{"id":21185,"date":"2019-04-08T09:43:09","date_gmt":"2019-04-08T13:43:09","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=21185"},"modified":"2019-04-08T09:43:09","modified_gmt":"2019-04-08T13:43:09","slug":"na-argentina-de-macri-muitos-ja-nao-tem-mais-o-que-comer","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/04\/08\/na-argentina-de-macri-muitos-ja-nao-tem-mais-o-que-comer\/","title":{"rendered":"Na Argentina de Macri, muitos j\u00e1 n\u00e3o tem mais o que comer"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"21186\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/04\/08\/na-argentina-de-macri-muitos-ja-nao-tem-mais-o-que-comer\/ffab5672-7cbf-4a8f-b1be-d4dfbc6f7420\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/FFAB5672-7CBF-4A8F-B1BE-D4DFBC6F7420.png?fit=756%2C420\" data-orig-size=\"756,420\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"FFAB5672-7CBF-4A8F-B1BE-D4DFBC6F7420\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/FFAB5672-7CBF-4A8F-B1BE-D4DFBC6F7420.png?fit=300%2C167\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/FFAB5672-7CBF-4A8F-B1BE-D4DFBC6F7420.png?fit=600%2C333\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/FFAB5672-7CBF-4A8F-B1BE-D4DFBC6F7420.png?resize=600%2C333\" alt=\"FFAB5672-7CBF-4A8F-B1BE-D4DFBC6F7420\" width=\"600\" height=\"333\" class=\"alignnone size-full wp-image-21186\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/FFAB5672-7CBF-4A8F-B1BE-D4DFBC6F7420.png?w=756 756w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/FFAB5672-7CBF-4A8F-B1BE-D4DFBC6F7420.png?resize=300%2C167 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/FFAB5672-7CBF-4A8F-B1BE-D4DFBC6F7420.png?resize=540%2C300 540w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>A argentina Mabel \u00e9 empregada dom\u00e9stica e seu marido trabalha no setor de transportes de carga. O dinheiro nunca sobrou na casa da fam\u00edlia, mas, at\u00e9 recentemente, eles conseguiam se manter e sustentar a filha de 6 anos.<\/p>\n<p>Isso mudou.<!--more--><\/p>\n<p>\u201cMeu marido n\u00e3o tem conseguido trabalho, e o meu dinheiro n\u00e3o chega at\u00e9 o fim do m\u00eas\u201d, conta Mabel \u00e0 BBC News Mundo, servi\u00e7o em espanhol da BBC.<\/p>\n<p>\u201cFaz muito tempo que n\u00e3o consigo comprar frutas para minha filha. Outro dia ela me disse: \u2018estou com fome, mam\u00e3e&#8217;\u201d, acrescenta, com os olhos marejados.<\/p>\n<p>Mabel \u00e9 uma entre centenas de milhares de pessoas que formam a classe oper\u00e1ria argentina e que hoje correm o risco de sucumbir \u00e0 pobreza.<\/p>\n<p>Estat\u00edsticas oficiais de 2018 rec\u00e9m-publicadas pelo governo d\u00e3o a dimens\u00e3o do problema: 32% dos argentinos s\u00e3o pobres, um aumento de 6,3% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior.<\/p>\n<p>S\u00e3o, na pr\u00e1tica, 2,7 milh\u00f5es de pessoas que ca\u00edram para baixo da linha de pobreza no intervalo de apenas um ano. Delas, cerca de 800 mil vivem na indig\u00eancia.<\/p>\n<p>O mesmo Instituto Nacional de Estat\u00edstica e Censo (Indec) que divulgou o avan\u00e7o da pobreza tamb\u00e9m indicou de quanto dinheiro uma fam\u00edlia t\u00edpica (dois adultos e duas crian\u00e7as) precisa mensalmente para n\u00e3o ser pobre: 27.570 pesos (cerca de R$ 2.500).<\/p>\n<p>Isso, por\u00e9m, equivale a mais de dois sal\u00e1rios m\u00ednimos, hoje em 12.500 pesos (R$ 1.127) \u2013 da\u00ed a dificuldade para tantos argentinos conseguirem se sustentar.<\/p>\n<p>Os idosos tamb\u00e9m s\u00e3o um grupo economicamente vulner\u00e1vel: a aposentadoria m\u00ednima \u2013 recebida por cerca de 70% dos 8 milh\u00f5es de aposentados do pa\u00eds \u2013 \u00e9 de 10.400 pesos (R$ 940).<\/p>\n<p>Ou seja, para grande parte da popula\u00e7\u00e3o, a conta simplesmente n\u00e3o fecha. E por tr\u00e1s disso est\u00e1 uma conjun\u00e7\u00e3o de graves problemas econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>O motivo pelo qual muitos sal\u00e1rios perderam poder de compra em 2018 foi a vertiginosa infla\u00e7\u00e3o: de 47% no ano passado, a mais elevada em quase tr\u00eas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Essa alta est\u00e1 diretamente atrelada ao fort\u00edssimo aumento do d\u00f3lar, que dobrou de valor no \u00faltimo ano perante o peso.<\/p>\n<p>Isso, em meio ao estancamento da economia \u2013 ou seja, a uma recess\u00e3o -, for\u00e7ou muitas pequenas e m\u00e9dias empresas a fecharem suas portas, levando consigo milhares de empregos.<\/p>\n<p>Segundo as cifras oficiais, o desemprego aumentou quase dois pontos percentuais em 2018, alcan\u00e7ando 9,1%, o \u00edndice mais alto desde 2005. Tamb\u00e9m cresceu a precariedade do trabalho.<\/p>\n<p>E, embora o aumento do d\u00f3lar afete principalmente os pre\u00e7os dos produtos importados, o impacto cambial se reflete em praticamente todo o com\u00e9rcio argentino \u2013 em um n\u00edvel maior do que em qualquer outro pa\u00eds latino-americano. Segundo economistas, diante de uma ind\u00fastria pouco diversificada e de uma hist\u00f3rica falta de confian\u00e7a dos argentinos em sua moeda, mudan\u00e7as cambiais s\u00e3o sentidas com mais for\u00e7a do que nos vizinhos.<\/p>\n<p>O pre\u00e7o do litro de leite \u00e9 um dos que mais dispararam: de 10,50 pesos (R$ 0,95 na cota\u00e7\u00e3o atual) no final de 2015, quando tomou posse o presidente Mauricio Macri, para 40 pesos (R$ 3,60).<\/p>\n<p>O queijo, a manteiga e a carne tamb\u00e9m se tornaram itens fora do alcance do bolso de muitos argentinos de classe m\u00e9dia baixa.<\/p>\n<p>Muitas fam\u00edlias, como a de Mabel, pararam de comprar frutas, verduras e carnes, e hoje sua dieta se baseia em alimentos mais baratos, mas de menor valor nutricional, como o macarr\u00e3o.<\/p>\n<p>O Unicef, bra\u00e7o da ONU para a inf\u00e2ncia, advertiu recentemente que o impacto da pobreza na Argentina tem efeitos especialmente graves sobre as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>\u201cCerca de 42% (ou 5,5 milh\u00f5es) dos meninos, meninas e adolescentes vivem abaixo da linha de pobreza\u201d, advertiu um relat\u00f3rio da organiza\u00e7\u00e3o publicado no final de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>O \u00f3rg\u00e3o adverte que quase metade das crian\u00e7as argentinas \u201csofre ao menos uma priva\u00e7\u00e3o em seus direitos b\u00e1sicos e fundamentais\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA Argentina enfrenta atualmente uma situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica complexa, tanto do ponto de vista dos indicadores macroecon\u00f4micos como em rela\u00e7\u00e3o a indicadores sociais e \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida de uma parte significativa da popula\u00e7\u00e3o\u201d, prosseguiu o texto.<\/p>\n<p>Mas talvez o mais preocupante seja o fato de que o panorama para 2019 esteja longe de ser alentador.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o, a moeda argentina voltou a sofrer outra brutal desvaloriza\u00e7\u00e3o, e a escalada do d\u00f3lar j\u00e1 alcan\u00e7ou 13% neste primeiro trimestre.<\/p>\n<p>Como isso afeta diretamente os pre\u00e7os nas g\u00f4ndolas, mais pessoas t\u00eam mais dificuldades em adquirir bens b\u00e1sicos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, em abril foram anunciados novos aumentos nos pre\u00e7os do transporte p\u00fablico e dos combust\u00edveis \u2013 s\u00f3 o g\u00e1s subiu mais de 1.000% desde a posse de Macri.<\/p>\n<p>O mal-estar social gerado pelos chamados \u201ctarifa\u00e7os\u201d, em meio \u00e0 desvaloriza\u00e7\u00e3o e \u00e0 recess\u00e3o, pode se tornar mais agudo \u00e0 medida que se aproxima o 11 de agosto, data em que os argentinos ir\u00e3o \u00e0s urnas para escolher, em prim\u00e1rias, quem disputar\u00e1 a elei\u00e7\u00e3o presidencial de 27 de outubro. O pleito possivelmente voltar\u00e1 a colocar frente a frente Macri e sua antecessora e rival, Cristina Kirchner.<\/p>\n<p>O governo, ao mesmo tempo, diz que a situa\u00e7\u00e3o vai melhorar.<\/p>\n<p>\u201cEm nenhum momento existe mais escurid\u00e3o do que no segundo antes do amanhecer\u201d, afirmou Macri, em um questionado bord\u00e3o pronunciado em meio \u00e0 mais recente escalada do d\u00f3lar.<\/p>\n<p>O presidente tamb\u00e9m pediu paci\u00eancia \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas t\u00eam de aguentar, temos de sair todos juntos dessa situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o existem solu\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas\u201d, afirmou, atribuindo os problemas ao que chama de medidas populistas implementadas pelo kirchnerismo.<\/p>\n<p>Segundo alguns economistas, existem alguns poucos sinais de melhora no curto prazo.<\/p>\n<p>Neste m\u00eas, come\u00e7am a entrar no pa\u00eds os d\u00f3lares provenientes da colheita da soja \u2013 que deve ser recorde -, al\u00e9m de cerca de US$ 10 bilh\u00f5es de um total de US$ 57 bilh\u00f5es do empr\u00e9stimo que a Argentina pediu ao Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI).<\/p>\n<p>E, no meio de tantos indicadores negativos, a atividade econ\u00f4mica trouxe alento ao subir 0,6% em janeiro \u2013 primeiro n\u00famero positivo depois de um ano em baixa.<\/p>\n<p>O governo afirma que isso \u00e9 um sinal de que a economia, depois de ter chegado ao fundo do po\u00e7o, est\u00e1 reagindo.<\/p>\n<p>Mas essa cifra ainda n\u00e3o significa muito para as milh\u00f5es de pessoas preocupadas em como alimentar seus filhos ou pagar suas contas de g\u00e1s, que devem encarecer \u00e0 medida que o inverno se aproxima.<\/p>\n<p>Muitos argentinos pedem ajustes salariais indexados \u00e0 infla\u00e7\u00e3o, uma queixa que \u2013 liderada pelos sindicatos \u2013 deve aumentar as tens\u00f5es sociais com a aproxima\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es presidenciais.<\/p>\n<p>Da BBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A argentina Mabel \u00e9 empregada dom\u00e9stica e seu marido trabalha no setor de transportes de carga. 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