{"id":21100,"date":"2019-04-01T11:00:42","date_gmt":"2019-04-01T15:00:42","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=21100"},"modified":"2019-04-01T11:00:42","modified_gmt":"2019-04-01T15:00:42","slug":"bolsonaro-obteve-efeito-oposto-ao-desejado-na-imagem-da-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/04\/01\/bolsonaro-obteve-efeito-oposto-ao-desejado-na-imagem-da-ditadura\/","title":{"rendered":"Bolsonaro obteve efeito oposto ao desejado na imagem da ditadura"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"21101\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/04\/01\/bolsonaro-obteve-efeito-oposto-ao-desejado-na-imagem-da-ditadura\/at\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/at.png?fit=810%2C450\" data-orig-size=\"810,450\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"at\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/at.png?fit=300%2C167\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/at.png?fit=600%2C333\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/at.png?resize=600%2C333\" alt=\"at\" width=\"600\" height=\"333\" class=\"alignnone size-full wp-image-21101\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/at.png?w=810 810w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/at.png?resize=300%2C167 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/at.png?resize=768%2C427 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/at.png?resize=540%2C300 540w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>No Blog Da Cidadania &#8211; \u201cIsto aqui \u00e9 uma psican\u00e1lise coletiva\u201d, diz Adriano Diogo, de 70 anos, sentado num banco em frente \u00e0 entrada da 36\u00ba Distrito Policial da Vila Mariana, zona sul de S\u00e3o Paulo. Quando Diogo tinha 23 anos, ele ficou preso nesse mesmo endere\u00e7o, nos pr\u00e9dios do DOI-CODI, comandados pelo temido Coronel Brilhante Ustra. Apanhou pessoalmente de Ustra e foi alvo de seu sadismo como no dia em que o militar mandou cham\u00e1-lo na cela para dar-lhe um recado. \u201cVoc\u00ea conhece Suely Kanayama? Preciso te dar uma not\u00edcia\u201d, disse Ustra. Mostrou-lhe ent\u00e3o uma foto da jovem estudante Suely morta e com o corpo todo retalhado.<!--more--><\/p>\n<p>Diogo, que \u00e0 \u00e9poca integrava a Integrava a A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional, de inspira\u00e7\u00e3o socialista, voltou ao endere\u00e7o que deixou marcas profundas na vida do Brasil no \u00faltimo s\u00e1bado dia 30. H\u00e1 seis anos, ele e outros amigos e colegas se re\u00fanem no estacionamento da hoje delegacia para homenagear as v\u00edtimas da ditadura que foram presas ou morreram nesse endere\u00e7o que se tornou maldito. Muitos dos que ali estavam combinavam de se ver novamente no domingo, para a primeira marcha silenciosa pela mem\u00f3ria das v\u00edtimas que ocorreria no parque Ibirapuera.<\/p>\n<p>Dito e feito, as caras se repetiram no dia seguinte, num ato que reuniu milhares de pessoas e seguiu at\u00e9 uma das sa\u00eddas do parque. \u201cA energia \u00e9 boa, d\u00e1 uma paz estar aqui\u201d, cochichava uma mo\u00e7a para a colega ao lado. Carregando fotos de v\u00edtimas, velas e flores, os manifestantes seguiram em sil\u00eancio, boa parte vestida de preto, parando em frente ao monumento em homenagem aos mortos e desaparecidos da ditadura, inaugurado em dezembro de 2014.<\/p>\n<p>Outros atos se repetiram no Rio, Recife, Fortaleza, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Palmas, Florian\u00f3polis, Bras\u00edlia e Bel\u00e9m, num rev\u00e9s \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es de defesa da ditadura militar feitas pelo presidente Jair Bolsonaro. Em visita a Israel, Bolsonaro n\u00e3o se manifestou sobre a data em suas redes sociais. Mas tudo indica que pode ter dado o seu aval para que um v\u00eddeo fosse divulgado por um dos whatsapp do Governo, onde um senhor diz que o Ex\u00e9rcito salvou o Brasil dos comunistas. Uma voz em off diz ent\u00e3o \u201cO Ex\u00e9rcito n\u00e3o quer palmas, o Ex\u00e9rcito apenas cumpriu o seu papel\u201d. Sem legendas no v\u00eddeo, e sem maiores explica\u00e7\u00f5es, o Governo jogou mais lenha na pol\u00eamica que ele j\u00e1 havia fomentado quando recomendou ao Minist\u00e9rio da Defesa a celebra\u00e7\u00e3o do dia 31.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 TV na \u00faltima quarta, Bolsonaro chegou a dizer que o Brasil n\u00e3o viveu ditadura e que o regime teve apenas \u201calguns probleminhas\u201d. Ele chegou a comparar os anos de chumbo \u2013 quando at\u00e9 crian\u00e7as foram violentadas, sequestradas e mortas e ativistas tiveram animais e insetos inseridos pelos \u00f3rg\u00e3os sexuais \u2013, a um casamento. \u201cQual casamento \u00e9 uma maravilha? De vem em quando tem um probleminha\u201d, afirmou. Bolsonaro disse ainda que o fato de os militares terem sa\u00eddo do poder mostra que o regime n\u00e3o existia. \u201cE onde voc\u00ea viu uma ditadura entregar pra oposi\u00e7\u00e3o de forma pac\u00edfica o governo? S\u00f3 no Brasil. Ent\u00e3o, n\u00e3o houve ditadura\u201d, disse ele, esquecendo que em outras ditaduras aconteceu o mesmo, como no Chile, onde um plebiscito foi realizado em 1988, em pleno regime do General Augusto Pinochet, para perguntar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o se eles queriam a continuidade do regime. Os chilenos disseram n\u00e3o.<\/p>\n<p>No ato do Ibirapuera, em frente ao monumento pelos mortos, os manifestantes repetiam os nomes das v\u00edtimas da ditadura seguidos em coro pela palavra \u201cpresente\u201d. Marielle Franco e Anderson Gomes tamb\u00e9m foram mencionados assim como as v\u00edtimas de chacinas nas periferias do pa\u00eds. A cita\u00e7\u00e3o faz alus\u00e3o \u00e0 falta de puni\u00e7\u00e3o a crimes cometidos por policiais e ex-policiais, um entulho da ditadura que o Brasil carrega.<\/p>\n<p>Um dia antes, no estacionamento do 36\u00ba DP, um homem carregava um pequeno cartaz onde se lia: Mais de 8.350 ind\u00edgenas mortos pela ditaduras em apenas dez povos estudados pela Comiss\u00e3o da Verdade. A insist\u00eancia do presidente Bolsonaro em reduzir o tamanho da trag\u00e9dia provocada pela ditadura parece ati\u00e7ar ainda mais aqueles que perderam entes queridos ou foram torturados durante o regime a refor\u00e7ar a mem\u00f3ria dos anos de chumbo, inclusive refazendo as contas da quantidade de mortos que a ditadura brasileira deixou. Pela Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, s\u00e3o 434 nomes que o Estado brasileiro executou. Mas, h\u00e1 ainda muitas lacunas abertas sobre o regime.<\/p>\n<p>Foi naquele endere\u00e7o do 36\u00ba que o jornalista Vladimir Herzog teve sua morte forjada, como sendo um suposto suic\u00eddio. Passou pelas depend\u00eancias do DOI tamb\u00e9m Lucio Belitani, que depois seria encaminhado para o antigo Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (Dops), onde ficou preso dois anos. Viveu os terrores da tortura por oito meses. \u201cN\u00e3o ficaram sequelas f\u00edsicas daquele tempo, mas outro tipo de ferida. Em datas como esta, costumo ter pesadelos\u201d, diz ele com os olhos marejados. \u201cA hist\u00f3ria da ditadura sequer come\u00e7ou a ser contada\u201d, diz Adriano Diogo, lembrando a quantidade de testemunhos que est\u00e3o gravados nas diversas comiss\u00f5es da verdade que o pa\u00eds abriu. \u201cO Brasil ainda vai brotar\u201d, confia ele, que diz lavar a dor do passado todos os anos em cada ato que participa.<\/p>\n<p>Apesar da resili\u00eancia de quem carrega as dores do per\u00edodo militar, o Brasil polarizado com um presidente que minimiza os horrores do per\u00edodo abre espa\u00e7o para a agressividade quando o tema est\u00e1 em debate. Na avenida Paulista, manifestante pr\u00f3 e contra a ditadura entraram em confronto, como informa a Ponte Jornalismo. Com paus de bandeira, socos, e chutes, os dois grupos se enfrentaram em plena avenida, fechada para lazer aos domingos.<\/p>\n<p>Na porta da delegacia da Vila Mariana, dois investigadores do 36\u00ba observavam de longe o ato pelas v\u00edtimas. \u201c\u00c9 importante olhar o passado, os erros, a mem\u00f3ria do pa\u00eds\u201d, diz um deles. Mas n\u00e3o escondem que se incomodam pela presen\u00e7a de algumas bandeiras de partido e pol\u00edticos do PSOL e PT. \u201cParece oportunismo\u201d, dizem. Tanto ali como no Ibirapuera o grito \u201cLula livre\u201d foi ouvidos. Com a rejei\u00e7\u00e3o ao partido do ex-presidente hoje preso em Curitiba, a pacifica\u00e7\u00e3o do pa\u00eds para debater a ditadura parece ainda distante.<\/p>\n<p>Do El Pa\u00eds<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Blog Da Cidadania &#8211; \u201cIsto aqui \u00e9 uma psican\u00e1lise coletiva\u201d, diz Adriano Diogo, de 70 anos, sentado num banco em frente \u00e0 entrada da 36\u00ba Distrito Policial da Vila Mariana, zona sul de S\u00e3o Paulo. 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