula\u00e7\u00e3o negra.<\/p>\n<p>Do total de conflitos em 2018, 54 (32%) relacionaram-se com a crise pol\u00edtica-eleitoral no pa\u00eds. As elei\u00e7\u00f5es contaram com novas estrat\u00e9gias de comunica\u00e7\u00e3o, por vezes obscuras, como o jogo das fake news e a comunica\u00e7\u00e3o r\u00e1pida por WhatsApp. Pesquisas futuras precisam analisar os efeitos desse tipo de comunica\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o com a sociedade.<\/p>\n<p>87% dos protestos da categoria \u201cEstado, Governo e Democracia\u201d possuem alguma rela\u00e7\u00e3o com a pris\u00e3o de Lula. Em Curitiba, 64% dos protestos catalogados foram pr\u00f3-Lula e, 36%, contra Lula. Para os que querem manter Lula preso, isso representa combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o. Por outro lado, seus defensores apontam irregularidades jur\u00eddicas, num processo baseado em dela\u00e7\u00f5es premiadas.<\/p>\n<p>A chegada do ex-presidente a Curitiba, no dia 7 de abril, foi marcada por viol\u00eancia. A Pol\u00edcia Federal jogou bombas, disparou tiros de borracha e causou grande tumulto ao atacar os manifestantes pr\u00f3-Lula. Estilha\u00e7os das bombas atingiram pessoas que foram levadas a hospitais. Do outro lado, manifestantes contra o ex-presidente estouravam roj\u00f5es sem serem molestados.<\/p>\n<p>Segundo as not\u00edcias de protestos, as a\u00e7\u00f5es pr\u00f3-Lula envolveram: (i) Caravana pelo Brasil em defesa da liberdade de Lula, percorrendo os Estados de Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Cear\u00e1, Rio Grande do Norte, Para\u00edba, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Esp\u00edrito Santo, Rio de Janeiro, Paran\u00e1, Santa Catarina, Rio Grande do Sul; (ii) Caminhada na Rua XV de novembro e com\u00edcio antes mesmo da pris\u00e3o; (iii) Cria\u00e7\u00e3o da Casa da Democracia, que abrigou jornalistas do mundo todo vinculados \u00e0s m\u00eddias alternativas; (iv) Acampamento Marisa Let\u00edcia no Santa C\u00e2ndida (que sofreu ataques por no m\u00ednimo 3 vezes); (v) Vig\u00edlia Lula Livre, recebendo lideran\u00e7as nacionais e internacionais como Danny Glover, Adolfo P\u00e9rez Esquivel, Celso Amorim, Monja Coen, Pai Caetano, St\u00e9dile, Ivo Queir\u00f3z, Aleida Guevara, Carol Proner, Leonardo Boff e outros que vieram visitar Lula.<\/p>\n<p>No per\u00edodo eleitoral, as dualidades reapareceram no pleito com uma divis\u00e3o entre os manifestantes pr\u00f3 e contra o candidato Bolsonaro. Criado no Facebook, o grupo &#8220;Mulheres Unidas contra Bolsonaro&#8221; realizou protestos em pelo menos 60 cidades. O maior ato foi o #EleN\u00e3o, no final de outubro, que reuniu cerca de 30 mil pessoas em Curitiba e foi marcado pela diversidade de movimentos, de grupos evang\u00e9licos, de fam\u00edlias e de coletivos culturais. Para se contrapor a esse protesto, no dia seguinte, foi feita carreata na capital paranaense a favor de Bolsonaro, do Centro C\u00edvico at\u00e9 o Parque Barigui.<\/p>\n<p>Os protestos catalogados nesta pesquisa, neste ano, mostram uma tend\u00eancia \u00e0 de luta contra a perda de direitos, incertezas em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho e emprego, principalmente com as terceiriza\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso apontam que as dualidades estiveram \u00e0 flor da pele nos embates pol\u00edtico-eleitorais. Em diferentes situa\u00e7\u00f5es, as rivalidades apareceram nos protestos de forma muito contundente. \u00a0Os dualismos simplificam os fatos, criam apenas vil\u00f5es e mocinhos e escondem a complexidade da realidade. Acrescente-se a isso a quantidade de informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis na internet e a qualidade, nem sempre confi\u00e1vel, que criam justifica\u00e7\u00f5es para qualquer argumento. Entender os conflitos para al\u00e9m das dualidades contribui para tirar as pr\u00e1ticas da posi\u00e7\u00e3o de autoevid\u00eancia e devolv\u00ea-las ao seu contexto. Os protestos de 2018 apontam para v\u00e1rias incertezas, flexibiliza\u00e7\u00f5es, mudan\u00e7as pol\u00edticas, trabalhistas e sociais que est\u00e3o em disputa.<\/p>\n<p class=\"editor\">Edi\u00e7\u00e3o: Fr\u00e9di Vasconcelos<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2018, o n\u00famero de manifesta\u00e7\u00f5es em Curitiba e na Regi\u00e3o Metropolitana foi mais que o dobro de ano anterior<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-20830","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-5pY","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20830","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20830"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20830\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20832,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20830\/revisions\/20832"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20830"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20830"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20830"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}