{"id":22142,"date":"2019-06-05T15:07:29","date_gmt":"2019-06-05T19:07:29","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=22142"},"modified":"2019-06-05T15:07:29","modified_gmt":"2019-06-05T19:07:29","slug":"atlas-da-violencia-os-fatores-que-levaram-norte-e-nordeste-a-serem-as-regioes-com-mais-homicidios-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/06\/05\/atlas-da-violencia-os-fatores-que-levaram-norte-e-nordeste-a-serem-as-regioes-com-mais-homicidios-do-brasil\/","title":{"rendered":"Atlas da Viol\u00eancia: os fatores que levaram Norte e Nordeste a serem as regi\u00f5es com mais homic\u00eddios do Brasil"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"22143\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2019\/06\/05\/atlas-da-violencia-os-fatores-que-levaram-norte-e-nordeste-a-serem-as-regioes-com-mais-homicidios-do-brasil\/bala-5\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/bala.jpg?fit=320%2C180\" data-orig-size=\"320,180\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"bala\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/bala.jpg?fit=300%2C169\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/bala.jpg?fit=320%2C180\" class=\"alignnone size-full wp-image-22143\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/bala.jpg?resize=320%2C180\" alt=\"bala\" width=\"320\" height=\"180\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/bala.jpg?w=320 320w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/bala.jpg?resize=300%2C169 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/p>\n<p>Norte e Nordeste v\u00eam se revezando, nessa d\u00e9cada, na ingrata posi\u00e7\u00e3o de regi\u00e3o mais violenta do Brasil.<!--more--><\/p>\n<p>Leandro Machado<br \/>\nDa BBC News Brasil em S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>Em 2017, os nove estados nordestinos chegaram novamente ao topo do ranking, segundo o Atlas da Viol\u00eancia &#8211; levantamento de homic\u00eddios relatados pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS).<\/p>\n<p>A nova pesquisa, com dados relativos a 2017, foi divulgada na quarta-feira (05\/06) pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) e pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica.<\/p>\n<p>O Atlas da Viol\u00eancia resume o cen\u00e1rio. &#8220;Nos \u00faltimos anos, enquanto houve uma residual diminui\u00e7\u00e3o (da taxa de homic\u00eddios) nas regi\u00f5es Sudeste e Centro-Oeste, observou-se certa estabilidade do \u00edndice na regi\u00e3o Sul e crescimento acentuado no Norte e no Nordeste.&#8221;<\/p>\n<p>Por Estado, os n\u00fameros s\u00e3o ainda mais dram\u00e1ticos. Enquanto S\u00e3o Paulo registra 10,3 homic\u00eddios por 100 mil pessoas &#8211; a menor taxa do pa\u00eds -, os nordestinos Rio Grande do Norte e Cear\u00e1 bateram 62,8 e 60,2, respectivamente.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Acre (62,2) e o Par\u00e1 (54,7) despontam como campe\u00f5es de homic\u00eddios no Norte.<\/p>\n<p>Mas por que isso vem ocorrendo? Por que regi\u00f5es antes consideradas mais tranquilas hoje vivem uma esp\u00e9cie de epidemia de assassinatos? A BBC News Brasil ouviu especialistas em seguran\u00e7a p\u00fablica para tentar entender o fen\u00f4meno.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Superlota\u00e7\u00e3o de pres\u00eddios<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/A818\/production\/_96823034_7dcad1f1-8884-4254-afe1-80c81c13bc32.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"Rebeli\u00e3o em Alca\u00e7uz\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">AFP<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">No pres\u00eddio de Alca\u00e7uz, na regi\u00e3o metropolitana de Natal, ao menos 26 presos da fac\u00e7\u00e3o Sindicato do Crime foram mortos por integrantes do PCC<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Em apenas dez anos, os homic\u00eddios no Rio Grande do Norte, por exemplo, deram um salto de 229% e colocaram o Estado na posi\u00e7\u00e3o de mais violento do pa\u00eds nesse quesito. Em n\u00fameros absolutos, ele saiu de 589 assassinatos em 2007 para 2.203 em 2017.<\/p>\n<p>Para Tadeu Brand\u00e3o, pesquisador do Observat\u00f3rio da Viol\u00eancia do Rio Grande do Norte e professor da Universidade Federal Rural do Semi-\u00c1rido, o crescimento econ\u00f4mico desordenado do Nordeste e a falta de boas estrututas no sistema carcer\u00e1rio e nas pol\u00edcias ajudam a explicar a escalada da viol\u00eancia na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;O boom econ\u00f4mico vivido pelo Nordeste n\u00e3o foi acompanhado por investimentos no treinamento e fortalecimento das pol\u00edcias e melhorias no sistema prisional. Cidades at\u00e9 ent\u00e3o pequenas e pacatas cresceram muito, mas a infraestrutura policial e social n\u00e3o acompanhou&#8221;, explica.<\/p>\n<p>&#8220;Por outro lado, a Justi\u00e7a n\u00e3o se preocupou em combater as grandes redes criminosas, as fac\u00e7\u00f5es. Ficou concentrada em prender pequenos traficantes, que v\u00e3o para pres\u00eddios em p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es. Esses &#8216;avi\u00f5ezinhos&#8217;, pequenos delinquentes, acabam sendo cooptados pelas fac\u00e7\u00f5es e se tornam grande delinquentes&#8221;, diz.<\/p>\n<p>J\u00e1 o sistema prisional do RN, como tamb\u00e9m ocorre em todo o pa\u00eds, \u00e9 superlotado. Levantamento do governo federal relativo a junho de 2016, \u00faltimos dados dispon\u00edveis, apontam que o Estado tinha 4.265 vagas nas pris\u00f5es, mas abrigava 8.696 detentos &#8211; mais que o dobro da capacidade.<\/p>\n<p>Em janeiro de 2017, 26 presos foram assassinados no pres\u00eddio de Alca\u00e7uz, regi\u00e3o metropolitana de Natal, durante uma disputa entre duas fac\u00e7\u00f5es criminosas.<\/p>\n<p>Para\u00edba e Pernambuco vivem o mesmo drama da superlota\u00e7\u00e3o. Segundo o Conselho Nacional de Justi\u00e7a, a Para\u00edba apresenta um d\u00e9ficit de 5.430 vagas &#8211; no total, o Estado tem 13.189 presos. Pernambuco tem 32.884 detentos para 11.689 vagas &#8211; d\u00e9ficit de mais de 21 mil.<\/p>\n<p>O problema se estende \u00e0 regi\u00e3o Norte.<\/p>\n<p>Em junho de 2016, o Amazonas tinha uma popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria de 11.390 pessoas para apenas 2.554 vagas &#8211; uma taxa de ocupa\u00e7\u00e3o de 484%, a pior do pa\u00eds. Na semana passada,\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-48428432\">ao menos 55 presos foram assassinados<\/a>\u00a0em pres\u00eddios do Estado, repetindo um massacre ocorrido em 2017.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">As fac\u00e7\u00f5es criminosas<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1056D\/production\/_104252966_balas2.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"Vidro perfurado por bala.\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">O aumento da presen\u00e7a de fac\u00e7\u00f5es criminosas \u00e9 um dos fatores que explicam a alta de homic\u00eddios no Norte e no Nordeste<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Em meados da d\u00e9cada passada, a fac\u00e7\u00e3o criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), hegem\u00f4nica no controle do tr\u00e1fico em S\u00e3o Paulo, expandiu seus neg\u00f3cios para Estados nordestinos e do Norte. O mesmo ocorreu com o Comando Vermelho (CV), oriundo do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Elas passaram a atuar no atacado da droga, repassando os produtos para grupos menores venderem nas ruas. Esse processo foi relatado no livro\u00a0<i>A Guerra: a Ascens\u00e3o do PCC e o Mundo do Crime no Brasil<\/i>\u00a0(Ed. Todavia), escrito pelos pesquisadores Bruno Paes Manso e Camila Nunes Dias.<\/p>\n<p>A chegada dessas redes, levando a uma maior oferta de drogas e armas, aumentaram rivalidades entre traficantes locais.<\/p>\n<p>&#8220;Essa din\u00e2mica gerou muitos conflitos pelo controle de territ\u00f3rios urbanos. Houve uma grande entrada de armas, muitas delas de grosso calibre, para alimentar essas disputas e a viol\u00eancia&#8221;, explica Luiz F\u00e1bio Paiva, professor de sociologia e pesquisador do Laborat\u00f3rio de Estudos da Viol\u00eancia da Universidade Federal do Cear\u00e1.<\/p>\n<p>&#8220;Os Estados n\u00e3o se preparam para esse fen\u00f4meno, n\u00e3o investiram na renova\u00e7\u00e3o das estruturas de seguran\u00e7a p\u00fablica.&#8221;<\/p>\n<p>Grupos locais surgiram para se contrapor \u00e0 presen\u00e7a do PCC. S\u00e3o os casos do potiguar Sindicato do Crime e da paraibana Okaida, que\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-47942626\">cresceram principal com aliciamento de jovens e adolescentes<\/a>.<\/p>\n<p>Essas quadrilhas se aliaram ao CV e \u00e0 Fam\u00edlia do Norte, do Amazonas, para funcionar como alternativa \u00e0 atua\u00e7\u00e3o dos paulistas no mercado da droga.<\/p>\n<p>No Cear\u00e1, ao menos quatro fac\u00e7\u00f5es se dividem no controle do tr\u00e1fico de drogas &#8211; PCC, CV, Guardi\u00f5es do Estado e Fam\u00edlia do Norte.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/0144\/production\/_107142300_presdio2.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"Parentes em frente a pres\u00eddio em Manaus\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">REUTERS<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Na semana passada, ao menos 55 presos morreram em um massacre em pres\u00eddios de Manaus<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>J\u00e1 a regi\u00e3o Norte \u00e9 estrat\u00e9gica por dois motivos: serve como escoamento de drogas para a Europa e \u00e9 uma rota de transporte de drogas produzidas em pa\u00edses vizinhos, como Col\u00f4mbia e Peru.<\/p>\n<p>A Fam\u00edlia do Norte hoje tem forte influ\u00eancia na \u00e1rea, controlando a tr\u00edplice fronteira, onde agencia produtores e as chamadas &#8220;mulas&#8221; para transportar a droga para o Brasil.<\/p>\n<p>O mais recente massacre nos pres\u00eddios de Manaus, quando 55 presos foram mortos, foi motivado por uma disputa pelo controle dentro da fac\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outras fac\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m atuam na \u00e1rea, embora com poder de fogo menor que a Fam\u00edlia do Norte. \u00c9 o caso do Bonde dos 13, que disputa o controle do tr\u00e1fico no Acre com CV e PCC.<\/p>\n<p>&#8220;O crescimento econ\u00f4mico das regi\u00f5es Norte e Nordeste tamb\u00e9m formou novos mercados consumidores de drogas que antes n\u00e3o eram encontradas. N\u00e3o \u00e9 que o Nordeste e o Norte apenas s\u00e3o rotas de passagem para o tr\u00e1fico, eles tamb\u00e9m passaram a consumir&#8221;, diz Paiva.<\/p>\n<p>&#8220;Al\u00e9m disso, tem a din\u00e2mica do crime organizado&#8221;, diz Renato Sergio de Lima, pesquisador do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica.<\/p>\n<p>&#8220;Enquanto 15 Estados do pa\u00eds reduziram a viol\u00eancia, 12 puxaram o crescimento para cima, e eles est\u00e3o justamente nessas regi\u00f5es (Norte e Nordeste). 2017 foi o \u00e1pice da briga por rotas nacionais e internacionais de drogas e armas.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">A presen\u00e7a das mil\u00edcias<\/h2>\n<p>Al\u00e9m do Acre e do Amazonas, o Estado do Par\u00e1 tamb\u00e9m registrou aumento expressivo dos homic\u00eddios. Segundo o Atlas da Viol\u00eancia, a taxa de assassinatos subiu 81% entre 2007 e 2017.<\/p>\n<p>Um fator diferente ajuda a explicar a alta: a presen\u00e7a de mil\u00edcias armadas, tanto nas regi\u00f5es rurais quanto na capital, Bel\u00e9m.<\/p>\n<p>Em entrevista recente \u00e0 BBC News Brasil, o promotor militar Armando Brasil, respons\u00e1vel do Minist\u00e9rio P\u00fablico paraense por investigar m\u00e1 conduta de policiais militares, o Par\u00e1 enfrenta um conflito armado entre grupos de traficantes e mil\u00edcias.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1B0D\/production\/_104252960_para.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"Policiais militares revistam homens nas ruas de Bel\u00e9m, Par\u00e1\" width=\"600\" height=\"338\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">AG\u00caNCIA PAR\u00c1<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Segundo promotor Armando Brasil, bairros da periferia de Bel\u00e9m t\u00eam presen\u00e7a de mil\u00edcias armadas e grupos de traficantes<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>No ano passado, mais de 40 policiais militares morreram no Estado. Em alguns casos, as mortes foram seguidas por chacinas em bairros pobres.<\/p>\n<p>No dia 24 de outubro de 2017, por exemplo, tr\u00eas dias depois de um final de semana violento, oito pessoas morreram e tr\u00eas ficaram feridas quando dois motoqueiros abriram fogo em uma rua do bairro Tapan\u00e3, na periferia da capital. Cinco dias antes, um policial tinha morrido no mesmo bairro.<\/p>\n<p>No campo, a disputa fundi\u00e1ria tamb\u00e9m produz viol\u00eancia. Em 24 de maio de 2017, dez militantes sem-teto foram assassinados em uma ocupa\u00e7\u00e3o &#8211; 16 policiais militares foram acusados pelo crime, mas ainda n\u00e3o foram julgados.<\/p>\n<p>&#8220;As mil\u00edcias ganharam poder em raz\u00e3o dessa aus\u00eancia do Estado nos bairros mais pobres. Se o Estado n\u00e3o ocupa os espa\u00e7os p\u00fablicos da forma devida, se n\u00e3o oferece seguran\u00e7a para a popula\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o faz policiamento em \u00e1reas com muitos roubos, os milicianos passam a oferecer esses servi\u00e7os&#8221;, disse o promotor.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Planos de seguran\u00e7a<\/h2>\n<p>Para tentar diminuir os \u00edndices de viol\u00eancia, governos estaduais criaram planos de seguran\u00e7a que, certa forma, atingiram o objetivo a curto prazo.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso do Programa Para\u00edba Unida pela Paz, um dos respons\u00e1veis pela redu\u00e7\u00e3o na taxa de homic\u00eddios no Estado que ocorre desde 2011.<\/p>\n<p>O projeto foi inspirado no Pacto Pela Vida, criado pelo ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos. O programa, que priorizava investiga\u00e7\u00f5es de homic\u00eddios, conseguiu diminuir em 31% o n\u00famero de mortes violentas em Pernambuco entre 2008 e 2013, mas depois os \u00edndices voltaram a subir.<\/p>\n<p>Em 2017, segundo o Atlas da Viol\u00eancia, a taxa de homic\u00eddios no Estado chegou a 57,2 por 100 mil habitantes &#8211; um crescimento de 7% em rela\u00e7\u00e3o a 2007, anulando a queda anterior.<\/p>\n<p>Para Paiva, os programas de seguran\u00e7a s\u00e3o ben\u00e9ficos, mas precisam ser encarados como pol\u00edticas de Estado e n\u00e3o apenas do governo de ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Os programas falam de integra\u00e7\u00e3o entre as pol\u00edcias, Minist\u00e9rio P\u00fablico e Justi\u00e7a. Com o passar o tempo e a mudan\u00e7a de governos, o foco muda e fica mais dif\u00edcil cobrar efetividade. Ent\u00e3o, esses projetos funcionam a curto prazo, mas n\u00e3o conseguem mudar as estruturas da viol\u00eancia&#8221;, diz.<\/p>\n<p><i>Colaborou Paula Adamo Idoeta<\/i><\/p>\n<figure class=\"media-landscape no-caption body-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1683C\/production\/_104602229_line976.jpg?resize=464%2C2&#038;ssl=1\" alt=\"L\u00ednea\" width=\"464\" height=\"2\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Norte e Nordeste v\u00eam se revezando, nessa d\u00e9cada, na ingrata posi\u00e7\u00e3o de regi\u00e3o mais violenta do Brasil.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-22142","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-5L8","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22142","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22142"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22142\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22144,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22142\/revisions\/22144"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22142"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22142"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22142"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}