{"id":20945,"date":"2019-03-23T10:19:04","date_gmt":"2019-03-23T14:19:04","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=20945"},"modified":"2019-03-23T10:19:04","modified_gmt":"2019-03-23T14:19:04","slug":"a-cidade-onde-a-maioria-da-populacao-usa-linguagem-de-sinais","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/03\/23\/a-cidade-onde-a-maioria-da-populacao-usa-linguagem-de-sinais\/","title":{"rendered":"A cidade onde a maioria da popula\u00e7\u00e3o usa linguagem de sinais"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"20946\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/03\/23\/a-cidade-onde-a-maioria-da-populacao-usa-linguagem-de-sinais\/b904ffde-3fa2-4887-8cb4-5e0ac64d0189\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/B904FFDE-3FA2-4887-8CB4-5E0AC64D0189.jpeg?fit=768%2C432\" data-orig-size=\"768,432\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"B904FFDE-3FA2-4887-8CB4-5E0AC64D0189\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/B904FFDE-3FA2-4887-8CB4-5E0AC64D0189.jpeg?fit=300%2C169\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/B904FFDE-3FA2-4887-8CB4-5E0AC64D0189.jpeg?fit=600%2C338\" class=\"alignnone size-full wp-image-20946\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/B904FFDE-3FA2-4887-8CB4-5E0AC64D0189.jpeg?resize=600%2C338\" alt=\"B904FFDE-3FA2-4887-8CB4-5E0AC64D0189\" width=\"600\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/B904FFDE-3FA2-4887-8CB4-5E0AC64D0189.jpeg?w=768 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/B904FFDE-3FA2-4887-8CB4-5E0AC64D0189.jpeg?resize=300%2C169 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/B904FFDE-3FA2-4887-8CB4-5E0AC64D0189.jpeg?resize=533%2C300 533w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Na BBC &#8211; Kolok Getar flexionou os b\u00edceps, estufou o peito e fez uma cara agressiva. Embora estivesse sentado de pernas cruzadas no ch\u00e3o de concreto, seu semblante assumiu caracter\u00edsticas de um galo de briga pronto para combate.<!--more--><\/p>\n<p>Ele apontou para os coqueiros que balan\u00e7avam na brisa da colina. Seus dedos retorcidos formaram uma grande esfera e ele desferiu um golpe violento no coco imagin\u00e1rio. Seus amigos sentados em c\u00edrculos ao redor dele no ch\u00e3o come\u00e7aram a aplaudir.<br \/>\nCom exce\u00e7\u00e3o das gargalhadas deles, toda a conversa ocorreu sem que uma palavra fosse pronunciada.<\/p>\n<p>&#8220;Ele era famoso como especialista em artes marciais e conseguia quebrar cocos com as pr\u00f3prias m\u00e3os&#8221;, conta Wisnu, sobrinho de Kolok Getar.<br \/>\n&#8216;Conversa surda&#8217;<br \/>\nKata kolok, que literalmente significa &#8220;conversa surda&#8221; em indon\u00e9sio, \u00e9 uma l\u00edngua de sinais \u00fanica que atualmente \u00e9 o principal meio de comunica\u00e7\u00e3o para apenas 44 pessoas em todo o planeta.<\/p>\n<p>Por cerca de seis gera\u00e7\u00f5es, uma propor\u00e7\u00e3o extraordinariamente grande da popula\u00e7\u00e3o de Bengkala, pequena vila do norte de Bali, uma das principais ilhas da Indon\u00e9sia, nasceu surda. Algo que os locais atribu\u00edram durante muitos anos \u00e0 uma maldi\u00e7\u00e3o, mas que cientistas descobriram recentemente se tratar de um gene recessivo (conhecido como DFNB3) que, ao longo das d\u00e9cadas, levou cerca de um a cada 50 beb\u00eas da comunidade a nascer assim.<\/p>\n<p>Mas essas pessoas &#8211; todas surdas desde o nascimento e chamadas de <i>kolok<\/i> (surdas) pelos outros alde\u00f5es &#8211; s\u00e3o, em muitos aspectos, mais privilegiadas do que as pessoas surdas em outras \u00e1reas. Isso porque mais da metade das pessoas ouvintes da vila de Bengkala tamb\u00e9m aprenderam <i>kata kolok<\/i>, apenas para se comunicar com familiares e amigos surdos.<\/p>\n<p>Poucos turistas fazem a viagem de duas horas do centro tur\u00edstico de Ubud at\u00e9 o interior do litoral norte de Bali, que continua a ser uma das partes mais pobres da ilha. A maior parte dos <i>koloks <\/i>em Bengkala tira seu sustento da agricultura ou de outros trabalhos bra\u00e7ais. Mas tradicionalmente os <i>koloks <\/i>tamb\u00e9m s\u00e3o contratados pelos alde\u00f5es como seguran\u00e7as e coveiros.<\/p>\n<p>Hoje, enquanto Kolok Getar revive seus dias de gl\u00f3ria nas artes marciais, ele e seus amigos est\u00e3o esperando por um funeral que est\u00e1 programado para acontecer no Pura Dalem (Templo da Morte) nos arredores de Bengkala.<\/p>\n<p>&#8220;Quando meu tio era mais jovem, ele viajava pela ilha ganhando a vida fazendo demonstra\u00e7\u00f5es de artes marciais,&#8221; traduziu Wisnu enquanto Kolok Getar continuava sua hist\u00f3ria em um turbilh\u00e3o de sinais de m\u00e3o e golpes de karat\u00ea.<\/p>\n<p>&#8220;Ele conheceu muitos surdos, mas dificilmente conseguia se comunicar com eles, porque, se eles conheciam alguma linguagem de sinais, era uma vers\u00e3o diferente (da usada em Bengkala). Aquelas pessoas surdas geralmente se sentiam sozinhas, porque s\u00f3 podiam conversar com um ou dois membros de sua fam\u00edlia mais pr\u00f3xima.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;O melhor lugar do mundo para crescer&#8217;<\/h2>\n<p>Se comparados aos surdos de outros lugares, os <i>koloks<\/i> de Bengkala s\u00e3o relativamente privilegiados. Eles s\u00e3o capazes de se comunicar com grande parte das pessoas da vila de 3 mil pessoas.<\/p>\n<p>&#8220;Se \u00e9 o seu destino nascer surdo&#8221;, disse I Ketut Kanta, porta-voz da Alian\u00e7a Surda de Bengkala, &#8220;ent\u00e3o, este \u00e9 provavelmente o melhor lugar do mundo para crescer!&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/375\/cpsprodpb\/BEF4\/production\/_106148884_foto2.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"Imagem geral de aldeia na Indon\u00e9sia onde as pessoas se comunicam pela linguagem de sinais chamada Kata Kolok\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"375\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">A kata kolok \u00e9 usada apenas na aldeia de Bengkala, Bali, onde uma propor\u00e7\u00e3o extraordinariamente grande da popula\u00e7\u00e3o nasceu surda<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>As pessoas ouvintes s\u00e3o conhecidas como <i>enget<\/i>, e n\u00e3o importa onde voc\u00ea esteja na aldeia, muitas vezes voc\u00ea vai encontrar grupos mistos de <i>koloks <\/i>e <i>engets<\/i> conversando no que eles chamam de &#8220;conversa de surdo&#8221;.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea est\u00e1 visitando a escola prim\u00e1ria, o templo central ou tomando <i>kopi <\/i>preto ado\u00e7ado (caf\u00e9) num pequeno <i>warung <\/i>&#8211; como s\u00e3o chamadas as barraquinhas -, \u00e9 prov\u00e1vel que veja pessoas surdas e ouvintes em conversas animadas, mas silenciosas, ou empurrando-se umas \u00e0s outras \u00e0s gargalhadas.<\/p>\n<p>Os sinais em <i>kata kolok <\/i>s\u00e3o t\u00e3o surpreendentemente \u00f3bvios que at\u00e9 um rec\u00e9m-chegado consegue entender: o sinal para &#8220;homem&#8221;, por exemplo, \u00e9 um dedo indicador r\u00edgido apontando, enquanto o sinal para &#8220;pai&#8221; \u00e9 o mesmo dedo curvado sobre o l\u00e1bio superior, como um bigode.<\/p>\n<p>O sinal para &#8220;mulher&#8221; \u00e9 representado com dois dedos formando uma abertura estreita, enquanto &#8220;m\u00e3e&#8221; \u00e9 um seio formado com a m\u00e3o. &#8220;Sede&#8221; \u00e9 demonstrada pelo afago de uma garganta aparentemente seca, e &#8220;caf\u00e9&#8221; \u00e9 um dedo se torcendo contra a testa, da mesma maneira que \u00e9 usado para denotar uma pessoa louca no Ocidente.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Evolu\u00e7\u00e3o da linguagem<\/h2>\n<p>A <i>kata kolok <\/i>evoluiu naturalmente e ganha constantemente novos sinais, criados pelos falantes da l\u00edngua mais criativos e tagarelas da vila.<\/p>\n<p>Um efeito colateral disso \u00e9 que o local parece ter mais do que sua quota de atores talentosos e altamente en\u00e9rgicos. Os mais entusiasmados falantes de <i>kata kolok <\/i>empregam o bom humor como uma poderosa ferramenta de liga\u00e7\u00e3o entre surdos e ouvintes.<\/p>\n<p>&#8220;Os <i>koloks<\/i> e os <i>engets<\/i> recebem valores iguais pelo trabalho na aldeia&#8221;, disse I Ketut Kanta. &#8220;Entretanto, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para as pessoas surdas encontrarem um emprego fora da aldeia. \u00c0s vezes, \u00e9 dif\u00edcil sobreviver com os sal\u00e1rios locais de cerca de US$ 5 por dia (cerca de R$ 19).&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/375\/cpsprodpb\/E604\/production\/_106148885_foto3.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"Imagem mostra homens de vila na Indon\u00e9sia se comunicando pela linguagem de sinais chamada Kata Kolok\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"375\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">A kata kolok evoluiu naturalmente e est\u00e1 constantemente recebendo novos sinais<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>No entanto, hoje Kolok Getar e seus quatro amigos <i>koloks<\/i> est\u00e3o com sorte: eles foram contratados para cavar um t\u00famulo. Os hindus balineses normalmente cremam seus mortos, mas \u00e9 uma cerim\u00f4nia cara. Ent\u00e3o, como \u00e9 comum aqui, os filhos de I Nyoman Widiarsa devem enterrar seu pai enquanto economizam para os custos de uma crema\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um funeral balin\u00eas pode muitas vezes parecer estranho aos olhos ocidentais, uma vez que (pelo menos aparentemente) d\u00e1 a impress\u00e3o de ser uma cerim\u00f4nia quase alegre. Os balineses acreditam que, se o esp\u00edrito da pessoa morta detectar tristeza entre os membros de sua fam\u00edlia, ele pode ter dificuldade de passar para a pr\u00f3xima vida. \u00c9 por isso que a cerim\u00f4nia acontece com o mesmo tipo de conversa descontra\u00edda t\u00e3o natural aos balineses.<\/p>\n<p>Isso significa que as brincadeiras e piadas de Kolok Getar e seu colega Kolok Sudarma, ao lado do t\u00famulo, n\u00e3o foram consideradas inadequadas. At\u00e9 mesmo a fam\u00edlia pr\u00f3xima ria. Eles abaixaram o corpo cuidadosamente na cova, e Kolok Sudarma desceu na sepultura para colocar espelhos nos olhos do cad\u00e1ver. Acredita-se que esses espelhos garantem que o falecido renascer\u00e1 com uma vis\u00e3o clara na pr\u00f3xima vida. Curiosamente, n\u00e3o h\u00e1 ritual semelhante para os ouvintes.<\/p>\n<p>&#8220;As pessoas ouvintes costumavam dizer que os <i>koloks <\/i>podiam se comunicar com os maus esp\u00edritos que assombram os cemit\u00e9rios&#8221;, disse Wisnu. &#8220;Mas a verdade \u00e9 que eles simplesmente t\u00eam a reputa\u00e7\u00e3o de serem dur\u00f5es e destemidos&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/375\/cpsprodpb\/F6E5\/production\/_106150236_foto4.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"Imagem mostra homens cavando t\u00famulo em aldeia na Indon\u00e9sia\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"375\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Os koloks de Bengkala normalmente encontram trabalho como seguran\u00e7as e coveiros por causa de sua reputa\u00e7\u00e3o de serem corajosos<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Alguns alde\u00f5es de Bengkala afirmam que seus amigos surdos s\u00e3o imunes a barulhos assustadores &#8211; sussurros da sepultura e dos esp\u00edritos malignos &#8211; que &#8220;assombram&#8221; as pessoas que os ouvem. Outros sugerem que o trabalho bra\u00e7al e a necessidade de se defenderem quando saem da aldeia deram origem \u00e0 robustez dos <i>koloks<\/i>. Seja qual for a raz\u00e3o, h\u00e1 um percept\u00edvel respeito na aldeia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade <i>kolok<\/i>, e v\u00e1rios alde\u00f5es se propuseram a defender essa causa.<\/p>\n<p>I Ketut Kanta d\u00e1 aulas gratuitas de <i>kata kolok <\/i>para crian\u00e7as. Connie de Vos, pesquisadora do Centro de Estudos da Linguagem da Universidade Radboud, na Holanda, visitou a vila muitas vezes ao longo da \u00faltima d\u00e9cada e ajudou I Ketut Kanta a pressionar pela inclus\u00e3o de crian\u00e7as <i>kolok <\/i>na escola local e para haver aulas de <i>kata kolok <\/i>para crian\u00e7as ouvintes.<\/p>\n<p>A vila tamb\u00e9m tem um centro de artesanato, chamado KEM, onde v\u00e1rias mulheres <i>kolok<\/i> s\u00e3o empregadas e produzem tecidos em teares manuais tradicionais. O centro tamb\u00e9m atrai grupos tur\u00edsticos ocasionais que v\u00eam assistir \u00e0s artes marciais dos <i>koloks<\/i>, bem como uma dan\u00e7a especialmente coreografada conhecida como <i>janger kolok<\/i>, que se tornou localmente famosa e \u00e9 at\u00e9 apresentada em hot\u00e9is e eventos governamentais em toda a regi\u00e3o.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/375\/cpsprodpb\/11DF5\/production\/_106150237_foto5.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"Imagem mostra homem e mulher de vila na Indon\u00e9sia se comunicando pela linguagem de sinais chamada Kata Kolok\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"375\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Muitos residentes ouvintes de Bengkala aprenderam a usar os sinais para se comunicar com a fam\u00edlia e amigos kolok<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Os linguistas verificaram que a l\u00edngua <i>kata kolok<\/i>, assim como a dan\u00e7a \u00fanica dos <i>kolok<\/i>, tem pouco em comum com outras l\u00ednguas de sinais.<\/p>\n<p>&#8220;A <i>kata kolok <\/i>tem pouqu\u00edssima influ\u00eancia da l\u00edngua falada indon\u00e9sia ou balinesa ou das l\u00ednguas de sinais fora da aldeia&#8221;, disse Hannah Lutzenberger, doutoranda na Universidade Radboud que ficou fluente na linguagem ap\u00f3s quatro longos per\u00edodos na aldeia.<\/p>\n<p>&#8220;Uma vis\u00e3o interessante sobre a riqueza da <i>kata kolok <\/i>pode ser percebida nos nomes de sinais dos surdos&#8221;, continou ela. &#8220;Todos os <i>koloks <\/i>s\u00e3o conhecidos por nomes de sinais. Esses nomes geralmente s\u00e3o dados pelos companheiros surdos relativamente cedo na vida, mas eles podem mudar ao longo do tempo. Geralmente, se referem \u00e0 apar\u00eancia ou a um h\u00e1bito pessoal.&#8221;<\/p>\n<p>Kolok Getar, por exemplo, \u00e9 conhecido por um sinal de m\u00e3o apontando para frente na frente da boca. Pode parecer um bico, mas, no momento em que cruzei com ele v\u00e1rias vezes nas ruas estreitas de Bengkala, percebi que ele adota frequentemente o gesto ao contar sobre suas fa\u00e7anhas das artes marciais na juventude. Assim, esse gesto sempre vai me fazer lembrar daquele homem animado.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/375\/cpsprodpb\/14505\/production\/_106150238_foto6.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"Imagem mostra homem de vila na Indon\u00e9sia se comunicando pela linguagem de sinais chamada Kata Kolok\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"375\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Todo kolok tem um nome de sinal que geralmente se refere a sua apar\u00eancia ou a um h\u00e1bito pessoal<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Embora tenha esquecido muitas de suas habilidades em artes marciais, Kolok Getar ainda \u00e9 respeitado na regi\u00e3o, mesmo aos 78 anos de idade. Ele recebeu a responsabilidade pela manuten\u00e7\u00e3o dos canos de \u00e1gua, que, nessa parte \u00e1rida do norte da ilha, s\u00e3o, literalmente, a for\u00e7a vital de sua comunidade. Quando h\u00e1 um cano quebrado, \u00e9 seu trabalho ir at\u00e9 as colinas para encontrar a ruptura. Muitas vezes, a causa s\u00e3o pessoas de uma aldeia vizinha que roubaram \u00e1gua para uso pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>&#8220;Tento nunca usar viol\u00eancia quando pego eles&#8221;, gesticula Kolok Getar com um olhar t\u00e3o duro e determinado que me faz acenar com a cabe\u00e7a concordando energicamente. &#8220;Mas nunca preciso, porque o pessoal por aqui sabe que n\u00e3o deve se meter com um <i>kolok<\/i>. \u00c9 uma regra subentendida.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na BBC &#8211; Kolok Getar flexionou os b\u00edceps, estufou o peito e fez uma cara agressiva. Embora estivesse sentado de pernas cruzadas no ch\u00e3o de concreto, seu semblante assumiu caracter\u00edsticas de um galo de briga pronto para combate.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-20945","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-5rP","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20945","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20945"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20945\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20947,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20945\/revisions\/20947"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20945"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20945"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20945"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}